RAPANUI

Este mini suplemento apresenta a Ilha de Páscoa na Terra de Santa Cruz, com uma descrição da ilha e da tribo Rapanui.  Isolada no meio do oceano Pacífico, a ilha, a princípio, não possui relação com a Terra de Santa Cruz. Até mesmo a chegada do homem branco nela ocorreu já fora do período que serve de ambientação para O Desafio dos Bandeirantes. Mas só a princípio.

A Tribo

Os Rapanui são divididos em 10 matas (clãs), cada qual com um kalinga (território), governados pelos Arikis (caciques), vistos como descendentes diretos dos deuses.  Cada mata ocupa uma zona da ilha, sempre com acesso ao mar. A maior parte dos nativos vive no interior, junto às áreas de cultivo. No litoral ficam os centros políticos e religiosos.

Os Rapanui encontram-se divididos em duas confederações, norte e sul, supervisionadas por um Ariki cada uma. As tribos possuem classes bem estratificadas: guerreiro, sacerdote, escultor, artesão, pescador, campesino, construtor.

Eles escrevem por um sistema de glifos chamado Rongorongo, escritos da esquerda para a direita e de baixo para cima, gravados em madeira. Também utilizam petroglifos.

Geografia e Clima

Rapanui, a ilha, encontra-se na latitude do Atacama, a 4 mil km da costa, pontilhada por vulcões inativos. A ilha tem formato triangular. Cada “lado” possui, respectivamente, 16, 17 e 24 km. Em cada um dos três vértices da ilha há um vulcão.

O maior vulcão é o Ma’unga Terevaka, de 511 metros, o ponto mais alto de Rapanui, situado na ponta norte. De seu cume é possível ver toda a ilha. Possui várias crateras, sendo a mais importante a Rano Aroi. Em suas encostas há cerca de 800 cavernas. Em seu entorno há vários Ahus.

O vulcão Puakatiki, com 377 metros, fica na ponta leste, perto do qual está o Rano Rakaru, uma cratera vulcânica de cinza consolidada que abriga um lago de água doce com 3 metros de profundidade, cuja encosta constitui a principal pedreira da ilha, de onde saiu a maior parte dos Moais.

Na ponta sudoeste, o Rano Kau, com seus 324 metros, possui uma cratera com 1,5 km de diâmetro, no interior da qual há um lago a 250 metros de profundidade. Dentro do lago há muitas ilhas de totora. Uma das bordas da cratera cai direto no mar. Sobre esta borda está Orongo, uma aldeia com 50 casas circulares de pedra, usadas pelos sacerdotes e chefes durante o ritual Tangata Manu.

No interior da ilha há algumas colinas isoladas que mal chegam a 300 metros. A costa é rochosa e escarpada, com algumas bordas bem altas. As únicas áreas de acesso ficam a sudoeste, um pouco acima do Rano Kau, em uma pequena enseada rochosa que forma um porto natural, e em duas praias ao norte, muito próximas uma da outra.

Há três ilhotas a sudoeste que representam um grande depósito de ovos de aves marinhos: Motu Nui, a maior; Motu Iti; e Motu Kao Kao, a menor. Moto Nui, destino do ritual Tangata Manu, é o cume de uma montanha vulcânica de mais de 2 mil metros desde o fundo do mar.

O clima é tropical, com verões e invernos suaves, com pouca oscilação de temperatura, com média entre 18 e 24°C. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano.

Fauna e Flora

Na ilha tem banana, batata, cana-de-açúcar, inhame, cabaça, pequenos frutos e algumas ervas medicinais. Há muita variedade de aves e animais marinhos, mas os animais terrestres se resumem a um tipo rato e duas espécies de lagartixas.

Quando o holandês Jakob Roggeveen chega à ilha, no século XVIII, ela se encontra convertida em um térreo árido e baldio. Os castelhanos chegam 50 anos depois, fazem um mapeamento da região e a batizam de Ilha de San Carlos.

MAGIA E RELIGIÃO

Os centros cerimoniais são os Ahus.

Make-Make é o criador do mundo.

Uoke é o deus da devastação.

Os Moais

No século VI, os Rapanui receberam a visita de índios vindos de uma terra muito distante. Para a total incredulidade dos nativos, os visitantes não pareciam ter chegado em nenhuma forma de embarcação. Os sacerdotes dos Rapanuis eram capazes de levitar, mas nada que chegasse a tamanho prodígio. Eles conheciam bem os mares ao redor, e tinham uma boa noção do tamanho de seu isolamento.

Os visitantes foram tratados como deuses, mas não agiram como tal. Não quiseram se tornar líderes dos Rapanuis ou dar-lhes ordem de qualquer espécie. Nem mesmo quiseram permanecer na ilha. Desde o início deixaram claro que estavam de passagem, mas se mostraram dispostos a ajudar os nativos. Com esse intuito, dirigiram-se a Rano Rakaru e instruíram os Rapanuis a esculpirem na rocha vulcânica uma enorme estátua de uma figura feminina, sentada de joelhos, com as mãos em posição de oração e a cabeça ligeiramente voltada para o céu.  No lugar das cavidades oculares foram fixadas placas de coral, e a pupila simulada com obsidiana. Para finalizar, mandaram extrair do vulcão Puna Pau um cilindro de rocha vulcânica avermelhada, de cerca de 10 toneladas, encaixando-o sobre a estátua como se fosse um chapéu, chamado de pukao.

A estátua, então, é levada até perto do mar e postada em direção ao interior da ilha sobre uma plataforma. Ali é realizado um ritual, no qual os viajantes mostram aos sacerdotes rapanui como canalizar a energia da estátua, chamada Moai, a fim de aumentar o seu poder mágico.

