PREÇOS E EQUIPAMENTOS

MOEDA

Moeda comum

Maravedí (ma.)– unidade básica.

Moedas de Prata

Real – 34 maravedís

Meio peso – 136 maravedís / 4 reales

Peso – 272 maravedís / 8 reales

Marco de prata – 2.176 maravedís / 8 pesos

Moedas de ouro

Escudo – 544 maravedís / 16 reales / 2 pesos

Meio dobrão – 2.172 maravedís / 8 pesos / 1 marco de prata / 4 escudos

Dobrão – 4.344 maravedís / 16 pesos / 2 marcos de prata / 8 escudos

Marco de ouro – 36.992 maravedís / 17 marcos de prata / 68 escudos

Moeda castelhana x Moeda lusitana

1,5 maravedí (ma.) = 1 real lusitano

1 real castelhano = 22 réis

1 peso = 181 réis

1 escudo = 363 réis

1 dobrão = 2.896 réis

Valor Ouro/Prata

1g de prata = 11 ma.

1g de ouro = 175 ma.

1lb de prata = 4.983 ma.

1lb de ouro = 79.275 ma.

1lb de pedras semi-preciosas = 24.260 ma.

1lb de pedras preciosas = 36.400 ma.

Medidas de peso

Libra (lb) = 453 gramas

Arroba = 15 kg

Fanega = 100 kg

ARMAS

• Armas brancas

FacaDano: 1d6-1. Preço: 1.500 ma.

AdagaDano: 1d6. Preço: 1.750 ma.

FacãoDano: 1d6+1. Preço: 3.000 ma.

Espada comumDano: 1d6+2. Preço: 3.750 ma.

Espada Toledo y Salamanca – espada nobre, bastante afiada e de cabo trabalhado. Possui a lâmina ligeiramente curva, de apenas um gume. Cara e difícil de encontrar, pois só é feita na Metrópole. Não se encontra à venda. A única maneira de possuí-la é na construção do personagem, se este for da nobreza, ou durante as aventuras, com a ajuda do mestre do jogo. Dano: 1d6+4. Preço: 1 marco de ouro.

• Armas de fogo

Escopeta – espingarda curta que se alarga na ponta. Atinge uma área maior, espalhando o dano. Ideal para alvos grandes e próximos. É a arma de fogo mais popular. Dano: 3d6-2. Preço: 22.500 ma.

Garrucha – pistola pequena de bico largo, espalhando mais a pólvora. Dano: 1d6+1. Preço: 7.500 ma.

Pistola – possui o cano mais fino e mais comprido do que a garrucha. Fácil de carregar. Muito usada por nobres e comerciantes. Dano: 2d6+1. Preço: 15.000 ma.

Mosquete – espingarda comprida e mais pesada, com um cano longo e estreito. Dirige o tiro para alvos pequenos e localizados, concentrando o dano. É mais usada pelos militares. Dano: 3d6. Preço: 30.000 ma.

• Armas de Grande Porte

Canhão – peça de artilharia de uso militar. Arma de longo alcance. Usado em batalhas campais, defesa de fortalezas e em navios. Dano: 10d6+12. Preço: 150.000 ma.

Canhonete – canhão de pequeno porte, de alcance menor, de dano menor, mas de maior mobilidade. Dano: 6d6+6. Preço: 75.000 ma.

• Armas de impacto

Cajado – bastão de madeira longo e fino, com a extremidade superior arqueada. Dano: 1d6-1.

Macana – é o porrete inca/illimani. Um bastão de madeira que atravessa uma pedra polida e arredondada. Não se encontra à venda. Ou o personagem tem, ou faz, ou ganha. Na prática, só os índios menos colonizados a usam. Dano: 1d6+2.

Porrete – bastão de madeira com saliência arredondada em um dos extremos. Dano: 1d6. Preço: 750 ma.

Porrete de metal – outro tipo de porrete inca/illimani. Na ponta do bastão de madeira há um objeto de metal com formato estrelado. Assim como a macana, não se encontra normalmente. Dano impactante, mas se atingir diretamente o corpo pode fazer um dano perfurante (fazer um teste difícil de Força). Dano: 1d6+3.

Porrete de pedra – outro porrete inca/illimani, igual ao porrete de metal, mas o objeto estrelado é feito de pedra. Faz menos dano, mas é mais fácil de fazer. Dano: 1d6+3.

Tacape – arma das tribos da selva. É uma espécie de espada de madeira, de ponta larga e afiada. Só é utilizada pelos índios e não se encontra nas cidades, nem na costa e nem na serra. Seu dano principal é impactante, mas pode fazer um dano cortante (teste difícil de Força). Dano: 1d6+1.

• Armas de Arremesso

Arco e flecha pequeno – arco pequeno, de fácil construção, que atira pequenas flechas de madeira. Tanto podem ser de origem indígena quanto de um caçador branco, mestiço ou inca/illimani. Os índios costumam usar suas flechas com veneno. Geralmente são feitas por quem as usa, mas podem ser compradas. Dano: 1d6. Alcance: 150m. Preço: 1.750 ma.

Arco e flecha militar – arco de madeira trabalhada, fio resistente e flechas de metal. Arma bastante comum dos antigos soldados do Velho Mundo. Com a descoberta das armas de fogo, seu uso caiu bastante. Considerada uma arma elegante, alguns nobres e cavaleiros a utilizam, nem que seja apenas em caçadas. É bem mais eficiente que o arco comum, mas é caro e difícil de encontrar na colônia. Dano: 1d6+2. Alcance: 200m. Preço: 2 dobrões.

Arco e flecha grande – arcos utilizados apenas pelas tribos da selva. São imensos, quase do tamanho do próprio guerreiro, assim como suas flechas de madeira. Algumas tribos chegam a usá-las com as pernas, puxando a corda com as duas mãos. Embora menos prática que o arco militar, seu dano é quase mortal, a ponto dos índios nem colocarem veneno nas flechas. Dano: 1d6+4. Alcance: 150m.

Funda – um laçado de lã utilizado para lançar projéteis, geralmente pedras. Arma simples e bastante utilizada pelos incas/illimani. No Velho Mundo se utiliza a funda de couro. Dano impactante. Dano: 1d6+1. Alcance: 70m.

Lança de madeira – haste comprida de madeira pontiaguda. Utilizada por todas as diferentes culturas de Nova Castela, inclusive os negros. Pode ser usada empunhada, para dar estocadas e manter o inimigo distante, ou em arremessos. As lanças dos índios da selva são mais curtas e próprias para arremessos, chamadas de azagaia. Dano: 1d6+1. Alcance: 20m.

