Vila de São Paulo de Piratininga

Fundada por Jesuítas em 1554 no centro do planalto, auxiliados por João Ramalho, um dos degredados deixados no litoral em 1502. A vila se desenvolve a partir do Colégio de São Paulo, erguido em um barraco de taipa para ensinar o catecismo e as primeiras letras aos filhos dos colonizadores, e uma igreja. Após o fim da guerra contra a confederação liderada pelos Tupinambás, a vila se desenvolve com base no trabalho nativo. Voluntário, quando se tratava de Tupiniquins, e escravo, quando se tratava de qualquer outra tribo. O relevo da região, com muitas colinas e riachos, favoreceu o surgimento de diversos pequenos centros que foram se aglutinando. Localizadada no entroncamento de vários rios, sua localização é estratégica, dominando uma série de caminhos: o peabiru conhecido como Caminho de São Tomé leva até ao vale do rio Paraitinga e o rio Tietê desce até o rio Paranaíba, ligando à bacia do rio da Prata, além de servir de porta de entrada para o sertão.

Desde o início, a Companhia de Jesus prefere não se envolver nas questões eclesiásticas da vila, constrangida pelas diferenças com os moradores em relação aos nativos. Enquanto os vicentinos temiam as incursões piratas, os piratininganos temiam os nativos. Afinal, os piratas não subiam a serra de Paranapiacaba. Aliás, poucos se aventuravam pela perigosa trilha. Apesar da proibição régia, os moradores do planalto insistiam em escravizar os “selvagens”. Nem a ameaça de excomunhão era capaz de pará-los.

A luta dos Jesuítas para fazer valer o Tratado de Santa Luzia, que proíbe a escravidão de nativos da terra, fez com que eles fossem expulsos da vila pelos piratininganos em 1640. Com a saída deles, a organização dos aldeamentos desandou. O exílio durou dez anos, acabando por prevalecer a vontade da Coroa e da Igreja. Em represália, a Câmara Municipal passou a favorecer o estabelecimento de outras ordens. Franciscanos, Carmelitas e Beneditinos passaram a contar com conventos, mosteiros e terras generosas.

No alto de uma pequena elevação sobressaem as torres de oito igrejas, dois conventos e três mosteiros. As casas são em taipa branqueada com tabatinga (argila clara). As ruas são largas e claras, com calçadas espaçosas e asseadas.  As casas de mais posses têm dois andares com balcões e piso de madeira, corredores laterais sustentados por pilares de madeira, umbrais de portas e janelas decoradas. As casas são altas para prevenir enxurradas. Os nativos têm seu alojamento no fundo da propriedade (os chamados tijupares), próximo à cozinha e separado da casa por roças. São eles que fazem todo o trabalho de carpintaria.

Fala-se mais tupi do que o lusitano na região. Alguns colonos sequer sabiam falar a língua oficial da Metrópole. À medida que os nativos vão sendo substituídos por negros escravos, os tijupares vão se transformando em senzalas.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:37  Deixe um comentário  

Vilas do Vale do Paraitinga

Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá

Quando os colonos chegaram nessa região do vale do Paraíba, a paisagem era tomada por garças brancas. O povoado prosperou até tornar-se vila em 1651 e, de repente, se viu no meio do caminho entre Paratiy e as lavras de ouro dos Campos dos Catagúas.

Arraial de Guapacaré

Porto fluvial de onde saem expedições de bandeirantes rumo ao vale do rio Paraitinga ou às minas. Situado na freguesia de Guaratinguetá, o povoado é habitado por cerca de cem pessoas da mesma família.

Vila de São Francisco das Chagas de Tabaybaté

O nome da vila foi tomado de uma aldeia que ficava no local, às margens do Paraitinga. A fundação da vila foi uma iniciativa da Capitania de Itanhaém para ocupar o vale. A partir de Tabaybaté, outros povoados tiveram origem, como Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pindamonhangaba, em 1643, descendo o rio. Recebendo foral de vila em 1645, de lá partiram expedições para a região das minas.

Após a descoberta do ouro, Tabaybaté passou a ser a mais importante vila da capitania. Nela está instalada a Casa dos Quintos, responsável pela taxação da quinta parte de (supostamente) todo o ouro encontrado nas minas, e a Casa de Fundição, a partir de 1697, com o objetivo de combater a sonegação e legalizar o valioso metal. Todos os caminhos que saem das minas devem passar pela vila. Mesmo aqueles que descem do nordeste pelo rio São Francisco devem, primeiro, seguir para Tabaybaté, o que raramente ocorre na prática. Da vila também partem os produtos direcionados aos arraiais de mineração, tornando o vale do Paraitinga uma rota altamente lucrativa e disputada.

