AS REGIÕES DE NOVA CASTELA

Na maioria dos casos, as regiões correspondem a uma ou duas corregedorias (unidade política na qual o Vice-Reino é dividido). No final de cada descrição se encontra o centro político ao qual a região está vinculada. As regiões estão divididas de acordo com os aspectos geográficos e sua importância para a colônia.

Lima

Grande desnível entre o mar e as montanhas. As cordilheiras se elevam a quase 30 km do mar. Conta com grande número de ilhas e recifes. A Ilha de San Lorenzo é a mais extensa e alcança 300 m de altura. O litoral está nublado quase todo o ano. Quando se sobe as montanhas, a temperatura aumenta, pois as nuvens diminuem. A garoa é a única forma de chuva.

Política: Corregimento de Lima e Real Audiência de Lima.

Altiplano

Relevo plano a 3.850m de altura. Região de alpacas, guanacos e vicunhas. É cercada por montes nevados que se erguem num gigantesco semi-círculo. O altiplano é coberto por capinzais e pastagens, que às vezes se perdem na imensidão sem apresentar uma única árvore. É cortada por rios de curso lentíssimo que deságuam no Titicaca. Há outros importantes lagos na região.

Titicaca: sua maior profundidade é de 270m, a maior largura é de 78 km e o maior comprimento de 176 km. A largura média é de 50 km. É um lago de água doce que varia em torno dos 11°C. A transparência é notável e pode ser observada até os 10m de profundidade. Grandes extensões de totorales nas margens, que se erguem até uma altura de 4 metros. Com a totora, os índios fazem suas balsas, casas, alimentos, além de muitos morarem em ilhas flutuantes formadas pelas plantas. Muitas aves e peixes. Além dessas ilhas flutuantes, há cerca de 36 ilhas. O lago é dividido em duas partes por um estreitamento de 1 km. Nele deságuam 40 rios.

Política: Corregedoria de La Paz.

Arequipa

Enorme região de planícies desérticas cercada pelo Círculo de Fogo e cruzada por rios profundos. O rio Ocoña, mais caudaloso, cruza a região num fundo canyon, sem deixar margens para o cultivo. Grandes dunas de areia se estendem até o mar. Região de minério. O rio Colca, estreito e caudaloso, também percorre montes escarpados e rochosos, num desfiladeiro de 3 mil metros. O vento sobe o desfiladeiro com tanta velocidade que às vezes não é possível ficar de pé. Em certos pontos, os condores se reúnem para aproveitar a corrente de ar ascendente.

Política: Corregimento de Arequipa.

Arica

Terra árida e vulcânica cortada por vales. A água é aproveitada até a última gota. No inverno, a região é coberta pela neblina do mar. Possui as mais hostis e estéreis montanhas da colônia. Por outro lado, a temperatura não é tão elevada como faz parecer. A costa recebe constantemente um vento fresco e acolhedor, tornando o clima bastante agradável.

Política: Corregimento de Arequipa.

Cajamarca

Riqueza de pastos e solos férteis, mas muito pouco explorada economicamente pelos castelhanos. Região bem provida de rios, ponta de lança das principais expedições à selva. Já não existem punas, a altitude média é um pouco mais baixa do que no resto da cordilheira. Clima menos seco, com bosques, palmeiras, orquídeas e hortências. Duas cataratas com mais de 100m de altura. Fauna muito rica.

Política: Corregimento de Trujillo.

Chachapoya

A região é caracterizada pela vertente da selva. As áreas mais altas estão livres das constantes inundações e pragas de insetos das áreas baixas. Região muito pouco habitada, por onde circulam tribos indígenas que não se submeteram aos incas e nem aos castelhanos, embora algumas aceitem o contato com franciscanos e jesuítas. Sobressai-se a Cordilheira do Condor, habitada pelos Jívaros. Região repleta de pongos. A partir daí se estende a selva, repleta de missões jesuíticas e franciscanas ao longo dos principais rios da floresta. O Amazonas varia de largura entre 4 km e 6 km, chegando a alcançar 240m de profundidade. Em época de cheia, chega a alargar 8 km. Também é área de grandes conflitos entre os bandeirantes lusitanos e os exploradores e missionários castelhanos.

Política: Corregimento de Chachapoyas.