Lança de metal – haste de madeira com ponta de metal. Essa é a única diferença da lança de madeira, além do dano superior. Utilizada tanto por incas/illimani quanto por castelhanos. Dano perfurante. Dano: 1d6+3. Alcance: 10m. Preço: 3.000 ma.

• Armas Diversas

Boleadeira – instrumento de três bolas de pedra envolvidas num couro espesso e ligadas entre si por cordas de couro, sendo uma das cordas menor do que as outras. Usada originalmente para laçar animais, mas pode ser usada como arma de combate. Arma regional, pouco comum. Dano impactante. Dano: 1d6+4. Alcance: 30m. Preço: 1.000 ma.

Chicote – correia de couro ligado ou não a um cabo de madeira. Usado para castigar animais ou homens. Principal instrumento dos feitores de escravos. Pode ser usado também para laçar coisas. Seu dano é cortante, pois seu impacto provoca cortes na pele, podendo rasgar roupas, mas sendo pouco eficaz em coletes de couro. Dano: 1d6-1. Preço: 1.500 ma.

Machado comumDano: 1d6+3. Preço: 2.500 ma.

Machado de guerra inca – mais uma arma exclusiva dos incas/illimanis, que não se encontra normalmente. Não é muito diferente do machado comum, mas sua estrutura é um pouco melhor para o combate. O pedaço de metal é em forma de meia lua e muito bem fixado perpendicularmente ao bastão de madeira. Dano cortante. Dano: 1d6+3.

Zarabatana – tubo comprido de cana pelo qual se projeta, através do sopro, um dardo envenenado de madeira. O dano do dardo é nulo, suficiente apenas para atravessar uma roupa comum ou um laudel, só valendo o dano do veneno. Sendo assim, é preciso acertar na pele. Arma de uso exclusivo dos índios da selva. Dano: veneno. Alcance: 50m.

EQUIPAMENTOS DE DEFESA

Armadura – colete de metal que oferece total proteção ao tronco. Só torna impossível qualquer ação furtiva e qualquer queda na água quase mortal. Não se pode usar colete de couro por baixo. Uso exclusivo dos soldados da Coroa. Não se encontra a venda e nem é permitido o uso sem ordem oficial. Defesa: 18. Absorção: – 5 / -4            .

Botas de couro – é a melhor proteção contra cobras e aranhas. Também pode servir de proteção contra um inusitado tiro no pé ou coisa parecida. Defesa: 08. Absorção: – 1 / – 3. Preço: 4 pesos.

Braçadeiras – proteção de couro para os antebraços, evitando o corte da espada durante o confronto. Dano: 03. Absorção: – 1 / 0. Preço: 1.500 ma.

Colete de couro leve – colete de couro que protege todo o tronco e a bacia, terminando quase no meio das coxas. É possível utilizá-lo por baixo de outra roupa. Defesa: 07. Absorção: -1 / -3. Preço: 3.000 ma.

Colete de couro rígido – colete de couro mais denso, oferece maior proteção à mesma região que o couro leve. Porém, usar uma outra roupa por cima diminui a mobilidade, tornando qualquer ação relacionada à destreza uma tarefa difícil. Defesa: 10. Absorção: -2 / -4. Preço: 4.500 ma.

Elmo de madeira – proteção para a cabeça usada pelos incas/illimanis. Praticamente inexistente na colônia. Defesa: 04. Absorção: -1 / -1.

Elmo de metal – proteção para a cabeça usada pelos soldados da Coroa. Uso militar, não se encontra à venda. Mesmo caso da armadura, para a qual, aliás, serve de complemento. Defesa: 08. Absorção: – 1 / – 2. Preço: 2.500 ma.

Escudo de madeira – proteção utilizada pelos incas/illimanis. De fácil construção, não se encontra à venda por sua fragilidade. Defesa: 08. Absorção: – 3 / – 3.

Escudo de metal – é o escudo de madeira reforçado por uma placa de metal. É difícil de se encontrar à venda, pois não é um objeto muito utilizado pelas pessoas comuns. Mas quem procura acha, principalmente nas grandes cidades. Defesa: 12. Absorção: -2 / -3. Preço: 3.250 ma.

Laudel – roupa de algodão reforçada com tiras de couro. Tanto pode ser uma camisa de manga comprida quanto uma calça. Defesa: 04. Preço: 1.500 ma.

Manta de algodão – roupa de algodão acolchoada usada pelos incas/illimanis como proteção. Defesa: 04. Preço: 1.500 ma.

Unco – colete de lã dos incas/illimanis. É uma roupa comum do homem da serra, mas a lã é tão bem trançada que o unco acaba dando uma pequena proteção. Defesa: 02. Preço: 1 peso.

VESTIMENTAS

Anaco (vestido inca): 1,5 peso.

Botas: 4 pesos.

Chapéu: 1 peso.

Cinturão de couro: 1peso.

Gorro de lã: 50 ma.

Lliclla (manto inca): 100 ma.

Luvas de couro: 3 pesos.

Luvas de lã: 60 ma.

Manta de lã: 2 pesos.

Manto: 10 reales.

Manto com capuz: 2 pesos.

Poncho: 150 ma.

Roupa de algodão cru: 400 ma.

Roupa de algodão trabalhado: 3 pesos.

Roupa simples: 2 a 3 pesos.

Roupa de luxo masculina: 15 pesos.

Roupa de luxo feminina: 60 pesos.

Saia: 3 pesos.

Sandálias: 1 peso.

Sapato: 2 pesos.

Unco (roupa inca): 1 peso.

EQUIPAMENTOS

Aljava: 300 ma.

Arado: 1.000 ma.

Canoa: 2.250 ma.

Carroça: 30.000 ma.

Chuspa: 70 ma.

Corda de 10m (suporta 150 kg): 300 ma.

Corda grossa de 10m (suporta 400 kg): 750 ma.

Enxada: 600 ma.

Ferramenta de mineração: 1.400 ma.

Gancho: 800 ma.

Gazuas: 500 ma.

Martelo: 600 ma.

Material de pesca: 1.100 ma.

Material médico: 650 ma.

Mochila: 300 ma.

Odre de 0,6 litros: 75 ma.

Odre de 2 litros: 150 ma.

Odre de 5 litros: 220 ma.

Pá: 450 ma.

Pé de cabra: 300 ma.

Pederneiras: 60 ma.

Picareta: 750 ma.

Rede de caça: 600 ma.

Rede de dormir: 600 ma.

Rede de pesca: 900 ma.

Sacola (até 5kg): 75 ma.

Tocha: 200 ma.

ANIMAIS

Alpaca: 4 a 7 pesos.

Boi: 70 pesos.

Cão de caça: 5 pesos.

