OS TUPIS

Os Tupi são uma etnia originária do oeste da Grande Floresta. Parte migrou pro sul, dando origem aos Guarani. A outra parte, para o leste, seguindo o rio Solimões até a foz. Depois, desceram o litoral, expulsando muitos grupos que ali viviam. Como esta descida foi feita em diferentes levas temporais, os Tupi se dividiram em várias tribos, que compartilham costumes e língua, mas que são inimigas entre si.

Além do Tupi e do Guarani e seus respectivos subgrupos, essa grande etnia ainda contém nove famílias que habitam a Grande Floresta. Seus idiomas possuem semelhanças, mas entre o Tupi e o Guarani a diferença é tão pequena que os Jesuítas as consideraram a mesma língua, o Tupi-Guarani. O Tupi falado no litoral é muito semelhante entre os diferentes subgrupos, não criando dificuldades ao colono que dominar o idioma.

Na Província de Santa Cruz, há seis grupos Tupi: Tabajara, Potiguar, Caeté, Tupiniquim, Tupinambá e Temiminó. Apenas os três últimos habitam a região dos bandeirantes.

Tupiniquim

Os Tupiniquim foram os primeiros nativos a entrarem em contato com os Lusitanos, onde hoje se encontra a Santa Cruz de Posse, próximo à Vila de Santa Cruz. Nessa época, além dessa parte do litoral, os Tupiniquim ocupavam a região onde foi fundada, três décadas mais tarde, a vila de São Vicente e toda a costa ao redor, bem como as terras para o interior, chegando à futura vila de Piratininga. Os Tupiniquim eram inimigos viscerais dos Tupinambá, a leste, e dos Carió, ao sul. Com a aliança com os Lusitanos, eles ganharam um bom reforço em suas guerras tribais. Quando os Lusitanos começaram a necessitar de mão de obra escrava, os Carió foram as primeiras vítimas, com o auxílio empolgado dos Tupiniquim. Estes participaram ativamente dos ataques dos bandeirantes às missões jesuíticas castelhanas em busca de cativos. As Missões do Guayrá, bem como as duas vilas castelhanas estabelecidas em La Piñería, foram completamente aniquiladas pelos bandeirantes, acompanhados por um exército tupiniquim, entre 1630 e 1640, como parte da reação dos bandeirantes ao Tratado de Santa Luzia.

Em Piratininga, a distância das rotas comerciais e a indiferença da Metrópole garantiram aos Tupiniquim um relativo protagonismo na sociedade local. Na região, o Tupi é mais falado que a língua dos brancos. Os mestiços são bem vistos e a mestiçagem é estimulada. Os próprios bandeirantes, aliás, são vistos pelo resto da colônia como mestiços, pois rara é a família tradicional vicentina que não tenha sangue nativo correndo nas veias.

Tupinambá

Quando os Lusitanos chegaram à Terra de Santa Cruz, os Tupinambá eram o mais numeroso grupo entre os Tupi. Ao sul, ocupavam desde o Cabo de São Tomé até Piratyoca.

No Nordeste, ocupavam a região onde foi fundada a capital da colônia, espalhando-se pelo interior. Estes se tornaram aliados dos Lusitanos, ao contrário de seus irmãos do sul. No Norte, ocupavam um pequeno trecho de litoral, onde foi erguida a Cidade de Saint Louis pelos Francos.

Os Tupinambá do sul se aliaram aos Francos e viraram inimigos dos Lusitanos, aliados de seus inimigos Tupiniquim e Temiminó. Após a derrota dos Francos, as aldeias Tupinambá se uniram numa grande confederação de tribos e partiram para atacar Piratininga. Quando esta estava prestes a sucumbir, os Jesuítas conseguiram negociar uma trégua, a Paz de Iperoig. Entretanto, esta era apenas um ardil para a chegada de reforços da capital. A desmobilização dos Tupinambá devido à trégua foi mortal para o destino do grupo. Os Francos ainda tentaram ajudar os Tupinambá em São Sebastião, mas foram surpreendidos com a chegada de mais reforços vindos de São Vicente. Atualmente, os Tupinambá remanescentes sobrevivem nas serras e no litoral entre São Sebastião e Piratininga, já sem nenhum ímpeto de revanche, preocupados apenas com a sobrevivência.

No Nordeste, com a expansão dos engenhos de açúcar, os Tupinambá foram se deslocando para o interior, tendo como limite o rio São Francisco, e para o sul, pressionando os Tupiniquim, Pataxós e Aimorés, em um efeito dominó. Muitos trabalham na criação de gado.

No Norte, no início do século, os Tupinambá foram protagonistas involuntários de mais uma tentativa dos Francos de ocuparem terras lusitanas. Estabelecendo-se em uma grande ilha bem junto ao continente, os Francos firmaram uma leal aliança com os nativos. Ao serem expulsos pelos Lusitanos pouco mais de meia década depois, seus aliados Tupinambá se tornaram presa fácil da ira lusitana e foram exterminados.