Embora severamente vigiado, claro que há sonegação. As barretas de ouro são cunhadas a martelo, o que facilita cunhos falsos. A Coroa determinou que uma máquina de cunhar fosse levada a Tabaybaté, mas ela se encontra parada em Paratiy, pois seu peso e as condições do caminho até o vale impedem o transporte. O governador de São Sebastião, que já havia logrado que seu porto servisse como ponte exclusiva de tudo que saísse ou entrasse pelo porto de Paratiy, faz tratativas para que a fundição, então, ocorra na cidade.

Arraial de São José da Pindamonhangaba

Fundado por dois irmãos bandeirantes em 1672, sob os auspícios da Condessa de Vimieiro. Uma capela dedicada a São José foi erguida no alto da colina.

Vila de Nossa Senhora da Conceição de Paraitinga

O povoamento às margens do rio Paraitinga teve início em 1652, chegando à vila no ano seguinte. Localizada entre Tabaybaté e Sant’Ana de Mogimirim, a vila serve de pouso aos viajantes a caminho das minas. Próximo da vila se encontra a Aldeia de São José, administrada pelos Jesuítas, que é composta por uma vasta fazenda.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:35  Deixe um comentário  

Vilas do Interior Oeste

Vila Nossa Senhora da Ponte de Sorocaba

O morro de Araçoiaba era rota das bandeiras que partiam de Piratininga. Em certo dia de 1589, um bandeirante decidiu se estabelecer ali em busca de ouro, mas só encontrou minério de ferro, o que deu origem a dois engenhos. As terras ao redor trocaram de mãos até os beneditinos chegarem ao povoado e construírem um convento e uma escola. O povoado tornou-se vila em 1661. Os bandeirantes que aí se instalaram sonham em desbravar o noroeste, para as terras além do Forte Albuquerque, que ajudaram a erguer.

Forte Albuquerque

Santiago de Jerez era uma antiga vila castelhana erguida em 1593 próxima a uma área de alagados. Em meio à guerra dos bandeirantes contra as missões Jesuíticas do Guayrá, a vila foi destruída e deixada em ruínas. Poucos anos depois, sobre seus escombros, o governo de Itanhaém achou por bem erguer um forte que servisse como proteção a novos avanços dos Castelhanos e também como entreposto para as bandeiras.

A iniciativa teve sucesso devido a uma inusitada aliança com uma aldeia guarani local. Os nativos serviriam como diplomatas entre os Lusitanos e outras tribos da região, enquanto que os colonos manteriam as aldeias livres de novos ataques bandeirantes. Em 1650, o acordo se mostrou proveitoso. O forte se viu sitiado por forças castelhanas aliadas a outras tribos. Muitos anos depois, os sobreviventes ainda arregalavam os olhos ao contar como nada se enxergava do alto murada, tamanho o nevoeiro que envolvia todo o forte. E do brilho dos relâmpagos vindos do chão, entrevistos em meio à neblina.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:34  Deixe um comentário  

Vilas do Litoral Norte

Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba

A vila foi fundada em 1637 na região onde se encontravam a aldeia de Iperoig, onde foi negociada a paz provisória entre os colonos durante a guerra contra os Tupinambá, e a aldeia de Ubatuba, na qual um alemão permaneceu cativo em meados do século XVI. A aldeia de Iperoig, na verdade, ainda estava lá quando as primeiras casas foram erguidas, com alguns Tupinambás remanescentes e dispostos a conviver com os Lusitanos. A agricultura local floresceu e o porto, favorecido por uma acolhedora baía, tornou-se bastante movimentado.