Carneiro: 2 pesos.

Cavalo: 100 pesos.

Lhama: 3 a 5 pesos.

ALIMENTOS

Açúcar (arroba): 2,6 pesos.

Aguardente (garrafa): 400 ma.

Azeite (arroba): 2,5 pesos.

Batata (arroba): 1 peso.

Carne de aves (a libra): 15 a 30 ma.

Carne de boi (a libra): 60 ma.

Carne de peixe (a libra): 20 a 40 ma.

Carne de porco (a libra): 30 ma.

Farinha (arroba): 408 ma.

Milho (arroba): 1,5 peso.

Ração para viagem (5 dias): 80 ma.

Refeição completa: 260 ma.

Refeição simples: 150 ma.

Trigo (fanega): 3 pesos.

Vinagre (garrafa): 113 ma.

Vinho (garrafa): 240 ma.

DIVERSOS

Cal (fanega): 1 peso.

Crucifixo: 300 ma.

Dicionário quechua: 5 pesos.

Flauta: 500 a 800 ma.

Jornal da Metrópole: 1 real.

Papel (50 folhas): 50 ma.

Remédios e ervas: 200 a 500 ma.

Viola: 1.500 ma.

HOSPEDAGEM

Aluguel de casa boa (anual): 600 a 1.000 pesos.

Aluguel de casa média (anual): 150 a 500 pesos.

Estábulo (diária): 50 ma.

Hospedagem (diária): 80 ma.

SERVIÇOS

Armazém (diária por arroba): 1 a 8 reales.

Caravanas: 5 a 10 pesos.

Carpideiras: 2 a 4 pesos.

Carregadores: 400 ma.

Escravo negro criança: 15 mil a 30 mil ma.

Escravo negro jovem: 30 mil a 45 mil ma.

Escravo negro adulto: 30 mil a 60 mil ma.

Guias: 3 pesos.

Mineração (brancos): 5 pesos ou percentagem.

Mineração (índios): 200 ma.

Serviços especiais (guarda-costas, mercenários, caçadores, assassinos): 5 a 15 pesos.

Transporte de balsa (por cabeça): 1 a 2 reales.

Transporte de canoa (por cabeça): 1 a 3 reales.

Transporte de carroça (por cabeça): 1 a 4 reales.

Transporte de carruagem (por cabeça): 2 a 4 reales.

TAXAS E IMPOSTOS

Alcabala: 2% de qualquer comércio, produção ou serviço.

Composição de tavernas (anual): 30 a 40 pesos.

Direito de avaria (seguro marítimo): 12% do valor da mercadoria ou 20 escudos por pessoa.

Direito de escravo: 10% na venda de escravos (ao desembarcar).

Dízimo: 10% da produção agrícola e industrial à Igreja.

Quinto real: 20% da produção mineira para a Coroa.

Taxa de almoxarifado: 10% sobre as mercadorias desembarcadas na colônia.

Tributo indígena: 10% da renda (dinheiro ou espécies).

Published in: on 27 de março de 2010 at 19:44  Deixe um comentário  

PRINCIPAIS PERSONAGENS DO VICE-REINO

Abade Tito

Descrição: sacerdote franciscano de grande popularidade, preocupado em registrar a ação da Igreja na colônia através de várias cartas e manuscritos, alguns publicados na Metrópole. Possui o respeito dos diferentes grupos da Igreja, mantendo uma postura distanciada e interessada. Suas idéias agradam tanto aos defensores dos índios quanto aos seus detratores, pois o único alvo real de suas críticas é o governo. O abade exalta a importância do trabalho da Igreja na manutenção da colônia, e a defende como principal sustentáculo político da realeza, colocando-a como peça fundamental da sociedade, sem a qual esta se desmancharia no caos. O abade é uma figura simpática, de comentários irônicos e fala mansa. Possui sangue mestiço. Vive em Trujillo, mas viaja muito.

Arcebispo Dom Garcia de Toledo

Descrição: sacerdote agostiniano de grande popularidade e influência. Muito preocupado com os assuntos da Igreja e a proteção dos índios, mas não se envolve com os assuntos dos outros. Apesar de sua influência, procura se afastar das tramas políticas e se envolve apenas com aquilo que está diretamente ao seu alcance. Sua total falta de ambição é bastante apreciada por seus colegas. É responsável pela fundação de algumas igrejas e conventos. É bastante admirado pelo povo. Além disso, seus feitos ganham maior notoriedade e divulgação. No jogo, seria plausível se, após a sua morte, quiserem santificá-lo. Vive em Lima.

Bispo Martínez de La Torre

Descrição: sacerdote dominicano do Santo Tribunal, extremamente influente e conhecedor da religião que prega. Faz parte do grupo que vê os índios como seres inferiores e responsáveis por sua própria desgraça. Suas declarações contra os índios e sua atuação frente ao Santo Tribunal, ao contrário do que pode parecer, não vão contra a religião católica, estando de acordo com a filosofia e a crença religiosa da época. O bispo La Torre apoia fervorosamente a ação dos missionários, mas considera ingratidão quando o resultado não é satisfatório. De fato, o bispo La Torre se encontra mais preocupado com a política e a riqueza da Igreja do que com o bem estar dos índios, e por isso está na posição que ocupa. Sua dedicação à Igreja é sincera e fervorosa.

Capitão Antônio de Eranzo

Descrição: aventureiro castelhano muito hábil com a espada, boêmio, contador de histórias e temperamental, sempre se envolvendo em brigas. Por isso, está sempre mudando de cidade. Apesar de ser personagem de destaque do exército real, poucos toleram sua capacidade de criar confusão. Se não fosse tão hábil e corajoso combatente, capaz de aceitar as mais impossíveis missões, já se encontraria na cela de uma prisão. Com certeza, tolerariam bem menos se soubessem que Antônio de Eranzo é na verdade Catalina de Eranzo, uma destemida mulher de origem humilde que decidiu não levar a vida submissa e sem graça das mulheres de Castela. Tem 28 anos.

Nota: este personagem foi inspirado num caso real. Quando o capitão foi condenado à morte por causa de uma de suas brigas, buscou refúgio num convento e contou toda a verdade. Assim, a aceitaram como reclusa e ela ficou longe das mãos do governo e da população irada.

