Vilas do Litoral

Vila de São Vicente

A vila teve duas fundações, uma extraoficial e outra oficial. A primeira, de data desconhecida, ocorre em algum momento dos 30 anos anteriores à chegada do primeiro donatário da Capitania de São Vicente em 1532. Na Ilha de São Vicente, um grupo de degredados lusitanos, lá abandonados em 1502, levantaram um povoado e um porto junto aos Tupiniquins. O proprietário oficial daquelas terras, o donatário Martim Afonso de Souza, encampou a vila e convidou os degredados a participarem da administração. Uns aceitaram, outros não. Tentou também expulsar os Castelhanos que haviam se estabelecido em Iguape, mas não ficou para sofrer as consequências dessa decisão, retornando à Metrópole antes da Guerra de Iguape, quando as forças lusitanas foram rechaçadas e a vila quase toda destruída. Apesar de ter se mantido como “cabeça” da capitania, São Vicente foi perdendo prestígio para a vila vizinha, Todos os Santos, principalmente após uma bem sucedida invasão pirata no final do primeiro século.

Vila de Todos os Santos

A metade oriental da Ilha de São Vicente foi dedicada ao plantio, com a construção de um Engenho. Em 1543, o novo governador da capitania decidiu transferir o porto da Vila de São Vicente para lá por questões de segurança. Com isso, o povoado logo cresceu e foi construído um hospital, a Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos, o primeiro de toda a Terra de Santa Cruz. O hospital acaba dando nome ao porto e à vila. Em seguida chegaram os Jesuítas e os Carmelitas. Em um ataque de corsários britânicos em 1591, a população se refugiou em uma capela no alto do Morro São Jerônimo, rezando para a imagem de Nossa Senhora de Montserrat. Os piratas subiam o morro para atacar quando foram surpreendidos por um estranho deslizamento de terra, que os colocou em fuga. A prosperidade que atraiu tantos piratas no século XVI transformou-se em estagnação no século seguinte.

Bertioga

Um pequeno povoado se desenvolveu ao redor do Forte de São João de Bertioga, erguido em 1551 por determinação do Governador-Geral, uma vez que a região era fronteira entre as terras dos Tupiniquins e Tupinambás.

Ilha e Vila de São Sebastião

Protegendo a baía de Caraguatatuba, encontra-se uma grande ilha batizada pelos primeiros exploradores lusitanos de Ilha de São Sebastião. Apesar dos Tupis conhecerem a ilha, não foi encontrada nenhuma aldeia no local, apenas vestígios de ocupação muito antiga: pilhas imensas de conchas na praia, a formar pequenas colinas, como as encontradas no litoral da Capitania de Cabo Frio e na região entre Cananéia e Iguape. Além de uma estreita faixa litorânea na face voltada para o continente, do qual se separa por um estreito canal por cerca de 10 milhas, o resto da ilha é montanhoso e com algumas poucas faixas de areia isoladas. A ilha abriga três picos bastante elevados, em torno de 1300 metros ou mais cada, e possui uma abundante cobertura florestal. Na parte voltada para o mar aberto, desaguam cinco rios, o que torna a ilha ponto estratégico para aguadas (reabastecimento de água e víveres) de embarcações rumando para o sul, ou mesmo para navios piratas aportarem e se preparem para seus saques. Dois engenhos se estabeleceram na ilha, mas o povoado a prosperar foi a Vila de São Sebastião, no lado continental do estreito, fundada em 1636.

Fazenda Geral dos Jesuítas

No sopé da muralha verde que separa o litoral do interior, e às margens do rio Cubatão, encontra-se uma sesmaria adquirida pelos Jesuítas, na qual fundaram a fazenda da Companhia. Percebendo que suas terras lhes dão controle sobre a navegação fluvial que liga a serra ao Porto de Todos os Santos, os Jesuítas decidem controlar todo o comércio que passa obrigatoriamente por ali. Além de cobrar pela passagem fluvial, alugam botes e canoas. Com isso obtêm grande força de pressão política.

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Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:19  Deixe um comentário