MOEDA, PREÇOS E EQUIPAMENTOS

MOEDA

As moedas se dividem em duas classes: moedas de ouro e moedas de prata. As moedas de ouro são: Escudo, Meio Dobrão, Dobrão e Marco de ouro. As de prata: Real, Meio peso, Peso e Marco de prata. Além delas, há o maravedí, moeda comum, o menor valor do sistema econômico. O ouro vale 16 vezes mais que a prata.

Falsificação: em 1629, devido à falta de controle na cunhagem de moedas na colônia, o mercado de Nova Castela foi inundado por pesos falsos, que demoraram a ser descobertos. Suspeita-se que as moedas falsas tenham sido feitas em Potosí, e é difícil afirmar que ainda hoje elas não mais circulem. Porém, o governo garante que os falsificadores pararam de fabricá-las.

Moeda comum

Maravedí (ma.)– unidade básica.

Moedas de Prata

Real – 34 maravedís

Meio peso – 136 maravedís / 4 reales

Peso – 272 maravedís / 8 reales

Marco de prata – 2.176 maravedís / 8 pesos

Moedas de ouro

Escudo – 544 maravedís / 16 reales / 2 pesos

Meio dobrão – 2.172 maravedís / 8 pesos / 1 marco de prata / 4 escudos

Dobrão – 4.344 maravedís / 16 pesos / 2 marcos de prata / 8 escudos

Marco de ouro – 36.992 maravedís / 17 marcos de prata / 68 escudos

Moeda castelhana x Moeda lusitana

1,5 maravedí (ma.) = 1 real lusitano

1 real castelhano = 22 réis

1 peso = 181 réis

1 escudo = 363 réis

1 dobrão = 2.896 réis

Valor Ouro/Prata

1g de prata = 11 ma.

1g de ouro = 175 ma.

1lb de prata = 4.983 ma.

1lb de ouro = 79.275 ma.

1lb de pedras semi-preciosas = 24.260 ma.

1lb de pedras preciosas = 36.400 ma.

Medidas de peso

Libra (lb) = 453 gramas

Arroba = 15 kg

Fanega = 100 kg

ARMAS

• Armas brancas

FacaDano: 1d6-1. Preço: 1.500 ma.

AdagaDano: 1d6. Preço: 1.750 ma.

FacãoDano: 1d6+1. Preço: 3.000 ma.

Espada comumDano: 1d6+2. Preço: 3.750 ma.

Espada Toledo y Salamanca – espada nobre, bastante afiada e de cabo trabalhado. Possui a lâmina ligeiramente curva, de apenas um gume. Cara e difícil de encontrar, pois só é feita na Metrópole. Não se encontra à venda. A única maneira de possuí-la é na construção do personagem, se este for da nobreza, ou durante as aventuras, com a ajuda do mestre do jogo. Dano: 1d6+4. Preço: 1 marco de ouro.

• Armas de fogo

Escopeta – espingarda curta que se alarga na ponta. Atinge uma área maior, espalhando o dano. Ideal para alvos grandes e próximos. É a arma de fogo mais popular. Dano: 3d6-2. Preço: 22.500 ma.

Garrucha – pistola pequena de bico largo, espalhando mais a pólvora. Dano: 1d6+1. Preço: 7.500 ma.

Pistola – possui o cano mais fino e mais comprido do que a garrucha. Fácil de carregar. Muito usada por nobres e comerciantes. Dano: 2d6+1. Preço: 15.000 ma.

Mosquete – espingarda comprida e mais pesada, com um cano longo e estreito. Dirige o tiro para alvos pequenos e localizados, concentrando o dano. É mais usada pelos militares. Dano: 3d6. Preço: 30.000 ma.

• Armas de Grande Porte

Canhão – peça de artilharia de uso militar. Arma de longo alcance. Usado em batalhas campais, defesa de fortalezas e em navios. Dano: 10d6+12. Preço: 150.000 ma.

