OS CHIQUITANOS

Os Chiquitanos habitam o norte do Chaco Boreal, do rio Paraguay aos contrafortes andinos. São formados por 23 subgrupos que falam o idioma Bésiro, que possui quatro dialetos distintos.

Em termos gerais, sua agricultura é de subsistência. Plantam mandioca, milho, amendoim e tabaco, que alternam com períodos de caça e pesca.  Criam porcos e galinhas, fazem tatuagens e pinturas corporais, utilizam ornamentos de prata no beiço e bebem chicha. Quando não há água permanente, constroem represas para abastecer as aldeias. As casas possuem portas baixas para se protegerem do clima e das feras. As aldeias são protegidas por paliçadas e espinhos.

Os Chiquitanos empurraram os Bororos para a Grande Floresta, disputando o resto do Chaco Boreal com os Avá, que haviam conquistado e escravizado as tribos Aruaques. Tão belicosos quanto os Avá, guerreavam para obter prisioneiros. Os cativos eram bem tratados e podiam até ser incorporados à tribo. Eventualmente, podiam ser trocados por adornos de metal com os Chanés, uma das tribos Aruaques.

Caracterizam-se pelo uso de flechas envenenadas, cujo veneno, bastante mortal, é tirado da árvore oboxo, manipulado apenas pelos xamãs.

A Chegada dos Colonizadores

Com a chegada dos bandeirantes pelo leste e dos Castelhanos pelo oeste, os Chiquitanos se viram em duas frentes de batalha, além dos inimigos tradicionais, os Avá, que a essa altura também tinham as mesmas preocupações.

Para reprimir os ataques a Santa Cruz de La Sierra, os Castelhanos passam a realizar ataques frequentes, o que leva os Chiquitanos, abatidos também com constantes epidemias, a aceitarem as missões. A ocupação do Chaco pelos Jesuítas desagrada ao povo da colônia, que nutre interesses comerciais na região, de forma que as missões são usadas pelos índios como proteção contra os colonos.

As missões chiquitanas são tão bem sucedidas quanto as missões guaraníticas. E, como as do sul, tornam-se fundamentais para impedir o avanço da fronteira lusitana, na luta contra os bandeirantes. Essa aliança acaba ajudando na redução de outras tribos e também no confronto com os Avá. A inimizade entre as duas etnias vinha desde a época do Império do Sol. Mesmo com essa rivalidade, antes das missões se estabelecerem, os Avá compram flechas envenenadas com os Chiquitanos, mas estas perdem o efeito com o tempo, causando poucas baixas entre os colonizadores.

Para a preocupação dos Jesuítas, os Chiquitanos assimilam bem demais os conceitos pacíficos do Cristianismo e começam a abdicar da luta, o que passa a ser desencorajado pelos padres. Os Jesuítas conseguem reverter essa tendência a tempo, pois os Avá atacam as missões no início do século XVIII. Sem o empenho dos Chiquitanos em sua defesa, haveria um massacre.

Magia e Religião

Assim como os Guaranis, os Chiquitanos não possuem nenhum tipo de culto. Os espíritos e senhores das coisas da natureza são denominados Hichi.

O Iriabo exerce a dupla função de xamã e cacique.

Mapono é o espírito que acompanha a alma dos mortos pelos caminhos do plano astral até chegar ao reino dos mortos.

Tatusiso, de semblante pálido, cara feia e corpo coberto por chagas, guarda o caminho que dá acesso ao reino dos mortos. Ele pode impedir o trajeto de Mapono e exigir a limpeza da alma do morto, caso considere que este não esteja ainda apto a entrar no reino, o que geralmente significa a realização de um conjunto de tarefas.

PERSONAGENS CHIQUITANOS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas, mas com um diferencial importante. Um chiquitano não precisa adquirir nenhuma habilidade relacionada a manuseio ou extração de veneno. Considere-se como uma habilidade inata de qualquer chiquitano que tenha crescido em seu meio cultural de origem. Entretanto, isso não o isenta de fazer o teste de habilidade, que não será bem sucedido apenas na eventualidade de uma Falha.

Iriabo

O Iriabo exerce as funções do xamã e do cacique, geralmente escolhido por se destacar nas guerras. Seu poder como cacique é restrito às guerras e às saídas para caçar e pescar. Como chefe guerreiro, é assistido por um conselho de anciões. Entre os chiquitanos reduzidos, os Iriabos exercem apenas a função de cacique.

Os Iriabos seguem as mesmas regras do Pajé, com as mesmas listas de feitiços e habilidades.

Lista de Habilidade: Conhecimento da mata; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Andar sobre as águas; Barreira astral; Camuflagem; Chamado; Comunhão com a floresta; Comunicar-se com animais; Conjurar animais; Controlar animais; Controlar água; Controlar plantas; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Dardos de pedra; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Invocar tempestade; Levitar; Metamorfose; Olhos D’Água; Pacificar; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Viagem astral; Visão astral.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 18:46  Deixe um comentário