Pirâmides e Geoglifos em Rondônia

O texto a seguir é parte da matéria publicada no site Rondoniaovivo, em 16 de março de 2019. Trata-se de ótima fonte de aventura para O Desafio dos Bandeirantes e O Império do Sol. O link para a matéria na íntegra encontra-se no final.

Piramide rondonia 4

A Descoberta dos Geoglifos

Sobrevoo e expedições terrestres permitiram ao pesquisador chegar aos geoglifos por ele descritos, dentro da tese de serem evidências de que o local foi parte do Eldorado-Paititi, o lendário Reino do Gran Moxo, do povo inca.

Cunha estava acompanhado por um grupo de proprietários rurais e percorreu toda área a pé, documentando e fotografando cada uma das evidências arqueológicas, explicando que, além da pesquisa de campo e sobrevôos, suas descobertas também se basearam em imagens do satélite CBER2 e do Google Earth.

Em todas as suas pesquisas se confirmou a existência de evidências da cultura inca, porém, dentre suas descobertas a que mais se destaca são os geoglifos, que ao contrário dos encontrados em outros locais, como Acre, Rio Grande do Sul e até em outros países, que foram construídos com pedras ou através de sulcos no terreno, em Rondônia os geoglifos possuem característica ímpar, pois foram elaborados utilizando-se da técnica de paisagismo vegetal, dando origem a grandes desenhos, normalmente de animais com centenas de metros, resultante do contraste provocado pela utilização de diferentes tipos de vegetação, sobre relevo (levantamento de terra ou ilha artificial), existentes no meio da mata, o que faz com que só sejam perceptíveis do alto. Baleia e gato, supostamente é uma das marcas dos sobreviventes incas que teriam habitado a região, procedentes da Amazônia Peruana. A Baleia mede um km.

Piramide rondonia 1

O Paititi ou El Dorado é aqui

A crença de Joaquim Cunha de que o Paititi existiu em Rondônia muito antes de ser Rondônia é a cópia de um mapa do século XVII, encontrado no Museu Eclesiástico de Cuzco. Nele está descrito o “país do Paititi”, possivelmente identificado como o Paraíso.

Mas esse mapa é puramente simbólico, ele reconhece. Porque não indica nomes reais de acidentes geográficos. Aponta apenas ‘monte’ e ‘rio’. Algumas expedições em terras de Rolim de Moura, Izidrolândia, Alta Floresta do Oeste, Alto Parecis e Porto Rolim permitiram-lhe examinar os vestígios de uma parte da civilização Inca na região. “Todos os pesquisadores iam o Peru, quando a história me levou a pensar que as localidades de Paititi e Moxos estavam juntas, no Reino Gran Moxos”, explica.

Se o Paititi existiu mesmo em Rondônia, já está no Google e nas centenas de fotos feitas por ele, com explicações minuciosas a respeito de coincidências com relatos feitos por pesquisadores internacionais, que já estiveram na Amazônia Peruana e talvez, também por aqui.

Uma das várias evidências do Paititi, segundo seus estudos, está no geoglifo Cabeça do Condor, inédito e nunca anteriormente fotografado ou relatado. “Na imagem da cabeça, a lhama mãe está bem visível. No contorno há o capim Peabiru. Fazem parte do conjunto de geoglifos da Via Láctea a lhama mãe, que mede cerca de um quilômetro; a cabeça do Condor, de 300 metros. Isso existe há séculos”, ele explica.

Sobrevôo próximo à Ilha de Porto Rolim permite ver o geoglifo com a serpente, o jaguar e o condor, tal qual mencionam alguns pesquisadores da história inca.

Piramide rondonia 2

Piramide rondonia 3

Origem da Lenda do Paititi ou El Dorado

Em 2001, o arqueólogo italiano Mario Polia descobriu o relatório do padre Andrea Lopez nos arquivos dos jesuítas em Roma. Este relatório falava acerca da misteriosa cidade de Paititi, ou talvez Eldorado – um reino perdido situado nos lados inexplorados das florestas peruanas, na região abrangida pelas densas e hostis selvas amazônicas.

Segundo esse relatório, os missionários Jesuítas daqueles tempos, liderados pelo Padre Andrea Lopez, teriam encontrado Paititi, ou Eldorado (segundo descreveram uma cidade adornado pelo ouro, prata e pedras preciosas) e pediram, então, a devida permissão ao Papa para evangelizar os seus habitantes, o que foi de pronto negado e abafado pela Igreja Católica, escondendo ainda a sua localização, de modo a “evitar uma corrida do ouro ao local, e ainda, a eventual ocorrência de uma histeria em massa”.