Canhonete – canhão de pequeno porte, de alcance menor, de dano menor, mas de maior mobilidade. Dano: 6d6+6. Preço: 75.000 ma.

• Armas de impacto

Cajado – bastão de madeira longo e fino, com a extremidade superior arqueada. Dano: 1d6-1.

Macana – é o porrete inca/illimani. Um bastão de madeira que atravessa uma pedra polida e arredondada. Não se encontra à venda. Ou o personagem tem, ou faz, ou ganha. Na prática, só os índios menos colonizados a usam. Dano: 1d6+2.

Porrete – bastão de madeira com saliência arredondada em um dos extremos. Dano: 1d6. Preço: 750 ma.

Porrete de metal – outro tipo de porrete inca/illimani. Na ponta do bastão de madeira há um objeto de metal com formato estrelado. Assim como a macana, não se encontra normalmente. Dano impactante, mas se atingir diretamente o corpo pode fazer um dano perfurante (fazer um teste difícil de Força). Dano: 1d6+3.

Porrete de pedra – outro porrete inca/illimani, igual ao porrete de metal, mas o objeto estrelado é feito de pedra. Faz menos dano, mas é mais fácil de fazer. Dano: 1d6+3.

Tacape – arma das tribos da selva. É uma espécie de espada de madeira, de ponta larga e afiada. Só é utilizada pelos índios e não se encontra nas cidades, nem na costa e nem na serra. Seu dano principal é impactante, mas pode fazer um dano cortante (teste difícil de Força). Dano: 1d6+1.

• Armas de Arremesso

Arco e flecha pequeno – arco pequeno, de fácil construção, que atira pequenas flechas de madeira. Tanto podem ser de origem indígena quanto de um caçador branco, mestiço ou inca/illimani. Os índios costumam usar suas flechas com veneno. Geralmente são feitas por quem as usa, mas podem ser compradas. Dano: 1d6. Alcance: 150m. Preço: 1.750 ma.

Arco e flecha militar – arco de madeira trabalhada, fio resistente e flechas de metal. Arma bastante comum dos antigos soldados do Velho Mundo. Com a descoberta das armas de fogo, seu uso caiu bastante. Considerada uma arma elegante, alguns nobres e cavaleiros a utilizam, nem que seja apenas em caçadas. É bem mais eficiente que o arco comum, mas é caro e difícil de encontrar na colônia. Dano: 1d6+2. Alcance: 200m. Preço: 2 dobrões.

Arco e flecha grande – arcos utilizados apenas pelas tribos da selva. São imensos, quase do tamanho do próprio guerreiro, assim como suas flechas de madeira. Algumas tribos chegam a usá-las com as pernas, puxando a corda com as duas mãos. Embora menos prática que o arco militar, seu dano é quase mortal, a ponto dos índios nem colocarem veneno nas flechas. Dano: 1d6+4. Alcance: 150m.

Funda – um laçado de lã utilizado para lançar projéteis, geralmente pedras. Arma simples e bastante utilizada pelos incas/illimani. No Velho Mundo se utiliza a funda de couro. Dano impactante. Dano: 1d6+1. Alcance: 70m.

Lança de madeira – haste comprida de madeira pontiaguda. Utilizada por todas as diferentes culturas de Nova Castela, inclusive os negros. Pode ser usada empunhada, para dar estocadas e manter o inimigo distante, ou em arremessos. As lanças dos índios da selva são mais curtas e próprias para arremessos, chamadas de azagaia. Dano: 1d6+1. Alcance: 20m.

Lança de metal – haste de madeira com ponta de metal. Essa é a única diferença da lança de madeira, além do dano superior. Utilizada tanto por incas/illimani quanto por castelhanos. Dano perfurante. Dano: 1d6+3. Alcance: 10m. Preço: 3.000 ma.

