Colônia do Sacramento na Terra de Santa Cruz

Segue abaixo a descrição da minha Colônia do Sacramento, como utilizei os dados históricos em minha aventura, apresentando também os principais NPCs da cidade.

O mestre poderá usá-la ou mudá-la, lançando mão de outras informações do resumo histórico. Ou simplesmente ignorá-la e criar sua Colônia do Sacramento do zero, ou seguir estritamente o exposto no resumo histórico.

Considerando que a Terra de Santa Cruz (seja a América do Sul ou o mapa ficcional do jogo) não segue rigorosamente a cronologia e os eventos históricos, o mestre pode mesclar os elementos aqui apresentados, adiando uns, antecipando outros.

Não estipulei nenhuma data, mas me inspirei prioritariamente no período entre 1715 a 1761, pouco antes de um cerco espanhol. Considerei a vila de Rio Grande São Pedro já fundada (1737), utilizei o momento da tomada de Montevideo pelos espanhóis (1726), o cerco espanhol a partir de Real de San Carlos (1761), o boom do comércio de negros escravos (1740), a expansão agrícola e pecuária do entorno (1715-1735) e o mapa da cidade de 1731.

Tanto a Colônia do Sacramento histórica quanto a do mapa da Terra de Santa Cruz, estão localizada na margem oriental do rio da Prata, a diferença mais relevante está do outro lado do rio. Na versão histórica, do lado oposto está Buenos Aires (Santa Maria del Buen Ayre). Na versão fantasiosa, o equivalente a Buenos Aires é a Vila de Santa Fé, mais ao sul, na barra de outro rio. Entretanto, o mestre pode considerar que há uma outra vila na margem oposta a Colônia. Na mesma linha, no mapa do livro Santiago seria Santiago del Estero, e a indicação de uma cidade sem nome, na mesma latitude de Colônia do Sacramento, seria Córdoba. Do lado lusitano, Vila Mirim seria um amálgama de Laguna e Rio Grande; Vila São Lourenço e Vila da Cachoeira (indicadas no mapa específico da região dos Bandeirantes) corresponderiam a Paranaguá e Curitiba, respectivamente.

A COLONIA DO SACRAMENTO

A cidade é voltada para o rio, espremida em um cabo fluvial. Uma grossa muralha a separa do interior e da praia que se estende ao norte. Separando as duas entradas, bem no centro da muralha, há uma fortaleza quadrangular que avança para dentro da cidade. No interior da fortaleza situa-se a igreja paroquial, a casa do governador, o hospital real, a residência dos franciscanos, a casa da artilharia, os quartéis e o corpo da guarda principal. O porto fica no norte da cidade, sendo o sul completamente rochoso e a ponta ocidental com muitas pedras, vegetação e uma curtíssima faixa de areia, que dá para um paredão de pedra erguidos pelos lusitanos.

A cidade encontra-se plena de edificações, com cerca de 90 casas, quase todas ocupadas por militares casados. Fora da muralha, há cerca de 200 casas. Não há propriedade, mas lotes concedidos pelo governador. Os militares ficam com os melhores lotes, próximos à cidade.

A população é de 1379 não militares, sendo 630 homens, 172 mulheres, 99 meninas, 123 meninos, 45 índios, 16 índias, 204 escravos e 90 escravas.

Os militares são 396 homens: sendo 267 homens na infantaria e 129 inscritos na cavalaria e artilharia.

Há 4 companhias de ordenanças, forças militares convocadas em caso de necessidade, cuidando principalmente da ordem interna. Eram 2 de solteiros e 2 de casados, assim distribuídas:.

– a cavalaria dos moços solteiros, comandada pelo capitão Manuel do Couto, composta de 37 homens;

– a companhia dos mercadores, cujo capitão é José Ferreira de Brito, composta por 24 homens;

– os casados estão divididos em duas companhias: uma a cargo do capitão João de Meireles, com o efetivo de 29 homens; enquanto a do capitão Jerônimo de Ceuta congrega 35 homens.

Alguns civis melhor situados social e economicamente reclamam a composição de uma Câmara Municipal. Também não há juiz, exceto o alfandegário. Centralização total nas mãos do governador. O governador pressiona os comerciantes para levantar fundos para sustentar a tropa. Alguns militares também se dedicam ao comércio.

O domínio das ilhas de São Gabriel (ilha maior próxima à cidade), Martin García (na foz do rio Uruguai) e Las Hermanas (subindo um pouco mais o rio Uruguai) facilita o acesso dos contrabandistas portugueses aos canais e enseadas espanholas.

