1. Das classes sociais

A Província de Santa Cruz é composta por uma elite dirigente, sacerdotes católicos, uma massa de homens livres e outra de escravos. Entre os escravos e os homens livres, sejam estes brancos, negros ou mestiços, há os nativos, cuja natureza social é um tanto fluida, indefinida.

Entre as elites coloniais, a burocracia colonial está à frente da nobreza. A aristocracia em Santa Cruz é formada, principalmente, pelas altas patentes militares, os senhores de engenho, os altos cargos políticos e os grandes negociantes.

A nobreza da colônia se distingue da nobreza por linhagem existente no Velho Mundo. Na Terra de Santa Cruz, para ser nobre, a pessoa deve antes se destacar na sociedade, seja na política, na economia ou militarmente. Essa nobreza é uma dádiva concedida pela Coroa a plebeus. A sua hereditariedade é relativa, pois a família precisa manter o status que a fez ganhar o título, a fim de poder manter seus privilégios. Os títulos mais altos de nobreza – Duque, Marquês e Conde – não são concedidos aos plebeus, só à nobreza de linhagem. Já a colônia é povoada de Viscondes e Barões.

O título de nobreza na colônia garante os mesmo direitos que a nobreza de linhagem: os nobres coloniais podem carregar armas em qualquer circunstância, seus lares são invioláveis, estão livres de determinadas penas e seus criados estão isentos do serviço militar.

Nobres de linhagem chegam a cruzar o Mar Oceano, a grande maioria da pequena nobreza, mas poucos se estabelecem. Os da alta nobreza ganham terras ou mesmo capitanias e não se dignam a conhecê-las, enviando um representante para administrá-las.

Os homens livres se dividem entre plebeus comuns (a maioria) e o grupo emergente de escravos libertos e seus filhos marcados pela origem. Entretanto, a sociedade colonial não se caracteriza pela estagnação. Alguns conseguem agarrar as oportunidades que surgem e subir socialmente.

O tamanho da empreitada colonial carece de pessoas e exige cada vez mais cargos burocráticos. Assim, as barreiras de origem (brancos nascidos na Metrópole e brancos nascidos na colônia) são as primeiras a cair na prática.  Só as barreiras étnica e religiosa demonstram ser mais difíceis de transpor. Negros, mulatos e cristãos-novos não ganham título de nobreza. Já caboclos e nativos, ainda que sem o mesmo prestígio, podem ganhar os títulos de cavaleiro e comendador das Ordens Militares.

Os plebeus podem participar do governo, mas não podem ser nobilitados por trabalharem com as mãos: artesãos, lavradores e ofícios mecânicos. O trabalho manual é um grande óbice de ascensão social. Não podem, por exemplo, ser um Familiar do Santo Ofício.

A Igreja é a força que mantém a sociedade unida: Metrópole e colônia, nobreza e plebe, ricos e pobres. A religião católica é onipresente, sem dar margem a dúvidas e concorrência. A fé é um requisito essencial para pertencer à aristocracia e à própria sociedade. Não há Protestantes em Santa Cruz, nem espaço para qualquer tipo de questionamento.

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Published in: on 10 de janeiro de 2019 at 18:46  Deixe um comentário