Huamanga

Formada por altos e frios montes, punas cercadas por cactos gigantescos, onde se abrem, de vez em quando, pequenos oásis. É um verdadeiro labirinto de montanhas, de relevo caótico e vilas miseráveis. Região de abismos, picos, punas e rios profundos. Cultivo de trigo e quinua. Região de mineração.

Política: Corregimento de Huamanga.

Huaylas

Junto à costa desértica se ergue a Cordilheira Negra, íngreme, de poucos rios, pouca neve e picos rochosos. Altitude máxima de 5 mil metros. É cortada pelo rio Santa num talho de 500 m de profundidade. Descendo a Cordilheira Negra, se chega em Huaylas, um grande vale banhado pelo rio Santa, que corre paralelo à costa. Uma paisagem campestre emoldurada pela grandiosidade da Cordilheira Branca, campos floridos, lagos azuis, habitada por camponeses. Numerosos bosques, clima temperado e agradável. Além da agricultura, vive-se da caça de veados, perdizes e vizcachas, e da pesca de trutas.

Atravessando Huaylas, se encontra a Cordilheira Branca, onde se encontram os mais altos picos de Nova Castela. É formada por majestosos picos nevados, extensas geleiras e várias lagoas. A região é forte inspiração para mitos e lendas. São picos que se aproximam dos 7 mil metros. Nos lagos, às vezes se encontram blocos de gelo flutuando. A água é cristalina e as rochas submersas brilham com o sol. Há mais de 200 lagos, a maioria de origem glacial e mal represados.

Política: Corregimento de Trujillo.

Huancavelica

Encerrada entre altas montanhas, a região é de paisagens desoladas, punas desertas varridas pelo vento, onde vivem os criadores de alpaca e os mineiros de Vilarica de Oropesa. O relevo acidentado é cortado por rios que correm por vales estreitos e profundos. Há mais de vinte lagos, que tornam a pesca mais abundante que a caça. Destaca-se o lago de Choclococha, a 4.600m, com 15km de extensão e 14m de profundidade.

Política: Província de Huancavelica.

Junín

Região central da Cordilheira do Sol. Vales férteis e pampas. A cidade de Junín fica às margens do lago Chinchaicocha, o segundo maior da colônia, com mais de 20km de extensão e 15km de largura e a 4 mil metros de altitude. Grande parte de suas margens são pantanosas e cobertas por vegetação. O lago é pouco profundo. É uma das regiões mais belas da colônia, com criação de lhamas, lagos extensos, abruptos abismos e as punas repletas de vicunhas. Pouco mais ao norte, encontra-se a zona mineira de Pasco. Mais a leste se inicia a vertente da selva.

Política: Corregimento de Lima.

Lambayeque

Extensas planícies que sofrem com a falta de irrigação. Não são desertos, mas despovoados cobertos por bosques de olmos, árvore importante pela lenha. Os rios praticamente não chegam até o mar, mas mesmo assim há inundações. É a maior concentração de escravos negros da colônia. Mais ao sul, grandes areias no deserto costeiro e pampas férteis, mas atormentadas pelas secas, onde floresceu a cultura mochica e chimú. Muitos pescadores na costa, deixando o mar pontilhado pelos caballitos de totora.

Política: Corregimento de Trujillo.

Nazca

Região árida onde se encontra a Península de Paracas. Conhecida pelo seu deserto rochoso coberto por uma fina camada de pó vermelho. Possui a maior duna do mundo.

Política: Corregimento de Lima.

Piúra

Costa acidentada, com pontas, cabos, baías e penínsulas. Território agrícola no vale de dois rios que cortam a região. Ao sul da cidade de Piúra, se encontra o Deserto de Sechura, uma área de 64 mil km², com rios secos e salinas. A região possui áreas impenetráveis, com deserto total num diâmetro de 80km. Também há depressões, chegando a 37 m abaixo do nível do mar. Em épocas de chuvas abundantes (o que é raro), viram lagos tranqüilos.

Política: Corregimento de Trujillo.

Potosí

Região árida muito rica em metais preciosos, com o prolongamento do relevo vulcânico de Arica. Ao sul, se encontra uma extensa área de salinas, um deserto de sal com cerca de 150 km de diâmetro.

Política: Corregimento de Potosí.

