CIDADES COLONIAIS

 

• Lima

A Cidade dos Reis. A cidade da eterna primavera. A mais importante cidade da Terra de Santa Cruz, fundada em 1535. Cidade artificial, distinta do resto da colônia. Maior parte de brancos castelhanos e negros escravos. Os índios são minoria; os poucos que existem permanecem em reduções, onde são encerrados ao final da tarde. Os mulatos são mais numerosos que os mestiços.

Cidade de garoa, acompanhada de neblina. As tempestades são raríssimas, acontecendo apenas uma desde a conquista. É cidade de terremotos, tendo sido destruída uma vez. Estas tragédias restauram a fé em Deus, revelando alguns milagres. Lima se assemelha a um imenso monastério misto. Dos 26 mil brancos da cidade, 15% são clérigos, frades e monges.

É em Lima que chegam as mercadorias do Velho Mundo, que são distribuídas para toda a colônia e de onde partem as riquezas. Há mais de 200 carruagens percorrendo suas ruas, guarnecidas de ouro e seda. Os nobres e muitos cidadãos simples só usam roupas de seda. Mesmo a pessoa mais humilde possui alguma jóia ou um vaso de ouro ou prata. Em Lima, sempre há procissões, touradas, desfiles, pompas fúnebres. As touradas são na Plaza de Armas e não têm muitas regras.

As mulheres da cidade são tidas como as mais prendadas, e não são livres para amar. A família é quem escolhe o marido. As moças usam saia e manta, com o objetivo de esconder o seu corpo. Os pais exercem sobre os filhos a mesma autoridade da Igreja. O filho rebelde pode ser deserdado ou terminar em um convento.

Não há quadra sem edificação castelhana. As casas são de adobe (tijolo de argila crua), mas bem construídas e com material de qualidade. A área central é bem planejada. O subúrbio cresceu mais desordenado, com ruas tortas e sem saída. Há ranchos de índios e currais de negros.

População: 26 mil brancos (castelhanos e criollos), 30 mil negros (incluindo mulatos) e 4 mil índios.

Temperatura média: 19°C/26°C no verão e 13°C/18°C no inverno.

Tianguez: mercado de Lima. Ocupa cerca de ¼ da Plaza de Armas. Negros e índios vendem todo o tipo de fruta e alimento.

Casarões de Lima: os nobres vivem como os nobres de Castela, em verdadeiros palácios com muito luxo e conforto. Há fachadas de um ou dois andares, com portais trabalhados em pedra, janelas ornadas com ferro e balcões mouriscos de madeira. Grandes pátios internos jardinados com longos corredores. Todos têm seu oratório ou capela particular. Biblioteca, saguão, escritórios e salão de jantar. A aparência externa não é das melhores devido às paredes de adobe, o terraço e a ausência de calhas, pois não precisam de defesa contra chuvas.

Muralha de Lima: após a ameaça de alguns piratas ingleses e a recente invasão de Callao por piratas franceses por quase três meses, cresce o interesse em cercar a cidade de muralhas e baluartes. Liderado por um duque, o governo está reunindo donativos. O Comércio de Lima se ofereceu para custear 3 km de muralha. Aqueles que tiverem suas terras cortadas pela muralha serão indenizados pelo Vice-Rei. A muralha deverá ter um total de 15 km e 34 baluartes estrategicamente colocados, com nove portais de saída. O custo da obra é de 400 mil pesos, devendo começar assim que os piratas forem expulsos de Callao e o dinheiro for arrecadado.

Ponte de pedra: a mais sólida arquitetura de Lima. Única ponte que cruza o rio Rímac, com 88m de comprimento, 14m de largura e 7,5 de altura. Sustentada por sólidos pilares de pedra. Próxima à Plaza de Armas.

Alameda dos Descalços: passeio colonial. Grandes lajes de pedra, jarros ornamentais e estátuas de mármore. Casarões de famílias de classe média e igrejas populares.

Aguadores: grupo de escravos libertos que cobram meio real de prata para levar água de uma fonte recém construída aos moradores.

