COSTUMES INCAICOS

Família

Os casais eram normalmente do mesmo ayllu, formados através de pacto matrimonial. O pretendente devia prestar serviços aos pais da noiva durante o servinacuy (quando o rapaz tem que se mostrar a altura do compromisso), recompensando-os com parte de seu trabalho. O servinacuy ainda persiste na colônia, mas é reprovado pela Igreja, que tenta dar um fim a este costume.

A família era monogâmica e o homem podia matar a mulher surpreendida em flagrante adultério. Ainda que timidamente, havia prostituição e liberdades especiais durante as festas. A relação com os filhos era rígida e austera, com respeito irrestrito. Os anciões mereciam o respeito dos adultos. A viúva tinha que arrastar o luto por dois anos. A separação era algo raro. A mulher preparava a comida, ajudava nos momentos de maior necessidade nas colheitas e cultivo da terra e na educação das crianças, e fiava até mesmo andando. Era considerada uma subordinada. A mãe era dispensada do trabalho até os filhos fazerem cinco anos.

Idade e Atribuições

Não se usava a idade biológica, mas sim a capacidade física e de trabalho. As crianças ajudavam em pequenas tarefas, como fazer plumagem, transportar água, caçar pássaros, colher flores e plantas. As meninas aprendiam a tecer. Os adolescentes eram aprendizes e serviam à comunidade, guardando o gado e vigiando as plantações. As jovens estavam em época de casar, e também podiam ser escolhidas para as Acllahuasi. Os jovens ajudavam os guerreiros, serviam de pastores ou mensageiros. Os homens adultos eram soldados e trabalhadores. As mulheres teciam e também faziam todo tipo de trabalho. Os mais velhos sempre procuravam ser úteis à sociedade, de acordo com sua capacidade, e recebiam amparo do governo. Os deficientes faziam pequenos trabalhos e casavam entre si para aumentar a população.

Vestuário

Vestuário masculino: simples e de confecção familiar. A roupa exterior era o unco (muito usado na colônia nos campos e montanhas), um camisão de lã sem manga que chega aos joelhos; a huara, um pano que cobre do tornozelo ao joelho; e a chuspa, uma bolsa para guardar folhas de coca e fiambre (carne preparada para se comer fria). O normal era caminhar descalço. As sandálias eram mais usada pelos nobres.

Vestuário feminino: usavam o anaco, um pano de tela retangular que envolve o corpo desde as axilas até o tornozelo, seguro na cintura por uma faixa decorativa; a lliclla, espécie de manto que cobre os ombros e as costas até os tornozelos; e o tupu, alfinete de metal com um disco ornamental que segura a manta na frente.

Os homens usavam cabelos longos com franjas e as mulheres os dividiam no meio, usando cabelos soltos ou com tranças múltiplas. Ainda havia o chuco, ornamento de cabeça que distinguia os diversos grupos étnicos.

Normas e Leis

Havia diferença entre nobreza e povo. Toda a violação de uma lei era considerada desobediência ao Inca, portanto, era sacrilégio. O castigo era severo. A maioria das normas vinha antes mesmo dos incas. Os juízes eram os curacas, os Apu e os Tocricoc. Mas havia inspetores encarregados de vigiar esses funcionários. O próprio Inca julgava certos crimes e delitos, especialmente os cometidos pela alta nobreza. As sentenças não tinham apelação e as penas eram logo aplicadas. Em alguns casos era concedido o perdão.

Não havia prisão para o homem do povo. Os nobres indiciados eram conduzidos para uma casa especial onde eram vigiados enquanto durava a investigação. A pena dos nobres era menor, pois se considerava que o nobre sofria mais com a reprovação pública do que um homem do povo.

Os crimes: mentira, vadiagem, roubo, assassinato, libertinagem. A poligamia só era permitida aos nobres. Os crimes mais graves eram aqueles cometidos contra o Inca, o Império e a Religião, como traição, desrespeito às normas de veneração, roubo nos campos do Inca, atos de sabotagem, sedução de uma aclla. A reincidência era punida com pena cada vez maior, chegando a merecer pena de morte numa terceira vez.

As punições: geralmente os réus eram açoitados. A preguiça era considerada grave e recebia muitos açoites. Depois, o furto de patrimônio imperial ou religioso, punido com pena de morte. O assassino poderia ter o atenuante no caso de legítima defesa ou de ter matado a mulher adúltera. Produzir morte por envenenamento era gravíssimo. O adultério e o estupro recebiam também a pena de morte. Nos delitos muito graves, o condenado era fechado na Samcahuasi (prisão subterrânea), onde havia feras e animais peçonhentos. As penas de morte eram executadas a golpes de macana no Huinpillay (lugar de suplícios). Também se usava o apedrejamento, o exílio e trabalhos forçados nas minas.

Hilmaya: castigo usado para os nobres. Deixar cair da altura de um metro uma pedra sobre o réu. Os que não morriam eram curados, mas praticamente todos ficavam com danos mentais ou físicos irreparáveis, até mesmo através de encantamentos.

Tormento de guerra: a pessoa era obrigada a retirar sua própria sobrancelha e pestanas.

Educação

Os costumes, as normas de conduta e o treinamento para o trabalho eram dados pela família. A nobreza recebia educação organizada, necessária para desempenhar cargos diretivos.

Amautas: eram os filósofos. Sábios e mestres, autorizados a castigar seus pupilos, aplicando açoites uma vez por dia na planta dos pés.

Harauec: eram os poetas, muito estimados por todo o Império. Tinham consigo muitos discípulos, principalmente de sangue real.

Yachay-huasi: a casa do saber, em Cusco. O ensino durava quatro anos: Quipologia, Religião, Quechua e História.

Quipu

Sistema de registro incaico através de cordas. Do cordão principal pendiam, como uma franja, barbantes de comprimentos diferentes cuja cor variava segundo a natureza dos objetos que deviam ser contabilizados. Os nós, de acordo com sua grossura e disposição, designava as unidades, dezenas, centenas e milhares. As cores também podiam designar temas, o que transforma os quipus também em registros históricos. Quipucamayoc é a pessoa habilitada para ler os quipus. Porém, cada um possui o seu próprio código, que vai sendo passado de geração a geração. Assim, cada quipucamayoc só é capaz de ler o seu próprio quipu, como se cada um falasse uma língua diferente.

Poesia e Música

Poesia era uma tradição oral, já que não havia escrita, onde predominava os temas mitológicos. Os músicos usavam tambores grandes e pequenos, antara (flauta de pan, composta por uma fila de 3 a 15 tubos de cana oca ou de cerâmica), sicu (antara grande, de duas ordens de sete tubos, chegando a um metro), pinkullo (flauta de cana ou de madeira de até 1,10m) e a quena (flauta comprida de osso ou cerâmica, de até 30cm, só tocada por homens).

Published in: on 12 de março de 2010 at 1:43  Comments (3)