A IGREJA

No início, o objetivo era conhecer os costumes indígenas e conservar aqueles que não impediam a catequese. Os filhos dos curacas passaram a ser educados pela Igreja, pois sempre houve preferência em doutrinar as crianças. Destruíram os ídolos e objetos materiais de idolatria. Demonstraram que os deuses não lhes protegiam. Os sacerdotes e feiticeiros reagiram fortemente e foram isolados. Destruídos os ídolos, restaram os fenômenos naturais, também idolatrados. A religião oficial inca acabou, mas não acabou a religião popular. Com o passar dos anos, foi sendo encontradas diversas idolatrias camufladas. Os índios seguem praticando sua religião por debaixo da cristã. Os padres, então, reagiram com um grande movimento de fé que dura até o presente.

A ação da Igreja é uma benção comparada à ação dos conquistadores. Sua influência é decisiva na consolidação da colônia. A carreira eclesiástica oferece a alguns a oportunidade quase exclusiva de cultura, a segurança econômica e até a possibilidade tentadora de uma carreira política completa. A Igreja tem total influência na sociedade colonial: nos costumes, no comportamento, na forma de se vestir, de pensar. As festas e procissões são acontecimentos sociais de grande vulto, onde os jovens se exibem. Às vezes acontecem mais de dez festas em um único mês.

O dia do perdão: na Sexta-Feira Santa, o Vice-Rei comuta a pena de um condenado à morte e o Ouvidor coloca em liberdade os réus de delitos leves e aqueles que estão próximos de cumprir a pena.

• As Missões

Com a destruição da religião indígena, acreditam ampliar o campo espiritual dos índios com uma nova visão da vida, estimulando sua evolução mental. Para a Coroa, convertem os evangelizados em súditos suscetíveis de tributação e os colocam, teoricamente, sob a proteção das leis coloniais. As missões são responsáveis pela criação de povoados com melhores condições de vida. Os franciscanos avançaram pela selva próxima às cordilheiras. Os jesuítas se embrenharam na floresta, fundando inúmeras missões às margens do Amazonas. O rei vai proibindo, aos poucos, as conquistas armadas e ordenando que as novas descobertas ocorram por meio das missões. A Ordem de São Francisco e a Companhia de Jesus são as mais fervorosas e ajustadas, se rivalizando na extensão e importância de seus trabalhos nas cordilheiras. As duas superaram as outras ordens em arrojo e prestígio popular.

• A Riqueza da Igreja

A devoção no Vice-Reino se exteriorizou com as doações às igrejas e conventos. Os mais poderosos, que têm mais a perder com uma denúncia maldosa, enriquecem os templos coloniais e asseguram a tranqüilidade do clero. Só em Lima foram erguidos 34 templos. Há, no Vice-Reino, 150 monastérios e conventos. A Igreja possui muitas terras, mas gasta muito para manter suas propriedades.

Não são poucas as igrejas que possuem ornamentos de inestimável valor. Custódias (objeto, de ouro ou prata, onde se expõe a hóstia consagrada) com centenas de diamantes, esmeraldas, rubis e pérolas; estátuas com adornos de ouro e diamantes. No santuário de Copacabana, no Titicaca, a custódia, de ouro puro, mede, com o pedestal, 62 cm. Quatro colunas de prata sustentam o camarim da Virgem, cuja coroa é de pedras preciosas. Na cintura da Virgem há dois rubis de duas polegadas de diâmetro e nas mãos uma grande vela de ouro com um rubi na ponta.

Estas riquezas, por incrível que pareça, não são roubadas. Talvez a fé dos colonos seja suficiente para evitar o roubo. Alguns acreditam em proteção divina, uma vez que tais objetos permanecem quase o tempo todo sem proteção. Mas não só de riqueza vive a Igreja. A fé cristã encontra devotos notáveis em Nova Castela, cuja pureza de intenções está acima de qualquer suspeita.

Published in: on 15 de março de 2010 at 1:29  Comments (2)