Temiminó

Os Temiminó formam o menor grupo tupi, mas desempenharam um papel fundamental na ocupação lusitana. Na região onde se encontra São Sebastião, os Tupinambá, seus inimigos, eram presença esmagadora. Os Temiminó habitavam apenas a ilha de Paranapuã e mantinham algumas aldeias nas terras ao fundo da baía. Os Tupinambá chamavam os Temiminó  pejorativamente de Maracajás, os “gatos do mato”. Eles cultuam a ferocidade da onça e a sua habilidade de combate.

Mas calhou de os Lusitanos, ao chegarem à região, aportarem em Paranapuã, não no continente. Assim, aconteceu dos Temiminó se tornarem aliados dos Lusitanos; e os Francos, por oposição, aliados dos Tupinambás. Quando os Lusitanos, com a ajuda dos Temiminó, ganharam a batalha contra os Francos e, na sequência, contra os Tupinambá, os Temiminó ocuparam diversas aldeias outrora pertencentes a seus rivais. Com o crescimento da cidade, os Temiminó acabaram sendo absorvidos pela cultura lusitana e pela intensa mestiçagem.

Subindo a costa, os Temiminó ocupavam o litoral entre as terras dos Goitacás e dos Aimorés, na Capitania do Espírito Santo. Em Reritiba, os Temiminó fizeram parte da redução jesuítica dirigida pelo Padre Anchieta, responsável pela consolidação de Piratininga e por mediar a Paz de Iperoig, sem saber que ela seria usada com outros propósitos pelo governo colonial.

Vida e Morte Tupi

Os nativos, em sua maioria, já não vivem mais como antigamente, atraídos para a fé cristã. Os padres recém-chegados, os noviços, precisam ir às aldeias tapuias para conseguirem ter um vislumbre daqueles tempos.

Dos Costumes

Os Tupis, quando os Jesuítas aqui chegaram, andavam todos nus, e não exibiam pelo algum no corpo, nem nos supercílios, nem na região pubiana, exceto na parte de trás da cabeça. Usavam brincos de ossos, braceletes de penas, colares de dentes e miçangas. Levavam uma pedra verde enfiadas nos lábios inferiores e às vezes na própria bochecha. Muitos desses acessórios ainda persistem nos aldeamentos. Também é comum o hábito de comer carne de animais ligeiros, acreditando que isso os tornará ágeis. Mas já não dispensam uma boa carne de boi, animal pesado, cuja carne evitavam comer, bem como a carne dos animais lerdos.

A caça segue sendo uma atividade exclusivamente dos homens, assim como a pesca, embora as mulheres possam ajudá-los mergulhando para buscar o peixe flechado, pois que são exímias nadadoras!

Originalmente, os homens fabricavam canoas, pequenos móveis de madeira, arcos, flechas, tacapes e adornos de penas multicoloridas. Cortavam a lenha para as fogueiras, teciam redes para caça e pesca, confeccionavam cestos de folhas de palmeira e desempenhavam papel preponderante na construção coletiva das malocas, da qual as mulheres também participavam. Mas sua função primordial sempre foi o contínuo adestramento para a guerra, proteção das tabas e das mulheres, velhos e crianças.

As mulheres cuidavam de todo o resto. Além do que já foi dito, elas davam suporte ao contínuo esforço de guerra, fazendo todo o trabalho da horta, desde a semeadura até a colheita. Plantavam mandioca, milho, feijão, batata-doce, amendoim, abacaxi, inhame, abóbora, pimenta, tabaco, algodão. Coletavam ostras e mariscos nas pedras. Podiam participar da caça para auxiliar no transporte das presas abatidas. Preparavam a farinha de peixe, principalmente para a guerra. Faziam o serviço doméstico, como cozinhar e manter aceso os dois fogos que ficam junto à rede da família. Quando iam buscar água para beber, aproveitavam pra lavar a rede. Eram responsáveis diretas pela domesticação dos animais: aves, cachorros, galinhas, cutias, papagaios. E ainda cuidam dos filhos pequenos.

Atualmente, elas ainda são mestres na tecelagem do algodão e das redes de dormir. Fazem cestos trançados de junco e vime. Preparam o barro e a manufatura de panelas, vasilhas e potes, e pintam a cerâmica. Mas muitos trabalhos são compartilhados hoje com os homens. O mais difícil foi transformar os guerreiros em camponeses, pois os Tupis consideravam o trabalho nos campos como coisa de mulher. Por isso, sempre se animaram a acompanhar os bandeirantes em suas aventuras.

O entretenimento deles fica por conta do tiro à cabaça com o arco e flecha. A criança tupi aprende desde os 4 anos a manejar o arco. O melhor professor é sempre o pai. Os Tupis desconhecem o castigo às crianças e nem os pais os repreendem por qualquer falta. A educação é baseada no exemplo.