Tumbez

As terras mais férteis da costa. O rio Tumbez é o único navegável da costa, que deságua formando um intrincado labirinto de ilhas e monótonos manguezais. Plantações de algodão, arroz, frutas. A fauna, muito rica, por vezes se assemelha à da selva. Região de densos bosques.

Política: Corregimento de Trujillo.

Ucayali

Região de floresta e da selva alta, com áreas ainda inexploradas. Povoada por várias tribos indígenas. Algumas delas mantiveram contato com os incas. Região explorada por missionários, mas em menor escala, pois seus rios não são inteiramente navegáveis. Apesar da temperatura variar entre 38° e 40°C, por influência da cordilheira pode chegar a quase 0°C, matando milhares de animais.

Política: Corregimento de Cusco.

Vale Sagrado

O berço da cultura incaica. Região da Cordilheira do Sol, mas com alguma influência da selva alta. Vales muito férteis e extensamente povoados. Os rios correm por vales profundos, cortando imponentes e verdejantes montanhas.

Política: Corregimento de Cusco.

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Published in: on 12 de março de 2010 at 1:26  Comments (3)  

AS CORDILHEIRAS

É a área mais característica de Nova Castela. Porém, ao contrário da costa, é composta por áreas bem distintas, tanto para quem caminha da costa rumo à selva, como para quem a percorre no sentido norte-sul. Abrange uma área entre mil e quase sete mil metros de altitude. Entre as diferentes regiões, quatro são mais características: a vertente da costa ou serra, de declive acentuado, com corredeiras e perigosas gargantas; as punas, altiplanos acima dos três mil metros; as grandes montanhas, cobertas de gelo e neve, praticamente inabitada; e a vertente da selva ou selva alta, com rios caudalosos, vegetação abundante e clima mais quente, também pouco habitada.

Serra

Os vales recebem os ventos do oceano e ganham um clima temperado. Na parte mais baixa, entre os mil e dois mil metros, o clima ainda é árido e, ao contrário da costa, com pouca umidade, mas com forte nebulosidade no verão. O contraste entre o dia e a noite, o sol e a sombra, é bastante forte. A temperatura média no verão é de 6°C a 32°C, no inverno é de 2°C a 28°C. Entre os 2 mil e 3.500 metros, as temperaturas diurnas são sempre superiores a 20°C e as noturnas sempre inferiores a 10°C. O ar é seco, com menos oxigênio, onde começam os problemas do homem com a altitude. Os vales se opõem aos altos picos, com desníveis de 500 a mil metros.

Punas

Se encontram entre os 3 mil e 5 mil metros. As punas são áreas quase planas, de ondulações suaves e de extensão variável, com muitos lagos de águas frias e cristalinas, e onde os rios correm tranqüilos. As punas são cobertas de gramíneas, onde se destaca o ichu. A temperatura máxima está sempre entre 20° e 25°C, e a mínima é sempre inferior a 0°, chegando a -17°C. Acima dos 4 mil metros, o frio é rigoroso, chegando a -24°C durante a noite. Há violentas tempestades elétricas e ventos freqüentes, que provocam um ruído peculiar nas folhas de ichu. A transparência do ar é tanta que altera a percepção de distância, fazendo as coisas parecerem estar mais próximas. À noite, os charcos são congelados, e descongelam durante o dia. Ao passar uma sombra por mais de cinco minutos, a temperatura chega a cair 6°C. Acima dos 4.500m, as cordilheiras são habitadas apenas por pastores de lhamas e alpacas e por mineradores.

Grandes Montanhas

Emergindo das punas estão as grandes montanhas das cordilheiras, com picos que ultrapassam os 5 e 6 mil metros. Apresentam-se como picos isolados ou integrando cadeias de montanhas, geralmente coberto por gelo e neve perpétua. Predominam os grandes vales glaciais, marcados por vertentes abruptas e rochosas, onde a neve não tem como se fixar. Pendentes de gelo provocam desmoronamento e destruição de vilas. As avalanches de neve são bastante comuns. Outro fenômeno comum são os lagos formados por represas naturais. Às vezes a represa se rompe e a água desce montanha abaixo, provocando enchentes. As maiores geleiras alcançam de 12 a 16 km². São pouco espessas, com no máximo 50m de profundidade e várias fendas. A neve cai freqüentemente acima dos 4.200m. Abaixo disso, é transitória, derretendo pouco depois que cai. Ao sul, a maioria dos picos é de origem vulcânica, conhecidos como o Círculo de Fogo. Em Nova Castela há cerca de 500 vulcões, a grande maioria inativa. Alguns ainda lançam cinzas, mas são muito poucos os totalmente ativos. É a região com maior atividade de terremotos, que se fazem sentir por centenas de quilômetros.

