TRIBOS NATIVAS

Os nativos da Terra de Santa Cruz se espalham por todo o território e formam povos bem diversos. As etnias que constituíam o Império do Sol pouco ou nada se assemelham culturalmente aos Tupiniquim que estabeleceram os primeiros contatos com os Lusitanos, que por sua vez pouca ou nenhuma semelhança guardam com os Aonikénk do Planalto das Visões. Entretanto, entre os povos da mata, há uma semelhança cultural que, à distância, faz o estrangeiro, seja este proveniente do Velho Mundo ou do Continente Negro, acreditar serem todos os nativos uma coisa só. Assim, inicialmente, os Lusitanos tomaram os Tupi como base para todas as tribos da região.

De fato, os povos da mata possuem muitas semelhanças: andam descalços, praticamente desnudos, fazem tatuagens, utilizam basicamente as mesmas armas, procuram viver em harmonia com a natureza, não adoram deuses e nem desenvolveram qualquer tipo de culto ou religião, ainda que acreditem fortemente nos espíritos da natureza e seus mitos.

Porém, uns deixam os cabelos compridos, alguns rente ao ombro, outros o cortam curto e fazem uma tonsura. Alguns grupos conhecem a agricultura e vivem em casas multifamiliares, enquanto outros vivem de forma nômade, carregando poucos pertences e dormindo em acampamentos improvisados. Muitos grupos derivam do mesmo tronco linguístico, enquanto outros, ainda que bem reduzidos, desenvolveram línguas próprias. Uns praticam o canibalismo ritual, só devorando a carne do inimigo em condições específicas. Outros comem carne humana para o sustento.

Entre os povos que habitam a colônia lusitana, o que mais se destaca é o Tupi. Além de numerosos, eles se alastram por quase todo o litoral. Os Guarani, que possuem uma origem comum aos Tupi e falam basicamente a mesma língua, ganham protagonismo nas colônias hispânicas do interior do continente, habitando as fronteiras nada definidas entre as duas colônias.

Como, desde que pisaram a areia branca da Terra de Santa Cruz, os Lusitanos tiveram os Tupi como aliados preferenciais, os colonizadores resolveram simplificar e chamar todas as outras tribos de Tapuias (aqueles que não falam Tupi).

Se todos esses povos não foram páreos para as forças lusitanas, isso na verdade não se deveu apenas às armas de fogo, cujo desempenho, ainda que provocasse grande impacto moral, ainda era pouco eficiente em uma guerra na mata. Os cavalos, as espadas de metal, que partiam com facilidade os tacapes indígenas, e as doenças foram os grandes fatores de desestabilização.

Tanto brancos quanto negros trouxeram doenças desconhecidas no Novo Mundo, para as quais os nativos não haviam desenvolvido defesas. A cada epidemia, as forças nativas sofriam baixas monumentais, causando um vazio demográfico de difícil recuperação na luta contra os brancos. Além disso, a impotência de seus xamãs para conter tais doenças, que se propagavam com mais rapidez do que conseguiam curar, minava a confiança dos nativos e fazia crescer o temor e a admiração pelo poderoso Deus dos brancos, cujos sacerdotes pareciam imunes àquele mal.

As trocas de animais, madeira e mão de obra por utensílios europeus esteve longe de ser trivial. Um machado de ferro é capaz de reduzir um trabalho de três horas para quinze minutos. Para não na falar na vantagem adquirida contra os inimigos tradicionais. O que parece ser banal para o europeu, pode ser inestimável para um nativo.

Assim, no limiar de um novo século, os colonos conseguiram se impor em toda a região da Província de Santa Cruz na qual decidiram fincar pés, forçando seus limites para o interior. Contudo ainda resta um largo território pouco explorado e desconhecido, no qual os homens brancos são apenas histórias trazidas pelos viajantes.

Published in: on 15 de março de 2010 at 1:42  Comments (2)  

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  1. muito bom o site obrigado me ajudou muito

  2. […] TRIBOS INDÍGENAS […]


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