Após uma festa que durou dias, os viajantes partem da pequena e arborizada ilha prometendo voltar em breve. Partiram antes dos primeiros raios da manhã, sem serem vistos, e nunca retornaram.

Com o tempo, o poder do Moai se exaure. Os sacerdotes tentam de toda a forma reativá-lo, mas não obtém sucesso. Simplesmente repetir o ritual não causa efeito. Então eles tentam uma última e desesperada cartada: reproduzir todo o processo de construção do Moai, desde a encosta do Rano Rakaru.  Para a surpresa de todos, o artifício funciona. O novo Moai funciona da mesma forma que o outro. Com o tempo, foram feitas algumas mudanças estéticas que em nada influíram no poder da estátua. O corpo do Moai adquiriu feições masculinas e posição ereta, com os braços e mãos esticados junto ao corpo.

Ao longo dos anos, em vez de repor o Moai comunitário após o esgotamento de seu poder, cada clã passou a ter o seu próprio Moai. Os sacerdotes não mais se preocupavam em encontrar uma forma de reativar os Moais, satisfeitos com o sucesso do método, que ainda tinha a vantagem de manter a população da ilha, que não parava de crescer, ocupada e focada.

Como o primeiro Moai, todas as estátuas são voltadas para o interior da ilha. Certa vez, os sacerdotes experimentaram fazer um Ahu voltado para a praia, na vã esperança de que, com isso, de alguma forma, os viajantes pudessem retornar. A princípio, a mudança não provocou nenhuma alteração em seu funcionamento, mas os viajantes não retornaram.

Eventualmente, um sacerdote percebe que um Moai já desativado voltara a emanar poder mágico. Estudando o fenômeno, chega à conclusão que os raios que atingem as estátuas têm o poder de recarregá-las parcialmente. Porém, tal efeito não se repete quando se utiliza um relâmpago mágico. Devido à imprevisibilidade de tal ocorrência, os Rapanui não param de renovar o estoque de Moais.

A Guerra dos Moais

No século XVII, a ilha começa a sofrer com a superpopulação, muito devido ao poder proporcionado pelos Moais, que garantia saúde e alimento ao povo, que chegava a 10 mil habitantes. O resultado é a guerra entre os clãs e a destruição dos altares cerimoniais, com o objetivo de enfraquecer o rival. A construção dos Moais vira uma corrida armamentista. A necessidade de construí-los rapidamente faz com que a altura das estátuas seja reduzida de 10 metros para 4,5 metros. Uma das estratégias de combate é derrubar os Moais e destruir os Ahu do inimigo.

Os nativos passam a viver em cavernas para se protegerem dos ataques, e começam a sofrer com a falta de alimentos. No final da guerra, restam apenas dois grupos, os Hanau Momoko (Orelhas Curtas) e os Hanau Eepe (Orelhas Compridas), que é a classe dominante. Em um terrível embate, os dois últimos sacerdotes são mortos. Os Moais, assim, perdem a serventia e são abandonados. Muitos ainda estavam em processo de construção. Um, deles, gigante, com 21 metros de altura, uma aposta ousada do último sacerdote dos Hanau Eepe, que achava que mais altura poderia trazer mais poder, jaz inerte aos pés do Rano Rakaru.

Os bosques, que haviam sido cortados para agricultura, para fazer fogo e construir balsas, também era essencial na construção dos Moais. Com pouca madeira, acabaram as balsas e a possibilidade de pesca em larga escala, ou lenha para o fogo. A escassez de árvores também fez diminuir a migração das aves e a consequente diminuição dos ovos das aves marinhas. A falta de alimentos leva ao canibalismo.

Tangata Manu

A crise é resolvida com o ritual Tangata Manu, o Homem-Pássaro. Trata-se, na verdade, de uma competição. Um representante de cada tribo se lança ao mar e nada até a ilhota Motu Nui, onde deve buscar o primeiro ovo da estação da Andorinha-do-mar-escura. Com o ovo em mãos, ele nada de volta e sobe os 324 metros da encosta do vulcão Rano Kau, chegando a Orongo, onde se encontram os novos sacerdotes (apenas guias espirituais, sem poder mágico algum). O vencedor é levado até uma cabana em Rano Rakaru, na beira do lago interior, na qual é tratado como um deus até a próxima competição, ganhando um título e um novo nome. O seu clã ganha o direito de fazer a coleta dos ovos de Moto Nui naquela temporada.

Quando o holandês chega à ilha, a há apenas 3 mil Rapanui. Chama-lhe a atenção a existência de alguns ilhéus de pele mais clara e cabelo arruivado. Nenhum Rapanui lembra mais os detalhes dos rituais, da fabricação dos Moais, do efeito dos relâmpagos sobre eles ou mesmo de sua origem.

PERSONAGENS RAPANUI

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas, sendo as habilidades Nadar e Navegação obrigatórias.

Os sacerdotes rapanui, que não está impedido de ser também um Ariki, possui poucos encantos relacionados com o mundo espiritual, uma vez que há pouca atividade no plano astral na região. Os Rapanui encontram-se isolados inclusive neste aspecto.

Lista de Habilidade: Cultura Rapanui; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Nadar; Navegação; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Cultura Rapanui; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Aura; Controlar água; Controlar animais; Controlar plantas; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Dardos de pedra; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Levitar; Metamorfose Divina (uma vez escolhido o animal da região, deverá ser sempre o mesmo); Olhos D’Água; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Ventania; Viagem astral; Visão astral; Visão noturna; Vigor.

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Published in: on 26 de setembro de 2016 at 20:09  Deixe um comentário