Vilas do Litoral Sul

Vila de São João Batista de Cananéia e Vila de Nossa Senhora das Neves de Iguape

A história das duas vilas se confunde. Ambas estão localizadas nos extremos de um estreito mar protegido pela Ilha de Maratayama, uma ilha de 12 léguas de extensão e menos de uma légua de largura. Toda a região é repleta de sambaquis, grandes montes de conchas depositadas ao longo de anos, de milhares de anos, que foram usados para rituais funerários. Na segunda frota lusitana a explorar a costa da Terra de Santa Cruz, sete degredados foram deixado na ilha de Enguagaçu, batizada de São Vicente. Todos eles fizeram amizade com os Tupiniquins e se casaram com as nativas (mais de uma), tendo muitos filhos. Dessa união surgiram dois povoados: o Porto de São Vicente, na ilha de mesmo nome, e Cananéia, este localizado em uma ilha escondida ao sul desse braço de mar formado pela Ilha de Maratayama.

Cananéia era comandada por um degredado conhecido como Bacharel, que ganhou poder ao fazer negócios com diversos navios que ali aportavam rumo ao sul, não importando sua origem. Além de seus aliados tupis, tinha a seu serviço muitos escravos cariós. Em 1531, chegou a Cananéia o donatário da Capitania de São Vicente, retornando de uma expedição ao rio da Prata. A vila foi reconhecida oficialmente, mas o Bacharel foi avisado que teria de se submeter a uma autoridade enviada pelo donatário.

No extremo norte da ilha comprida, no litoral continental, os Castelhanos haviam iniciado uma pequena comunidade onde acreditavam ser terras hispânicas. Ordenados a deixar o local por Martim Afonso, os Castelhanos se recusaram, dizendo que não deviam obediência à Coroa lusitana. O Bacharel então se juntou aos Castelhanos e decidiu reagir contra as ordens do capitão-mor nomeado pelo donatário. Lograram capturar um navio franco e usá-lo na defesa contra os Lusitanos. Vitoriosos, os Castelhanos partiram para atacar São Vicente e destruíram a vila, matando a maior parte da população.

Depois do ataque, os Castelhanos se refugiaram por um tempo na Ilha de Santa Catarina, aguardando as coisas se assentarem. Depois, partiram para o rio da Prata. O Bacharel retornou a Cananéia e refundou a vila dos Castelhanos em 1538, chamando-a Vila de Iguape.

Cananéia acabou se transformando em importante entreposto para os navios que vão e voltam do sul. Não só para reabastecimento como também para reparos. A vila se preparou para receber tropas em viagem e se especializou no serviço naval, prosperando bastante ao longo do século XVII. Em Cananéia foi improvisado um forte na estrutura da Igreja de São João Batista.

A importância da região também atraiu a atenção dos piratas, cujas incursões obrigaram a Vila de Iguape, mais vulnerável, recuar umas quatro léguas para dentro do mar interior, para a foz do rio Ribeira de Iguape.

Iguape também prosperou com a descoberta de ouro de aluvião rio acima. Uma casa de fundição foi erguida em 1653. Mas o ouro era pouco e a vila acabou se destacando como centro de peregrinação à imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, que se encontra no altar da igreja de Nossa Senhora das Neves. Encontrada na praia por nativos, rolando nas ondas junto a restos de naufrágio. Não importa em que posição seja colocada a imagem, seu rosto sempre acaba se virando ao poente.

Aldeia de São João Batista

Aldeia fundada pelo padre jesuíta Leonardo Nunes, conhecido entre os Tupiniquim como Abarebebê, o Padre Voador, pois parecia estar em vários lugares ao mesmo tempo.

Vila de Conceição de Itanhaém

Desde 1532 houve tentativas de manter um povoado na foz do rio Itanhaém, a oeste de São Vicente, no final de uma extensa faixa de areia de quase 12 léguas. A vila enfim foi fundada em 1561, aos pés do Convento Nossa Senhora da Conceição, construído no alto do Morro Itaguaçu. Em 1624, Itanhaém virou sede da Capitania de Itanhaém, mas, assim como São Vicente, não possui nenhum destaque a não ser o fato de ser “cabeça” de capitania.

 

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:28  Deixe um comentário