Dos casamentos originais

Antes, os moços só podiam casar depois do ritual da quebra do crânio. Já as moças se casavam muitos anos após chegar à puberdade, quando se tornavam kunhã. Entre um rito de passagem e outro, gozavam de bastante liberdade. Por outro lado, havia uma cobrança rígida no desempenho das suas funções comunitárias. Caso cometessem erros, eram duramente castigadas por suas mestras. Só podiam se casar após mostrar plena capacidade de manter um lar.

A relação entre jovens não preparados para casar era mal vista e praticada às escondidas. Já a relação com as meninas menores sempre foi tabu, assim como o incesto.

O amor recíproco era a principal motivação do casamento, mas o pretendente precisava ganhar a simpatia dos parentes, oferecendo caça e peixes. Para o casamento, a virgindade tinha pouco valor. Pelo contrário, esperava-se que os noivos já tivessem se conhecido na intimidade.

A relação entre dois homens não era mal vista, embora um ou outro pudesse ser alvo de zombaria. Entre as mulheres, algumas assumiam posição reservada aos homens, casando-se com outras mulheres. Nesses casos, exerciam todas as funções do homem na sociedade, os mesmos deveres, o mesmo corte de cabelo. Chamá-las de kunhã (mulher) era grave injúria. A estas só era vedada a execução cerimonial de quebra do crânio.

Das tabas

As antigas tabas chegavam a ter 500 varas de largo. A maloca podia chegar a 100 de comprimento por 15 de largura. Algumas tabas, no início da colonização, chegavam a abrigar 10 mil nativos, mas em média tinham entre 600 e 800 indivíduos. Hoje, nesta região, vale dizer que aquelas onde ainda predomina o modo selvagem são bem menores.

Na maloca vivem as famílias solidárias entre si. Várias malocas se unem para formar uma taba. Cada taba é formada por, pelo menos, quatro malocas, dispostas ao redor de um espaço livre em forma de pátio, a okara.

Internamente, as malocas são subdivididas a partir de estacas de sustentação internas, cada família com seu perímetro, onde organizam as redes, fogueiras e pertences (cabaças, panelas, banquinhos, caixas de madeira para enfeites e objetos pessoais, como ceras, tintas e óleos). Os telhados são trançados com palha de palmeira, demasiadamente baixos, de forma que um homem alto teria de entrar ligeiramente curvado. Há duas entradas laterais, uma em cada extremidade, e uma intermediária, no centro. Não há peleja, não há furtos entre os Tupis, seja nas tabas, seja nos aldeamentos da Companhia.

Um homem só podia se mudar de sua maloca ou taba em razão de casamento, indo morar com o sogro ou erguendo sua própria casa. Uma nova maloca devia atrair pelo menos mais 40 indivíduos. Se conseguisse a proeza, ele se tornaria o Morubixaba daquela maloca, passando a compor o conselho de chefes da aldeia.

Em nossa pressa de assimilar a cultura dos nativos, interpretamos o Morubixaba como nossos reis. Só mais tarde nos demos conta do equívoco. Na verdade, cada maloca tem um morubixaba. Em malocas muito numerosas, pode haver até dois. A liderança é bem informal e o morubixaba não é seguido em tudo, apesar de ser ouvido e respeitado. Então de nada nos valia negociar com um achando que este falava em nome de toda a aldeia.

A localização de uma aldeia, nova ou antiga, depende de lenha e água potável nas proximidades. Melhor ainda se houver rio para pesca, terreno fértil e caça abundante. E pássaros, para obter as penas. Os nativos não aldeados mudam de lugar, mas procuram se manter no mesmo território, até uma légua de distância do terreno anterior. Uma das razões da mudança é o envelhecimento do teto das malocas, que se enchem de parasitas e insetos; outra é o desgaste da terra cultivada; ou o perigo de ataque de inimigos, de criaturas da floresta ou de espíritos.

As tabas eram circundadas por um sistema de fortificações. Primeiro, uma estacada de troncos de palmeira rachados, com cerca de três varas de altura, tão cerrada que uma flecha não podia atravessá-la. Havia pequenos buracos pelos quais os guerreiros podiam atirar protegidos dos inimigos. Havia uma segunda cerca, de paus grossos e compridos, com distância pela qual um homem não podia passar. As duas cercas eram ajustadas de maneira que, num eventual ataque, os defensores podiam sair pelos flancos da primeira cerca em posição privilegiada de contra-ataque. No alto delas eram espetados os crânios dos inimigos. Podia, ainda, haver armadilhas entre as duas paliçadas, como buracos recheados de pontas agudas e cortantes.