Caraguatatuba

Desde a fundação de São Vicente que os Lusitanos tentam ocupar as terras na foz do rio Juqueriquerê. Com a ocupação mais regular a partir de 1664, parecia que uma vila finalmente iria surgir no local. Mas eis que irrompe uma mortífera epidemia de bexigas no povoado. A doença vem dizimando boa parte da população. A única saída para os sobreviventes parece ser migrar para as vilas vizinhas, São Sebastião e Ubatuba, que temem o contágio.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:33  Deixe um comentário  

Vilas do Litoral Sul

Vila de São João Batista de Cananéia e Vila de Nossa Senhora das Neves de Iguape

A história das duas vilas se confunde. Ambas estão localizadas nos extremos de um estreito mar protegido pela Ilha de Maratayama, uma ilha de 12 léguas de extensão e menos de uma légua de largura. Toda a região é repleta de sambaquis, grandes montes de conchas depositadas ao longo de anos, de milhares de anos, que foram usados para rituais funerários. Na segunda frota lusitana a explorar a costa da Terra de Santa Cruz, sete degredados foram deixado na ilha de Enguagaçu, batizada de São Vicente. Todos eles fizeram amizade com os Tupiniquins e se casaram com as nativas (mais de uma), tendo muitos filhos. Dessa união surgiram dois povoados: o Porto de São Vicente, na ilha de mesmo nome, e Cananéia, este localizado em uma ilha escondida ao sul desse braço de mar formado pela Ilha de Maratayama.

Cananéia era comandada por um degredado conhecido como Bacharel, que ganhou poder ao fazer negócios com diversos navios que ali aportavam rumo ao sul, não importando sua origem. Além de seus aliados tupis, tinha a seu serviço muitos escravos cariós. Em 1531, chegou a Cananéia o donatário da Capitania de São Vicente, retornando de uma expedição ao rio da Prata. A vila foi reconhecida oficialmente, mas o Bacharel foi avisado que teria de se submeter a uma autoridade enviada pelo donatário.

No extremo norte da ilha comprida, no litoral continental, os Castelhanos haviam iniciado uma pequena comunidade onde acreditavam ser terras hispânicas. Ordenados a deixar o local por Martim Afonso, os Castelhanos se recusaram, dizendo que não deviam obediência à Coroa lusitana. O Bacharel então se juntou aos Castelhanos e decidiu reagir contra as ordens do capitão-mor nomeado pelo donatário. Lograram capturar um navio franco e usá-lo na defesa contra os Lusitanos. Vitoriosos, os Castelhanos partiram para atacar São Vicente e destruíram a vila, matando a maior parte da população.

Depois do ataque, os Castelhanos se refugiaram por um tempo na Ilha de Santa Catarina, aguardando as coisas se assentarem. Depois, partiram para o rio da Prata. O Bacharel retornou a Cananéia e refundou a vila dos Castelhanos em 1538, chamando-a Vila de Iguape.

Cananéia acabou se transformando em importante entreposto para os navios que vão e voltam do sul. Não só para reabastecimento como também para reparos. A vila se preparou para receber tropas em viagem e se especializou no serviço naval, prosperando bastante ao longo do século XVII. Em Cananéia foi improvisado um forte na estrutura da Igreja de São João Batista.

A importância da região também atraiu a atenção dos piratas, cujas incursões obrigaram a Vila de Iguape, mais vulnerável, recuar umas quatro léguas para dentro do mar interior, para a foz do rio Ribeira de Iguape.

Iguape também prosperou com a descoberta de ouro de aluvião rio acima. Uma casa de fundição foi erguida em 1653. Mas o ouro era pouco e a vila acabou se destacando como centro de peregrinação à imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, que se encontra no altar da igreja de Nossa Senhora das Neves. Encontrada na praia por nativos, rolando nas ondas junto a restos de naufrágio. Não importa em que posição seja colocada a imagem, seu rosto sempre acaba se virando ao poente.

Aldeia de São João Batista

Aldeia fundada pelo padre jesuíta Leonardo Nunes, conhecido entre os Tupiniquim como Abarebebê, o Padre Voador, pois parecia estar em vários lugares ao mesmo tempo.

Vila de Conceição de Itanhaém

Desde 1532 houve tentativas de manter um povoado na foz do rio Itanhaém, a oeste de São Vicente, no final de uma extensa faixa de areia de quase 12 léguas. A vila enfim foi fundada em 1561, aos pés do Convento Nossa Senhora da Conceição, construído no alto do Morro Itaguaçu. Em 1624, Itanhaém virou sede da Capitania de Itanhaém, mas, assim como São Vicente, não possui nenhum destaque a não ser o fato de ser “cabeça” de capitania.

