GRAN CHACO

O Gran Chaco é uma grande planície agreste e pouco acidentada, cortada por dois rios, Bermejo e Pilcomayo. O clima apresenta grande amplitude térmica entre o dia e a noite, bem como inverno seco e verões muito quentes e chuvosos. É dividido em três setores: Boreal (ao norte do rio Pilcomayo), Central (entre os rios Pilcomayo e Bermejo) e Austral (ao sul do rio Bermejo).

A fauna é composta de animais de pequeno porte, como tatu-bola, coelho e porco-espinho, mas também há áreas com onça, veado-campeiro, anta, jacarés, tamanduás, porco-do-mato, lobo-guará e guanaco.

Chaco Austral

O Chaco Austral vai do rio Bermejo até as Salinas Grandes, perto de Córdoba. De leste a oeste, vai do rio Paraná às serras pampeanas e subandinas. Dos três setores, é o que apresenta clima mais ameno, sendo o mais ocupado pelos Castelhanos. É habitado por diversas etnias da Confederação Diaguita e por Omaguacas, a oeste; por Wichís, ao norte; Guaicurus, no centro e norte; e Guaranis a oeste.

O Impenetrável

Bosque de 40 mil km² no Chaco Austral, que se expande a partir da margem sul do rio Bermejo, entre as províncias de Tucumán e Rio da Prata. O emaranhado do bosque já garante por si só o nome do lugar. Mas há mais do que os olhos podem ver. O bosque muda de configuração à medida que se avança nele, fazendo com que os viajantes se percam e passem muitas vezes pelo mesmo lugar, andando em círculos ou saindo no mesmo lugar por onde haviam entrado. Só alguém com Comunhão com a floresta ou rolamentos sucessivos de Senso de Orientação quase impossíveis poderá atravessar o bosque sem se perder. Ainda assim, tais habilidades não ajudarão a superar os obstáculos naturais do Impenetrável, só mesmo o bom uso de um facão. Remover magia não surtirá efeito e Detectar Magia apenas revelará o problema, não a solução.

Chaco Central

É o Chaco Central que apresenta a natureza mais hostil. Terreno inundável com as chuvas, formando pântanos e lagos, o que torna difícil a passagem de cavalos e gado devido à lama. Além disso, formigueiros em profusão tornam o terreno instável, passível de quebrar a pata dos cavalos.

Região com savanas, arbustos espinhosos, alfarrobeiras e muitos insetos. Como a região é pouco propícia à agricultura, os índios vivem basicamente da caça e da pesca, e também da coleta, incluindo o mel. Para os Wichís e Guaicurus, adaptados ao meio, serve como zona de refúgio.

Os Wichís e Guaicurus não se adaptaram bem às encomiendas. De cultura guerreira, enviam espiões que já tenham contato prévio com os brancos. Atacam de manhãzinha de forma rápida e precisa, retirando-se em grupos dispersos, para dificultar a perseguição. Deslocam-se em noites enluaradas e atacam nas estações chuvosas para prejudicar o uso da pólvora. Os ataques são basicamente para roubar mantimentos e gado. Como armas, usam macana de madeira, faca de osso, arco e flecha.

As tribos acampam no interior de bosques intrincados ou à margem de lagos que possam usar como fosso natural. Ao se verem cercados, rendem-se e aceitam a redução. Então pedem uns dias para reunir a tribo e fogem.

Há entre os Castelhanos quem defenda o extermínio indígena para resolver a questão dos ataques. No início do século XVII, um novo governador de Tucumán dá início a uma estratégia ofensiva e defensiva bastante rígida que faz o cenário mudar a favor dos colonos: controle sobre os índios nas cidades e encomiendas, pressão sobre os encomenderos para seguir as ordens do governo, homens fortes e de confiança nos cabildos, repressão dura e indistinta aos índios rebeldes e missões com fortes para vigiar os índios reduzidos. Consegue assim uma paz de 20 anos, o tempo de duração de seu governo. Com sua morte, voltam os ataques. Ocorre, então, forte migração para as cidades ao sul, como Santiago del Estero, Santiago de Nova Extremadura, Santa Maria de los Buenos Aires.

Há pouco apoio militar do governo da província, tendo os colonos que se virar com aliados indígenas, além dos mestiços, para conter os ataques. O uso da diplomacia, com vantagens oferecidas às tribos que se mantiverem amistosas, chega a trazer bons resultados para incrementar a linha de defesa, mas nada que garanta uma paz sólida. Devido à precariedade dos tratados de paz, a nova estratégia passa a ser avançar a linha de fronteira através da construção de fortes.

Chaco Boreal

O Chaco Boreal tem pouca presença de homens brancos, salvo as missões jesuíticas e as vilas formadas a partir da fundação de Santa Cruz de la Sierra. Vai do rio Pilcomayo até o início da área de transição para a selva. De leste a oeste, vai do Pantanal até os contrafortes andinos. Entre os índios, predominam a tribo guarani dos Avá, os Chiquitanos, em torno dos quais foram erguidas as missões, e duas tribos aruaques, os Chanés e os Moxos.

Em 1561 foi fundada Santa Cruz de la Sierra, por um grupo vindo de Assunção. Devido a dificuldades com os índios, a população abandonou a vila rumo oeste, onde fundaram San Lorenzo Real de la Frontera, por determinação da Real Audiência de Charcas. Mais tarde, a cidade volta a se chamar Santa Cruz de la Sierra.

Parte da população havia ficado no meio do caminho, no povoado de Cotoca, perto do rio Guapay, onde se estabeleceram os Jesuítas para dar início às missões da região. Essas missões têm predominância dos índios Chiquitanos. Mesmo quando outras tribos são trazidas para as reduções, o idioma Bésiro, falado pelos Chiquitanos, é estabelecido como idioma comum.

A primeira missão jesuítica na região é fundada em 1691, seguida de outras três ao longo da década. No século XVIII, até a expulsão dos Jesuítas, são erguidas mais sete, sendo que uma é abandonada em poucos anos, após o ataque de uma tribo chiquitana que mata o padre da missão.

Essa região do Chaco Boreal ocupada pelos Castelhanos não pertence à Província do Guayrá nem a Tucumán, mas à Província de Santa Cruz de la Sierra.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 2:33  Deixe um comentário