Os produtos comercializados (legalmente ou não) são:

Produtos da colônia lusitana: açúcar, tabaco, aguardente, arroz, chocolate.

Produtos da Europa: tecidos de algodão ou linho, confecções, elementos de metal.

Produtos locais: couro, trigo, farinha, queijo, galinha, prata.

Há também um crescente e promissor comércio de escravos:

Preço dos escravos: 300 pesos (em Santa Maria del Buen Ayre). 180 por contrabando. Os negros escravos são usados em Colônia como artesãos, capatazes, cocheiros e vários serviços domésticos. Andava difícil segurar os índios (que vinham de São Sebastião ou São Vicente) nos campos, pois os Charruas, os índios da região, eram tremendamente hostis.

Há seis Familiares do Santo Ofício na cidade. Uma vez que são convocados para se reunir, sua autoridade se rivaliza com a do governador. São funcionários inquisitoriais leigos. Eles têm como responsabilidade encaminhar denúncias de heresias e realizar prisões sob as ordens do Tribunal da Inquisição da Metrópole, responsável pelo controle religioso nos domínios lusitanos. Os Familiares do Santo Ofício fazem o contato direto daquele tribunal com a sociedade local. Por isso, opor-se a suas determinações é como opor-se à própria Igreja Como corpo de funcionários da Inquisição, eles suprem a ausência de um tribunal atuante na colônia lusitana. Seu status é conhecido pelos demais membros da sociedade, não se tratando, portanto, de uma função secreta. São bastante respeitados.

Os espanhóis planejam realizar um cerco na cidade e preparam um acampamento subindo o rio da Prata, a cerca de 5 km da cidade. Ao mesmo tempo, o recente assentamento lusitano em Montevideo é atacado pelos castellanos, mas não se sabe ainda a respeito na cidade. Em breve chegarão os primeiros refugiados.

Os colonos não precisam se preocupar com os Charruas na cidade e nos terrenos em volta. Entretanto, a história já é outra quando se aventuram pelo interior.

PRINCIPAIS PERSONAGENS

Manuel Antônio de Lencastre Veiga Sarmento: Governador. Comanda a cidade com mãos de ferro. Nada acontece sem seu conhecimento ou autorização.

Capitão Camões: comerciante de artigos de luxo da Europa (muitos vindo de forma não autorizada pela Metrópole, vindo dos Açores ainda jovem. Ótimas relações na cidade (e mesmo em terras castellanas), mas não com os mais poderosos, embora não fossem essas ruins. Não se trata de um militar, sendo um título honorífico. Camões é solteiro e tem preferências pouco ortodoxas. Ainda que isso não seja bem visto, é tolerado devido a sua discrição, simpatia e habilidades comerciais.

Miguel de Noronha: líder da “oposição”, que possui discurso progressista.

Joaquim Garcia Rodrigues: almoxarife da Fazenda Real, administra com extrema eficiência os recursos físicos do governo.

Timóteo Soares: escrivão da Fazenda Real. Rouba para todos, incluindo ele mesmo. Mas é de bom trato.

Pedro Cosme Barbosa: Juiz da Alfândega. Responsável pelo contrabando oficial, sob comando direto do governador. Fora isso, é um homem justo.

Ambrósio Franco Salazar: Sargento Mor da Praça, comanda o esquema de corrupção.

Afonso de Oliveira e Oliveira: comerciante, grande fonte de informações, tagarela compulsivo, central de fofocas da cidade. Quase impossível abordá-lo sem sair com alguma compra.

Molina: chefe do contrabando com os castellanos. Chefia um pequeno bando que tem como sede uma fazenda afastada no interior. Um homem a se temido. Costuma ser um comerciante que honra o que foi negociado. Porém, conforme as circunstâncias, pode se tornar um assassino frio e cruel.

Gaspar de Almada: comerciante que defende o interesse dos espanhóis.

Luiz de Vasconcelos: alferes e comerciante. Politicamente ambíguo. Amigo e aliado indeciso de Don Camões. Possui relações com Gaspar, Ambrósio e Miguel.

Os Familiares do Santo Ofício: Capitão Jerônimo de Ceuta, que comenda uma das companhias de ordenança; Padre Carlos Floriano (franciscano); Alferes Manuel Lopes Fernandes; o comerciante Antônio Gomes Cabral; o criador de gado Sebastião Francisco Meireles, primo de João de Meireles, que comanda outra companhia de ordenança; o escrivão dos armazéns dos mantimentos de Sua Majestade, Felipe Cruz de Vasconcelos, irmão de Luiz de Vasconcelos.

 

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Published in: on 3 de maio de 2016 at 1:50  Comments (1)