ITENS MÁGICOS

Não são espadas mágicas ou amuletos enfeitiçados, mas objetos únicos, preciosos. Alguns são conhecidos por todos, podendo seu poder ser apenas conhecido por poucas pessoas. Outros se encontram desaparecidos, fazendo parte apenas das lendas. A posse de alguns destes itens pode tornar o grupo visado e na lista negra de muita gente. Alguns são tão poderosos que podem ser o objetivo final de toda uma campanha.

Fica a cargo da criatividade do mestre do jogo o paradeiro dos itens desaparecidos, mas é bom que leve em consideração as circunstâncias de seu desaparecimento.

Artefatos dos Mochicas

Lenda: no final dos tempos, quando o sol se apagar, os artefatos se rebelarão contra a humanidade que os criou, aniquilando-a.

Descrição: os mochicas viveram na mesma região que os chimus, na costa. Nos antigos templos e construções da região, na ocasião de um eclipse solar, escudos, armas e outros objetos feitos pelo homem ganharão braços e pernas. Com armas em punho, perseguem os homens.

Boleadeira de Mama Guaco

Lenda: arma que pertencia a Mama Guaco, irmã de Manco Cápac e valorosa guerreira.

Descrição: três bolas de pedra envolvidas num couro espesso e ligadas entre si por cordas de couro, sendo uma das cordas menor que as outras duas. Uma boleadeira comum faz 1d6 + 4 de dano impactante e é usada também para laçar animais. A boleadeira de Mama Guaco faz 1d6 + 8 de dano, e laça de tal maneira o animal ou a pessoa que esta não consegue se soltar. Mama Guaco morreu em Cusco, mas ninguém sabe de sua boleadeira, e nem ao menos deu importância ao seu destino. Só alguns sacerdotes do sol e nobres incas poderiam saber da existência da arma. Além disso, se alguém a encontrar, fatalmente vai precisar aprender a usá-la, pois a boleadeira só é utilizada praticamente pelos vaqueiros dos Pampas.

Custódias e Imagens Sagradas

Descrição: algumas custódias e imagens possuem um grande poder mágico e permitem a um padre usá-lo, gastando o poder da custódia ao invés do seu próprio. Mas só poderá ser feito um encanto conhecido por ele. O poder mágico das custódias e das imagens aqui descritas é de 500 pontos. Ela recupera 20 pontos de poder a cada missa. O poder destes objetos não são muito difundidos pela Igreja. As custódias são:

custódia de Santo Domingo: fica em Lima. Possui 1.300 diamantes, 1.029 esmeraldas, 522 rubis, 121 pérolas grandes, 45 ametistas e 2 topázios. Tem 1m de altura.

custódia da Catedral de Cusco: a Grande Custódia é toda em ouro maciço (26,277 kg), com 1,20 m de altura. Possui 331 pérolas, 263 diamantes, 221 esmeraldas, 89 ametistas, 62 rubis, 43 topázios, 17 brilhantes, 5 safiras e 1 ágata.

imagem da Virgem do Rosario: em Lima. A coroa da Virgem possui 150 esmeraldas, 102 diamantes e 102 rubis.

custódia de Copacabana: cidade às margens do Titicaca. Tem 62cm de altura e é feita de ouro puro.

imagem de Nossa Senhora de Copacabana: em Copacabana. A imagem é guardada num camarim sustentado por quatro colunas de prata. A coroa é de ouro e cravejada de pedras preciosas. A imagem segura um círio de ouro que ostenta um rubi na ponta. No cinto há um rubi de duas polegadas de diâmetro.

Nota ao mestre de jogo: estes são apenas alguns exemplos, baseados em objetos reais, nos quais o mestre do jogo pode se inspirar para construir outros itens mágicos do gênero. Só não se esqueça que estes objetos não são pra se colocar embaixo do braço e sair por aí. Eles estão sempre vinculados a alguma igreja ou convento, servindo a uma comunidade e só saindo de lá em situações especiais e com a autorização do responsável pelo templo.

Disco de Ouro

Lenda: ornamento de Coricancha que representa o sol. Desapareceu com a chegada dos castelhanos em Cusco. Refletia a luz do sol iluminando todo o recinto. Nunca mais foi visto.

Descrição: disco com 50 cm de diâmetro. Ao ser atingido pelos raios solares, emite uma luz purificadora que exorciza qualquer ser maligno. Após décadas desaparecido, reapareceu em Paititi.

Funda de Ayar Cachi

Lenda: arma que pertencia a Ayar Cachi, irmão de Manco Cápac. Em posse de Ayar Cachi, a arma era capaz de derrubar montes e abrir vales.

Descrição: aparenta ser uma funda comum, uma laçada de couro, mais larga no lugar onde é colocado o projétil. Uma pedra arremessada por esta funda é capaz de fazer até 5d6 de dano. Ayar Cachi foi preso dentro de uma caverna. Como não conseguiu sair, a única coisa que se sabe é que a funda não se encontrava com ele. Como o seu algoz foi transformado em pedra, ninguém soube do destino que a funda teve. E, mesmo assim, só alguns sacerdotes do sol ou nobres incas poderiam saber desta história.

Senhor de Huamantanga

Lenda: desta cidade, foi enviado um homem a Lima para adquirir uma nova imagem de Jesus crucificado. Mas, não muito depois de partir, encontra dois homens que se diziam escultores e que se comprometeram a fabricar a imagem. Colocaram como condição não serem incomodados na choça onde trabalhariam, que lhes dessem ferramentas e materiais, que os alimentos fossem colocados na porta de madrugada. O preço ficaria por conta do empregador depois que o serviço estivesse pronto.

No dia da entrega, os escultores desapareceram. O empregador entrou com alguns homens na choça e encontrou a obra terminada e os materiais e alimentos intocados. Considerado um milagre, levantaram uma capela para a imagem.

