TAHUANTINSUYO

O Tahuantinsuyo ou Império do Sol (como chamado pelos conquistadores) no seu auge, que coincidiu com a chegada dos castelhanos, se estendeu do Equador até o sul, cessando sua expansão no confronto com os Araucos e com as tribos da selva, a leste. Sua população atingiu cerca de 10 milhões.

O Império era dividido em quatro regiões (suyo), que por sua vez eram dividas em províncias (huamani), respeitando o máximo possível as antigas fronteiras entre as diferentes culturas que o compõem. As províncias eram divididas em setores (sayo), que eram integrados por um número variável de Ayllu (comunidade). Os membros do ayllu eram donos de um determinado território (marca), dentro do qual cada chefe de família (purej) recebia um lote de terra (topu) para seu sustento e de sua família. O topu variava de acordo com a qualidade da terra e o tamanho da família. A produção era separada da seguinte forma: um terço para a subsistência e dois terços para o Estado.

O curaca era o chefe do ayllu. A capital do setor era sede dos armazéns estatais, do Templo do Sol e da Acllahuasi (para onde iam as Escolhidas ou Aclla, futuras sacerdotisas, concubinas ou esposas de aliados). O governador do sayo era o Tocricoc. O governador de toda a região (suyo) era o Apu, junto com um conselho imperial formado pelos governadores das províncias (huamani), os Suyuyoc-Apu. Este sistema era vertical e centralizado, cujo topo era o Inca, de vontade absoluta.

Ayllu

Comunidade composta de várias famílias cujos membros são de alguma forma parentes. Uma espécie de clã. São unidos por uma genealogia mítica, remontam sua origem a um ou vários antepassados remotos, sempre de origem sobrenatural, provenientes de uma caverna, lago, montanha, animal etc. Uma parte do território é de propriedade privada, os topu, e o resto é comum ao ayllu e explorada de forma coletiva. É um costume que existe desde muito antes do Império e resiste ainda durante o Vice-Reino, apesar de ter sido severamente afetado com a política das reduções indígenas.

Conquistas

Para expandir seus domínios, os incas aplicaram muitas vezes a persuasão e a diplomacia. Só quando esta era rechaçada ou em casos de nações rebeldes é que descarregavam seu poderio, causando sangrentas carnificinas. Mesmo depois de terminada a guerra, caso esta tenha sido difícil, executavam matanças.

Na tentativa diplomática, enviavam mensageiros que diziam querer tê-los como parentes e aliados. Enviavam presentes aos curacas e os tratavam com grande consideração. Os antigos chefes seguiam em seus postos ao lado de novos funcionários indicados pelo Inca. Impunham seu sistema de produção e de tributo. Não saqueavam nem arruinavam o território vencido e ainda ajudavam em seu desenvolvimento. Quando necessário, deslocavam gente da região para outra distante e substituíam por incas. Impunham seu idioma e suas crenças religiosas. Diziam que trabalhavam por mandato divino. Propagavam sua fé e ritos, erguendo nos principais centros um Templo do Sol e uma Acllahuasi. Para avisar sobre as rebeliões, além dos mensageiros (chasqui), eram acesas fogueiras no alto das montanhas. Quando o mensageiro chegava, o exército já estava reunido.

Exército

Todo adulto ou índio tributário era potencialmente um soldado, recrutado quando preciso. As lutas geralmente eram em épocas que os campos requeriam menor atividade. Havia também um núcleo de soldados permanentes. Os chefes se colocavam na primeira fila, mas, se um caísse, poderia provocar pânico na tropa e conseqüente debandada. As mulheres dos combatentes acompanhavam seus maridos nas campanhas, mas não nos combates. Fora o tamanho, era poderoso também por sua organização e disciplina.

As armas eram iguais entre as tribos da costa e das cordilheiras. Os soldados se vestiam normalmente. Os oficiais levavam uma espécie de elmo de madeira coroado com plumas. O exercício da guerra não era um ofício exclusivo aos homens, embora predominante, havendo esporadicamente na história do Império algumas mulheres de destaque. Os rebanhos de lhamas marchavam junto às tropas cerca de 20 km por dia.

A formação do exército era geralmente dividida em três partes, comandadas por dois chefes cada. Havia fundeiros (que atacam com a funda), arqueiros, portadores de macana e clava. Não faltavam instrumentos musicais como tambores, trombetas feitas de grandes caracóis marinhos e flautas. As batalhas eram em campo aberto.

Primeiro atacavam com as fundas (huaraca), arremessando pedras do tamanho de ovos ao soar das trombetas. Depois a luta corpo a corpo. A arma preferida não era o arco e flecha; os incas não o usavam por tradição, preferindo o combate direto ou a funda. Destacavam-se as macanas (porretes) e as clavas com pontas estreladas de pedra ou de metal; e os machados de combate, confeccionados com cobre, ouro ou prata.

Depois avançavam os lanceiros, com lanças pequenas de ponta de madeira ou de metal, que apoiavam sobre o braço esquerdo, que era coberto com uma grossa manta sobre a qual ajustavam a arma. Para a defesa pessoal, usavam pequenos escudos com franjas que reproduzem o emblema principal dos incas; elmo de madeira; e às vezes se protegiam com mantas de algodão acolchoadas. Em algumas regiões se pintava o rosto para aterrorizar o inimigo. Cantavam e gritavam ao atacar. Lutavam com as duas mãos.

Alguns prisioneiros eram levados a Cusco para serem humilhados nas celebrações de vitória. Alguns, o Inca pisava. Outros eram sacrificados ou reduzidos a Yana-Cuna. As mulheres eram feitas Yana-Cuna ou destinadas a concubinas. Os restos anatômicos do inimigo viravam instrumentos (a pele para tambores e ossos para flautas). O crânio se usava como cálice para beber o triunfo. Com os dentes eram feitos colares.

Colonização e Desenvolvimento

Os incas se preocupavam com o desenvolvimento dos povos conquistados e possíveis catástrofes naturais. Ensinavam técnicas de cultivo e urbanização e provia a região necessitada de recursos. Em caso de seca ou outros desastres, eram socorridos com os produtos do governo. Na falta de gado, mandavam tantas cabeças quanto necessário, e com instruções de como multiplicar o rebanho.

Estabeleciam seu culto e seus ritos em todo o Império, bem ao lado dos deuses locais, cujo culto não se proibia. A divindade do Sol era elemento central. As línguas locais também não eram proibidas, mas para os cargos públicos se dava preferência a quem falava quechua (a língua original dos incas). Geralmente, o chefe local era mantido junto com novos funcionários nomeados pelo Inca. Os obedientes eram recompensados com mulheres e objetos. Os filhos iam para Cusco aprender os costumes, língua e religião dos incas.

Grandes caminhos foram construídos, estabelecendo um gigantesco sistema viário. Pontes suspensas, túneis e escadarias lavradas nos penhascos. Por eles transitavam as tropas. De trecho em trecho havia tambos para descanso e provisões, cuja manutenção estava a cargo da população local.

Chasqui: corredores mensageiros, colocavam-se a cada 3 km nos caminhos, onde prestavam guarda contínua. Geralmente baseados nos tambos. Serviam exclusivamente aos interesses do Império.

 

Mitmac: grupos de pessoas ou famílias a quem se ordenava mudar para viver em províncias distantes. Aplicado em províncias rebeldes ou de possível rebeldia. Recebiam concessões que os liberavam provisoriamente de certos serviços. Também havia os mitmac por privilégio, incas que iam para a cidade conquistada com a missão de ajudar a estabelecer o Império.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:41  Comments (2)