Dom Francisco de Castro

Descrição: visitador do Conselho das Índias, enviado a Nova Castela para supervisionar o cumprimento das ordens do Conselho. D. Francisco tem 32 anos e é irmão de um influente jesuíta que se preocupa bastante com a situação dos índios nas colônias. Nobre e idealista, aceitou a sugestão do irmão e partiu para Lima clandestinamente. Em seu lugar enviou um outro irmão, um pouco mais novo, apostando ser pouco conhecido em Nova Castela. O objetivo de D. Francisco é viajar incógnito pela colônia e observar a real situação dos índios. Mas ele conhece bem o Conselho e sabe que os maus tratos aos índios apenas resultará em mais uma ordem do Conselho para ser ignorada pela Audiência. Assim, tentará levar para Castela relatos sobre irregularidades políticas e administrativas danosas aos cofres da Coroa. Para ajudá-lo, seu irmão jesuíta forneceu alguns nomes de confiança na Igreja.

Dom Gaspar Hernandez

Descrição: ouvidor da Real Audiência e descendente de Pizarro. Portanto, possui sangue da nobreza inca. É um forte defensor dos interesses dos senhores-de-terra e dos mineradores castelhanos. Muito ativo politicamente, é fonte de preocupação para o vice-rei, que, discretamente, procura aumentar o poder político de alguns corregedores ligados a Gaspar para criar uma incômoda concorrência. Ganancioso e arrogante, Gaspar se orgulha de ter conquistado a sua posição sem recorrer aos seus ilustres antepassados. Como D. Gaspar existem vários, de menor ou igual expressão.

Dom Martín Velasco de Mendoza

Descrição: atual Vice-Rei de Nova Castela, 40 anos de idade. Homem de caráter nobre, de bastante cultura e conhecimento político. Portanto, sabe tudo sobre as intrigas da Audiência e a influência da Igreja. Embora não tenha ambições de riqueza, quer voltar para Castela com o status de grande administrador. Dessa forma, procura não se envolver diretamente em questões domésticas, como o problema dos índios. Bastante diplomático, vem conseguindo agradar os principais grupos de poder. Como todos os vice-reis deste século, não se destaca por grandes feitos, se limitando a manter funcionando bem o que já está pronto. E nem a Coroa exige mais do que isso.

Mendoza é um homem calmo, atento e sempre simpático, nunca deixando transparecer o que realmente pensa. É sensível aos apelos da Igreja em favor dos índios, mas não tomará nenhuma atitude que possa por em risco o equilíbrio estabelecido. É casado e tem quatro filhos. Cabe ao mestre do jogo decidir se Mendoza está no início, no meio ou no final do mandato.

Fernando Salinas

Descrição: principal contrabandista de Lima, morador do callejón. Conhece cada palmo do porto de Callao. É um líder da marginalidade das duas cidades. A Guarda Real o procura, mas nem ao menos conhece o seu rosto. Consegue colocar ou tirar da colônia qualquer objeto ou indivíduo. Freqüenta festas da sociedade com seus inúmeros disfarces. A invasão de Callao pelos piratas anda fazendo muito mal para os seus negócios. Até mesmo figuras importantes recorrem a seus serviços.

Isabel Flores

Descrição: é um símbolo da religiosidade colonial. Piedosa, terna, humilde e delicada. Mortifica seu corpo e jejua continuamente. Vive reclusa no jardim de sua casa, em Lima, numa pequena choça, onde brotou espontaneamente um rosal. Tem 37 anos e passa os dias dedicada a oração e penitência. Possui os seguintes poderes divinos: Abençoar, Amizade, Comunicação, Cura, Evocação divina e Remover magia. Além disso, tem domínio sobre os animais domésticos e os bichos da cidade, sem que para isso necessite usar algum poder.

Nota: o personagem foi baseado na vida de Santa Rosa de Lima, que viveu entre 1587 e 1627. Na adaptação para o jogo, a data foi alterada e Rosa ainda se encontra viva. Quando Rosa morreu, uma imensa multidão foi à igreja de Santo Domingo, onde seus restos são venerados. Os católicos do Peru pediram ao Papa para beatificá-la, o que só aconteceu em 1671. Quando o Papa teve dúvidas sobre a sua santidade, nasceu uma rosa em sua mesa.

Published in: on 15 de março de 2010 at 1:37  Deixe um comentário  

COSTUMES COLONIAIS

Caballitos de totora

Frágeis embarcações indígenas de totora prensada, atingindo de 3 a 4 metros, amarrada por cordas. Na proa achatada há uma concavidade para colocar redes e produtos de pesca. O pescador monta na parte central. Quando entra na água, o pescador o leva no ombro, e quando o monta se coloca de joelhos. O caballito é guardado em pé na areia. São insubmergíveis. São necessárias 1.200 plantas e 6 meses de fabricação.

Callejón

Becos e cortiços, onde moram pessoas humildes apertadas em casebres e ruas estreitas. As casas são de cana ou adobe, de um andar. Habitações de um ou dois quartos, sem nenhuma higiene, sem ar, sem luz. Verdadeiros focos de enfermidades onde surgem as grandes epidemias. Dos callejones saem os vendedores ambulantes que infestam as ruas das principais cidades do Vice-Reino. O ponto de encontro dos moradores é na única pileta (pequena fonte de água) do lugar, onde se comentam as novidades.          Os callejones também são famosos por sua musicalidade, de onde saem os melhores violeiros.

Misia Juana: a zeladora, a porteira, a única pessoa a quem se recorre com as queixas diárias, os pedidos de conselho, as súplicas de préstimos e adiamento do aluguel. A misia é uma autoridade. A ela chegam as fofocas em primeira mão. Principal centro de informações, mas longe de ser gratuito.

Jaranas: festas e bailes. Sempre há um convidado de honra, um amigo, um doutor, um compadre do dono da festa, que desfruta da atenção de todos. Não há uma jarana sem confusão.

Corrida de Touros (Touradas)

Acontece na Plaza de Armas (quase toda cidade tem uma), praça principal da cidade, com presença das principais celebridades. A praça e as ruas adjacentes são cercadas e a tourada tem início. Muito popular na colônia, ocorrendo nas principais festas, como na festa de graduação da Universidade de San Marcos.

Educação e Cultura

Só as principais classes recebem instrução em Nova Castela. Os nobres se sentem na obrigação de freqüentar as escolas, mas poucos chegam às Universidades. E raros são os que burlam a proibição de importação de livros e textos e entram no mundo da filosofia e da ciência. A severidade do estudo escolar dá à escola o aspecto de uma prisão. Os nobres, por estímulo do orgulho, vencem a dor de aprender. O sistema de ensino infunde pavor nas crianças, a ponto dos pais ameaçarem seus filhos com a escola. Além da palmatória, os alunos desobedientes são trancados num pequeno calabouço onde há um crânio iluminado por uma vela. Os meninos aprendem catecismo, leitura sacra, matemática, moral, urbanidade, gramática, redação, geografia e História Sagrada. As meninas aprendem a doutrina, urbanidade e trabalhos domésticos, pois se acredita que as mulheres não necessitam de cultura para suas funções sociais.