Dos Peabirus

Peabiru é o nome que os Tupis dão às trilhas percorridas por eles de uma taba a outra. Mas não se trata de mera picada aberta na mata. São trilhas ancestrais abertas no meio da densa floresta para servir como estradas, como as vias romanas ou os caminhos incas em Nova Castela. Elas têm cerca de oito palmos de largura e leito rebaixado em pouco menos de dois palmos em relação ao nível do solo, recoberto, em alguns casos, com gramínea ou pedra. Os Tupis acreditam que essas trilhas tenham sido abertas por Maíramûana, o primeiro Karaíba. Ou seja, podemos acreditar que são mesmo muito antigas.

Os mapas baseados nas referências geográficas dos Tupis acabam cometendo um equívoco básico para aqueles que não entendem o modo deles pensarem. Iguaçú, itaúna, itaoca são nomes que se repetem. Não são lugares geográficos determinados, mas sua estrutura, seu significado. A itaoca indicada em um mapa, que significa ‘casa de pedra’, pode não ser a mesma itaoca para a qual o guia tupi está conduzindo.

Das armas

As flechas tupis têm dimensões equivalentes ao tamanho do arqueiro. Como as mulheres são menores, suas flechas têm menor comprimento. Trata-se de objeto profundamente pessoal.

As flechas são minuciosamente preparadas, com pontas diferentes para cada objetivo. São longas e medem até oito palmos, feitas de um tipo de cana sem nós. Para impacto, ponta de madeira rija, arpoada ou não, de lasca de taquara ou ossos de peixe pontiagudos do tamanho de um dedo, e com uma ponta recurvada em gancho. Para os inimigos, flechas com dente de tubarão, por serem agudos, cruéis, peçonhentos, de feridas que raramente saram; ou com ferrões de arraia, que são muito venenosos. Também podem ser de algodão para flechas incendiárias ou para atordoar pássaros.

As penas são cortadas ao meio e amarradas com fios de algodão no cabo da flecha para dar equilíbrio e direção ao tiro. Podem ser disparadas na razão de seis para cada tiro de arma de fogo. Os Tupis da Província de Santa Cruz não envenenam suas flechas.

Para matar, a arma preferencial deles é o tacape. O tacape é usado quando o combate chega ao clímax. São feitos de uma madeira dura, de cor vermelha ou negra. Tem um topo triangular que vai se estreitando na direção da extremidade inferior, medindo até sete palmos. No punho da clava, um enfeite de plumas.

Os Tupis desenvolveram escudos de couro de anta e madeira leve, pintados de várias cores e revestidos de penas. Conseguem aguentar um tiro de arcabuz.

Das guerras

A relação entre as tabas sem laços de parentesco era, em regra, de hostilidade. Tupis ou não, os inimigos usavam mais ou menos as mesmas armas. A maioria das guerras não era por sobrevivência ou disputa territorial, como hoje. Eles lutavam para vingar seus antepassados e para ter uma existência honrada. Atualmente, há regiões onde essas guerras culturais ainda ocorrem, mas luta-se mais por necessidade.

A disputa entre os grupos tupis surgiram a partir da escassez de inimigos. Uma vez que já haviam ocupado um vasto território no continente, muitas tabas só tinham como vizinhos outros tupis.

As ações eram deliberadas por um conselho de chefes da aldeia, ou de um conjunto de tabas liderado pelos mais velhos, os Tunhãbaés. O conselho escolhia um líder para a expedição guerreira. Às vezes ocorriam discussões ásperas. Parte do ritual envolvia a fumagem coletiva, um ato sagrado e místico. Após chegarem a uma conclusão, o plano era apresentado ao pajé. Pajés e Karaíbas também podiam impulsionar uma expedição punitiva movida por alguma profecia.

Essas expedições podiam ter três formatos:

Expedição com número limitado de guerreiros: atuava como uma tropa de elite cuja função era atacar tabas inimigas, matar o maior número possível deles, queimar suas casas, causar o máximo de destruição e voltar em seguida, de preferência trazendo cativos para que a vingança pudesse ser compartilhada com as mulheres e parentes de outras tabas.

Expedição com maior número possível de guerreiros, de uma ou mais tabas: quando era esperada maior resistência do adversário.

Nestes dois casos, sobrava um contingente razoável para manter as defesas de sua própria taba, realizada, inclusive, com sentinelas.

A primeira coisa que faziam em um ataque era queimar as malocas dos inimigos com flechas embebidas em algodão. Quando estes eram desalojados, atiravam suas flechas. Até que chegava a hora do corpo a corpo com tacape ou machado. O principal objetivo era capturar inimigos para o ritual antropofágico. Os mais feridos eram sacrificados no próprio campo de batalha.

Expedição longa: se o ataque prometia ser de longa duração, e fosse necessária a participação de todos os guerreiros disponíveis, a expedição envolvia toda a comunidade, para que mulheres, velhos e crianças não ficassem desprotegidos.