Piletas: pequenas pias de água distribuídas pela cidade.

Ordenanças de Lima: proíbe os escravos negros de andar desacompanhados fora da casa de seu senhor e, de noite, fora de sua própria casa; de entrar nos mercados indígenas; de usar armas, sob pena severa; lavar-se ou fazer suas necessidades no rio. Proíbe qualquer um de entrar armado no Cabildo, deixando a arma na portaria. A multa para essa infração é de 60 pesos.

Igreja de Santo Domingo: custódia com 1.300 diamantes, 1.029 esmeraldas, 522 rubis, 121 pérolas grandes, 45 ametistas e 2 topázios. Coroa da Virgem do Rosário com 150 esmeraldas, 102 diamantes e 102 rubis.

Observação: no mapa da fictícia Terra de Santa Cruz, Lima corresponde a Alcazar.

• Arequipa

Era a colônia de férias dos incas. Na colônia, permanece tranquila e fiel à Metrópole. Clima seco e limpo, com mais de trezentos dias de sol por ano. Fica a 2.360m de altitude, com temperatura entre 10°C e 25°C. É um oásis entre o deserto e as montanhas, um campo verde entre o vermelho do deserto e o violeta de seus montes vulcânicos gigantescos. A cidade sofre muito com os terremotos. Após a destruição em 1582, a erupção do Huaynaputna, em 1600, cobriu ruas e tetos e afundou o teto das casas com uma chuva de cinza e areia.

Conhecida como Cidade Branca. Está situada aos pés do Misti, um enorme vulcão inativo, com seu pico coberto de neve. A maioria de suas casas é construída com sillar (pedra branca de lava vulcânica). Há um grande número de templos, monastérios e conventos. Os casarões possuem fachadas ornamentadas, com grandes pátios internos.

População: 25 mil habitantes; sendo 14 mil brancos, 4 mil mestiços, 4.500 índios e 2.500 negros (1.700 escravos e 800 livres).

Convento de Santa Catalina: feito de sillar. Seu interior forma um verdadeiro bairro, com ruelas habitadas por monjas de clausura, uma pequena praça com uma fonte, cada rua com seu nome. É proibida a entrada de estranhos.

• Cajamarca

Principal núcleo têxtil da colônia, mesma função que ocupava durante o Império do Sol. Cidade imponente, situada às margens de um antigo lago, a 2.750m de altitude. Cidade onde foi executado Atahualpa. Apesar de sua importância antes da conquista, com mais de 50 mil índios, atualmente este número caiu para 5 mil, com cerca de 200 famílias castelhanas. Sem nenhuma mina nas proximidades, se desenvolveram as estâncias e o os latifúndios.

Banhos do Inca: a 6 km da cidade, são as termas medicinais onde o Inca repousava. Os castelhanos também sabem aproveitar as propriedades de suas águas quentes.

• Callao

Principal porto da colônia, com grande importância defensiva. A cidade se encontra praticamente colada a Lima, como um bairro litorâneo. Possui 5 mil habitantes. No litoral existem algumas ilhas, sendo a mais importante a Ilha de San Lorenzo, para onde os presos são levados para cumprir sua pena trabalhando. A cidade conta com um forte e um grande presídio, mas no momento sofre com a invasão pirata. As forças vice-reais se preparam para expulsá-los, pois tal ousadia coloca em pânico a vizinha Lima, e em cheque a capacidade defensiva das colônias de Espanha.

• Cerro de Pasco

Cidade a 4.350m de altitude. Muito depois de sua fundação, foi descoberto que o subsolo da cidade é uma grande mina de prata. Sua extração é fácil, quase na superfície. Isso permitiu um desenvolvimento caótico da cidade. Onde há uma mina, é construída uma casa. Os veios abertos acabam causando inúmeros desabamentos, com muitas vítimas. Em um deles morreram 300 homens. Em todo o ano a temperatura pode alcançar menos de 8°C.