Ao povo resta a instrução caseira (de pais ou professores particulares), nos conventos ou nas paróquias. A importação de livros tem que passar pela aprovação de um censor do Conselho das Índias e da Inquisição. Os jornais vêm da Metrópole.

A arte colonial é marcada pela literatura, teatro, oratória e música. Na literatura, muitos livros têm sido escritos para contar a história dos incas, histórias da conquista e também diversos dicionários lingüísticos. Os índios também têm grande influência na música e na dança colonial. No teatro, a temática inca tem forte presença. Já existe na colônia uma impressora, voltada unicamente para publicações religiosas ou lingüísticas.

Universidade Nacional de San Marcos: fundada em 1553, em Lima. Todas as ordens religiosas se fazem representar. Matérias: Teologia, Cânones, Leis (Direito Canônico e Direito Romano), Medicina e Matemática. Capacidade para 1.500 estudantes. O Vice-Rei participa da festa de graduação.

Higiene

Sempre há meio século de diferença entre as inovações da Metrópole e sua aplicação na colônia. Afinal, poucos leem, o nível cultural não é dos melhores e as notícias demoram a chegar. A higiene não possui caráter científico, é apenas um luxo das classes altas, não é vista como uma necessidade. Portanto, há acúmulo de lixos nas redondezas, canais abertos em pleno centro da cidade, falta de canalização da água, praga de urubus, falta de banheiros públicos e até mesmo particulares.

Uma diversão comum é a aposta das moscas. Um vendedor de biscoitos coloca sua mercadoria sobre a tábua e as pessoas colocam uma moeda sobre o biscoito de sua preferência. O vendedor, então, espanta as moscas que voam sobre os biscoitos, para depois esperar o seu retorno. Ganha aquele em cujo biscoito a primeira mosca pousar.

Hospitalidade

Nova Castela é famosa por sua hospitalidade. As condições geográficas, o clima por vezes rigoroso, as dificuldades de comunicação e os meios de transporte tornam as viagens verdadeiras aventuras. As distâncias em que se encontram os povoados, o terreno acidentado, a insegurança nos caminhos e os bandoleiros impõem ao viajante a necessidade de se guarnecer durante o pernoite, procurando casas de fazendas. Como a situação é semelhante a todos, criou-se um clima de solidariedade para com o viajante. Jamais é negado o leito ou a mesa. Até as casas dos grandes latifúndios têm sessões adequadas para receber os viajantes.

Medicina

Lima conta com 70 médicos para uma população total de 60 mil habitantes. A maioria é mulato ou negro, pois os nobres acham indigna a profissão de médico e destinam os filhos de seus escravos para aprender. A medicina não é muito desenvolvida, muitas vezes se limitando a cortar, arrancar e queimar. Há três tipos de médico:

- médicos: respeitados, que trabalham na Audiência e no Santo Tribunal.

- cirujanos: aventureiros do Velho Mundo, enfermeiros criollos, mulatos e negros. Não merecem muito respeito, mas se tem alguma consideração.

- barbeiros: abaixo dos cirujanos. Enfermeiros, assistência e primeiro socorros.

- médicos indígenas: conhecem todos os métodos curativos de ervas, o que contribuiu muito para a medicina colonial. Também há bruxas, curandeiros e feiticeiros negros, todos perseguidos pela Inquisição.

Hospitais: discriminados. Hospital para branco homem, para branco mulher, para criollos, para índios, para negros, para sacerdotes, para leprosos… cada um com sua própria lei.

Prisões

A alta delinqüência, o crime passional, quase não existe. Só os delitos comuns contra a propriedade ou o patrimônio. As prisões não diferem muito das medievais, com direito a torturas. Algumas prisões não têm pátio, são escuras, a ventilação é feita por tubos e têm apenas um barril para as necessidades e outro com água, apenas para beber. Quando o preso cumpre sua condenação, paga a taxa de carceragem e sai para as ruas sem recursos e nem meios de voltar a sua cidade.

Outros Costumes

Bimestre e a prova: os casais têm direito a dois meses de teste antes de realmente se casar. Cabe apenas ao homem o direito de recusar o casamento. A mulher devolvida às vezes ganha certo prestígio. Em algumas regiões, a mulher mais “provada” é considerada o melhor partido. Nas classes mais pobres, há também o rapto da noiva na véspera do casamento, o que dá a ela mais importância.

Briga de galo: ocorre na Casa de Galos, onde há as galleras (onde se guarda os galos de briga) e uma arena. As lutas são anunciadas em um cortejo: alguém carrega a gaiola com o galo na cabeça, um vai na frente tocando uma corneta e outro com um tambor.

Costumes femininos: se vestem com muito luxo. Quase não saem durante o dia, preferindo a noite, mais atraente. O divórcio é permitido, e até muito usado.

Relógios: os relógios de areia e as clepsidras (relógio de água) são objetos de luxo. O povo se orienta pelo movimento dos vendedores nas ruas. Nos campos e nas montanhas, se orientam pelo sol.

Santos callejeros: pequenas imagens de santos numa urna de cristal que vai de porta em porta com uma caixa de doações. Termina numa festa em homenagem ao santo. O dinheiro, muitas vezes colocado para pedir milagres, é usado em proveito próprio. Algumas são praticamente obrigatórias, como a destinada a celebrar a Semana Santa. As fraudes, quando descobertas, eram bem punidas.

Serviço doméstico: símbolo de riqueza. Alguns casarões chegam a ostentar trinta criados.

Varear la plata: duas vezes por ano, a alta classe espalha as moedas no pátio dos casarões para lavá-las, em dia de sol, para evitar a oxidação. O trabalho é realizado pelos escravos. O barulho das moedas é ouvido pela vizinhança e pelos passantes. Não há bancos na colônia, portanto o dinheiro permanece imobilizado, com cada um cuidando da sua fortuna.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:18  Deixe um comentário  

ECONOMIA COLONIAL

Agricultura

O Império do Sol era um forte estado agrícola, com um povo especializado em refinadas técnicas de cultivo, por vezes superiores às do Velho Mundo. Depois da conquista, os castelhanos tiveram toda esta mão-de-obra ao seu dispor e enterraram tudo nas minas. Nem mesmo os avançados sistemas de irrigação foram utilizados, deteriorando-se com o tempo. Dessa forma, Nova Castela acabou se destacando por sua pobreza agrícola. Mesmo aqueles que se aventuram pela agricultura, o fazem de forma desordenada e desinteressada.

A Metrópole restringiu o cultivo de coca, cana e vinha. Em 1618, o Vice-Rei proíbe a construção de engenhos açucareiros próximos de Lima. Para impedir a destilação de aguardente, proíbe a importação do maquinário para os engenhos.