 

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:28  Deixe um comentário  

CAPITANIA DE ITANHAÉM

Em 1621, a neta do primeiro donatário, a Condessa de Vimieiro, foi declarada herdeira da Capitania de São Vicente. Ela jamais fincou pé na colônia, agindo por meio de um fiel representante. Três anos depois, sua posse foi questionada por outro herdeiro, o Conde de Monsanto. A Condessa acabou sendo destituída. Inconformada com a decisão, tratou de fundar sua própria capitania a partir da Vila de Conceição de Itanhaém. Nem a Coroa nem o Conde de Monsanto opuseram obstáculo. O Conde julgou que a Condessa teria ficado com o refugo da capitania: as demais vilas do litoral e o vale do rio Paraitinga, ainda povoado por nativos. Para compensar as perdas de São Vicente e Piratininga, a Condessa tratou de investir nas bandeiras e na exploração do vale do Paraitinga, sendo de grande importância para a ocupação e crescimento do território.

A capitania não possui continuidade territorial, sendo resultado de “sobras” da Capitania de São Vicente. Afortunadamente, a Condessa de Vimieiro acabou se apoderando da principal rota de acesso aos Campos dos Cataguás, do pequeno núcleo minerador de Iguape, e da rota oeste, rumo ao Forte Albuquerque.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:27  Deixe um comentário  

Vilas do Interior

Vila de Sant’Ana de Mogimirim

O povoado surgiu como rancho de repouso para os bandeirantes em suas viagens, chegando a vila em 1611. Uma boa estrada foi aberta entre a vila e Piratininga, sendo razoavelmente seguro o percurso.

Vila de Santana do Parnaíba

A neta de um grande cacique Tupiniquim, e filha de João Ramalho, fundou uma fazendo às margens do rio Anhembi, em um trecho com muitas ilhas fluviais. Seu filho dá início ao povoado que se transforma em vila em 1625. O lugar serve como ponto de partida para várias bandeiras rumo oeste. Em suas terras cresce o povoado de Açariguama ao redor da igreja da Nossa Senhora da Penha, feita em taipa de pilão.

Vila Nossa Senhora da Candelária do Ytu Guaçu

Em 1610, os bandeirantes construíram no local uma capela devotada a Nossa Senhora da Candelária, em torno do qual um povoado se formou. O local servia de abrigo e repouso para as bandeiras que desciam o rio Anhembi desde Piratininga até se chegar ao rio Paraná. Elevado a vila em 1657, não passa de 100 casas. Com a chegada de escravos negros, em 1692 foi erguido o Convento de São Francisco.

Vila de Nossa Senhora do Desterro de Jundiaí

O povoado ao norte de Piratininga, às margens do rio Jundiaí, teve início em 1615, transformado em vila em 1655. Assim como outros centros, a vila tem importância estratégica como ponto de parada das bandeiras que seguiam para o interior rumo norte. Outros povoados surgem a partir de Jundiaí: Nazaré, às margens do rio Atibainha, e Tybhaia, na zona montanhosa a leste. O ouro encontrado na região, no início do século, era de aluvião e logo se esgotou. Ambos os povoados são, atualmente, paradas obrigatórias no caminho para as minas.

ALDEAMENTOS DO PLANALTO

Inicialmente, foram estabelecidas doze missões no planalto piratiningano, em aldeias pré-existentes, mas uma epidemia de varíola fez com que restassem poucas das aldeias originais.

Oeste de Piratininga

A Aldeia de Pinheiros, inicialmente administrada pelos Jesuítas e recentemente entregue aos Beneditinos, no início do século foi importante abrigo para sobreviventes das aldeias próximas atingidas por epidemias. Fundada em 1560, a uma légua e meia ao sul da igreja matriz de Piratininga, localizada junto a um estreitamento do rio Piiêrê, o Caminho de Pinheiros é o melhor acesso às terras a sudoeste de Piratininga.

A Aldeia de Carapicuíba é uma aldeia jesuíta fundada em 1580, numa posição tão privilegiada quanto Piratininga, próximo à bacia do Paranaíba e do Caminho de São Tomé. Erguida em uma região de difícil acesso, conseguiu sobreviver aos ataques dos bandeirantes. Liderados pelo padre Belchior de Pontes, responsável pela revitalização dos aldeamentos jesuítas após o retorno da Companhia de Jesus ao planalto, os nativos buscaram abrigo na vizinha Aldeia de Itapycyrycaá. O espaço entre a fachada da capela e a cruz do terreiro é sagrado, não permitindo que demônio algum se faça presente.

