Vilas do Vale do Paraitinga

Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá

Quando os colonos chegaram nessa região do vale do Paraíba, a paisagem era tomada por garças brancas. O povoado prosperou até tornar-se vila em 1651 e, de repente, se viu no meio do caminho entre Paratiy e as lavras de ouro dos Campos dos Catagúas.

Arraial de Guapacaré

Porto fluvial de onde saem expedições de bandeirantes rumo ao vale do rio Paraitinga ou às minas. Situado na freguesia de Guaratinguetá, o povoado é habitado por cerca de cem pessoas da mesma família.

Vila de São Francisco das Chagas de Tabaybaté

O nome da vila foi tomado de uma aldeia que ficava no local, às margens do Paraitinga. A fundação da vila foi uma iniciativa da Capitania de Itanhaém para ocupar o vale. A partir de Tabaybaté, outros povoados tiveram origem, como Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pindamonhangaba, em 1643, descendo o rio. Recebendo foral de vila em 1645, de lá partiram expedições para a região das minas.

Após a descoberta do ouro, Tabaybaté passou a ser a mais importante vila da capitania. Nela está instalada a Casa dos Quintos, responsável pela taxação da quinta parte de (supostamente) todo o ouro encontrado nas minas, e a Casa de Fundição, a partir de 1697, com o objetivo de combater a sonegação e legalizar o valioso metal. Todos os caminhos que saem das minas devem passar pela vila. Mesmo aqueles que descem do nordeste pelo rio São Francisco devem, primeiro, seguir para Tabaybaté, o que raramente ocorre na prática. Da vila também partem os produtos direcionados aos arraiais de mineração, tornando o vale do Paraitinga uma rota altamente lucrativa e disputada.

Embora severamente vigiado, claro que há sonegação. As barretas de ouro são cunhadas a martelo, o que facilita cunhos falsos. A Coroa determinou que uma máquina de cunhar fosse levada a Tabaybaté, mas ela se encontra parada em Paratiy, pois seu peso e as condições do caminho até o vale impedem o transporte. O governador de São Sebastião, que já havia logrado que seu porto servisse como ponte exclusiva de tudo que saísse ou entrasse pelo porto de Paratiy, faz tratativas para que a fundição, então, ocorra na cidade.

Arraial de São José da Pindamonhangaba

Fundado por dois irmãos bandeirantes em 1672, sob os auspícios da Condessa de Vimieiro. Uma capela dedicada a São José foi erguida no alto da colina.

Vila de Nossa Senhora da Conceição de Paraitinga

O povoamento às margens do rio Paraitinga teve início em 1652, chegando à vila no ano seguinte. Localizada entre Tabaybaté e Sant’Ana de Mogimirim, a vila serve de pouso aos viajantes a caminho das minas. Próximo da vila se encontra a Aldeia de São José, administrada pelos Jesuítas, que é composta por uma vasta fazenda.

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Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:35  Deixe um comentário  

Vilas do Interior Oeste

Vila Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba

O morro de Araçoiaba era rota das bandeiras que partiam de Piratininga. Em certo dia de 1589, um bandeirante decidiu se estabelecer ali em busca de ouro, mas só encontrou minério de ferro, o que deu origem a dois engenhos. As terras ao redor trocaram de mãos até os beneditinos chegarem ao povoado e construírem um convento e uma escola. O povoado tornou-se vila em 1661. Os bandeirantes que aí se instalaram sonham em desbravar o noroeste, para as terras além do Forte Albuquerque, que ajudaram a erguer.

Forte Albuquerque

Santiago de Jerez era uma antiga vila castelhana erguida em 1593 próxima a uma área de alagados. Em meio à guerra dos bandeirantes contra as missões Jesuíticas do Guayrá, a vila foi destruída e deixada em ruínas. Poucos anos depois, sobre seus escombros, o governo de Itanhaém achou por bem erguer um forte que servisse como proteção a novos avanços dos Castelhanos e também como entreposto para as bandeiras.

A iniciativa teve sucesso devido a uma inusitada aliança com uma aldeia guarani local. Os nativos serviriam como diplomatas entre os Lusitanos e outras tribos da região, enquanto que os colonos manteriam as aldeias livres de novos ataques bandeirantes. Em 1650, o acordo se mostrou proveitoso. O forte se viu sitiado por forças castelhanas aliadas a outras tribos. Muitos anos depois, os sobreviventes ainda arregalavam os olhos ao contar como nada se enxergava do alto murada, tamanho o nevoeiro que envolvia todo o forte. E do brilho dos relâmpagos vindos do chão, entrevistos em meio à neblina.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:34  Deixe um comentário  

Vilas do Litoral Norte

Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba

A vila foi fundada em 1637 na região onde se encontravam a aldeia de Iperoig, onde foi negociada a paz provisória entre os colonos durante a guerra contra os Tupinambá, e a aldeia de Ubatuba, na qual um alemão permaneceu cativo em meados do século XVI. A aldeia de Iperoig, na verdade, ainda estava lá quando as primeiras casas foram erguidas, com alguns Tupinambás remanescentes e dispostos a conviver com os Lusitanos. A agricultura local floresceu e o porto, favorecido por uma acolhedora baía, tornou-se bastante movimentado.