Criação de Gado

Não adquiriu um desenvolvimento eficiente. Os colonizadores se contentam em possuir o indispensável para as necessidades do vice-reino.

Guano

O guano é um fertilizante criado a partir do excremento de diversas aves costeiras, como o guanay, o camanay e o pingüim. O seu aproveitamento agrícola é tão bom que se transformou em um produto de exportação.

Mineração

A cobiça dos metais preciosos fez com que os castelhanos se dedicassem arduamente à mineração. No início do século XVII sai uma lei que proíbe os serviços forçados nas minas, mas ela nunca foi cumprida. A mineração particular é tributada, a concessão é precária e revogável. O mineiro deve pagar salários aos trabalhadores, mesmo aos índios. Essa é a lei, o que não significa que seja cumprida. O trabalho mineiro é obrigatório: quem paralisa o trabalho perde seus direitos nas minas. As mais famosas são as de Potosí, Cerro de Pasco e Huancavelica. O rendimento mineiro no Vice-Reino de Nova Castela chega a 5.500.000 pesos por ano.

Mina Santa Bárbara: também conhecida como a Mina da Morte. Próxima a Vila Rica de Oropesa, é uma mina de mercúrio (a maior do mundo), usado no tratamento da prata. Trata-se de um complexo de 43 minas. Os índios já usavam o llimpi (mercúrio) para pintar o rosto de mulheres, na cerâmica e em pinturas de guerra. Os incas proibiram o seu uso, pois os mineradores sofriam muitos danos. É uma verdadeira cidade subterrânea, com ruas, praças, capelas e corrida de touro. Descoberta em 1564, a mina deu origem à cidade. Os vice-reis fazem viagens até o local para resolver conflitos e vigiar a administração. O trabalho nas minas não é planejado, ocasionando muitos desabamentos, como a tragédia de 1640, onde centenas de mineiros morreram. Além disso, as emanações das minas causam enfermidades e mortes. No caso de Santa Bárbara, o trabalho indígena escravo é considerado como uma exceção legal pela Coroa, um mal necessário. Os mineiros de Santa Bárbara estão longe de qualquer possibilidade de esperança, a não ser a liberdade da morte ou da fuga, quase sempre impossível.

Moeda

As moedas se dividem em duas classes: moedas de ouro e moedas de prata. As moedas de ouro são: Escudo, Meio Dobrão, Dobrão e Marco de ouro. As de prata: Real, Meio peso, Peso e Marco de prata. Além delas, há o maravedí, moeda comum, o menor valor do sistema econômico. O ouro vale 16 vezes mais que a prata.

Moedas de Prata

Real – 34 maravedís

Meio peso – 136 maravedís / 4 reales

Peso – 272 maravedís / 8 reales

Marco de prata – 2.176 maravedís / 68 reales / 8 pesos

Moedas de ouro

Escudo – 544 maravedís / 16 reales / 2 pesos

Meio dobrão – 2.172 maravedís / 1 marco de prata / 4 escudos

Dobrão – 4.344 maravedís / 16 pesos / 8 escudos

Marco de ouro – 36.992 maravedís / 136 pesos / 68 escudos

Câmbio

1,5 maravedí = 1 real lusitano

1 real castelhano = 22 réis

Falsificação: em 1629, devido à falta de controle na cunhagem de moedas na colônia, o mercado de Nova Castela foi inundado por pesos falsos, que demoraram a ser descobertos. Suspeita-se que as moedas falsas tenham sido feitas em Potosí, e é difícil afirmar que ainda hoje elas não mais circulem. Porém, o governo garante que os falsificadores pararam de fabricá-las.

Encargos Econômicos

Alcabala: imposto de 2% sobre todas as coisas que se apreende, cria, vende ou contrata.

Alhóndiga: mercado de cereais. Ninguém pode comprar grãos fora das alhóndigas. Se, passado vinte dias do depósito da colheita, os produtores não efetuarem as vendas, é feita uma liquidação. Isso limita a propriedade dos lavradores, pois, muitas vezes, os obriga a efetuar vendas inconvenientes e prejudiciais.

Composição de tavernas: licença de abertura, que se renova anualmente. Chega a 40 pesos por ano. Nas cidades menos importantes, fica entre 30 e 35 pesos.

Direito de avaria: espécie de seguro para viagens oceânicas. 12% do valor da mercadoria e 20 escudos por pessoa.

Tesouro: se o tesouro for achado em templos, sepulturas, ou coisas do tipo, a metade vai para Coroa. Os bens vagos e depósitos sem dono são considerados bens reais.

Tributo pessoal: todos os índios, entre 18 e 50 anos, devem pagar. Pode ser com dinheiro ou produtos. Os tributos das mulheres vão para a Caixa de Comunidade. Os curacas ajudam na cobrança e ganham 1%. Existem cerca de 20 mil índios tributários.

Caixas de Comunidade: têm o objetivo de arrecadar os bens comunitários dos indígenas. A renda é usada para cobrir os gastos com índios e missões. Aqueles que não formam comunidade são abrigados a preparar terras com igual finalidade. Só é permitido gastá-la em benefício dos índios; e não se pode usar para outros fins nem com a autorização deles. Mesmo os benefícios são discutidos antes com a comunidade. Às vezes este dinheiro é usado para pagar o tributo dos índios, quando estes não podem pagá-lo. A multa para a quebra desta lei é de mil pesos. Isso não impede que, muitas vezes, algum corregedor meta a mão no dinheiro.

Sistema de “mãos mortas”: a Igreja pode adquirir terras sem limites, mas não pode passá-las adiante.

Comércio e Contrabando

O controle severo impede o ingresso de manufaturas de outros países e delimita a área de comércio. Apesar disso, Lima ganha ares de uma importante cidade comercial. As fortunas acumuladas pelos mercadores são apreciáveis. Mas o resto do vice-reino se ressente da falta de atividade e alcance comercial.

O contrabando surge como meio de introduzir artigos de boa qualidade e de reduzir o poder da Coroa. A severidade das leis impõe até pena de morte, mas mesmo essas leis são burladas. Os navios com carga de outras colônias declaram apenas metade, sendo a outra metade (ou um terço) comercializada por fora, livre de impostos. E metade do lucro vai para a Guarda Maior de Callao (principal cidade portuária da colônia). A liberdade é tão grande que alguns produtos proibidos circulam pelo vice-reino como se tivesse sido feitos por um artesão indígena.