A data de partida da expedição era relacionada ao amadurecimento de algum fruto ou desova de peixe. Os nativos dependiam de elementos da natureza para planejar a jornada. O peixe serve como mantimento e o milho para produzir o cauim. As mulheres e filhas produziam bastante farinha de guerra, que era feita com peixe torrado ao fogo e esmagado, depois secado para conservar. Essa farinha de peixe podia durar meses. Os homens preparavam todo o equipamento de guerra.

Para tais incursões, o costume era montar esquadras com dezenas de canoas, cada uma carregando de 20 a 30 guerreiros. Batalhas navais envolvendo troca maciça de flechas entre dois aglomerados de barcos podiam decidir a briga.

Uma batalha nesses moldes, lideradas pelos bandeirantes, ocorreu contra uma missão jesuítica castelhana no cerro de Mbororé, em 1640. Na época, os Jesuítas conseguiram licença da Coroa para armar os Guaranis com armas de fogo e resistir ao ataque. Após uma semana de feroz combate no rio Uruguay, vicentinos e tupis sofreram retumbante derrota.

Dos Rituais

Os Tupis não cultuam nenhum ser em específico, ainda que muitos irmãos acreditem que os pajés recebam seus poderes do Senhor das Trevas. Não se trata, porém, de uma questão simples. Há muitas forças envolvidas e é preciso maior discernimento para compreendê-las.

Apesar de não terem uma idolatria, a vida cotidiana dos Tupis é marcada por rituais que apresentam função social semelhante aos demais rituais religiosos, manejando energias poderosas. Foi preciso muita habilidade e paciência dos Jesuítas para decifrá-los e, a partir desse conhecimento adquirido, aproximá-los da liturgia cristã, e então reapresentá-los aos nativos de uma forma que entendessem a mensagem de Cristo.

Padres de outras ordens condenam os Jesuítas por fazerem tais aproximações. Mas a Companhia de Jesus sustenta que essa é a melhor forma de trazer os nativos convictamente para o Reino de Deus. Não basta adestrá-los na fé ou ter controle sobre suas ações se o amor de Cristo e a verdadeira fé não habitarem seus corações. E, igualmente importante, os padres devem provar na prática o poder da reza e da missa, e como a fé deles pode ajudá-los a ter uma vida melhor.

Da bebida ritual

O Cauim é a bebida fermentada servida nas grandes ocasiões. Nascimento, puberdade, furação dos lábios, cerimônias antes e depois da guerra, rituais religiosos, rituais funerários, trabalho coletivo na roça, assembleia de anciões, visitantes: tudo era momento para grandes bebedeiras. Essa bebida é adaptada às frutas e raízes disponíveis na região (aipim, milho, caju, abacaxi, ananás, mangaba, banana, jabuticaba, batata, jenipapo). É servida morna.

O Cauim em si não representa nenhuma ofensa ao Nosso Senhor. O problema reside no fato dos Tupis serem beberrões respeitáveis. Só os adultos podem beber e apenas as mulheres podem fazer a bebida. O material é fervido até ficar bem cozido. Depois, elas se reúnem ao redor da panela e mastigam bem o conteúdo, devolvendo as porções para um segundo pote aquecido em fogo baixo. Após um tempo fermentando com a saliva, a pasta é novamente levada ao fogo e remexida até cozinhar. A bebida é opaca e densa, com sedimentos e gosto de leite azedo. Pode ser misturada com frutas.

O álcool da bebida era visto como propriedade mística. Assim, as mulheres que faziam parte da mastigação deveriam ser virgens ou guardar a castidade por algum tempo. As moças mais bonitas ainda são incentivadas a participar da mastigação. Durante as festas, o cauim é mantido aquecido a fogo baixo. Ao beber, os homens devem esvaziar a tigela num único gole. Se sobrar alguma coisa, a mulher bebe.

Nos tempos antigos, uma festa regada a cauim podia durar vários dias. Os mais velhos eram os primeiros a serem servidos. O tabaco era fumado nas pausas das bebedeiras. As mulheres também bebiam e podiam dançar ao lado dos homens. Ninguém se alimentava de comida. Chegavam ao extremo de vomitar para poder beber mais. Parar de beber antes dos demais era considerado sinal de fraqueza. A libido também era intensa. Quando a bebedeira gerava confusão, as mulheres corriam para apagar o fogo das tigelas, para que nenhum índio bêbado tocasse fogo na própria maloca.

Foi mais difícil para os padres conter a esbórnia dos nativos do que por fim ao ritual antropofágico.

Do ritual antropofágico

A antropofagia era o principal ritual dos Tupis, em torno do qual girava todo o funcionamento da taba. E o que nos mais provocava horror e aflição.

Mas não era uma questão de alimentação. Um homem só podia se casar após provar seu valor como guerreiro. E seu rito de passagem era rachar o crânio de um inimigo neste ritual. Ou seja, sem a antropofagia não havia sequer casamento!