Caraguatatuba

Desde a fundação de São Vicente que os Lusitanos tentam ocupar as terras na foz do rio Juqueriquerê. Com a ocupação mais regular a partir de 1664, parecia que uma vila finalmente iria surgir no local. Mas eis que irrompe uma mortífera epidemia de bexigas no povoado. A doença vem dizimando boa parte da população. A única saída para os sobreviventes parece ser migrar para as vilas vizinhas, São Sebastião e Ubatuba, que temem o contágio.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:33  Deixe um comentário  

Vilas do Litoral Sul

Vila de São João Batista de Cananéia e Vila de Nossa Senhora das Neves de Iguape

A história das duas vilas se confunde. Ambas estão localizadas nos extremos de um estreito mar protegido pela Ilha de Maratayama, uma ilha de 12 léguas de extensão e menos de uma légua de largura. Toda a região é repleta de sambaquis, grandes montes de conchas depositadas ao longo de anos, de milhares de anos, que foram usados para rituais funerários. Na segunda frota lusitana a explorar a costa da Terra de Santa Cruz, sete degredados foram deixado na ilha de Enguagaçu, batizada de São Vicente. Todos eles fizeram amizade com os Tupiniquins e se casaram com as nativas (mais de uma), tendo muitos filhos. Dessa união surgiram dois povoados: o Porto de São Vicente, na ilha de mesmo nome, e Cananéia, este localizado em uma ilha escondida ao sul desse braço de mar formado pela Ilha de Maratayama.

Cananéia era comandada por um degredado conhecido como Bacharel, que ganhou poder ao fazer negócios com diversos navios que ali aportavam rumo ao sul, não importando sua origem. Além de seus aliados tupis, tinha a seu serviço muitos escravos cariós. Em 1531, chegou a Cananéia o donatário da Capitania de São Vicente, retornando de uma expedição ao rio da Prata. A vila foi reconhecida oficialmente, mas o Bacharel foi avisado que teria de se submeter a uma autoridade enviada pelo donatário.

No extremo norte da ilha comprida, no litoral continental, os Castelhanos haviam iniciado uma pequena comunidade onde acreditavam ser terras hispânicas. Ordenados a deixar o local por Martim Afonso, os Castelhanos se recusaram, dizendo que não deviam obediência à Coroa lusitana. O Bacharel então se juntou aos Castelhanos e decidiu reagir contra as ordens do capitão-mor nomeado pelo donatário. Lograram capturar um navio franco e usá-lo na defesa contra os Lusitanos. Vitoriosos, os Castelhanos partiram para atacar São Vicente e destruíram a vila, matando a maior parte da população.

Depois do ataque, os Castelhanos se refugiaram por um tempo na Ilha de Santa Catarina, aguardando as coisas se assentarem. Depois, partiram para o rio da Prata. O Bacharel retornou a Cananéia e refundou a vila dos Castelhanos em 1538, chamando-a Vila de Iguape.

Cananéia acabou se transformando em importante entreposto para os navios que vão e voltam do sul. Não só para reabastecimento como também para reparos. A vila se preparou para receber tropas em viagem e se especializou no serviço naval, prosperando bastante ao longo do século XVII. Em Cananéia foi improvisado um forte na estrutura da Igreja de São João Batista.

A importância da região também atraiu a atenção dos piratas, cujas incursões obrigaram a Vila de Iguape, mais vulnerável, recuar umas quatro léguas para dentro do mar interior, para a foz do rio Ribeira de Iguape.

Iguape também prosperou com a descoberta de ouro de aluvião rio acima. Uma casa de fundição foi erguida em 1653. Mas o ouro era pouco e a vila acabou se destacando como centro de peregrinação à imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, que se encontra no altar da igreja de Nossa Senhora das Neves. Encontrada na praia por nativos, rolando nas ondas junto a restos de naufrágio. Não importa em que posição seja colocada a imagem, seu rosto sempre acaba se virando ao poente.

Aldeia de São João Batista

Aldeia fundada pelo padre jesuíta Leonardo Nunes, conhecido entre os Tupiniquim como Abarebebê, o Padre Voador, pois parecia estar em vários lugares ao mesmo tempo.

Vila de Conceição de Itanhaém

Desde 1532 houve tentativas de manter um povoado na foz do rio Itanhaém, a oeste de São Vicente, no final de uma extensa faixa de areia de quase 12 léguas. A vila enfim foi fundada em 1561, aos pés do Convento Nossa Senhora da Conceição, construído no alto do Morro Itaguaçu. Em 1624, Itanhaém virou sede da Capitania de Itanhaém, mas, assim como São Vicente, não possui nenhum destaque a não ser o fato de ser “cabeça” de capitania.

 

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:28  Deixe um comentário  

CAPITANIA DE ITANHAÉM

Em 1621, a neta do primeiro donatário, a Condessa de Vimieiro, foi declarada herdeira da Capitania de São Vicente. Ela jamais fincou pé na colônia, agindo por meio de um fiel representante. Três anos depois, sua posse foi questionada por outro herdeiro, o Conde de Monsanto. A Condessa acabou sendo destituída. Inconformada com a decisão, tratou de fundar sua própria capitania a partir da Vila de Conceição de Itanhaém. Nem a Coroa nem o Conde de Monsanto opuseram obstáculo. O Conde julgou que a Condessa teria ficado com o refugo da capitania: as demais vilas do litoral e o vale do rio Paraitinga, ainda povoado por nativos. Para compensar as perdas de São Vicente e Piratininga, a Condessa tratou de investir nas bandeiras e na exploração do vale do Paraitinga, sendo de grande importância para a ocupação e crescimento do território.

A capitania não possui continuidade territorial, sendo resultado de “sobras” da Capitania de São Vicente. Afortunadamente, a Condessa de Vimieiro acabou se apoderando da principal rota de acesso aos Campos dos Cataguás, do pequeno núcleo minerador de Iguape, e da rota oeste, rumo ao Forte Albuquerque.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:27  Deixe um comentário