AS CORDILHEIRAS

É a área mais característica de Nova Castela. Porém, ao contrário da costa, é composta por áreas bem distintas, tanto para quem caminha da costa rumo à selva, como para quem a percorre no sentido norte-sul. Abrange uma área entre mil e quase sete mil metros de altitude. Entre as diferentes regiões, quatro são mais características: a vertente da costa ou serra, de declive acentuado, com corredeiras e perigosas gargantas; as punas, altiplanos acima dos três mil metros; as grandes montanhas, cobertas de gelo e neve, praticamente inabitada; e a vertente da selva ou selva alta, com rios caudalosos, vegetação abundante e clima mais quente, também pouco habitada.

Serra

Os vales recebem os ventos do oceano e ganham um clima temperado. Na parte mais baixa, entre os mil e dois mil metros, o clima ainda é árido e, ao contrário da costa, com pouca umidade, mas com forte nebulosidade no verão. O contraste entre o dia e a noite, o sol e a sombra, é bastante forte. A temperatura média no verão é de 6°C a 32°C, no inverno é de 2°C a 28°C. Entre os 2 mil e 3.500 metros, as temperaturas diurnas são sempre superiores a 20°C e as noturnas sempre inferiores a 10°C. O ar é seco, com menos oxigênio, onde começam os problemas do homem com a altitude. Os vales se opõem aos altos picos, com desníveis de 500 a mil metros.

Punas

Se encontram entre os 3 mil e 5 mil metros. As punas são áreas quase planas, de ondulações suaves e de extensão variável, com muitos lagos de águas frias e cristalinas, e onde os rios correm tranqüilos. As punas são cobertas de gramíneas, onde se destaca o ichu. A temperatura máxima está sempre entre 20° e 25°C, e a mínima é sempre inferior a 0°, chegando a -17°C. Acima dos 4 mil metros, o frio é rigoroso, chegando a -24°C durante a noite. Há violentas tempestades elétricas e ventos freqüentes, que provocam um ruído peculiar nas folhas de ichu. A transparência do ar é tanta que altera a percepção de distância, fazendo as coisas parecerem estar mais próximas. À noite, os charcos são congelados, e descongelam durante o dia. Ao passar uma sombra por mais de cinco minutos, a temperatura chega a cair 6°C. Acima dos 4.500m, as cordilheiras são habitadas apenas por pastores de lhamas e alpacas e por mineradores.

Grandes Montanhas

Emergindo das punas estão as grandes montanhas das cordilheiras, com picos que ultrapassam os 5 e 6 mil metros. Apresentam-se como picos isolados ou integrando cadeias de montanhas, geralmente coberto por gelo e neve perpétua. Predominam os grandes vales glaciais, marcados por vertentes abruptas e rochosas, onde a neve não tem como se fixar. Pendentes de gelo provocam desmoronamento e destruição de vilas. As avalanches de neve são bastante comuns. Outro fenômeno comum são os lagos formados por represas naturais. Às vezes a represa se rompe e a água desce montanha abaixo, provocando enchentes. As maiores geleiras alcançam de 12 a 16 km². São pouco espessas, com no máximo 50m de profundidade e várias fendas. A neve cai freqüentemente acima dos 4.200m. Abaixo disso, é transitória, derretendo pouco depois que cai. Ao sul, a maioria dos picos é de origem vulcânica, conhecidos como o Círculo de Fogo. Em Nova Castela há cerca de 500 vulcões, a grande maioria inativa. Alguns ainda lançam cinzas, mas são muito poucos os totalmente ativos. É a região com maior atividade de terremotos, que se fazem sentir por centenas de quilômetros.

Selva Alta

Além de receber influência do clima da selva, mais úmido e quente, é caracterizada pelos pongos, estreitamento do rio que atinge maior profundidade e segue com grande velocidade. Em maiores altitudes, como no Vale Sagrado, as vertentes são abruptas e de grande altura, delimitando os vales, que mais se assemelham com grandes fendas no relevo. Nestes vales é comum o represamento dos rios através de deslizamentos de terra. Com isso, são formados lagos temporários. Quando a represa se rompe, as águas descem com extrema violência arrastando tudo que há pela frente. Os pongos possuem entre 2 e 12 km de extensão, chegando a 60 m de profundidade. Há também várias corredeiras. Das margens sobressaem pontas rochosas que originam redemoinhos, dificultando a navegação e se tornando um perigoso obstáculo. Os rios são menos inclinados que os da costa, mas só se tornam seguramente navegáveis abaixo dos mil metros. Na estação das chuvas, ainda nas cordilheiras, chegam a ficar intransponíveis. Os rios são largos e fundos, variando entre 100 e 300 metros de largura. Quando chegam nos limites da selva, chegam a atingir mais de 1 km. Abaixo dos mil metros já se estende a selva, com relevos de altas colinas, que vão diminuindo à medida que se penetra mais e mais em seus mistérios. Região mais chuvosa de Nova Castela.