Selva Alta

Além de receber influência do clima da selva, mais úmido e quente, é caracterizada pelos pongos, estreitamento do rio que atinge maior profundidade e segue com grande velocidade. Em maiores altitudes, como no Vale Sagrado, as vertentes são abruptas e de grande altura, delimitando os vales, que mais se assemelham com grandes fendas no relevo. Nestes vales é comum o represamento dos rios através de deslizamentos de terra. Com isso, são formados lagos temporários. Quando a represa se rompe, as águas descem com extrema violência arrastando tudo que há pela frente. Os pongos possuem entre 2 e 12 km de extensão, chegando a 60 m de profundidade. Há também várias corredeiras. Das margens sobressaem pontas rochosas que originam redemoinhos, dificultando a navegação e se tornando um perigoso obstáculo. Os rios são menos inclinados que os da costa, mas só se tornam seguramente navegáveis abaixo dos mil metros. Na estação das chuvas, ainda nas cordilheiras, chegam a ficar intransponíveis. Os rios são largos e fundos, variando entre 100 e 300 metros de largura. Quando chegam nos limites da selva, chegam a atingir mais de 1 km. Abaixo dos mil metros já se estende a selva, com relevos de altas colinas, que vão diminuindo à medida que se penetra mais e mais em seus mistérios. Região mais chuvosa de Nova Castela.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:25  Comments (2)  

A COSTA

A costa do Vice-Reino atinge largura máxima de 170 km e mínima de 3 km, seguindo até uma altitude entre 800 e 1.000m. O litoral é pontilhado por uma série de pequenas ilhas rochosas, onde se destaca a Ilha de San Lorenzo, em Callao. De Piúra até as proximidades de Arica, há uma fossa submarina tão profunda quanto a altura das cordilheiras, com mais de 6 mil metros de profundidade.

O mar da costa é de águas bastante frias. Porém, esporadicamente, uma grande corrente de águas quentes penetra na costa, formando grandes massas de nuvens, ocasionando chuvas de pouca intensidade e duração. Já na costa norte, provoca chuvas abundantes. Esta corrente eleva o nível do mar e faz aumentar a temperatura média em 5°C, além de provocar estragos na fauna marinha.

O relevo da costa é ondulado, com colinas baixas, rochosas ou arenosas, cobertas por uma fina camada de pó avermelhado, conhecido como “verniz do deserto”. O deserto toma conta de quase toda costa, excetuando a costa de Tumbez e os vales dos rios. Destes rios, poucos são aqueles que se mantém durante todo o ano, principalmente no sul. Os rios percorrem vales compridos e estreitos através de fortes declives, só se tornando navegáveis próximos à costa. São rios formados por chuvas e pelo derretimento do gelo. Alguns rios, como o Piúra, perdem suas águas por infiltração e evaporação antes de chegar ao mar. As águas circulam por baixo da superfície, dando vida ao largo de seu leito. Os rios que não duram o ano todo são conhecidos como rios secos. Na costa central e sul há diversas lagoas litorâneas.

No litoral sul, se destaca a península de Paracas, com praias e cavernas rochosas. Abaixo de Paracas, até Arica, encontra-se a Cordilheira da Costa, uma sucessão de montes de até 1.200m, bem próxima ao litoral.

Apesar da aridez da costa e da quase ausência de chuva, é uma área de grande nebulosidade e umidade. Como a água do mar é fria, há pouca evaporação, e as nuvens não atingem uma grande altitude. Quando isso ocorre, os ventos as levam para o alto mar, onde chove intensamente.

Na costa norte, as chuvas são escassas e muito irregulares. Praticamente só chove no verão, sendo o inverno com muita nebulosidade. Na costa central, mais estreita, as nuvens baixas permanecem quase o ano todo, desaparecendo no verão. As chuvas são muito mais escassas. A garoa é a principal característica da região. As temperaturas são mais elevadas à medida que se afasta do litoral. A temperatura média varia entre 16° e 33°C no verão e 6° e 27°C no inverno.

