CHARRUAS

Os Charruas não são nada pacíficos. Eles descendem tanto dos patagões setentrionais quanto dos guaicurus, o que pode ser percebido por sua compleição física, embora não tão altos quanto as outras tribos patagônicas. Apesar dessa origem, receberam bastante influência cultural dos Guaranis, particularmente de uma pequena tribo de guaranis canoeiros, os Chandules, que chegou até o rio da Prata. Esta tribo desapareceu já no final do século XVI. A relação com os Guaranis em geral é de muita troca e rivalidade. O idioma é próprio.

Os Charruas ocupam toda a costa sul da Cisplatina e ambas as margens do baixo Uruguay, chegando até a margem ocidental do rio Paraná. Subindo os dois rios, podem ser encontrados até os arredores de Santa Fé.

Ao contrário dos Guaranis, não praticam a antropofagia, mas, devido à presença constante de Guaranis ao sul do rio Uruguay, alguns incidentes nesse sentido envolvendo guaranis acabaram sendo creditados pelos colonos aos Charruas.

Possuem uma organização social forte, baseada na autoridade do cacique. Mesmo sendo este de linhagem, é necessária a aceitação da tribo para consolidar a sua autoridade. Em caso de guerra, é escolhido um Cacique Geral, auxiliado por um Conselho.

Nas guerras, os Charruas não fazem prisioneiros por muito tempo. Eles acreditam que todo guerreiro merece morrer em batalha. Assim, é dada ao prisioneiro a honra de morrer lutando, ainda que não lhe seja dada chance alguma de salvação. O guerreiro charrua faz cicatrizes em seu próprio corpo para contabilizar os inimigos abatidos. Quanto às mulheres e filhos dos inimigos, estes são resgatados e incorporados à tribo.

Eles usam azagaias, tacapes, flechas, fundas e boleadeiras, antigamente usadas para caçar os ñandus (emas), mas que acaba sendo mais úteis para derrubar os cavalos dos Castelhanos. Os arcos são simples e curtos. Os arqueiros constituem uma força especializada, treinada desde cedo, incorporando a seu treinamento o tiro sobre cavalo.

A filiação é poligâmica, seguindo a linhagem paterna. A mulher pode trocar de marido se assim o desejar, mas não lhe é permitido ter mais de um marido ao mesmo tempo, pelo menos oficialmente.

Nômades caçadores e coletores, os Charruas rapidamente dominaram a arte equestre e adotaram a criação de gado, mas sem abandonar o nomadismo. E ainda são excelentes pescadores e nadadores

As habitações são um tanto primitivas, com esteiras quadradas esticadas, muitas vezes sem teto, com as choças funcionando como para ventos. Usam muito couro e pele de animais silvestres nas vestimentas, e pinturas faciais para diferenciar as tribos. Seus utensílios são feito de couro e de uma cerâmica tosca, sem maior preocupação estética ou de acabamento.

Os Charruas e os Castelhanos

Os problemas com os colonos começaram logo na expedição de Gaboto. Em pouco tempo os Charruas, inicialmente amistosos, irritaram-se com a atitude e as ações dos Castelhanos e decidiram tratá-los como inimigos.

Em 1552, próximo a onde Colônia do Sacramento é posteriormente erguida, os espanhóis fundaram a Vila de San Juan, que é destruída pelos Charruas no ano seguinte. Em 1574, um pouco mais ao norte, fundaram a cidade Zarantina del San Salvador, completamente destruída três anos depois.

Os Franciscanos tentam, sem sucesso, colocá-los em uma missão. Os Jesuítas sequer se dão ao trabalho, considerando-os selvagens incorrigíveis.

Em 1702, na Batalha Del Yi, os Charruas enfrentam um exército de dois mil guaranis oriundos das missões, sob o comando dos Castelhanos. Saldo de 300 mortos e 500 prisioneiros conduzidos às reduções próximas a Santa Maria de los Buenos Aires, para onde, poucas décadas antes, foram levados os Quilmes. Duzentos charruas são mortos à traição, degolados.

Posteriormente, ocorre novo confronto contra um exército de quatro mil guaranis, com final semelhante. Os Castelhanos lideram seguidas campanhas de extermínio dos Charruas, promovendo uma guerra sistemática em meados do século XVIII.

MAGIA E RELIGIÃO

Apesar de sua ancestralidade, a relação dos Charruas com o mundo espiritual é mais semelhante a dos Guaranis, tanto no distanciamento quanto no uso da erva-mate exclusivamente como bebida ritual.

Assim como os Guaranis e Chiquitanos, possuem um interesse mais direcionado ao pós-morte. Seus mortos são todos, indistintamente, enterrados em cova rasa no alto do morro. Esses locais de repouso se assemelham a cemitérios, sendo cercado por pedras. Se o morto for um guerreiro, sua lança é fincada ao lado da sepultura, e a boleadeira deixada sobre o monte de terra.

O luto é rigoroso. Quando o morto é o chefe da família, seja ele um pai, marido ou irmão, os filhos, viúvas e irmãs casadas cortam uma falange da mão e, com a lança dele, provocam cortes pelo corpo. Segue-se, então, a reclusão com dieta restrita. Os maridos não fazem luto pelas mulheres, nem os pais pelos seus filhos.

PERSONAGENS CHARRUAS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas. Não são obrigatórias, mas convém adquirir as habilidades Montar animais e Nadar.

Os xamãs charruas seguem as mesmas regras do Pajé, com quase a mesma lista de feitiços e habilidades.

Lista de Habilidade: Conhecimento da mata; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Todas.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Andar sobre as águas; Barreira astral; Camuflagem; Chamado; Comunhão com a floresta; Comunicar-se com animais; Conjurar animais; Controlar animais; Controlar água; Controlar plantas; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Dardos de pedra; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Levitar; Metamorfose; Olhos D’Água; Ouvir o vento; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Viagem astral; Visão astral.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 17:08  Deixe um comentário