• Armas Diversas

Boleadeira – instrumento de três bolas de pedra envolvidas num couro espesso e ligadas entre si por cordas de couro, sendo uma das cordas menor do que as outras. Usada originalmente para laçar animais, mas pode ser usada como arma de combate. Arma regional, pouco comum. Dano impactante. Dano: 1d6+4. Alcance: 30m. Preço: 1.000 ma.

Chicote – correia de couro ligado ou não a um cabo de madeira. Usado para castigar animais ou homens. Principal instrumento dos feitores de escravos. Pode ser usado também para laçar coisas. Seu dano é cortante, pois seu impacto provoca cortes na pele, podendo rasgar roupas, mas sendo pouco eficaz em coletes de couro. Dano: 1d6-1. Preço: 1.500 ma.

Machado comumDano: 1d6+3. Preço: 2.500 ma.

Machado de guerra inca – mais uma arma exclusiva dos incas/illimanis, que não se encontra normalmente. Não é muito diferente do machado comum, mas sua estrutura é um pouco melhor para o combate. O pedaço de metal é em forma de meia lua e muito bem fixado perpendicularmente ao bastão de madeira. Dano cortante. Dano: 1d6+3.

Zarabatana – tubo comprido de cana pelo qual se projeta, através do sopro, um dardo envenenado de madeira. O dano do dardo é nulo, suficiente apenas para atravessar uma roupa comum ou um laudel, só valendo o dano do veneno. Sendo assim, é preciso acertar na pele. Arma de uso exclusivo dos índios da selva. Dano: veneno. Alcance: 50m.

EQUIPAMENTOS DE DEFESA

Armadura – colete de metal que oferece total proteção ao tronco. Só torna impossível qualquer ação furtiva e qualquer queda na água quase mortal. Não se pode usar colete de couro por baixo. Uso exclusivo dos soldados da Coroa. Não se encontra a venda e nem é permitido o uso sem ordem oficial. Defesa: 18. Absorção: – 5 / -4            .

Botas de couro – é a melhor proteção contra cobras e aranhas. Também pode servir de proteção contra um inusitado tiro no pé ou coisa parecida. Defesa: 08. Absorção: – 1 / – 3. Preço: 4 pesos.

Braçadeiras – proteção de couro para os antebraços, evitando o corte da espada durante o confronto. Dano: 03. Absorção: – 1 / 0. Preço: 1.500 ma.

Colete de couro leve – colete de couro que protege todo o tronco e a bacia, terminando quase no meio das coxas. É possível utilizá-lo por baixo de outra roupa. Defesa: 07. Absorção: -1 / -3. Preço: 3.000 ma.

Colete de couro rígido – colete de couro mais denso, oferece maior proteção à mesma região que o couro leve. Porém, usar uma outra roupa por cima diminui a mobilidade, tornando qualquer ação relacionada à destreza uma tarefa difícil. Defesa: 10. Absorção: -2 / -4. Preço: 4.500 ma.

Elmo de madeira – proteção para a cabeça usada pelos incas/illimanis. Praticamente inexistente na colônia. Defesa: 04. Absorção: -1 / -1.

Elmo de metal – proteção para a cabeça usada pelos soldados da Coroa. Uso militar, não se encontra à venda. Mesmo caso da armadura, para a qual, aliás, serve de complemento. Defesa: 08. Absorção: – 1 / – 2. Preço: 2.500 ma.

Escudo de madeira – proteção utilizada pelos incas/illimanis. De fácil construção, não se encontra à venda por sua fragilidade. Defesa: 08. Absorção: – 3 / – 3.

Escudo de metal – é o escudo de madeira reforçado por uma placa de metal. É difícil de se encontrar à venda, pois não é um objeto muito utilizado pelas pessoas comuns. Mas quem procura acha, principalmente nas grandes cidades. Defesa: 12. Absorção: -2 / -3. Preço: 3.250 ma.

Laudel – roupa de algodão reforçada com tiras de couro. Tanto pode ser uma camisa de manga comprida quanto uma calça. Defesa: 04. Preço: 1.500 ma.

