SOCIEDADE INCAICA

Inca

O grande chefe, originário da família Ayar. Os súditos acatavam com submissão suas ordens. Os que o rodeavam demonstravam reverência e humildade. Era conduzido numa liteira (uma espécie de trono carregado pelos servos). Ao passar, um grupo se antecipava limpando o caminho.

Vestia o cumpi, feito de finas telas de tapeçaria, usava um tocado e um cetro imperial, o Topa Tauri. O Inca casava com uma mulher apenas, a Coya, mas lhe era permitido ter várias concubinas. Da Coya devia nascer o Inca herdeiro, mas isso nem sempre era seguido à risca. No fim, levava vantagem o mais preparado para assumir o governo. O governo era centralizado. Os filhos dos Incas eram educados para terem absoluto auto-controle, para demonstrarem uma inquebrantável impassibilidade. Todo Inca devia manter uma aura de intocabilidade. Os descendentes do Inca deviam conservar a múmia do governante falecido e preservar sua memória através de cantigas, pinturas e histórias. Saíam com as múmias às ruas durante as festas, cercadas de luxo, chegando até mesmo a manter influência política depois da morte.

Nobreza

Auto-suficiência, consciência de classe predestinada a governar. Vestem-se suntuosamente, exibem suas insígnias familiares e usam as orejeras, adornos esféricos de cana pendurados na orelha. Quando os castelhanos conquistaram o Império, chamaram os nobres incas de Orejones. Usavam cabelo curto (sinal de nobreza). A eles era permitida a poligamia.

No Império do Sol ou se nascia nobre ou campesino. Nem o casamento poderia mudar isso. Os casos eram raros, geralmente ligados a heróis e grandes feitos, na maioria militares. Os homens foram criados em classes separadas, portanto, os nobres assim o são por direito divino.

O povo acreditava que o Inca era semidivino, filho do Sol. Portanto, no Tahuantinsuyo não havia luta de classes, apenas rebeliões étnicas, ou seja, lutas entre os incas e os povos conquistados. A nobreza era dividida entre nobreza governante e nobreza sacerdotal.

Nobreza governante: composta pela família do Inca e seus descendentes, incluindo a Coya. Também mereciam certo privilégio os incas nascidos em Cusco e nas cidades próximas, compondo os cargos políticos subalternos em qualquer parte do Império. A nobreza de cada cultura assimilada ao Império era respeitada e mantida, desde que não tenham se mostrado rebeldes. E ainda aqueles que se destacaram militarmente ou em grandes obras arquitetônicas.

Nobreza sacerdotal: assegurava o poder político por meio de uma doutrina rígida e inquestionável. Responsáveis pelos altos cargos religiosos. Huillac-Omo, o sacerdote principal, deveria ser o irmão ou tio do Inca. Os demais eram responsáveis pelos templos e lugares sagrados.

Aclla ou Escolhidas

Grupo especial vinculado parcialmente à classe sacerdotal. As jovens escolhidas eram selecionadas periodicamente por funcionários nas diversas aldeias do Império. As meninas eram escolhidas pela sua beleza aos 12 anos, em sua maioria filhas de curacas. Iam para um convento (acllahuasi), onde aprendiam a tecer, cozinhar, fiar e atender outras ocupações destinadas à nobreza.   A maior parte o Inca entregava como esposa ou concubina a nobres e valorosos guerreiros, a quem também era permitida a poligamia. Também eram utilizadas em alianças políticas. Fora as filhas e irmãs do Inca, que desfrutavam de uma situação privilegiada, as demais acllas significavam para o Império força de trabalho para a fabricação de tecidos, preparação de bebidas para as festas religiosas e para cumprir com a reciprocidade, quando se necessitava de esposas para os senhores com quem o Inca desejava consagrar-se. Apenas um pequeno grupo permanecia para sempre na acllahuasi, cuja missão era instruir as noviças, administrar o convento e servir de sacerdotisas no culto ao Sol. As acllas perdiam qualquer ligação com seu lugar de origem e gozavam de um status mais elevado que a maioria do povo.

Os Honoráveis

Não eram nobres, mas possuíam uma habilidade especial. Eram os arquitetos, ceramistas, artesãos, mercadores e pequenos funcionários. Superiores aos agricultores, uma espécie de classe média. Os artesãos não podiam trocar de ofício nem servir o exército. Podiam ser autônomos ou estatais.

Mercadores: basicamente originários da costa, onde era uma profissão normal. Na serra, as famílias estavam acostumadas a satisfazer suas necessidades mediante o próprio trabalho. A existência de mercadores na costa era devido ao clima desértico, à impossibilidade de uma região produzir um determinado produto. Eles serviam de contato com os povos distantes. Havia uma casta de mercadores.

O Povo

São os camponeses. Como não havia dinheiro, o tributo era pago com trabalho, normalmente agrícola. A única recompensa era a segurança de subsistência em épocas de seca, garantida pelo tributo pago durante o ano.

Purej: chefe de família. Cultivava a terra destinada à subsistência de sua família e cultivava a parcela destinada ao Estado.

Os Pescadores

No mesmo nível dos agricultores, mas pertenciam a uma classe distinta. As praias não eram abertas, pertenciam ao ayllu. Este costume persistiu um bom tempo durante a Colônia. Não possuíam terras de cultivo, viviam em povoados à margem das aldeias e só casavam entre si. A divisão com os agricultores era acentuada. Mantinham com eles estreita relação, mas tinham seus próprios curacas. No litoral norte se usava como transporte balsas de troncos de árvores. Na costa central, os caballitos de totora. No sul, peles de lobo-marinho. Na costa ainda havia os salineiros, que tinham uma ocupação exclusiva e especializada.

Yana-Cuna

Classe hereditária de servos muito próxima à escravidão. Não podiam passar de um senhor a outro. Só o Inca podia fazê-lo. Serviam em tarefas domésticas ou cultivavam a terra de seus senhores. Acompanhavam o exército como carregadores. Não pagavam tributo e não eram incluídos nas estatísticas. Não faziam trabalho social, pois o produto era exclusivo do seu senhor. Todo integrante de um ayllu poderia, por castigo, ser reduzido a yana-cuna por vontade do Inca. Não se pode chamá-los de escravos, pois tinham categorias complexas. No final do Império, havia até curacas yana ou funcionários do Império. Enquanto os mitmac mantinham seus laços de origem, os yana perdiam toda a comunicação com seu ayllu.

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:42  Comments (2)