Tumbez, ao norte, é uma área de floresta equatorial, bastante quente e irrigada. O rio Tumbez deságua no mar formando numerosos canais cobertos por quilométricos manguezais.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:24  Comments (2)  

CIDADES COLONIAIS

 

• Lima

A Cidade dos Reis. A cidade da eterna primavera. A mais importante cidade da Terra de Santa Cruz, fundada em 1535. Cidade artificial, distinta do resto da colônia. Maior parte de brancos castelhanos e negros escravos. Os índios são minoria; os poucos que existem permanecem em reduções, onde são encerrados ao final da tarde. Os mulatos são mais numerosos que os mestiços.

Cidade de garoa, acompanhada de neblina. As tempestades são raríssimas, acontecendo apenas uma desde a conquista. É cidade de terremotos, tendo sido destruída uma vez. Estas tragédias restauram a fé em Deus, revelando alguns milagres. Lima se assemelha a um imenso monastério misto. Dos 26 mil brancos da cidade, 15% são clérigos, frades e monges.

É em Lima que chegam as mercadorias do Velho Mundo, que são distribuídas para toda a colônia e de onde partem as riquezas. Há mais de 200 carruagens percorrendo suas ruas, guarnecidas de ouro e seda. Os nobres e muitos cidadãos simples só usam roupas de seda. Mesmo a pessoa mais humilde possui alguma jóia ou um vaso de ouro ou prata. Em Lima, sempre há procissões, touradas, desfiles, pompas fúnebres. As touradas são na Plaza de Armas e não têm muitas regras.

As mulheres da cidade são tidas como as mais prendadas, e não são livres para amar. A família é quem escolhe o marido. As moças usam saia e manta, com o objetivo de esconder o seu corpo. Os pais exercem sobre os filhos a mesma autoridade da Igreja. O filho rebelde pode ser deserdado ou terminar em um convento.

Não há quadra sem edificação castelhana. As casas são de adobe (tijolo de argila crua), mas bem construídas e com material de qualidade. A área central é bem planejada. O subúrbio cresceu mais desordenado, com ruas tortas e sem saída. Há ranchos de índios e currais de negros.

População: 26 mil brancos (castelhanos e criollos), 30 mil negros (incluindo mulatos) e 4 mil índios.

Temperatura média: 19°C/26°C no verão e 13°C/18°C no inverno.

Tianguez: mercado de Lima. Ocupa cerca de ¼ da Plaza de Armas. Negros e índios vendem todo o tipo de fruta e alimento.

Casarões de Lima: os nobres vivem como os nobres de Castela, em verdadeiros palácios com muito luxo e conforto. Há fachadas de um ou dois andares, com portais trabalhados em pedra, janelas ornadas com ferro e balcões mouriscos de madeira. Grandes pátios internos jardinados com longos corredores. Todos têm seu oratório ou capela particular. Biblioteca, saguão, escritórios e salão de jantar. A aparência externa não é das melhores devido às paredes de adobe, o terraço e a ausência de calhas, pois não precisam de defesa contra chuvas.

Muralha de Lima: após a ameaça de alguns piratas ingleses e a recente invasão de Callao por piratas franceses por quase três meses, cresce o interesse em cercar a cidade de muralhas e baluartes. Liderado por um duque, o governo está reunindo donativos. O Comércio de Lima se ofereceu para custear 3 km de muralha. Aqueles que tiverem suas terras cortadas pela muralha serão indenizados pelo Vice-Rei. A muralha deverá ter um total de 15 km e 34 baluartes estrategicamente colocados, com nove portais de saída. O custo da obra é de 400 mil pesos, devendo começar assim que os piratas forem expulsos de Callao e o dinheiro for arrecadado.

Ponte de pedra: a mais sólida arquitetura de Lima. Única ponte que cruza o rio Rímac, com 88m de comprimento, 14m de largura e 7,5 de altura. Sustentada por sólidos pilares de pedra. Próxima à Plaza de Armas.

Alameda dos Descalços: passeio colonial. Grandes lajes de pedra, jarros ornamentais e estátuas de mármore. Casarões de famílias de classe média e igrejas populares.

Aguadores: grupo de escravos libertos que cobram meio real de prata para levar água de uma fonte recém construída aos moradores.

Piletas: pequenas pias de água distribuídas pela cidade.