Manta de algodão – roupa de algodão acolchoada usada pelos incas/illimanis como proteção. Defesa: 04. Preço: 1.500 ma.

Unco – colete de lã dos incas/illimanis. É uma roupa comum do homem da serra, mas a lã é tão bem trançada que o unco acaba dando uma pequena proteção. Defesa: 02. Preço: 1 peso.

VESTIMENTAS

Anaco (vestido inca): 1,5 peso.

Botas: 4 pesos.

Chapéu: 1 peso.

Cinturão de couro: 1peso.

Gorro de lã: 50 ma.

Lliclla (manto inca): 100 ma.

Luvas de couro: 3 pesos.

Luvas de lã: 60 ma.

Manta de lã: 2 pesos.

Manto: 10 reales.

Manto com capuz: 2 pesos.

Poncho: 150 ma.

Roupa de algodão cru: 400 ma.

Roupa de algodão trabalhado: 3 pesos.

Roupa simples: 2 a 3 pesos.

Roupa de luxo masculina: 15 pesos.

Roupa de luxo feminina: 60 pesos.

Saia: 3 pesos.

Sandálias: 1 peso.

Sapato: 2 pesos.

Unco (roupa inca): 1 peso.

EQUIPAMENTOS

Aljava: 300 ma.

Arado: 1.000 ma.

Canoa: 2.250 ma.

Carroça: 30.000 ma.

Chuspa: 70 ma.

Corda de 10m (suporta 150 kg): 300 ma.

Corda grossa de 10m (suporta 400 kg): 750 ma.

Enxada: 600 ma.

Ferramenta de mineração: 1.400 ma.

Gancho: 800 ma.

Gazuas: 500 ma.

Martelo: 600 ma.

Material de pesca: 1.100 ma.

Material médico: 650 ma.

Mochila: 300 ma.

Odre de 0,6 litros: 75 ma.

Odre de 2 litros: 150 ma.

Odre de 5 litros: 220 ma.

Pá: 450 ma.

Pé de cabra: 300 ma.

Pederneiras: 60 ma.

Picareta: 750 ma.

Rede de caça: 600 ma.

Rede de dormir: 600 ma.

Rede de pesca: 900 ma.

Sacola (até 5kg): 75 ma.

Tocha: 200 ma.

ANIMAIS

Alpaca: 4 a 7 pesos.

Boi: 70 pesos.

Cão de caça: 5 pesos.

Carneiro: 2 pesos.

Cavalo: 100 pesos.

Lhama: 3 a 5 pesos.

ALIMENTOS

Açúcar (arroba): 2,6 pesos.

Aguardente (garrafa): 400 ma.

Azeite (arroba): 2,5 pesos.

Batata (arroba): 1 peso.

Carne de aves (a libra): 15 a 30 ma.

Carne de boi (a libra): 60 ma.

Carne de peixe (a libra): 20 a 40 ma.

Carne de porco (a libra): 30 ma.

Farinha (arroba): 408 ma.

Milho (arroba): 1,5 peso.

Ração para viagem (5 dias): 80 ma.

Refeição completa: 260 ma.

Refeição simples: 150 ma.

Trigo (fanega): 3 pesos.

Vinagre (garrafa): 113 ma.

Vinho (garrafa): 240 ma.

DIVERSOS

Cal (fanega): 1 peso.

Crucifixo: 300 ma.

Dicionário quechua: 5 pesos.

Flauta: 500 a 800 ma.

Jornal da Metrópole: 1 real.

Papel (50 folhas): 50 ma.

Remédios e ervas: 200 a 500 ma.

Viola: 1.500 ma.

HOSPEDAGEM

Aluguel de casa boa (anual): 600 a 1.000 pesos.

Aluguel de casa média (anual): 150 a 500 pesos.

Estábulo (diária): 50 ma.

Hospedagem (diária): 80 ma.

SERVIÇOS

Armazém (diária por arroba): 1 a 8 reales.

Caravanas: 5 a 10 pesos.

