Vila de São Paulo de Piratininga

Fundada por Jesuítas em 1554 no centro do planalto, auxiliados por João Ramalho, um dos degredados deixados no litoral em 1502. A vila se desenvolve a partir do Colégio de São Paulo, erguido em um barraco de taipa para ensinar o catecismo e as primeiras letras aos filhos dos colonizadores, e uma igreja. Após o fim da guerra contra a confederação liderada pelos Tupinambás, a vila se desenvolve com base no trabalho nativo. Voluntário, quando se tratava de Tupiniquins, e escravo, quando se tratava de qualquer outra tribo. O relevo da região, com muitas colinas e riachos, favoreceu o surgimento de diversos pequenos centros que foram se aglutinando. Localizadada no entroncamento de vários rios, sua localização é estratégica, dominando uma série de caminhos: o peabiru conhecido como Caminho de São Tomé leva até ao vale do rio Paraitinga e o rio Tietê desce até o rio Paranaíba, ligando à bacia do rio da Prata, além de servir de porta de entrada para o sertão.

Desde o início, a Companhia de Jesus prefere não se envolver nas questões eclesiásticas da vila, constrangida pelas diferenças com os moradores em relação aos nativos. Enquanto os vicentinos temiam as incursões piratas, os piratininganos temiam os nativos. Afinal, os piratas não subiam a serra de Paranapiacaba. Aliás, poucos se aventuravam pela perigosa trilha. Apesar da proibição régia, os moradores do planalto insistiam em escravizar os “selvagens”. Nem a ameaça de excomunhão era capaz de pará-los.

A luta dos Jesuítas para fazer valer o Tratado de Santa Luzia, que proíbe a escravidão de nativos da terra, fez com que eles fossem expulsos da vila pelos piratininganos em 1640. Com a saída deles, a organização dos aldeamentos desandou. O exílio durou dez anos, acabando por prevalecer a vontade da Coroa e da Igreja. Em represália, a Câmara Municipal passou a favorecer o estabelecimento de outras ordens. Franciscanos, Carmelitas e Beneditinos passaram a contar com conventos, mosteiros e terras generosas.

No alto de uma pequena elevação sobressaem as torres de oito igrejas, dois conventos e três mosteiros. As casas são em taipa branqueada com tabatinga (argila clara). As ruas são largas e claras, com calçadas espaçosas e asseadas.  As casas de mais posses têm dois andares com balcões e piso de madeira, corredores laterais sustentados por pilares de madeira, umbrais de portas e janelas decoradas. As casas são altas para prevenir enxurradas. Os nativos têm seu alojamento no fundo da propriedade (os chamados tijupares), próximo à cozinha e separado da casa por roças. São eles que fazem todo o trabalho de carpintaria.

Fala-se mais tupi do que o lusitano na região. Alguns colonos sequer sabiam falar a língua oficial da Metrópole. À medida que os nativos vão sendo substituídos por negros escravos, os tijupares vão se transformando em senzalas.

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Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:37  Deixe um comentário