A Aldeia de Mboy foi erguida pelos Jesuítas em 1554 no mesmo lugar de uma antiga taba tupiniquim. Por um tempo, as terras pertenceram ao bandeirante Fernão Dias, mas foi doada novamente à Companhia de Jesus.

A Aldeia Marueri era uma das principais aldeias da região, erguida junto ao rio Tietê, em um trecho de declive e corrente fortes. Porém, sendo caminho dos bandeirantes que descem para o rio Paranaíba, sofria muito com os ataques destes. Em 1640, o aldeamento foi pivô da expulsão dos Jesuítas da região. Nos dez anos em que ficaram afastados, o aldeamento foi se degradando, mas os Jesuítas conseguiram reerguê-lo após seu retorno.

Leste de Piratininga

A Aldeia São Miguel fica às margens do rio Tietê, pouco mais de três léguas a nordeste da igreja matriz de Piratininga. Fundada em 1560, sua capela foi erguida apenas em 1622, num terreno mais elevado, cerca de 15 metros acima e a 500 metros da margem regular do rio, ostentando um largo alpendre frontal. Seu porto é um movimentado entreposto para viajantes. Os nativos se tornaram fervorosos devotos de seu padroeiro, que exultaram com os relatos de como o santo triunfou sobre o Diabo, considerando-o um guia poderoso para o seu povo. Com o surto de varíola, a aldeia recebeu muitos nativos sobreviventes, particularmente da vizinha Taquaquecetuba. Esta voltou à ativa após a doação das terras à Companhia de Jesus, formando um arraial ao redor da capela de Nossa Senhora D’Ajuda.

A Aldeia de Nossa Senhora da Conceição é um aldeamento originalmente criado para proteger Piratininga da confederação liderada pelos Tupinambás em 1560, assim como São Miguel.  Ambas foram fundadas pelo Padre Anchieta.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:25  Deixe um comentário  

Vilas do Litoral

Vila de São Vicente

A vila teve duas fundações, uma extraoficial e outra oficial. A primeira, de data desconhecida, ocorre em algum momento dos 30 anos anteriores à chegada do primeiro donatário da Capitania de São Vicente em 1532. Na Ilha de São Vicente, um grupo de degredados lusitanos, lá abandonados em 1502, levantaram um povoado e um porto junto aos Tupiniquins. O proprietário oficial daquelas terras, o donatário Martim Afonso de Souza, encampou a vila e convidou os degredados a participarem da administração. Uns aceitaram, outros não. Tentou também expulsar os Castelhanos que haviam se estabelecido em Iguape, mas não ficou para sofrer as consequências dessa decisão, retornando à Metrópole antes da Guerra de Iguape, quando as forças lusitanas foram rechaçadas e a vila quase toda destruída. Apesar de ter se mantido como “cabeça” da capitania, São Vicente foi perdendo prestígio para a vila vizinha, Todos os Santos, principalmente após uma bem sucedida invasão pirata no final do primeiro século.

Vila de Todos os Santos

A metade oriental da Ilha de São Vicente foi dedicada ao plantio, com a construção de um Engenho. Em 1543, o novo governador da capitania decidiu transferir o porto da Vila de São Vicente para lá por questões de segurança. Com isso, o povoado logo cresceu e foi construído um hospital, a Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos, o primeiro de toda a Terra de Santa Cruz. O hospital acaba dando nome ao porto e à vila. Em seguida chegaram os Jesuítas e os Carmelitas. Em um ataque de corsários britânicos em 1591, a população se refugiou em uma capela no alto do Morro São Jerônimo, rezando para a imagem de Nossa Senhora de Montserrat. Os piratas subiam o morro para atacar quando foram surpreendidos por um estranho deslizamento de terra, que os colocou em fuga. A prosperidade que atraiu tantos piratas no século XVI transformou-se em estagnação no século seguinte.

Bertioga

Um pequeno povoado se desenvolveu ao redor do Forte de São João de Bertioga, erguido em 1551 por determinação do Governador-Geral, uma vez que a região era fronteira entre as terras dos Tupiniquins e Tupinambás.