Carpideiras: 2 a 4 pesos.

Carregadores: 400 ma.

Escravo negro criança: 15 mil a 30 mil ma.

Escravo negro jovem: 30 mil a 45 mil ma.

Escravo negro adulto: 30 mil a 60 mil ma.

Guias: 3 pesos.

Mineração (brancos): 5 pesos ou percentagem.

Mineração (índios): 200 ma.

Serviços especiais (guarda-costas, mercenários, caçadores, assassinos): 5 a 15 pesos.

Transporte de balsa (por cabeça): 1 a 2 reales.

Transporte de canoa (por cabeça): 1 a 3 reales.

Transporte de carroça (por cabeça): 1 a 4 reales.

Transporte de carruagem (por cabeça): 2 a 4 reales.

TAXAS E IMPOSTOS

Alcabala: 2% de qualquer comércio, produção ou serviço.

Composição de tavernas (anual): 30 a 40 pesos.

Direito de avaria (seguro marítimo): 12% do valor da mercadoria ou 20 escudos por pessoa.

Direito de escravo: 10% na venda de escravos (ao desembarcar).

Dízimo: 10% da produção agrícola e industrial à Igreja.

Quinto real: 20% da produção mineira para a Coroa.

Taxa de almoxarifado: 10% sobre as mercadorias desembarcadas na colônia.

Tributo indígena: 10% da renda (dinheiro ou espécies).

Anúncios
Published in: on 27 de março de 2010 at 19:44  Comments (2)  

ECONOMIA COLONIAL

Agricultura

O Império do Sol era um forte estado agrícola, com um povo especializado em refinadas técnicas de cultivo, por vezes superiores às do Velho Mundo. Depois da conquista, os castelhanos tiveram toda esta mão-de-obra ao seu dispor e enterraram tudo nas minas. Nem mesmo os avançados sistemas de irrigação foram utilizados, deteriorando-se com o tempo. Dessa forma, Nova Castela acabou se destacando por sua pobreza agrícola. Mesmo aqueles que se aventuram pela agricultura, o fazem de forma desordenada e desinteressada.

A Metrópole restringiu o cultivo de coca, cana e vinha. Em 1618, o Vice-Rei proíbe a construção de engenhos açucareiros próximos de Lima. Para impedir a destilação de aguardente, proíbe a importação do maquinário para os engenhos.

Criação de Gado

Não adquiriu um desenvolvimento eficiente. Os colonizadores se contentam em possuir o indispensável para as necessidades do vice-reino.

Guano

O guano é um fertilizante criado a partir do excremento de diversas aves costeiras, como o guanay, o camanay e o pingüim. O seu aproveitamento agrícola é tão bom que se transformou em um produto de exportação.

Mineração

A cobiça dos metais preciosos fez com que os castelhanos se dedicassem arduamente à mineração. No início do século XVII sai uma lei que proíbe os serviços forçados nas minas, mas ela nunca foi cumprida. A mineração particular é tributada, a concessão é precária e revogável. O mineiro deve pagar salários aos trabalhadores, mesmo aos índios. Essa é a lei, o que não significa que seja cumprida. O trabalho mineiro é obrigatório: quem paralisa o trabalho perde seus direitos nas minas. As mais famosas são as de Potosí, Cerro de Pasco e Huancavelica. O rendimento mineiro no Vice-Reino de Nova Castela chega a 5.500.000 pesos por ano.

