CAPITANIA DE SÃO VICENTE

A Capitania de São Vicente foi a primeira a se desenvolver ao sul da colônia, graças à iniciativa pioneira de investir em engenhos de açúcar. Facilitou o fato dos nativos da região já estarem acordados com os degredados lusitanos ali deixados.

A ocupação da capitania é marcada por duas realidades distintas: as vilas do litoral, espremidas contra uma serra íngreme e coberta pela mata, e as vilas do interior. De São Vicente, “cabeça” da capitania, a Piratininga, principal vila do interior, chega-se por meio do Caminho de Paranapiacaba, um antigo Peabiru. Padre José de Anchieta, um dos fundadores de Piratininga, abriu um segundo caminho, mais reto e, portanto, mais íngreme, que passa por Cubatão, conhecido como o Caminho do Padre José.

As bandeiras de apresamento foram a principal atividade dos habitantes do planalto, de forma a municiar a mão de obra das fazendas dos Campos de Piratininga. Entretanto, o crescimento dos engenhos em São Sebastião e no Nordeste fez com que a capitania estagnasse. A busca por riquezas passou a ser uma necessidade com a decadência dos engenhos do litoral. A vida no planalto fez os vicentinos se familiarizarem com o sertão, com os nativos e os meios de sobrevivência na mata.

O litoral é estreito devido a proximidade da íngreme Serra de Paranapiacaba. As terras mais prósperas ficam no planalto, após a muralha verde. Os rios que ali cortam correm para o norte, não para o litoral. O rio Paraitinga, que corre para o leste entre as serras, torna-se um importante meio de comunicação entre as capitanias pelo interior.

Tanto a serra quanto o planalto são vastamente cobertos por uma densa mata. O terreno é bastante ondulado, apresentando algumas serras mais ao norte. Antigos peabirus são, junto com os rios, os principais caminhos da região.

Enquanto as vilas do litoral estão em constante com outros portos, os colonos do planalto se veem isolados do resto da província, tendo de se virar por conta próprio. Os produtos que não são produzidos em suas fazendas chegam a preços exorbitantes, assim como os negros escravos, que pouco são avistados na região. Por isso os bandeirantes enfrentaram a Coroa e a Igreja contra a proibição de apresamento dos nativos, não param de explorar o interior de Santa Cruz e nem sempre comunicam ao governador-geral os seus achados.

O planalto de Piratininga parou no tempo, sendo considerada a região mais atrasada da colônia. Açúcar, lã, criação de gado bovino e equino, produtos de ferro, e até mesmo extração de ouro, tudo é produzido apenas para o próprio consumo. A vida do piratiningano é uma eterna luta pela viabilidade da colonização. Piratininga não pode parar, sob pena de sucumbir ante a natureza e seu isolamento.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:18  Deixe um comentário  

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