Pirataria

O vice-reino sofre tanto com a pirataria que o povo já a encara como mais um tributo. O pirata traz a bandeira negra do incêndio e da morte. Ele aporta, em cada viagem, uma mensagem de rebeldia aos povos coloniais. A costa de Nova Castela já sofreu doze grandes incursões de piratas desde a conquista. A pirataria obriga os comerciantes a elevarem os preços de suas mercadorias para compensar os gastos de defesa ou o custo de fretes em comboio.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:09  Deixe um comentário  

POLITICA COLONIAL

Rei

O Rei de Castela designa os governadores das terras conquistadas. O poder real é de origem divina. A Igreja garante a estabilidade da realeza e o rei garante à Igreja liberdade de ação e monopólio religioso. Além disso, uma vez ligada ao rei, a Igreja pode evitar o constrangimento de comandar ações pouco ligadas ao mundo espiritual.

Conselho das Índias

O Conselho das Índias foi criado em 1511 para dirigir e cuidar dos interesses reais no Novo Mundo. Tem autoridade suprema sobre as colônias, ditando as leis e ordenanças. É composto de um presidente, um chanceler, um relator, oito conselheiros, um fiscal encarregado das vendas reais, dois secretários e subalternos. É também integrado por um cronista especializado em assuntos indígenas. Sua hierarquia é superior à dos vice-reis.

Visitadores: são os responsáveis pelo contato direto com o governo colonial. Temidos nas colônias, investidos de grande poder, supervisionam o cumprimento das ordens do Conselho.

Notícias Secretas: são ordens não divulgadas, extra-oficiais, enviadas pelo Conselho das Índias aos governos coloniais. Na maioria das vezes seguem junto com as leis, talvez já com o objetivo de violá-las.

Vice-Rei

A encarnação da Coroa castelhana na colônia. Tem um complexo de atribuições só comparável aos monarcas. É recebido com grande pompa, ficando num palácio e sendo reverenciado como na Corte. Ao término de seu mandato, o vice-rei deve apresentar ao sucessor uma Memória de seu governo, basicamente formado de justificações e exaltações de seus atos. O vice-rei não é nomeado por um período fixo. Seu governo está subordinado ao Conselho das Índias.

Juízo de Residência: é feito na Audiência e levado ao Conselho das Índias. Consiste em acusações formais contra o vice-rei e sua administração quando termina o seu governo. Isso o leva a fazer concessões e a permitir abusos assim que pisa em Nova Castela. O vice-rei, já sabendo que será julgado no final de seu mandato, recorre à adulação e aos conchavos para evitar que seus colaboradores o denunciem (com ou sem razão).

Audiência

A Real Audiência é presidida pelo Vice-Rei e integrada pelos Ouvidores, representando o Tribunal Superior de Justiça. Exerce poderosa força política. Devido à distância da Metrópole, resolve os assuntos mais urgentes. É integrada por oito ouvidores, e a ela se somam fiscais, juízes criminais, oficiais de justiça. É o organismo de consulta do Vice-Rei e intervém em missões de conquista, assuntos econômicos e no cumprimento das leis que protegem os índios. Em fins do século XVI foi criada a Audiência de Cusco, que, apesar de não ter a mesma importância da de Lima, é responsável pelas regiões do Vale Sagrado e Altiplano.

Corregedorias

As Corregedorias são subdivisões da Audiência, criadas entre 1564 e 1569. Na cidade principal de cada Corregedoria reside o Corregedor, nomeado pelo Rei ou pelo Vice-Rei por três anos. Tem extraordinário poder na vida pública e política. Recolhe as rendas reais e rege a economia de sua região. É ele, na verdade, quem decide e manda, distribui a terra, dita ordenanças, decreta penas, desapropria e intervém na vida privada dos colonos. Afinal, a Audiência está ocupada demais com as grandes questões, em agradar o Conselho das Índias, em controlar o Vice-Rei, e longe demais de onde o povo está. Tem poderes para reunir e presidir o Cabildo (Conselho Municipal). É nas mãos destes ilustres cidadãos que se encontra o destino dos índios e dos colonos de Nova Castela. A tirania dos corregedores vem, aos poucos, provocando um grande mal-estar, ao qual a Real Audiência ainda é indiferente.

Cabildo

O Conselho Municipal. Suas atribuições são semelhantes às da Corregedoria. Só têm força política e independência nas Sessões Públicas. Os Alcaides (prefeitos) e os Regedores (conselheiros municipais) do Cabildo são nomeados pelo Vice-Rei ou designado por seus representantes.

Autoridades Indígenas (Curacazgos)

A nova ordem jurídica aceita as hierarquias baseadas em critérios indígenas, pois considera o índio das cordilheiras mais civilizado que os demais, possuidores de alma e espírito desenvolvido. Só atuam dentro dos limites colocados pela Coroa.

Os curacas eram os chefes dos ayllu (comunidades). Sua tradição foi aceita pelos castelhanos. O curaca facilita a comunicação dos colonizadores com os índios e ajuda a obrigá-los a cumprir com seus tributos e trabalhos. Alguns curacas chegam a servir de porta-vozes de seu povo para melhorar a situação dos índios. Outros, porém, cometem abusos contra os seus irmãos, chegando a vender terras que não são deles, mas da comunidade.

Os curacas coloniais gozam de prerrogativas que os colocam como nobres de estratos inferiores. Desde o século XVI, mestiços e índios reclamam títulos ao rei com vista às recompensas econômicas. O curaca e sua família não são obrigados a pagar impostos, nem a prestar serviços sociais. Também podem possuir cavalgaduras, proibidas aos outros índios. Em troca, asseguram o pagamento de índios entre 18 e 50 anos. Em 1620 é criado o Colégio de Príncipes, um em Lima e outro em Cusco, para filhos de curacas. Assim, cuidam para que, quando assumirem seus governos (curacazgos), estejam bem instruídos na religião cristã e nos bons costumes.

Principais Leis

É proibida a poligamia dos curacas e a idolatria de outros deuses. Aos índios e negros é proibido a venda e porte de armas e andar à cavalo. Há o esforço em evitar a aproximação de grupos indígenas, negros, mestiços e mulatos.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:03  Deixe um comentário  

CLASSES SOCIAIS

Nobreza

Sua vida sustenta uma dignidade simbólica, a idéia de superioridade proporcionada por Deus, de onde deriva sua força social e política. São os conquistadores e descobridores; os membros administrativos, empregados do Vice-Reino, descendentes de títulos castelhanos; os industriais ricos que obtinham, a alto custo, o pergaminho real. Em Nova Castela há cerca de 100 títulos de nobreza, de Duque a Visconde, sem contar os fidalgos e cavaleiros destacados.