A antropofagia não visava exterminar adversários ou ocupar territórios, mas manter vivo um ciclo interminável de vingança que enobrecia quem dele participava.

O massacre do crânio é a maior ofensa a se fazer a um inimigo, ou desonra a sofrer nas mãos deles, pois os Tupis ainda acreditam que os defuntos caminham na outra vida da forma que terminaram nesta. Esse ato, portanto, impediria o espírito de continuar viagem à Terra Sem Mal, o paraíso eterno dos Tupis, o que  provocava as rixas entre as tribos.

Nesse ritual, o matador adquiria um nome, a maior riqueza de que pode dispor um guerreiro. Um tupi não podia procriar antes de obter um nome desses e também não podia dar nome a seu filho. Para cada nome conquistado, o matador tupi fazia uma incisão no corpo, aplicava pó de urucum na ferida, resultando em uma espessa cicatriz. De posse de muitos nomes, ele podia até ascender à posição de Morubixaba. O acúmulo de nomes permitiria à alma superar as provas da morte e alcançar a Terra Sem Mal. Assim, alguns guerreiros possuíam grandes cicatrizes no peito, nos braços, nas coxas, de tamanho, espessura e recorte semelhante. O prestígio aumentava na proporção dos inimigos que abatia. Só podia se tornar Morubixaba aquele que tivesse massacres rituais em seu passado. Podia ainda dominar a magia e se tornar um pajé.

A prática de escarificações ainda é popular entre os nativos, mesmo entre os aldeados, e contaminou até mesmo os colonos, apesar dos nossos constantes alertas quanto ao perigo de se entregar a tais costumes pagãos.

O ritual antropofágico começava com a chegada do prisioneiro à taba. Ele era recebido com muita hostilidade. Depois, a ele era dado uma mulher, possivelmente uma viúva. Esta não poderia se casar novamente enquanto o marido morto não fosse vingado. Se o morto fosse solteiro, o cativo poderia receber a irmã, a filha, ou mesmo uma das mulheres de seu captor.

As Tupis consideravam honrosa essa ligação com os inimigos vencidos, e se sentiam recompensadas pela derrota de seus maridos. Mas a mulher também tinha a função de vigiá-lo, cuidar dele e alimentá-lo. Ao prisioneiro ainda era permitido se relacionar com outras mulheres, desde que às escondidas. Mas nunca com uma mulher casada, o que era punido com morte imediata.

Às vezes o cativo era constrangido a trabalhar na roça com as mulheres e não podia usufruir de sua caça e pesca sem antes oferecê-la a seu captor. Exceto pela fuga, o cativo tinha total liberdade de locomoção, como ficamos sabendo pelo livro daquele alemão que foi prisioneiro dos Tupinambás.

As mulheres prisioneiras, em geral, tornavam-se esposas de seus captores. Porém, se rejeitada, podia deitar-se com qualquer um. Aquela que se tornava esposa de um guerreiro da tribo só teria o seu crânio rachado após a morte natural.

O conselho de chefes determinava a data do ritual de execução. Os prisioneiros mais velhos eram executados logo. Os mais novos permaneciam na aldeia por meses ou anos. É um grande equívoco confundir esses cativos com os escravos. Ainda que devessem alguma obediência a seus captores, a sua natureza era a de um prisioneiro que gozava de invejável liberdade.

A execução ritual vingava a morte dos antepassados. O prisioneiro considerava sua morte honrosa, e houve mesmo casos em que o cativo recusou a ajuda de um padre para poupá-lo da execução. Uma vez decidida a data, esta era comunicada às aldeias vizinhas, que enviavam emissários para a festa. Então o prisioneiro era coberto de plumas e fazia uma peregrinação por todas as malocas.

A partir desse momento, o prisioneiro era mantido amarrado.  Às vezes era retirado de sua maloca-prisão para participar de certas etapas de preparação do ritual. Toda a taba, a essa altura, estava voltada para a execução. Os homens fabricavam o Ybyrapema, o tacape cerimonial destinado a esmagar o crânio do cativo.

Era preparada também a Muçurana, a corda ritual, untada com uma substância branca semelhante à cal. Nos dois últimos dias, o prisioneiro permanecia guardado pelas nativas mais velhas numa pequena cabana. Seu cabelo era todo raspado e o corpo pintado de preto. O cauim era servido generosamente do lado de fora.

No dia anterior á execução, o cativo era levado para banhar-se no rio. No retorno, era atacado por um guerreiro todo paramentado, que devia dominá-lo. Se não o fizesse, certamente seria considerado uma vergonha para o guerreiro, mas outro logo o substituiria até que o cativo estivesse dominado. Depois, ele era amarrado com a muçurana. Essa pesada corda era colocada em seu pescoço e esticada pelos dois lados, dando alguma liberdade de movimento. Os nativos que seguravam a corda se protegiam com os escudos de anta. Sua esposa lhe oferecia frutas, pedras e uma flecha rombuda, com as quais tentaria acertar seus captores. Depois, cobriam-lhe de mel e plumas. O ybyrapema era levado até o centro da taba e consagrado, e então pendurado em frente a uma choça. O prisioneiro era obrigado a participar da festa que se seguia.

