CAPITANIA REAL DE CABO FRIO

Com a expansão do norte da Capitania de São Sebastião, em 1616 a Metrópole decide criar a Capitania Real de Cabo Frio, submetida ao Governo-Geral e independente de São Sebastião. O crescimento da região ficou na expectativa do resultado das campanhas contra os Goitacás a partir de 1630, que acabou expulsando essa tribo das terras baixas. Os sete capitães que lideraram as lutas contra os temidos nativos foram presenteados pelo governador com imensas sesmarias. A área entre o litoral e Serra de Paranapiacaba se abre numa extensa planície de lagoas, areais, bosques e campos. O rio Paraitinga, ao fazer sua curva em direção ao Mar Oceano, marca o fim dessa serra que se ergue paralela à costa desde o sul da Província. As terras baixas do vale, tomadas dos Goitacás, delimitam a capitania junto ao rio Ykuabapuana, após o qual tem início a Capitania do Espírito Santo. Tais terras se mostraram bastante propícias para o plantio da cana.

Dois caminhos reais ligavam a Banda d’Além à Capitania Real do Cabo Frio. Um costeando o litoral. O outro subindo o rio Macacu e depois descendo o rio São João até chegar à capital.

Cidade de Nossa Senhora da Assunção do Cabo Frio

A vasta região de lagos a leste de São Sebastião foi palco da última grande batalha entre Lusitanos e Tupinambás em 1568, quando estes perderam derradeiramente a guerra. A chacina conhecida como a Guerra de Cabo Frio transformou a região em um deserto humano, só perturbado por Goitacás de passagem. Na virada do século, os Francos voltaram a frequentar a região, logo seguidos pelos Neerlandeses, sendo necessário constante monitoramento. O então governador de São Sebastião havia se associado aos Britânicos no contrabando de pau-brasil na área, mas o negócio se viu ameaçado com as ordens da Coroa para que fosse fundada uma vila no local. Com medo de ser descoberto, o governador denunciou a presença britânica no local e liderou a frotas que os expulsou. Em 1615 foi erguido, junto com a vila, o Forte de São Mateus. As terras foram rapidamente distribuídas entre os colonos. Na cidade, seus poucos habitantes se dedicaram à pesca e às salinas naturais. No interior, os fazendeiros se espalhavam, lançando mão cada vez mais de escravos negros. Se a cidade se desenvolvia pouco, os engenhos de cana-de-açúcar se espalharam pela terra dos Goitacás, dando origem a novos povoados. A cidade, então, começa a crescer com a demanda por sal no Velho Mundo, desembarcado no porto da barra de Araruama. Às margens desta lagoa, há uma serraria de pau-brasil. Os Franciscanos chegam à cidade para construir o Convento de Nossa Senhora dos Anjos, concluído em 1696.

Próximo dali, em uma península entrecortada por praias e encostas rochosas, uma pequena aldeia de pescadores, não mais que umas 20 casas, se vê acossada por contrabandistas Francos e Britânicos. Os caiçaras não têm como (ou mesmo não se interessam em) impedir que os invasores montem sua base em uma das praias. A Coroa decide, então, proibir a pesca em toda a capitania, temendo que a região se torne autossustentável, e tenta refrear a produção de sal para conter o contrabando. Os pescadores e os salineiros decidem ignorar essa determinação. Um pescador da aldeia caiçara é preso e condenado à morte no tronco por ser pego pescando.

Aldeia de São Pedro

Jesuítas e Beneditinos ocupam muitas terras na região, com destaque para a Aldeia de São Pedro, composta por Tupinambás, erguida junto à lagoa de Araruama em 1619. Atualmente, ela conta com mais de duas mil almas, três vezes mais populosa que a capital.

Fazenda Macahé

Seguindo o litoral, em 1634 os Jesuítas montaram uma fazenda agropecuária com o auxílio de nativos catequizados. Na base do Morro de Sant’Ana, junto ao rio Macahé, construíram um engenho de açúcar, que também produz farinha de mandioca e extrai madeira para casas e navios, No alto do morro tem uma capela, um colégio e um cemitério. Os Jesuítas também possuem uma redução na foz do rio Leripe, rico em ostras, onde há uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição, um poço de pedras e um cemitério.

Campos dos Goytacás

Por muitas décadas, as antigas terras dos Goitacás foi palco de disputas acirradas. A região foi inicialmente tomada por engenhos de pequeno porte, muitos deles em associação com pequenos lavradores, formando pequenos povoados. Mas os Sete Capitães, entre os quais alguns filhos do governador de São Sebastião, o Visconde de Asseca, tinham outros planos: criar gado. Ambas as empreitadas foram muito bem sucedidas, mas logo se deu o embate entre os poderosos senhores de terra e os lavradores locais. O governo da capitania ficou do lado mais forte. A revolta contra as forças oficiais é liderada por uma senhora de engenho e sua filha. Apesar de evitar confrontar o Visconde, o Governador-Geral não vê com bons olhos o grande poder dos Assecas no sul da Província. Assim, decide elevar o povoado à Vila de São Salvador dos Campos, e, a partir de uma pequena ermida na foz, criar a Vila de São João da Barra do Paraíba, ambas em 1677.

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Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:42  Deixe um comentário