• Cusco

Capital do Império do Sol. Ainda guarda um pouco do seu grande esplendor. A cultura castelhana foi erguida sobre as construções incas. Clima frio, com média de 12°C, podendo chegar a 0°C no inverno e haver neves esparsas.             Política e culturalmente importante. Simbolicamente ainda representa muito para todos os incas. No Vale Sagrado, como é conhecida a região, há inúmeras vilas onde o passado é ainda mais evidente, e onde a cultura e a religião do Império do Sol procura sobreviver clandestinamente.

Casarões: construídos sobre bases incaicas, geralmente de dois andares. Possuem amplo pátio interno retangular, rodeado de galerias; jardins e portais de pedra trabalhada que sustentam o brasão familiar.

Catedral de Cusco: planta em forma de cruz, dez capelas, três naves, cinco portas de acesso. Construída no lugar do Quishuarcancha (palácio de Huiracocha). A Grande Custódia é toda em ouro maciço (26.277Kg), 1,20m de altura, 331 pérolas, 263 diamantes, 221 esmeraldas, 89 ametistas, 62 rubis, 43 topázios, 17 brilhantes, 5 safiras e 1 ágata. A Campana de Maria Angola, fundida em ouro e bronze, pode ser ouvida a 40 km.

Templo e Convento de La Merced: três naves, uma central e duas pequenas. Nos sótãos da igreja se guarda os restos dos conquistadores. Custódia trabalhada em ouro com duas enormes pérolas e 615 pequenas. 1.518 diamantes, esmeraldas, rubis e topázios, com 1,30m de altura e 22.200kg.

Universidade de San Ignacio de Loyola: fundada pelos jesuítas em 1622.

• Huaraz

Não tem muita importância para a colônia. Sua principal característica é a beleza do vale onde se encontra, o Vale de Huaylas, repleta de pequenas vilas indígenas. Os castelhanos transformaram a região em centro mineiro, destroçando as cidades sem muita cerimônia. Os padres da região, em defesa dos índios, se encontram em constante luta contra os corregedores sanguinários, chegando a excomungar alguns. Estes, em represália, se negam a entregar o dinheiro destinado à Igreja. Por causa do interesse nas minas, a Real Audiência não se intromete muito na questão.

• Lambayeque

Encontra-se a 12 km do mar. Lar de famílias importantes, ruas amplas, conta com 15 mil brancos. Sua principal característica é a forte presença dos negros e seu relacionamento com os brancos. E também sua rivalidade com Zaña, a cidade vizinha.

• Potosí

Mina descoberta acidentalmente por um servo indígena que, em 1545, passou a noite no alto de um monte, a 4.800m de altura. Em um ano e meio, a população da vila alcançava 14 mil habitantes. Atualmente, conta com uma população maior que a de Lima, só que com índios no lugar dos negros, chegando a 160 mil habitantes. Desde sua descoberta, Potosí produziu 180 milhões de pesos. Da mesma forma que estimula a riqueza, a cidade estimula a confusão e rebeldias políticas. Criollos brigam contra espanhóis, e estes brigam entre si. Estas disputas incendeiam bairros inteiros, além de gerar insurreições políticas, que vem sendo combatidas duramente pela Coroa. Apesar de longas, dificilmente os rebeldes conseguirão ganhar as batalhas contra os soldados do vice-reino.

• San Juan de La Frontera

Cidade de agricultura e mineração, a 2.300m de altura, em região próxima à selva. Casas de grandes pátios e amplos salões. Gente de nobreza, mas pobres, que vivem modesta e dignamente com costumes austeros. Após o sucesso de sua fundação, outras cidades foram fundadas nos limites da floresta, mas foram destruídas pela natureza, desaparecendo em meio à selva.