No dia da execução, o cativo era acordado aos primeiros raios de sol. A muçurana era tirada de seu pescoço e amarrada à cintura. Sua mulher se despedia e se afastava chorando. Seu executor, que até então permanecera apartado, alheio às festas, revela-se com um sombreiro de plumas e um diadema de penas vermelhas. Vestia colares, braceletes e tornozeleiras de penas. Seu rosto estava pintado com urucum e o corpo com cinzas embranquecidas. Ele parava em frente à vítima e recebia o ybyrapema. Sua missão era simples: quebrar o crânio do inimigo com um único golpe fatal. Não lhe era permitido fazer qualquer tipo de finta, ou receberia ruidosas vaias. Se o morto caísse de costas ao receber o golpe fatal, e não de frente, isso seria interpretado como mau augúrio. Significava que o executor teria uma vida curta.

Uma vez desferido o golpe fatal, as nativas mais velhas eram as primeiras a se precipitarem sobre o corpo. Era delas a maior demonstração de ódio. A antropofagia era mais importante para as mulheres, pois para os homens havia o ato de esmagar o crânio dos inimigos. Para elas, aquele era o momento de consumar a vingança.

As crianças eram estimuladas a se aproximarem e lambuzarem a mão de sangue. O corpo era então escaldado com água fervendo, o couro era retirado, os membros cortados e levados para as malocas com gritos de alegria. Depois eram depositados no moquém, a grelha tupi. As mulheres retiravam as tripas e assavam a carne. Nenhum pedaço do defunto era desperdiçado. Os dedos das mãos, o fígado e o coração eram considerados partes nobres e eram oferecidas aos hóspedes mais importantes.

Só o executor não saboreava o banquete, devendo abster-se da carne do inimigo e refugiar-se em sua maloca. Seu padrinho, o morubixaba que lhe passara o ybyrapema, o aguardava dentro da maloca e enfim completava seu rito de passagem.

Ao sair, o executor já se tornara um adulto, um guerreiro abá. Com isso poderia trocar o nome de sua infância por um nome que lhe agradasse. Em seguida, sentava em sua rede e infligia cortes no corpo, no qual esfregavam pó e ervas, de forma a arreganhar e inchar, virando uma espécie de tatuagem. Enquanto não cicatrizasse, ele deveria fazer jejum de cauim e de carne. Não poderia também sair da rede ou colocar o pé no chão.

Dos ritos funerários

Em regra, os entes queridos eram enterrados no interior da maloca, para protegê-los dos inimigos. Eles receavam a violação de seus corpos e, particularmente, o esfacelamento do crânio. Parece que não era incomum que violassem túmulos com essa finalidade. Porém, em algumas tabas, apenas o Morubixaba podia ser sepultado dentro da própria maloca.

Quando o Morubixaba morria, as mulheres da taba cortavam o cabelo e os homens o deixavam crescer. A viúva tingia-se com o preto do jenipapo. Antes de ser enterrado, o corpo era untado com mel e ornado com penas coloridas e os enfeites que usava em vida nas cerimônias. Depois, era colocado na própria rede e então amarrado em cordas de algodão para que não retornasse à superfície.

O buraco era cercado com estacas de madeira para que a terra não passasse. Junto a ele depositavam a clava de madeira, as outras armas e utensílios pessoais. Também lhe davam presentes para que levasse à terra dos mortos, e mensagens aos antepassados. O morto também era um mensageiro do além.

Da Criação segundo os Tupis

Para os Tupis não cristianizados, Monã, o ‘antigo’, é a entidade única criadora de tudo. Mas os homens desprezaram seu criador. Como punição, Monã enviou um grande ‘tatá’, um enorme fogo vindo dos céus que queimou tudo. O fogo fez a terra enrugar, transformando-a em vales e montanhas. O único homem salvo foi Irin-Magé. Para compensar Irin-Magé da destruição, Monã fez chover vários dias. A terra se recuperou e Monã deu a ele uma esposa. Entre os filhos de Irin-Magé estava o grande karaíba Maíramûana, o profeta transformador. Seus poderes eram compatíveis aos de um deus. Maíramûana vivia recluso na mata, cercado de seguidores. Ele é responsável pela tonsura dos cabelos, pela depilação total, as pinturas corporais, a tradição de achatar o nariz dos recém-nascidos. Podia, como castigo, transformar pessoas em animais. Isso aterrorizava tanto os nativos que eles o mataram.

Da difícil viagem da alma após a morte

A força vital dos Tupis, a Anga, transforma em Anguera após a morte, quando enfrenta os desafios de uma longa e difícil caminhada no mundo astral, para tentar alcançar a Terra Sem Mal. Só assim a alma poderá se tornar imortal.