Ordenanças de Lima: proíbe os escravos negros de andar desacompanhados fora da casa de seu senhor e, de noite, fora de sua própria casa; de entrar nos mercados indígenas; de usar armas, sob pena severa; lavar-se ou fazer suas necessidades no rio. Proíbe qualquer um de entrar armado no Cabildo, deixando a arma na portaria. A multa para essa infração é de 60 pesos.

Igreja de Santo Domingo: custódia com 1.300 diamantes, 1.029 esmeraldas, 522 rubis, 121 pérolas grandes, 45 ametistas e 2 topázios. Coroa da Virgem do Rosário com 150 esmeraldas, 102 diamantes e 102 rubis.

Observação: no mapa da fictícia Terra de Santa Cruz, Lima corresponde a Alcazar.

• Arequipa

Era a colônia de férias dos incas. Na colônia, permanece tranquila e fiel à Metrópole. Clima seco e limpo, com mais de trezentos dias de sol por ano. Fica a 2.360m de altitude, com temperatura entre 10°C e 25°C. É um oásis entre o deserto e as montanhas, um campo verde entre o vermelho do deserto e o violeta de seus montes vulcânicos gigantescos. A cidade sofre muito com os terremotos. Após a destruição em 1582, a erupção do Huaynaputna, em 1600, cobriu ruas e tetos e afundou o teto das casas com uma chuva de cinza e areia.

Conhecida como Cidade Branca. Está situada aos pés do Misti, um enorme vulcão inativo, com seu pico coberto de neve. A maioria de suas casas é construída com sillar (pedra branca de lava vulcânica). Há um grande número de templos, monastérios e conventos. Os casarões possuem fachadas ornamentadas, com grandes pátios internos.

População: 25 mil habitantes; sendo 14 mil brancos, 4 mil mestiços, 4.500 índios e 2.500 negros (1.700 escravos e 800 livres).

Convento de Santa Catalina: feito de sillar. Seu interior forma um verdadeiro bairro, com ruelas habitadas por monjas de clausura, uma pequena praça com uma fonte, cada rua com seu nome. É proibida a entrada de estranhos.

• Cajamarca

Principal núcleo têxtil da colônia, mesma função que ocupava durante o Império do Sol. Cidade imponente, situada às margens de um antigo lago, a 2.750m de altitude. Cidade onde foi executado Atahualpa. Apesar de sua importância antes da conquista, com mais de 50 mil índios, atualmente este número caiu para 5 mil, com cerca de 200 famílias castelhanas. Sem nenhuma mina nas proximidades, se desenvolveram as estâncias e o os latifúndios.

Banhos do Inca: a 6 km da cidade, são as termas medicinais onde o Inca repousava. Os castelhanos também sabem aproveitar as propriedades de suas águas quentes.

• Callao

Principal porto da colônia, com grande importância defensiva. A cidade se encontra praticamente colada a Lima, como um bairro litorâneo. Possui 5 mil habitantes. No litoral existem algumas ilhas, sendo a mais importante a Ilha de San Lorenzo, para onde os presos são levados para cumprir sua pena trabalhando. A cidade conta com um forte e um grande presídio, mas no momento sofre com a invasão pirata. As forças vice-reais se preparam para expulsá-los, pois tal ousadia coloca em pânico a vizinha Lima, e em cheque a capacidade defensiva das colônias de Espanha.

• Cerro de Pasco

Cidade a 4.350m de altitude. Muito depois de sua fundação, foi descoberto que o subsolo da cidade é uma grande mina de prata. Sua extração é fácil, quase na superfície. Isso permitiu um desenvolvimento caótico da cidade. Onde há uma mina, é construída uma casa. Os veios abertos acabam causando inúmeros desabamentos, com muitas vítimas. Em um deles morreram 300 homens. Em todo o ano a temperatura pode alcançar menos de 8°C.

• Cusco

Capital do Império do Sol. Ainda guarda um pouco do seu grande esplendor. A cultura castelhana foi erguida sobre as construções incas. Clima frio, com média de 12°C, podendo chegar a 0°C no inverno e haver neves esparsas.             Política e culturalmente importante. Simbolicamente ainda representa muito para todos os incas. No Vale Sagrado, como é conhecida a região, há inúmeras vilas onde o passado é ainda mais evidente, e onde a cultura e a religião do Império do Sol procura sobreviver clandestinamente.

