MESTIÇOS

Mestiço é o resultado de toda mistura entre nativos, negros e brancos. Em comum, muitos são tratados de acordo com a origem social hierarquicamente inferior ou de forma mais branda, com alguma possibilidade de ascensão social. Também correm o risco de serem visto com desconfiança por ambos os grupos dos quais se origina, ficando de fora dos dois mundos.

Inicialmente, a miscigenação mais comum foi entre os homens brancos (a primeira mulher a chegar do Velho Mundo levou algumas décadas) e as nativas do Novo Mundo. Os filhos dessa união são os Caboclos. Fora dos principais centros urbanos, eram bastante estimados. Na medida em que foram chegando mais brancos e mulheres brancas, foram perdendo prestígio. Dependendo da condição do pai (pois caboclo de pai nativo e mãe branca é bastante raro), não tem tanta dificuldade em se estabelecer na sociedade colonial. Sua dupla origem lhe dá certo prestígio nas bandeiras. Porém, pode ser visto com suspeita pelos nativos. Sua posição social varia muito de acordo com a região. Em Piratininga, são bem vistos, pois muitos bandeirantes são mestiços. Em São Sebastião, já tiveram dias melhores, sendo substituídos nos trabalhos urbanos pelos negros.

Com a chegada dos escravos negros e a implantação das grandes fazendas, começaram a surgir os primeiros filhos de pai branco e mãe negra (o inverso é a combinação mais rara). Foram designados pejorativamente como Mulatos, pois muitos negros (não necessariamente mestiços) faziam transporte de carga como as mulas, que eram fruto de uma mistura de raças. O termo, entretanto, foi adotado oficialmente pela Coroa para designar essa mestiçagem.

Com o crescimento das vilas e cidades, a participação de escravos e negros libertos nos pequenos negócios cresceu bastante, bem como o contingente de mulatos.  É possível encontrar mulatos como comerciantes ou artesãos bem sucedidos nas cidades, ou ainda como técnicos remunerados na produção de açúcar e melado. Sua associação com a cultura negra ou com a dos colonizadores é bastante circunstancial, assim como sua inserção na sociedade. Quanto mais clara for sua pele, maiores as chances de aceitação. As cidades, particularmente, oferecem aos mulatos uma razoável mobilidade social e espacial. Alguns chegam a estudar na Europa.

Já a interação entre negros e nativos é menos comum. O negro, em sua grande maioria, é escravo, vive limitado a sua área de trabalho. Só tem alguma liberdade de circulação nas cidades. Entretanto, nos núcleos urbanos, os nativos são presença cada vez menos frequentes. A maioria das tribos foi entrando ainda mais para o interior. Em Piratininga, onde ainda há bastante nativos e caboclos, a presença de negros é ínfima.

Muitos Quilombos se estabelecem longe das cidades, assim como os nativos, mas nem sempre há interesse mútuo em estabelecer qualquer tipo de contato. E, mesmo quando ele acontece, são pessoas que, por razões óbvias, vivem à margem da vida colonial. O ambiente mais propício a essa miscigenação se encontra no Nordeste, com a expansão da criação de gado e de cavalos no sertão. O resultado dessa união é o Cafuzo, cuja pouca incidência proporciona uma aura de excentricidade por onde quer que passe.

O percentual de mestiços livres é bem maior do que o de negros, mas, na colônia, a liberdade nem sempre pode ser devidamente aproveitada, mesmo por um homem branco. Há o caso de uma cafuza que nasceu livre e nunca havia experimentado o cativeiro. Quando adulta, já órfã e sem recursos, decidiu se vender como escrava.

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Published in: on 8 de janeiro de 2019 at 18:25  Deixe um comentário