Em seu caminho estará, além dos espíritos dos inimigos, a legião dos Anhangas. Estas entidades maléficas que habitam as matas, sombras difusas dos espíritos da natureza, dedicam-se a capturar as Angueras. Para proteger as almas de seus familiares que rumam à Terra Sem Mal, os Tupis acendem fogueiras ao lado da sepultura, por ser este o único elemento que afasta um Anhanga. Por essa razão, também, os Tupis são enterrados com suas armas e objetos que podem precisar na viagem.

Caso o tupi seja morto por um feiticeiro, sua viagem à Terra Sem Mal se tornará ainda mais dificultosa, pois a Anguera fica enfraquecida. Por isso esses bruxos nativos e seus sortilégios infligem tamanho pavor aos nativos.

Os Anhangas são bem mais do que crendices nativas. Apesar de sua terrível natureza, não se pode confundi-los com os espíritos malignos que habitam os planos inferiores. Eles parecem nascer da aura sombria da própria floresta.

Finalmente, após passar por uma série de provas para chegar à Terra Sem Mal, devendo ainda evitar as terras dos inimigos no mundo dos espíritos, a alma deve marcar o ritmo com maracá, a fim de anunciar sua chegada a Maíramûana.

Das almas vis

Quando o tupi morre, além da Anguera, desprende-se do corpo o Taúb-aib, o fantasma do cadáver, que apodrece com ele, e cheira como ele. O Taúb-aib não gosta dos vivos e busca fazer-lhes mal. Quando a matéria se decompõe, o Taúb-aib também se vai, definitivamente. Não há nenhum plano que a abrigaria.

Aqueles que são sacrificados e devorados não geram um Taúb-aib. Seu fantasma desaparece logo no estômago dos inimigos. Por isso os Tupis têm horror à morte natural.

Da Terra Sem Mal

Ybymarãeýma é a Terra Sem Mal, onde não há guerra, não há morte, nem trabalho, um lugar onde só os mais fortes, corajosos, destemidos e que seguem à risca os ensinamentos de Maíramûana e as tradições ancestrais têm lugar. Para o tupi, humanidade e mortalidade existem num mundo imperfeito.

Neste Paraíso, descansam os antepassados mais valorosos e memoráveis. Há nele uma fonte da juventude eterna que manteria todos na melhor idade, pais e avós, em harmonia e felicidade eterna. O tupi deve enfrentar muitas provas durante a vida e depois da morte, a fim de provar o seu valor espiritual. O desafio da vida é manter-se digno para adentrar a Terra Sem Mal. Por isso a cultura Tupi é a guerra, única forma de mostrar seu valor.

Pajés

O pajé não é um sacerdote, pois os Tupi não cultuam nenhuma entidade, nem possuem dogmas que possam ser comparados a um sistema religioso. Pajé é o líder espiritual da aldeia, mas não é o único a lidar com as forças da natureza. Há aqueles que o auxiliam nesse serviço, mas sem o mesmo status de liderança, e há os feiticeiros, que só usam o seu poder mágico em proveito próprio.

Os feiticeiros propriamente ditos têm o mesmo poder do pajé, mas utilizam esse poder de forma egoísta e furtiva, fazendo mal à tribo. Não há diferença entre os poderes dos pajés e dos feiticeiros, nem entre os pajés das diferentes tribos tupi e guarani.

Maracá

Os pajés utilizam um instrumento mágico chamado Maracá, a falsa cabeça. Ele possui a conformação de uma pequena cabeça humana, com orelhas, cabelo, olhos, boca e nariz. Em seu interior são colocadas folhas de propriedades místicas. O objeto é conduzido solenemente pelo pajé nos rituais, impondo o ritmo dos cânticos e da dança. Ele salta e dança diante dos guerreiros, postos em círculo. O pajé usa o maracá para canalizar a força dos espíritos a favor da tribo.

Karaíbas

Os Karaíbas foram o maior obstáculo enfrentado pelos Jesuítas no início da colonização. Ainda que não sacrificassem inimigos, nem comessem carne humana (o que lhes é proibido), representavam para os padres o tipo mais abominável de feiticeiro. Além de controlarem grande número de espíritos animais, podem também incorporá-los em um ato consciente e voluntário. Possuem livre trânsito entre as aldeias, inclusive inimigas. Vivem na mata porque este é o território dos espíritos.

Os Karaíbas são capazes de se transformar em onça. Eles nunca comem carne humana e nunca são devorados nos rituais. O cadáver de um Karaíba não libera a taguaib e sua anga não enfrenta os desafios a caminho da Terra Sem Mal. Ele tem o dom de ir, fisicamente, a Ybymarãeýma.

Published in: on 7 de janeiro de 2019 at 17:57  Deixe um comentário