Descrição: crucifixo de 2m de altura talhado em madeira. Através dele, qualquer padre pode fazer Evocação divina. O poder gasto é o da própria imagem, mas só pode ser feito uma vez por semana. O anjo evocado permanecerá enquanto sua presença for necessária, mas só virá se a evocação for por motivos justos. Ou seja, funcionar ou não fica a critério lá de cima. A ação do anjo se limita à cidade e às proximidades.

Nota ao mestre de jogo: a imagem data de 1599, mas o mestre tem toda a liberdade para usar a lenda como parte de uma aventura.

Senhor dos Milagres

Lenda: numa casa habitada por mulatos livres em Lima, um deles pintou na parede uma imagem representando Cristo no calvário. Um terremoto reduziu a casa em escombros, mas a parede com a pintura ficou intacta. Ao seu redor, foi construída uma humilde capela. Em um novo terremoto, a única coisa que continuou a ficar de pé foi a parede. Dessa vez, foi construída uma igreja e a pintura ganhou fama e respeito.

Descrição: pintura de Cristo numa velha parede. Concede aos fiéis +10 pontos de Resistência por um dia. Mas o encanto só funciona como proteção de seres malignos e quando o fiel está imbuído de sentimentos puros. Não tem efeito cumulativo; se ele já tiver recebido os 10 pontos, não poderá ganhar mais 10 e ficar com 20.

Nota ao mestre de jogo: a pintura data de 1650. O desenvolvimento da lenda fica por conta do mestre do jogo.

Senhor dos Terremotos

Descrição: crucifixo de madeira de 1,5 m, encontrado por jesuítas nas proximidades de Cusco. Só que Cristo possui feições indígenas. Ninguém se atreve a tocar na imagem, nem mesmo para limpá-la. Tem o estranho poder de preservar a região a sua volta da violenta ação dos terremotos. Por isso é comum que seja carregado, num pedestal, em procissão pela cidade após algum tremor de terra. É guardado a céu aberto, em frente a alguma igreja.

Nota ao mestre de jogo: o surgimento da imagem fica a critério do mestre. Se ele quiser narrar o aparecimento do crucifixo e a descoberta de seus poderes, pode ser uma boa idéia de aventura.

Shansa (Cabeças Reduzidas)

Descrição: amuletos criados através de ritual pelos pajés jívaros. Trata-se da cabeça reduzida de um inimigo, que atinge o tamanho de uma laranja grande. Através do ritual, é expulsa qualquer influência maligna do inimigo e retida apenas a sua energia positiva, geralmente sua capacidade guerreira. Em posse deste amuleto, o personagem aumenta os atributos de Força, Destreza e Resistência em 2 pontos sempre que entrar em combate. A critério do mestre do jogo, este valor pode mudar, dependendo do quão bom guerreiro foi o dono da cabeça. A cabeça geralmente é usada pendurada na cintura.

O ritual costuma ser feito no próprio local da batalha, ou próximo. A cabeça do inimigo é cortada com um tacape ou machado de pedra, seja de que sexo for. A cerimônia se inicia com as cabeças sobre a areia e os guerreiros sentados em cima. Enquanto isso, o pajé masca um tabaco. Depois, agarra um guerreiro pela cabeça e sopra-lhe a fumaça nas narinas para afastar qualquer influência do pajé inimigo. Então é retirada a pele, junto com os músculos, do crânio das vítimas. Os lábios são lacrados com três palitos e os olhos escorados com estacas. Os índios acendem grandes fogueiras onde são colocados potes de barro. As cabeças são levadas envoltas em folhas de palmeira para que ninguém as toque antes da cerimônia. Uma cabeça para cada pote, que são cheios de água. Então, o pajé adiciona algumas ervas só conhecidas por ele. As cabeças são retiradas antes da água ferver para evitar o amolecimento da carne e que se queime as raízes do cabelo. Neste ponto, já se encontram com um terço do tamanho original. Os potes sagrados são jogados no rio. Colocam mais lenha na fogueira para esquentar a areia sob ela.

O pajé se afasta com os outros feiticeiros para cumprir alguns ritos necessários. Apenas os guerreiros que mais se destacaram na matança podem acompanhá-los. Após algum tempo, eles retornam com as cabeças elevadas em lanças, que são fincadas no chão. Então, todos dançam em volta delas.

A areia quente é finalmente colocada dentro da cabeça pela abertura do pescoço. Uma vez cheia, é engomada com pedras quentes. Este procedimento se repete durante dois dias até que a pele fique suave, inteira e tão forte quanto couro curtido. Então as cabeças são colocadas junto à fumaça da fogueira para protegê-las dos insetos.

Titi

Descrição: o felino de fogo, objeto de culto dos primeiros habitantes do Lago Titicaca ou Grande Lago. Exigia sacrifícios humanos anuais. Era representada por uma cabeça de puma de ouro, de 40cm de comprimento e 2cm de espessura, com dois olhos de rubi. O sacrifício proporcionava à imagem o poder de soltar raios dos olhos, fazendo 2d6 + 2 de dano (sem direito a absorção, e pode ser considerado como dano perfurante).

Esta imagem se encontra perdida a centenas de anos, e totalmente sem poder. Mas, caso seja encontrada, basta fazer um sacrifício humano dedicado a ela, e repeti-lo uma vez por ano. Mas há um porém: trata-se de um objeto muito antigo e já esquecido. Só alguns sacerdotes do Jaguar poderiam, talvez, saber de sua existência. Só o feitiço de Aura poderia revelar sua origem, mas cabe ao mestre do jogo passar essas informações de maneira criativa.

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Published in: on 12 de março de 2010 at 19:18  Comments (2)