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Published in: on 12 de março de 2010 at 1:25  Comments (2)  

A COSTA

A costa do Vice-Reino atinge largura máxima de 170 km e mínima de 3 km, seguindo até uma altitude entre 800 e 1.000m. O litoral é pontilhado por uma série de pequenas ilhas rochosas, onde se destaca a Ilha de San Lorenzo, em Callao. De Piúra até as proximidades de Arica, há uma fossa submarina tão profunda quanto a altura das cordilheiras, com mais de 6 mil metros de profundidade.

O mar da costa é de águas bastante frias. Porém, esporadicamente, uma grande corrente de águas quentes penetra na costa, formando grandes massas de nuvens, ocasionando chuvas de pouca intensidade e duração. Já na costa norte, provoca chuvas abundantes. Esta corrente eleva o nível do mar e faz aumentar a temperatura média em 5°C, além de provocar estragos na fauna marinha.

O relevo da costa é ondulado, com colinas baixas, rochosas ou arenosas, cobertas por uma fina camada de pó avermelhado, conhecido como “verniz do deserto”. O deserto toma conta de quase toda costa, excetuando a costa de Tumbez e os vales dos rios. Destes rios, poucos são aqueles que se mantém durante todo o ano, principalmente no sul. Os rios percorrem vales compridos e estreitos através de fortes declives, só se tornando navegáveis próximos à costa. São rios formados por chuvas e pelo derretimento do gelo. Alguns rios, como o Piúra, perdem suas águas por infiltração e evaporação antes de chegar ao mar. As águas circulam por baixo da superfície, dando vida ao largo de seu leito. Os rios que não duram o ano todo são conhecidos como rios secos. Na costa central e sul há diversas lagoas litorâneas.

No litoral sul, se destaca a península de Paracas, com praias e cavernas rochosas. Abaixo de Paracas, até Arica, encontra-se a Cordilheira da Costa, uma sucessão de montes de até 1.200m, bem próxima ao litoral.

Apesar da aridez da costa e da quase ausência de chuva, é uma área de grande nebulosidade e umidade. Como a água do mar é fria, há pouca evaporação, e as nuvens não atingem uma grande altitude. Quando isso ocorre, os ventos as levam para o alto mar, onde chove intensamente.

Na costa norte, as chuvas são escassas e muito irregulares. Praticamente só chove no verão, sendo o inverno com muita nebulosidade. Na costa central, mais estreita, as nuvens baixas permanecem quase o ano todo, desaparecendo no verão. As chuvas são muito mais escassas. A garoa é a principal característica da região. As temperaturas são mais elevadas à medida que se afasta do litoral. A temperatura média varia entre 16° e 33°C no verão e 6° e 27°C no inverno.

Tumbez, ao norte, é uma área de floresta equatorial, bastante quente e irrigada. O rio Tumbez deságua no mar formando numerosos canais cobertos por quilométricos manguezais.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:24  Comments (2)  

TERREMOTOS

Muito comuns no Vice-Reino. Já fazem parte do dia-a-dia. Igrejas totalmente destruídas, cidades arrasadas, centenas de mortes. Só as construções incaicas parecem resistir à fúria da terra.

Em 1552, um vulcão assolou Arequipa e destruiu várias plantações. Depois disso, a construção de prédios foi limitada a 6,5 metros de altura. Em 1582, a cidade virou escombros em segundos. Trinta mortos e trezentas casas destruídas.

Desde sua fundação, ocorreram oito tremores de terra em Lima. Em 1586, um forte tremor em Lima fez cair a torre da catedral, mas houve poucas mortes. O mar avançou quase 300 metros, destruindo o que encontrou. Em 1609, Lima sofreu destruição semelhante à de Arequipa. Em 1619 já havia a preocupação de evitar este tipo de dano, mas nada evitou que um terremoto arruinasse as cidades de Piúra, Chimou e Trujillo. Em 1630 aconteceu um tremor durante uma corrida de touros na Plaza de Armas, que arruinou diversos edifícios. Além da confusão do tremor, houve a confusão dos touros. Recentemente houve uma seqüência de fortes tremores em Lima.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:19  Comments (2)