CONFEDERAÇÃO DIAGUITA

Diaguitas foi como os Incas designaram um conjunto de tribos que habitavam as serras ao sul do Império do Sol e que falavam uma mesma língua, o Cacán. Trata-se de uma cultura antiga, do século IX, que habitava povoados bem organizados e ricos, e trabalhava os metais e a cerâmica com maestria. Apesar da resistência, foram submetidos aos Incas entre 1471 e 1533. Incorporaram, assim, o modo de vida e costumes incaicos. Construíram caminhos, tambos, pontes e templos. Aderiram à agricultura e à fabricação de tecidos. As casas eram de pedra com teto de palha.

Antes da invasão incaica, os Diaguitas viviam em pequenas aldeias independentes uma das outras. Cada qual tinha seu chefe. A preferência era pela sucessão hereditária, mas o filho deveria provar seu valor junto a seus pares. O chefe tinha várias mulheres, mas o resto da tribo era monogâmico. Com a chegada dos Incas, os vales foram divididos em setores e cada setor ficou submetido a um Curaca designado. Os setores eram compostos por grupos de habitações que se comunicavam entre si, com portas estreitas para a saída.

O chefe diaguita organizava todo o trabalho. Parte da colheita era guardada em depósitos comunitários, como no Império do Sol. Cultivavam milho, quinoa, kiwicha, pimenta, feijão, algodão e batata. Comiam uma torta de farinha chamada patay e bebiam aloja, uma bebida fermentada com base no fruto de algarrobo. Criavam lhamas, alpacas e tarucas. Os diaguitas da costa usavam pele de lobo marinho para confeccionar seus barcos de pesca.

No Império do Sol

Com os Incas, a religião se transformou em um sincretismo entre as antigas crenças e o culto ao sol, assim como a incorporação de vários mitos e deidades do Império do Sol. Os antepassados eram homenageados com menires. Os corpos eram colocados em espaços retangulares protegidos por cinco pedras, às vezes acompanhados por lhamas ou guanacos sacrificados, bem como de seus pertences.  Ao contrário da classe sacerdotal incaica, eles tinham apenas um xamã para cuidar de toda a parte espiritual.

Entre a cordilheira e o oceano Pacífico, os Diaguitas se espalharam pelos vales do Copiapó, Huasco, Elqui, Limari e Choapa, tornando-se vizinhos dos Picunches ao sul e dos Atacameños ao norte. Estes Diaguitas formaram uma aliança forte com os Incas e ganharam um papel de destaque no Collasuyo (região sul) do Império do Sol. Assim, tornaram-se o grupo nativo mais avançado do sul do continente.

A chegada dos Castelhanos

Quando os Castelhanos chegaram, os Diaguitas optaram por resistir. Os conflitos duram de 1560 a 1667. Nem todas as tribos participam das rebeliões, podendo estas permanecer em seu território original. As demais são obrigadas a se refugiar nos vales Calchaquis ou no Chaco Central.

Esse grupo de tribos é chamado pelos Castelhanos de Confederação Diaguita. Na parte oriental da cordilheira, entre os mais conhecidos estão os Calchaquis, Quilmes, Olongastas, Capayanes e Yacampis. Do lado ocidental estão os Copiapós, Huascos e Chilis. Quando os Castelhanos chegaram ao vale do Copiapó, os Diaguitas do oeste já haviam adotado o idioma mapuche. Até o final do século XVII, o Cacán havia desaparecido por completo na região.

Com a chegada dos Castelhanos, a população diaguita caiu de 30 mil para menos de 2 mil índios em apenas um século.

Os Vales Calchaquis

Sistema de vales montanhosos nas serras a oeste da Província de Tucumán, subindo a cordilheira no ponto em que abriga as montanhas mais altas. Os vales são muito estreitos e formam as quebradas.

AS PRINCIPAIS TRIBOS

Calchaquis

Habitam as áreas próximas a Salta, San Fernando de Catamarca, Santiago del Estero e San Miguel de Tucumán. São os protagonistas da primeira guerra calchaqui. Ganharam esse nome dos colonizadores devido ao líder da rebelião, Juan Calchaqui.

Moram em casas de pedra, como os Incas. Combatem com arco e flecha. Defendem-se com fortalezas chamadas púcaras, construídas em pontos quase inacessíveis da serra. Cultivam milho em andenes; obtêm lã e carne das lhamas, guanacos, vicunhas e tarucas; fabricam utensílios de cerâmica e trabalham o cobre e a prata. Fazem pictografia.

A autoridade do cacique é absoluta, e chegam ao poder por hereditariedade. A morte para um cacique é melhor do que a perda de autoridade.

Prestam culto ao Sol. As cerimônias de enterro duram oito dias e queimam a casa para evitar a volta do morto. Para eles, toda morte é violenta, portanto, provocada.

Quilmes

Procedentes do oeste, do outro lado das cordilheiras, refugiaram-se nos vales calchaquis fugindo da expansão do Império do Sol e confundindo-se com os Calchaquis. As mulheres preferem se jogar no abismo com seus filhos a se submeterem aos conquistadores. Participam intensamente da primeira e da terceira guerra calchaqui, quando tiveram que marchar 1.200 km até as reduções nas cercanias de Santa Maria de los Buenos Ayres, tornando-se praticamente extintos.

Capayanes

Habitam o norte da província de Cuyo e parte da serra pampeana, próximo a La Rioja e San Fernando de Catamarca. Tecem lãs de lhama e guanaco, trabalham o cobre e o ouro e constroem canais de irrigação. Bons agricultores. Moram em casas de adobe e barro, ás vezes usando uma grande árvore como teto. Participam da segunda guerra calchaqui. São extintos ao final do século XVIII.

Yacampis

Habitam a mesma região que os Capayanes, entre Cuyo e La Rioja. Participam da segunda guerra calchaqui. Vivem da criação de lhama e da agricultura. São utilizados como criadores de gado nas estâncias coloniais. Desapareceram após as guerras calchaquis.

Olongastas

Habitam a região entre La Rioja e Córdoba e os limites da província de Cuyo. Vivem basicamente nas grandes salinas da região. Tribo relativamente pequena, desde cedo sofre processo de dispersão étnica. Participam da segunda guerra calchaqui, sendo extintos no final do século XVIII.

OMAGUACAS

Não são Diaguitas, mas com sua participação nas guerras, acabam sendo confundidos com eles. Habitam a Quebrada de Humahuaca e a região de San Salvador de Jujuy. Receberam muita influência do Império do Sol, sendo dedicados à cultura do milho, à fabricação de tecidos e à cerâmica. Fundem o bronze para fazer armas e utensílios. Domesticam as lhamas e vivem em casas no estilo incaico. Assim como os Diaguitas, são formados por uma confederação de diversas pequenas tribos. Protagonizam a rebelião de 1594, liderados pelo cacique Viltipoco.

PERSONAGENS DIAGUITAS E OMAGUACAS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos índios andinos. Os feiticeiros seguem a regra para Feiticeiros Indígenas. Os líderes espirituais seguem a lista de encantos do Sacerdote do Sol, mas sem os encantos Luz Solar, Olhos D’Água e Pururauca.

Lista de Encantos: Adivinhação; Aura; Barreira astral; Chama solar; Controlar animais; Criar nevoeiro; Cura; Desviar ataques; Detectar magia; Espada astral; Exorcismo; Levitar; Metamorfose Divina; Percepção de inimigos; Percepção de Magia; Raízes; Relâmpago; Remover magia; Viagem astral; Visão astral; Ventania; Vigor.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 17:47  Deixe um comentário