OUTRAS MISSÕES

Missões de Chiloé

A atividade missioneira nas ilhas dos Chonos teve sucesso relativo. A experiência ajudou a Companhia de Jesus a perceber a ação limitada das missões itinerantes, passando a adotar assentamentos permanentes.

Missões da Patagônia

Com os Hets, nos pampas, os padres pedem ajuda ao governador para reprimir a insolência dos índios, enviando-os à capital da província para realizar trabalhos forçados. O governador ainda garante que os punirá se não houver arrependimento e submissão.

Os Hets têm uma postura bem diversa dos Guaranis. Eles esperam o missionário ir buscá-los em casa para ir à catequese.

As missões pampeanas junto aos Hets, um conjunto de três vilas, não vão pra frente, sendo aniquiladas pelos Mapuches em poucos anos.

As missões erguidas na região do lago Nahuel Huapi, junto às cordilheiras, também têm vida curta (ainda que não tão curta quanto às dos Hets), apesar do empenho dos padres, o que só fez aumentar o número de padres.

Missões do Chaco

No Chaco Austral foram estabelecidas algumas reduções de índios Guaicurus, algumas fundadas pelo padre Roque Gonzalez, antes mesmo de ser fundada a missão de San Ignacio Guazú em 1609. Contudo, as reduções dos Guaicurus tiveram início nada promissor, conseguindo se estabelecer apenas no século XVIII.

Na Província de Tucumán, as missões abrangem diferentes tribos e não formam um estado paralelo, como ocorre nos rios Paraná e Uruguay. Apesar da concorrência com as encomiendas, são toleradas por estarem atreladas às necessidades das cidades, contribuindo para a pacificação da região.

Padre Pedro Romero fundou várias missões no Chaco e em Tapé, sendo Padre Superior das missões do Paraná e Uruguay. Nesta qualidade, liderou os Guaranis na batalha de Mbororé. Acabou sendo morto em um ataque de Guaicurus ao tentar iniciar o projeto missioneiro no Chaco Boreal, em 1645. Os índios da região veem os padres como espiões do exército castelhano e os xamãs exploram essa suspeita.

No final do século XVII, os padres de Assunção sugerem ao Conselho das Índias uma guerra aberta contra os índios do Chaco como forma de pacificação. Os índios sofrem muitas derrotas por causa de um prisioneiro castelhano que cresceu entre os Guaicurus e se tornou um chefe guerreiro. Ferido e capturado pelas tropas coloniais, tornou-se um guia eficaz contra os índios.

Na última década da presença jesuítica na colônia, os Jesuítas logram erguer missões entre os Guaicurus ao norte de Assunção, subindo o rio Paraguay. Mas só as crianças vão à missa.

De todas as tribos do Chaco, os Calchaquis, entre os Diaguitas, são os mais arredios, recusando com repugnância as coisas da salvação.

Missões Chiquitanas

As missões jesuíticas do Chaco Boreal começam em 1691, formando um total de 11 missões até a expulsão dos Jesuítas. Ao contrário das missões do sul, os Guaranis da região, os Avá, são os inimigos. Os índios que servem de base à atividade missioneira são os Chiquitanos. Seu idioma, o Bésiro, é adotado como língua oficial das missões, mesmo com a chegada posterior de outras etnias. Apenas uma das reduções é atacada e destruída por uma tribo de Chiquitanos. Todas as outras prosperaram.

Os Chiquitanos são agricultores, o que contribui para o processo de redução. Adaptam-se com gosto ao machado de ferro e aos bois. Enquanto os nômades do Chaco pilham o gado castelhano, os Chiquitanos abraçam a revolução econômica.  Os colonos acreditavam poder conquistar uma mão de obra numerosa para suas plantações, mas esbarraram na resistência dos Jesuítas.

Os Chiquitanos têm o hábito de organizar anualmente expedições contra os vizinhos, arrebanhando escravos que ganham a liberdade após adotar o cristianismo.

Em um determinado momento, os Chiquitanos incorporam bem demais o discurso pacifista de sua nova religião, tornando-se presas fáceis nos confrontos com os Avá. Os padres são obrigados a readequar seu discurso de forma a preservar o espírito guerreiro dos Chiquitanos, ao menos no que diz respeito à autodefesa. Essa mudança é essencial para barrar os ataques dos Avá em 1726 e, posteriormente, dos bandeirantes.

Assim como os Guaranis no sul, usados nos confrontos contra os Charruas, os Chiquitanos e suas flechas envenenadas são utilizados para conter o ímpeto guerreiro dos Avá. Em ambos os casos, as missões servem também como obstáculo para o avanço da fronteira lusitana.

As reduções junto aos Moxos, tribo de Aruaques que vivem a sudoeste, são incorporadas ao conjunto das missões chiquitanas. Esse conjunto, e apenas ele, atinge o mesmo desempenho das missões guaraníticas.

Missões Franciscanas

A Ordem de São Francisco também administra missões na Terra de Santa Cruz, mas a Ordem é mais ativa no norte do continente, incluindo Nova Castela. Nas missões do sul, destaca-se um conjunto de reduções próximas a Assunção e outras no Chaco Austral. Entretanto, funcionam basicamente como vilas satélites das cidades coloniais.

Missões Mercedárias

Os Mercedários chegaram ao rio da Prata em 1536, participando da fundação de Assunção. Quando os Jesuítas são expulsos, herdam dez missões na região.

Chegaram a Tucumán em 1557 e estabeleceram missões em Santiago del Estero e nas cidades do norte da província.

Os Mercedários chegaram junto com Pedro de Valdívia a Nova Extremadura, estabelecendo missões no vale central, no norte da capitania e na região dos lagos, incluindo Nahuel Huapi. Com a revolta dos Mapuches, tiveram que abandonar as missões do sul e acabaram perdendo terreno para a Companhia de Jesus.

Assim como as missões franciscanas, as missões mercedárias no sul seguem a política dos governadores. A Ordem se encontra mais fortemente presente em Nova Castela.

Published in: on 21 de setembro de 2016 at 18:02  Deixe um comentário