• San Miguel de Piúra

Fundada em fins do século XVI, próxima ao Deserto de Sechura. Cidade de eterno verão e que conta com uma área agrícola. Com menos de 5 mil habitantes. A região sofre muito com a ação de bandoleiros. Há dias em que, durante o pôr-do-sol, um forte vento desce as cordilheiras carregando consigo uma densa nuvem de areia. Quando chega na cidade, se transforma numa chuva seca que cai ruidosamente sobre o teto das casas e igrejas até altas horas da madrugada. Por isso, à noite, a cidade parece triste e melancólica, como uma cidade fantasma.

• San Pedro de Tacna

Cresceu junto com Potosí. Não chegou nem mesmo a ter uma fundação oficial. Parada obrigatória entre as minas e o porto de Arica. A região sofre muito com os terremotos, sendo muitas vilas próximas reduzidas a ruínas e reedificadas por seus habitantes. Além disso, há os piratas, que tem em Arica um alvo importante e fácil, pois de lá são embarcadas as riquezas para Callao (de onde são enviadas para a Metrópole) e fica convenientemente longe do centro da colônia. Cidade de clima frio, entre 23°C e 9°C, mas cercada pelo deserto e aos pés das mais estéreis montanhas de Nova Castela. A água é aproveitada até a última gota.

• Santiago de los Valles de Moyobamba

Foi fundada na primeira expedição castelhana à selva, a primeira construída em toda a floresta. É ponta de lança para todas as expedições que buscam descobrir seus segredos e suas riquezas. Essas expedições são essenciais para o domínio da região, assim como as bandeiras lusitanas, e já eram feitas pelos incas. Também servem para desafogar o número de aventureiros e guerreiros ociosos nas cidades. Acabam entrando em confronto com os bandeirantes na disputa de terras e riquezas. Os colonos castelhanos de Nova Castela vêem os bandeirantes como uma mescla de colonos e bandoleiros, aos quais são atribuídas as piores atrocidades – pilhagem, violação, saque, tortura, caça de escravos e assassinatos. Não muito diferente da imagem que os colonos lusitanos têm dos aventureiros castelhanos.

• Trujillo

Importante cidade litorânea, cercada por uma muralha devido à ameaça de piratas. É a única cidade murada do vice-reino até o momento. Ruas largas e bem niveladas; casas com vistosos portais, balcões e janelas; igrejas que refulgem em ouro. Há o Tribunal da Cruzada, representante da Santa Inquisição, e o Colégio Real dos Jesuítas. Região agrícola. Um terremoto em 1619 deixou a cidade em escombros. No Templo del Carmen, o mais belo da cidade, há uma custódia de 24 libras de ouro e 24 libras de prata. A capela da Igreja de Santo Domingo foi construída com a esmola de escravos negros.

• Vila Rica de Oropesa

Cidade que se desenvolve em torno da riqueza da Mina Santa Bárbara. Com 20 mil habitantes, sendo a maioria de índios e mestiços. A Igreja de Santo Domingo, recém construída, possui o altar de ouro, assim como seus adereços.

• Zaña

Fundada em 1563 em uma fértil campina junto ao rio, por muito pouco não foi a capital do vice-reino. De seu porto embarcam produtos da região. Ao norte de Trujillo, com quatorze igrejas e grande população negra que vive nos engenhos. Abundante em trigo, milho, vinhas e frutas. Comércio de açúcar e couro curtido. Pela profusão de dinheiro, há muita desordem e escândalo. Chamam a cidade de Pequena Potosí. Suas festas são famosas, e duram vários dias. O povo baila em volta de fogueiras à noite, até mesmo os negros. A população negra é tão grande que supera a de brancos e mestiços. É a única cidade onde a cultura negra ganha vulto. Porém, maior do que a preocupação com o número de negros é a presença de piratas na costa. A cidade é um alvo para lá de atraente. No momento, a cidade foi saqueada durante a noite por um navio pirata de 36 canhões, que domina a população e pede resgate para poupar vidas e propriedades. O povo, com medo, começa a migrar aos poucos para Trujillo e Lambayeque. A cidade vai, então, caindo nas mãos dos negros, que ficaram tomando conta das mansões.

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Published in: on 12 de março de 2010 at 1:22  Comments (2)