Vecinos

Título outorgado pelos Cabildos àqueles que cumprem a tarefa de levantar uma aldeia e aos conquistadores mais influentes. Classe muito estimada pelo governo, composta na maioria por senhores de terras.

Clero

Não chega a ser uma classe, mas uma força. O clero se apóia na representação divina e seus direitos são invioláveis. São os principais conselheiros dos governantes. Dirigem nos colégios a mentalidade dos futuros súditos. Sua principal função na colônia é organizar o trabalho de catequese, garantir que as decisões dos governantes estejam de acordo com seus interesses e que a sua religião seja a única existente. Muitos ainda seguem os princípios básicos da Igreja, mantendo sua fidelidade exclusiva a Deus. Porém, estes se mantém longe das tramas políticas do governo. Fiéis ao ideal de sacrifício e solidariedade aos oprimidos e necessitados, se enfurnam nas comunidades indígenas e se distanciam cada vez mais das grandes cidades, da sede da Igreja e do centro de decisões.

Burocratas e Grandes Comerciantes

São aqueles que participam da vida pública do Vice-Reino. Funcionários de Audiência, Corregedorias e Cabildos. Entre eles é comum haver nobres e vecinos.

Classe Média

São os responsáveis pelo cotidiano da colônia. Taverneiros, pequenos comerciantes, médicos, advogados, professores, vendedores, mascates, artesãos, lavradores, subalternos da administração pública.

A Plebe

Homens livres, tributários, que vivem em escuras pocilgas, nos callejones das grandes cidades. Constituída também por humildes aventureiros e degredados da Metrópole.

O Índio

O grande tributário, a besta de carga, o músculo da riqueza colonial. Trabalham, principalmente, nos campos e nas minas.

Escravos Negros

Realizam trabalhos domésticos nas cidades e nos campos. Praticamente limitados à costa.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:02  Deixe um comentário  

SOCIEDADE COLONIAL

• Brancos

Os castelhanos da alta nobreza não se interessam em vir à colônia, a não ser para ocupar os cargos mais elevados. O resto é disputado pelos aventureiros, militares obscuros, cavaleiros empobrecidos, negociantes arruinados. Apenas os brancos ricos têm acesso à cultura, que fica nas mãos da Igreja. Para conservar o poder, o povo precisa vê-los como seres diferentes, superiores.

Criollos

São os brancos do Novo Mundo, filhos de castelhanos nascidos na colônia. Herdeiros de sua fidalguia e hábitos. A primeira geração surge em 1560, junto com os mestiços. O criollo é cheio de orgulho nativo e amor à terra. Por isso, como medida preventiva, estão excluídos dos cargos públicos, apesar de manterem certos privilégios. Possuem rivalidade com os castelhanos. Não têm amor pelo Rei ou pelo Reino, pois não o conhecem. O preconceito é normal na relação entre brancos e criollos. Alguns brancos afirmam que seus vícios e indolência se originam do leite de índias e negras. Apesar disso, alguns conseguiram se tornar presidentes de Audiência, inquisidores, bispos e até mesmo Arcebispos.

• Índios

Subjugados, vegetam em plano inferior na colônia. Sua vida é a fortuna do colonizador. Muitos fugiram, se escondendo nas montanhas. Lendas e boatos de cidades incas encravadas nas regiões menos acessíveis povoam o dia-a-dia da colônia. Entretanto, os castelhanos têm respeito pela cultura inca, mais do que por qualquer cultura nativa da Terra de Santa Cruz. Sua nobreza é respeitada, alguns possuem terras. As terras de Sayri Túpac foram mantidas em poder de seus herdeiros. Sua filha se casou com o governador das terras araucanas. Os filhos dos curacas freqüentam uma escola só para índios.

• Mestiços

Filhos de brancos com índios. Têm posição subalterna na colônia, proibidos de entrar em diversas casas reais e na profissão eclesiástica. São obrigados a tributar e ajudar os índios nos trabalhos das minas e dos campos, mesmo quando for filho legítimo, reconhecido pelo lado branco da família. Porém, dependendo da classe social deste lado, ocorre alguns privilégios, como freqüentar colégios e casas de estudo, ou até mesmo se tornar um padre ou um abade. Os mestiços nobres são enviados para a Metrópole. A relação entre índios e mestiços ocorre sem problemas. E não deixa de haver uma ligação, ainda que pouco definida, entre mestiços e criollos. Os mestiços possuem mais liberdade que os índios, sendo os preferidos para acompanhar caravanas, rastrear, caçar animais ou até mesmo escravos fugidos. As leis que proíbem os negros e os índios de portar armas ou andar a cavalo nem sempre são aplicadas aos mestiços, dependendo muito da origem do mestiço e da região.

• Negros

Ao contrário das colônias lusitanas, os negros estão relegados a meros coadjuvantes no Vice-Reino de Nova Castela. Mas a origem não é diferente: são negros escravos arrancados de suas terras para servir às humildes funções agrícolas e domésticas da colônia. Ao contrário dos índios, são comparados aos animais domésticos. Sua religião não encontra espaço para se desenvolver, esmagada entre a fé católica e os cultos e crenças indígenas. Os negros não se adaptaram ao clima nas cordilheiras, limitados à costa. Porém, nos costumes e na vida cotidiana, os negros conseguem ter alguma influência.

Considerados animais, a legislação colonial pouco se ocupa deles. São os Cabildos que ditam as normas aos seus senhores. Algumas delas:

1 – O escravo que fugir da casa do amo poderá ser apresado ou ter o tornozelo deslocado. Se a ausência passar de seis dias, poderá ser morto.

2 – Não pode ter casa própria, nem vestir seda ou adornos, sendo obrigado a despojá-los em praça pública.

3 – É proibido vender-lhes vinho ou chicha.

4 – Não pode ser enterrado em ataúde (no início, jogavam seus cadáveres nas ruas, mas agora enterram em cova rasa ou vala).

5 – A caça de negros fugidos é uma profissão legal e bem remunerada. É só apresentar a cabeça do negro ao Cabildo e receber o prêmio, que varia de 5 a 25 pesos.

6 – Quando chegam nos portos, são desembarcados de dois em dois, acorrentados. Ficam um mês de quarentena numa fazenda afastada. Ao entrar na cidade, ficam ao relento até encontrarem comprador.

• Mulatos

Filhos de brancos com negros. São escravos ou homens livres, chegando a participar intensamente da vida nas cidades. Assim como muitos negros, se tornam vendedores ambulantes. Vendem de tudo: biscoitos, leite, água que trazem das fontes, doces. Muitos se tornam médicos, estimulados pelos próprios senhores. Além dos mulatos, há também os chinos (negro com índio) e os zambos (negro com mulato).

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:01  Deixe um comentário  
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