Casarões: construídos sobre bases incaicas, geralmente de dois andares. Possuem amplo pátio interno retangular, rodeado de galerias; jardins e portais de pedra trabalhada que sustentam o brasão familiar.

Catedral de Cusco: planta em forma de cruz, dez capelas, três naves, cinco portas de acesso. Construída no lugar do Quishuarcancha (palácio de Huiracocha). A Grande Custódia é toda em ouro maciço (26.277Kg), 1,20m de altura, 331 pérolas, 263 diamantes, 221 esmeraldas, 89 ametistas, 62 rubis, 43 topázios, 17 brilhantes, 5 safiras e 1 ágata. A Campana de Maria Angola, fundida em ouro e bronze, pode ser ouvida a 40 km.

Templo e Convento de La Merced: três naves, uma central e duas pequenas. Nos sótãos da igreja se guarda os restos dos conquistadores. Custódia trabalhada em ouro com duas enormes pérolas e 615 pequenas. 1.518 diamantes, esmeraldas, rubis e topázios, com 1,30m de altura e 22.200kg.

Universidade de San Ignacio de Loyola: fundada pelos jesuítas em 1622.

• Huaraz

Não tem muita importância para a colônia. Sua principal característica é a beleza do vale onde se encontra, o Vale de Huaylas, repleta de pequenas vilas indígenas. Os castelhanos transformaram a região em centro mineiro, destroçando as cidades sem muita cerimônia. Os padres da região, em defesa dos índios, se encontram em constante luta contra os corregedores sanguinários, chegando a excomungar alguns. Estes, em represália, se negam a entregar o dinheiro destinado à Igreja. Por causa do interesse nas minas, a Real Audiência não se intromete muito na questão.

• Lambayeque

Encontra-se a 12 km do mar. Lar de famílias importantes, ruas amplas, conta com 15 mil brancos. Sua principal característica é a forte presença dos negros e seu relacionamento com os brancos. E também sua rivalidade com Zaña, a cidade vizinha.

• Potosí

Mina descoberta acidentalmente por um servo indígena que, em 1545, passou a noite no alto de um monte, a 4.800m de altura. Em um ano e meio, a população da vila alcançava 14 mil habitantes. Atualmente, conta com uma população maior que a de Lima, só que com índios no lugar dos negros, chegando a 160 mil habitantes. Desde sua descoberta, Potosí produziu 180 milhões de pesos. Da mesma forma que estimula a riqueza, a cidade estimula a confusão e rebeldias políticas. Criollos brigam contra espanhóis, e estes brigam entre si. Estas disputas incendeiam bairros inteiros, além de gerar insurreições políticas, que vem sendo combatidas duramente pela Coroa. Apesar de longas, dificilmente os rebeldes conseguirão ganhar as batalhas contra os soldados do vice-reino.

• San Juan de La Frontera

Cidade de agricultura e mineração, a 2.300m de altura, em região próxima à selva. Casas de grandes pátios e amplos salões. Gente de nobreza, mas pobres, que vivem modesta e dignamente com costumes austeros. Após o sucesso de sua fundação, outras cidades foram fundadas nos limites da floresta, mas foram destruídas pela natureza, desaparecendo em meio à selva.

• San Miguel de Piúra

Fundada em fins do século XVI, próxima ao Deserto de Sechura. Cidade de eterno verão e que conta com uma área agrícola. Com menos de 5 mil habitantes. A região sofre muito com a ação de bandoleiros. Há dias em que, durante o pôr-do-sol, um forte vento desce as cordilheiras carregando consigo uma densa nuvem de areia. Quando chega na cidade, se transforma numa chuva seca que cai ruidosamente sobre o teto das casas e igrejas até altas horas da madrugada. Por isso, à noite, a cidade parece triste e melancólica, como uma cidade fantasma.

• San Pedro de Tacna

Cresceu junto com Potosí. Não chegou nem mesmo a ter uma fundação oficial. Parada obrigatória entre as minas e o porto de Arica. A região sofre muito com os terremotos, sendo muitas vilas próximas reduzidas a ruínas e reedificadas por seus habitantes. Além disso, há os piratas, que tem em Arica um alvo importante e fácil, pois de lá são embarcadas as riquezas para Callao (de onde são enviadas para a Metrópole) e fica convenientemente longe do centro da colônia. Cidade de clima frio, entre 23°C e 9°C, mas cercada pelo deserto e aos pés das mais estéreis montanhas de Nova Castela. A água é aproveitada até a última gota.

