OS LUSITANOS

Os Lusitanos foram o primeiro povo europeu a se a se unificar em torno de uma só Coroa, formando um reino forte e coeso após a expulsão dos Mouros. Ao contrário da vizinha Espanha, fruto da união de vários reinos sob o comando de Castela, Portugal é culturalmente mais coeso, com Lusitanos e os Galegos do norte.

Como entreposto preferencial entre as rotas do Mediterrâneo e as do Mar do Norte, o jovem reino teve de se habituar a conviver com diversos povos que por lá passavam. Essa estabilidade e tolerância permitiu que a Coroa reunisse na Escola de Sagres sábios de todas as partes, que desenvolveram antes dos demais a capacidade de viajar para muito além do Velho Mundo. Em Portugal, plantar árvores era sinônimo de plantar navios.

Inicialmente, seus interesses estavam em participar diretamente das riquíssimas e milenares rotas comerciais do Oriente, sem precisar da mediação dos comerciantes mediterrâneos. Essa busca lhes permitiu entrar em contato direto com os reinos negros ao sul do Saara.

Quando os demais reinos ibéricos expulsaram os Mouros e se reuniram em torno do trono de Castela, lançaram-se também ao mar e descobriram o Novo Mundo, levando os Lusitanos a seguirem a mesma direção. Inicialmente, tal interesse era apenas estratégico. A Coroa lusitana acreditava que a ocupação da Terra de Santa Cruz seria garantida pelos interesses comerciais privados, podendo, assim, dedicar-se mais às colônias mais rentáveis do Oriente. Mas as dificuldades à colonização criadas pelos nativos, seja por conflitos, seja por diferenças culturais ou pelas epidemias, fizeram as coisas andarem muito devagar. Assim, dois eventos fizeram a Coroa tomar as rédeas da colonização.

Primeiro, a descoberta de ricas minas de ouro e prata no antigo Império do Sol, pertencente aos Castelhanos. Segundo, o crescente interesse do Reino da França em tomar parte da ocupação do Novo Mundo, e justamente nas terras que cabiam aos Lusitanos. De imediato, a primeira medida tomada pela Coroa desagradou imensamente aqueles aventureiros e colonos que já haviam se estabelecido em Santa Cruz: apressar a colonização enviando presos e degredados.

Aconteceu o que os pioneiros já previam: as vilas foram tomadas por pessoas pouco dispostas ao trabalho duro e à procura do dinheiro fácil. Mas não só assassinos e malandros cruzaram o oceano. Presos e degredados também incluíam aquelas pessoas que tiveram a má sorte de se indispor com quem não devia, de ter de lutar por sua honra ou a de outrem à custa de sua própria liberdade, de ter de roubar uma galinha para salvar a família da fome. Pessoas que certamente sonhavam por uma segunda chance, ainda que preferissem que essa chance lhes fosse dada na Metrópole. Mesmo assim, trataram de agarrar a oportunidade (ou pelo menos tentar). De fato, muitos foram bem sucedidos. Houve degredado chegando sem a roupa do corpo que se tornou proprietário de uma dezena de engenhos e milhares de escravos.

Além do trabalho na terra, na burocracia e no comércio, a vida colonial é composta ainda por diversas atividades nas vilas e arraiais.

Uma vez em Santa Cruz, a pessoa é reconhecida mais por suas conquistas e trabalho do que por sua origem além-mar. O comércio, ainda que pudesse render uma boa fortuna, carece de status social. Este é garantido para os nobres, senhores de terra e militares de alta patente.

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Published in: on 8 de janeiro de 2019 at 17:38  Deixe um comentário