ECONOMIA COLONIAL

Agricultura

O Império do Sol era um forte estado agrícola, com um povo especializado em refinadas técnicas de cultivo, por vezes superiores às do Velho Mundo. Depois da conquista, os castelhanos tiveram toda esta mão-de-obra ao seu dispor e enterraram tudo nas minas. Nem mesmo os avançados sistemas de irrigação foram utilizados, deteriorando-se com o tempo. Dessa forma, Nova Castela acabou se destacando por sua pobreza agrícola. Mesmo aqueles que se aventuram pela agricultura, o fazem de forma desordenada e desinteressada.

A Metrópole restringiu o cultivo de coca, cana e vinha. Em 1618, o Vice-Rei proíbe a construção de engenhos açucareiros próximos de Lima. Para impedir a destilação de aguardente, proíbe a importação do maquinário para os engenhos.

Criação de Gado

Não adquiriu um desenvolvimento eficiente. Os colonizadores se contentam em possuir o indispensável para as necessidades do vice-reino.

Guano

O guano é um fertilizante criado a partir do excremento de diversas aves costeiras, como o guanay, o camanay e o pingüim. O seu aproveitamento agrícola é tão bom que se transformou em um produto de exportação.

Mineração

A cobiça dos metais preciosos fez com que os castelhanos se dedicassem arduamente à mineração. No início do século XVII sai uma lei que proíbe os serviços forçados nas minas, mas ela nunca foi cumprida. A mineração particular é tributada, a concessão é precária e revogável. O mineiro deve pagar salários aos trabalhadores, mesmo aos índios. Essa é a lei, o que não significa que seja cumprida. O trabalho mineiro é obrigatório: quem paralisa o trabalho perde seus direitos nas minas. As mais famosas são as de Potosí, Cerro de Pasco e Huancavelica. O rendimento mineiro no Vice-Reino de Nova Castela chega a 5.500.000 pesos por ano.

Mina Santa Bárbara: também conhecida como a Mina da Morte. Próxima a Vila Rica de Oropesa, é uma mina de mercúrio (a maior do mundo), usado no tratamento da prata. Trata-se de um complexo de 43 minas. Os índios já usavam o llimpi (mercúrio) para pintar o rosto de mulheres, na cerâmica e em pinturas de guerra. Os incas proibiram o seu uso, pois os mineradores sofriam muitos danos. É uma verdadeira cidade subterrânea, com ruas, praças, capelas e corrida de touro. Descoberta em 1564, a mina deu origem à cidade. Os vice-reis fazem viagens até o local para resolver conflitos e vigiar a administração. O trabalho nas minas não é planejado, ocasionando muitos desabamentos, como a tragédia de 1640, onde centenas de mineiros morreram. Além disso, as emanações das minas causam enfermidades e mortes. No caso de Santa Bárbara, o trabalho indígena escravo é considerado como uma exceção legal pela Coroa, um mal necessário. Os mineiros de Santa Bárbara estão longe de qualquer possibilidade de esperança, a não ser a liberdade da morte ou da fuga, quase sempre impossível.

 

Encargos Econômicos

Alcabala: imposto de 2% sobre todas as coisas que se apreende, cria, vende ou contrata.

Alhóndiga: mercado de cereais. Ninguém pode comprar grãos fora das alhóndigas. Se, passado vinte dias do depósito da colheita, os produtores não efetuarem as vendas, é feita uma liquidação. Isso limita a propriedade dos lavradores, pois, muitas vezes, os obriga a efetuar vendas inconvenientes e prejudiciais.

Composição de tavernas: licença de abertura, que se renova anualmente. Chega a 40 pesos por ano. Nas cidades menos importantes, fica entre 30 e 35 pesos.

Direito de avaria: espécie de seguro para viagens oceânicas. 12% do valor da mercadoria e 20 escudos por pessoa.

Tesouro: se o tesouro for achado em templos, sepulturas, ou coisas do tipo, a metade vai para Coroa. Os bens vagos e depósitos sem dono são considerados bens reais.

Tributo pessoal: todos os índios, entre 18 e 50 anos, devem pagar. Pode ser com dinheiro ou produtos. Os tributos das mulheres vão para a Caixa de Comunidade. Os curacas ajudam na cobrança e ganham 1%. Existem cerca de 20 mil índios tributários.

Caixas de Comunidade: têm o objetivo de arrecadar os bens comunitários dos indígenas. A renda é usada para cobrir os gastos com índios e missões. Aqueles que não formam comunidade são abrigados a preparar terras com igual finalidade. Só é permitido gastá-la em benefício dos índios; e não se pode usar para outros fins nem com a autorização deles. Mesmo os benefícios são discutidos antes com a comunidade. Às vezes este dinheiro é usado para pagar o tributo dos índios, quando estes não podem pagá-lo. A multa para a quebra desta lei é de mil pesos. Isso não impede que, muitas vezes, algum corregedor meta a mão no dinheiro.

Sistema de “mãos mortas”: a Igreja pode adquirir terras sem limites, mas não pode passá-las adiante.

Comércio e Contrabando

O controle severo impede o ingresso de manufaturas de outros países e delimita a área de comércio. Apesar disso, Lima ganha ares de uma importante cidade comercial. As fortunas acumuladas pelos mercadores são apreciáveis. Mas o resto do vice-reino se ressente da falta de atividade e alcance comercial.

O contrabando surge como meio de introduzir artigos de boa qualidade e de reduzir o poder da Coroa. A severidade das leis impõe até pena de morte, mas mesmo essas leis são burladas. Os navios com carga de outras colônias declaram apenas metade, sendo a outra metade (ou um terço) comercializada por fora, livre de impostos. E metade do lucro vai para a Guarda Maior de Callao (principal cidade portuária da colônia). A liberdade é tão grande que alguns produtos proibidos circulam pelo vice-reino como se tivesse sido feitos por um artesão indígena.

Pirataria

O vice-reino sofre tanto com a pirataria que o povo já a encara como mais um tributo. O pirata traz a bandeira negra do incêndio e da morte. Ele aporta, em cada viagem, uma mensagem de rebeldia aos povos coloniais. A costa de Nova Castela já sofreu doze grandes incursões de piratas desde a conquista. A pirataria obriga os comerciantes a elevarem os preços de suas mercadorias para compensar os gastos de defesa ou o custo de fretes em comboio.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:09  Comments (3)