ILHAS SEBALDINAS

Essas ilhas do Atlântico, cerca de 550 km a és-nordeste da Terra do Fogo, receberam visitas de índios daquele arquipélago, mas que não se fixaram no local. No século XVI, recebeu visitas de Castelhanos e Britânicos. Um dos navios que acompanhavam o bispo Plasencia Carvajal, após uma tempestade no estreito da Terra do Fogo, acabou ancorando no arquipélago, onde permaneceu por quatro meses até terminarem os reparos. Mas a primeira visita documentada foi a do capitão holandês Sebald de Weert, em 1600, que acabou dando o nome ao arquipélago de Sebaldinas aos mapas da época. Entretanto, a ilha permanece desabitada no século XVII, apesar de sucessivas visitas de Castelhanos, Britânicos, Holandeses e Franceses.

No século XVIII, os Franceses tentam ocupá-la, fundando Port Saint-Louis, com 115 colonos. Dois anos depois, a Coroa francesa aceita os protestos dos Castelhanos e evacua a vila mediante indenização. Os Castelhanos transformam a vila em Nossa Senhora de La Soledad, sede do governo.

Na mesma época, em outra ilha do arquipélago, os Britânicos fundam Port Egmont. Após sucessivos conflitos, eles se retiram, mas sem abrir mão dos direito à ilha.

Em 1780, o então Vice-Rei do Rio da Prata manda destruir de vez a cidade britânica e constrói um presídio. Um acordo assinado em 1790 obriga os Britânicos a reconhecerem a posse castelhana. Os Castelhanos adotam o nome francês para as ilhas, Malouines, que vira Malvinas.

Geografia e Fauna

O arquipélago é formado por mais de 200 ilhas, das quais se destacam a Gran Malvina (ocidental) e La Soledad (oriental). Composto por terrenos rochosos cobertos de pasto e musgo, suavemente montanhoso, com penhascos e planícies onduladas, repletos de charcos ricos em turfas, e antigos glaciais que formam rios de pedra. A neve é rara e não se acumula, mas pode nevar por 10 meses. Os ventos são frequentes, particularmente no inverno, e chove em mais da metade do ano.

O arquipélago abriga muitos mamíferos e aves marinhos. O único animal original das ilhas é a Raposa das Malvinas (um tipo e Lobo-Guará), com 90 cm de comprimento, pelo castanho e cauda acinzentada. Vive em bandos e é dócil com os humanos, mas terrível com o gado.

O Inquilino

Quando os brancos botaram os pés nas ilhas, não encontraram nenhuma tribo nativa, nem sinais de ocupação, exceto por duas canoas abandonadas em uma praia, já muito deterioradas. Muitos anos antes, um poderoso feiticeiro Selknam foi condenado ao exílio e levado à ilha.

O feiticeiro havia sido um grande Kon (xamã) que teve um papel fundamental em um conflito entre os Selknam e os Yámanas em um período de inverno muito rigoroso, onde a alimentação tornou-se perigosamente escassa. Com o passar do tempo, no entanto, começou a se considerar o próprio Deus dos Onas, e não apenas um mediador entre os grandes espíritos e a tribo. Enlouquecido, mas de enorme poder, era impossível contê-lo por muito tempo. Porém, devido aos seus feitos em benefício da tribo, foi considerado tabu matá-lo. Com a ajuda dos Yacamouch (feiticeiros), os Selknam conseguiram colocá-lo para dormir, enfiaram-no em uma canoa e o levaram até uma distante ilha deserta (Gran Malvina). O feiticeiro nunca mais foi visto, assim como os bravos guerreiros que o levaram.

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Published in: on 22 de setembro de 2016 at 2:01  Deixe um comentário