Ilha e Vila de São Sebastião

Protegendo a baía de Caraguatatuba, encontra-se uma grande ilha batizada pelos primeiros exploradores lusitanos de Ilha de São Sebastião. Apesar dos Tupis conhecerem a ilha, não foi encontrada nenhuma aldeia no local, apenas vestígios de ocupação muito antiga: pilhas imensas de conchas na praia, a formar pequenas colinas, como as encontradas no litoral da Capitania de Cabo Frio e na região entre Cananéia e Iguape. Além de uma estreita faixa litorânea na face voltada para o continente, do qual se separa por um estreito canal por cerca de 10 milhas, o resto da ilha é montanhoso e com algumas poucas faixas de areia isoladas. A ilha abriga três picos bastante elevados, em torno de 1300 metros ou mais cada, e possui uma abundante cobertura florestal. Na parte voltada para o mar aberto, desaguam cinco rios, o que torna a ilha ponto estratégico para aguadas (reabastecimento de água e víveres) de embarcações rumando para o sul, ou mesmo para navios piratas aportarem e se preparem para seus saques. Dois engenhos se estabeleceram na ilha, mas o povoado a prosperar foi a Vila de São Sebastião, no lado continental do estreito, fundada em 1636.

Fazenda Geral dos Jesuítas

No sopé da muralha verde que separa o litoral do interior, e às margens do rio Cubatão, encontra-se uma sesmaria adquirida pelos Jesuítas, na qual fundaram a fazenda da Companhia. Percebendo que suas terras lhes dão controle sobre a navegação fluvial que liga a serra ao Porto de Todos os Santos, os Jesuítas decidem controlar todo o comércio que passa obrigatoriamente por ali. Além de cobrar pela passagem fluvial, alugam botes e canoas. Com isso obtêm grande força de pressão política.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:19  Deixe um comentário  

CAPITANIA DE SÃO VICENTE

A Capitania de São Vicente foi a primeira a se desenvolver ao sul da colônia, graças à iniciativa pioneira de investir em engenhos de açúcar. Facilitou o fato dos nativos da região já estarem acordados com os degredados lusitanos ali deixados.

A ocupação da capitania é marcada por duas realidades distintas: as vilas do litoral, espremidas contra uma serra íngreme e coberta pela mata, e as vilas do interior. De São Vicente, “cabeça” da capitania, a Piratininga, principal vila do interior, chega-se por meio do Caminho de Paranapiacaba, um antigo Peabiru. Padre José de Anchieta, um dos fundadores de Piratininga, abriu um segundo caminho, mais reto e, portanto, mais íngreme, que passa por Cubatão, conhecido como o Caminho do Padre José.

As bandeiras de apresamento foram a principal atividade dos habitantes do planalto, de forma a municiar a mão de obra das fazendas dos Campos de Piratininga. Entretanto, o crescimento dos engenhos em São Sebastião e no Nordeste fez com que a capitania estagnasse. A busca por riquezas passou a ser uma necessidade com a decadência dos engenhos do litoral. A vida no planalto fez os vicentinos se familiarizarem com o sertão, com os nativos e os meios de sobrevivência na mata.

O litoral é estreito devido a proximidade da íngreme Serra de Paranapiacaba. As terras mais prósperas ficam no planalto, após a muralha verde. Os rios que ali cortam correm para o norte, não para o litoral. O rio Paraitinga, que corre para o leste entre as serras, torna-se um importante meio de comunicação entre as capitanias pelo interior.

Tanto a serra quanto o planalto são vastamente cobertos por uma densa mata. O terreno é bastante ondulado, apresentando algumas serras mais ao norte. Antigos peabirus são, junto com os rios, os principais caminhos da região.

Enquanto as vilas do litoral estão em constante com outros portos, os colonos do planalto se veem isolados do resto da província, tendo de se virar por conta próprio. Os produtos que não são produzidos em suas fazendas chegam a preços exorbitantes, assim como os negros escravos, que pouco são avistados na região. Por isso os bandeirantes enfrentaram a Coroa e a Igreja contra a proibição de apresamento dos nativos, não param de explorar o interior de Santa Cruz e nem sempre comunicam ao governador-geral os seus achados.

O planalto de Piratininga parou no tempo, sendo considerada a região mais atrasada da colônia. Açúcar, lã, criação de gado bovino e equino, produtos de ferro, e até mesmo extração de ouro, tudo é produzido apenas para o próprio consumo. A vida do piratiningano é uma eterna luta pela viabilidade da colonização. Piratininga não pode parar, sob pena de sucumbir ante a natureza e seu isolamento.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:18  Deixe um comentário