• Santiago de los Valles de Moyobamba

Foi fundada na primeira expedição castelhana à selva, a primeira construída em toda a floresta. É ponta de lança para todas as expedições que buscam descobrir seus segredos e suas riquezas. Essas expedições são essenciais para o domínio da região, assim como as bandeiras lusitanas, e já eram feitas pelos incas. Também servem para desafogar o número de aventureiros e guerreiros ociosos nas cidades. Acabam entrando em confronto com os bandeirantes na disputa de terras e riquezas. Os colonos castelhanos de Nova Castela vêem os bandeirantes como uma mescla de colonos e bandoleiros, aos quais são atribuídas as piores atrocidades – pilhagem, violação, saque, tortura, caça de escravos e assassinatos. Não muito diferente da imagem que os colonos lusitanos têm dos aventureiros castelhanos.

• Trujillo

Importante cidade litorânea, cercada por uma muralha devido à ameaça de piratas. É a única cidade murada do vice-reino até o momento. Ruas largas e bem niveladas; casas com vistosos portais, balcões e janelas; igrejas que refulgem em ouro. Há o Tribunal da Cruzada, representante da Santa Inquisição, e o Colégio Real dos Jesuítas. Região agrícola. Um terremoto em 1619 deixou a cidade em escombros. No Templo del Carmen, o mais belo da cidade, há uma custódia de 24 libras de ouro e 24 libras de prata. A capela da Igreja de Santo Domingo foi construída com a esmola de escravos negros.

• Vila Rica de Oropesa

Cidade que se desenvolve em torno da riqueza da Mina Santa Bárbara. Com 20 mil habitantes, sendo a maioria de índios e mestiços. A Igreja de Santo Domingo, recém construída, possui o altar de ouro, assim como seus adereços.

• Zaña

Fundada em 1563 em uma fértil campina junto ao rio, por muito pouco não foi a capital do vice-reino. De seu porto embarcam produtos da região. Ao norte de Trujillo, com quatorze igrejas e grande população negra que vive nos engenhos. Abundante em trigo, milho, vinhas e frutas. Comércio de açúcar e couro curtido. Pela profusão de dinheiro, há muita desordem e escândalo. Chamam a cidade de Pequena Potosí. Suas festas são famosas, e duram vários dias. O povo baila em volta de fogueiras à noite, até mesmo os negros. A população negra é tão grande que supera a de brancos e mestiços. É a única cidade onde a cultura negra ganha vulto. Porém, maior do que a preocupação com o número de negros é a presença de piratas na costa. A cidade é um alvo para lá de atraente. No momento, a cidade foi saqueada durante a noite por um navio pirata de 36 canhões, que domina a população e pede resgate para poupar vidas e propriedades. O povo, com medo, começa a migrar aos poucos para Trujillo e Lambayeque. A cidade vai, então, caindo nas mãos dos negros, que ficaram tomando conta das mansões.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:22  Comments (2)  

TERREMOTOS

Muito comuns no Vice-Reino. Já fazem parte do dia-a-dia. Igrejas totalmente destruídas, cidades arrasadas, centenas de mortes. Só as construções incaicas parecem resistir à fúria da terra.

Em 1552, um vulcão assolou Arequipa e destruiu várias plantações. Depois disso, a construção de prédios foi limitada a 6,5 metros de altura. Em 1582, a cidade virou escombros em segundos. Trinta mortos e trezentas casas destruídas.

Desde sua fundação, ocorreram oito tremores de terra em Lima. Em 1586, um forte tremor em Lima fez cair a torre da catedral, mas houve poucas mortes. O mar avançou quase 300 metros, destruindo o que encontrou. Em 1609, Lima sofreu destruição semelhante à de Arequipa. Em 1619 já havia a preocupação de evitar este tipo de dano, mas nada evitou que um terremoto arruinasse as cidades de Piúra, Chimou e Trujillo. Em 1630 aconteceu um tremor durante uma corrida de touros na Plaza de Armas, que arruinou diversos edifícios. Além da confusão do tremor, houve a confusão dos touros. Recentemente houve uma seqüência de fortes tremores em Lima.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:19  Comments (2)