Mina Santa Bárbara: também conhecida como a Mina da Morte. Próxima a Vila Rica de Oropesa, é uma mina de mercúrio (a maior do mundo), usado no tratamento da prata. Trata-se de um complexo de 43 minas. Os índios já usavam o llimpi (mercúrio) para pintar o rosto de mulheres, na cerâmica e em pinturas de guerra. Os incas proibiram o seu uso, pois os mineradores sofriam muitos danos. É uma verdadeira cidade subterrânea, com ruas, praças, capelas e corrida de touro. Descoberta em 1564, a mina deu origem à cidade. Os vice-reis fazem viagens até o local para resolver conflitos e vigiar a administração. O trabalho nas minas não é planejado, ocasionando muitos desabamentos, como a tragédia de 1640, onde centenas de mineiros morreram. Além disso, as emanações das minas causam enfermidades e mortes. No caso de Santa Bárbara, o trabalho indígena escravo é considerado como uma exceção legal pela Coroa, um mal necessário. Os mineiros de Santa Bárbara estão longe de qualquer possibilidade de esperança, a não ser a liberdade da morte ou da fuga, quase sempre impossível.

 

Encargos Econômicos

Alcabala: imposto de 2% sobre todas as coisas que se apreende, cria, vende ou contrata.

Alhóndiga: mercado de cereais. Ninguém pode comprar grãos fora das alhóndigas. Se, passado vinte dias do depósito da colheita, os produtores não efetuarem as vendas, é feita uma liquidação. Isso limita a propriedade dos lavradores, pois, muitas vezes, os obriga a efetuar vendas inconvenientes e prejudiciais.

Composição de tavernas: licença de abertura, que se renova anualmente. Chega a 40 pesos por ano. Nas cidades menos importantes, fica entre 30 e 35 pesos.

Direito de avaria: espécie de seguro para viagens oceânicas. 12% do valor da mercadoria e 20 escudos por pessoa.

Tesouro: se o tesouro for achado em templos, sepulturas, ou coisas do tipo, a metade vai para Coroa. Os bens vagos e depósitos sem dono são considerados bens reais.

Tributo pessoal: todos os índios, entre 18 e 50 anos, devem pagar. Pode ser com dinheiro ou produtos. Os tributos das mulheres vão para a Caixa de Comunidade. Os curacas ajudam na cobrança e ganham 1%. Existem cerca de 20 mil índios tributários.

Caixas de Comunidade: têm o objetivo de arrecadar os bens comunitários dos indígenas. A renda é usada para cobrir os gastos com índios e missões. Aqueles que não formam comunidade são abrigados a preparar terras com igual finalidade. Só é permitido gastá-la em benefício dos índios; e não se pode usar para outros fins nem com a autorização deles. Mesmo os benefícios são discutidos antes com a comunidade. Às vezes este dinheiro é usado para pagar o tributo dos índios, quando estes não podem pagá-lo. A multa para a quebra desta lei é de mil pesos. Isso não impede que, muitas vezes, algum corregedor meta a mão no dinheiro.

Sistema de “mãos mortas”: a Igreja pode adquirir terras sem limites, mas não pode passá-las adiante.

Comércio e Contrabando

O controle severo impede o ingresso de manufaturas de outros países e delimita a área de comércio. Apesar disso, Lima ganha ares de uma importante cidade comercial. As fortunas acumuladas pelos mercadores são apreciáveis. Mas o resto do vice-reino se ressente da falta de atividade e alcance comercial.

O contrabando surge como meio de introduzir artigos de boa qualidade e de reduzir o poder da Coroa. A severidade das leis impõe até pena de morte, mas mesmo essas leis são burladas. Os navios com carga de outras colônias declaram apenas metade, sendo a outra metade (ou um terço) comercializada por fora, livre de impostos. E metade do lucro vai para a Guarda Maior de Callao (principal cidade portuária da colônia). A liberdade é tão grande que alguns produtos proibidos circulam pelo vice-reino como se tivesse sido feitos por um artesão indígena.

Pirataria

O vice-reino sofre tanto com a pirataria que o povo já a encara como mais um tributo. O pirata traz a bandeira negra do incêndio e da morte. Ele aporta, em cada viagem, uma mensagem de rebeldia aos povos coloniais. A costa de Nova Castela já sofreu doze grandes incursões de piratas desde a conquista. A pirataria obriga os comerciantes a elevarem os preços de suas mercadorias para compensar os gastos de defesa ou o custo de fretes em comboio.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:09  Comments (3)