Paitíti (em castelhano, Paytiti ou Paititi) ou Candire é uma cidade lendária supostamente oculta a leste dos Andes, em alguma parte da selva tropical do sudeste do Peru (Madre de Dios), nordeste da Bolivia (Beni ou Pando) ou noroeste do Brasil (Acre, Rondônia ou Mato Grosso), capital de um reino chamado Moxos (em castelhano, Mojos) ou Grande Paitíti (em castelhano, Gran Paititi), governado por um soberano conhecido como Gran Moxo, descendente de um irmão mais novo de Huáscar e Atahuallpa.

Outros nomes dados à cidade oculta em alguma parte do sul da Amazônia ou norte do Prata incluem Waipite, Mairubi, Enim, Ambaya, Telan, Yunculo, Conlara, Ruparupa, Picora, Linlín, Tierra dos Musus, Los Caracaraes, Tierra de los Chunchos, Chunguri, Zenú, Meta, Macatoa, Candiré, Niawa, Dodoiba e Supayurca.

O mito é semelhante ao de Manoa ou Eldorado, que também seria uma cidade cheia de riquezas que teria servido de refúgio a incas que escaparam da conquista espanhola, mas costuma ser localizada muito mais ao norte, entre a Colômbia e as Guianas. Os dois mitos têm origem comum no sonho de conquistadores de enriquecer repetindo a façanha de Francisco Pizarro, o conquistador dos incas, e influenciaram-se mutuamente, mas o de Paitíti associou-se, em tempos mais recentes, com a nostalgia de povos andinos pelo antigo Império Inca, ganhando conotações nativistas e associando-se ao mito de Inkarri.

Link da matéria: http://www.rondoniaovivo.com/geral/noticia/2019/03/16/descoberta-grupo-de-pesquisadores-diz-ter-encontrado-piramides-em-rondonia.html?fbclid=IwAR2eSuQJ_jCbDfs8S5zpECScvmZ4y62jnch-zQQrXb68aVB0MY6TsA42Ups

 

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Published in: on 1 de abril de 2019 at 16:54  Deixe um comentário  

Uma Aventura em Piratininga

Ambientação

A ambientação apresentada é baseada na geografia e história do Brasil real, não no mundo fictício de terra de Santa Cruz.

Nome oficial: São Paulo do Campo de Piratininga

Na época dos bandeirantes, a cidade conta com pouco mais de 2 mil brancos. O resto é composto por índios de três tribos distintas. Há o Mosteiro de São Bento, o Colégio São Paulo, o Largo da Matriz e a da Misericórdia.

Não há bancos nas igrejas e nem camas nas casas, exceto nas de família abastada. As casas são bem humildes, construídas com tijolo de barro, e as ruas são de terra. Piratininga é uma vila totalmente isolada no interior do planalto além da Serra do Mar, entrecortada por rios e colinas, e cercada por índios. A viagem de São Vicente até lá, subindo a Serra do Mar, é bastante árdua, o que dificulta o comércio, inclusive o de escravos. Assim, a maioria dos produtos são bastante caros e os escravos negros praticamente inexistentes. Os colonos se consideram esquecidos pela Coroa, longe da capital, Salvador. Se produz muito trigo e marmelada.

Como os negros são artigo raro, a solução para o trabalho escravo são os índios. Por isso, os bandeirantes ignoram solenemente as ordens para suspender a escravidão indígena. Grande parte das bandeiras são para escravizá-los. O alvo preferido, as missões, pois os índios já se encontram reunidos e pacificados. Só é permitido apresar índios por justa causa. E os bandeirantes são bem criativos para arrumar uma.

As bandeiras são formadas por índios batedores, padres, escrivão, seleiros e armeiros, além do homem comum. A administração da casa ou da fazenda fica por meses nas mãos da mulher. Nas expedições, eles levam pólvora, machados, balas, cordas, sementes, sal, pequena quantidade de alimentos, baú de couro com munição, redes, cobertores, pratos e cuias. Alimentam-se da pesca, caça, mel silvestre, frutas e palmito.

A vila é administrada pelos ouvidores. Entre eles se encontra um importante bandeirante, Raposo Tavares. Desde 1641, uma espécie de “guerra civil” entre duas famílias sacode Piratininga, os Pires contra os Camargo. Os Camargo lutam contra os jesuítas, que pregam contra a escravidão indígena. O bandeirante Fernão Dias é ligado aos Pires, mas apoia a expulsão dos jesuítas. O evento deflagrador da guerra foi o assassinato de Pedro Taques, importante figura da sociedade, por Fernão de Camargo.

Piratininga se encontra tão isolada que às vezes ficava mais fácil trazer contrabando do Paraguai (pois é, desde aquela época), ou levar contrabando para o Paraguai. Não é incomum escravocratas se fingirem de padres para se infiltrarem nas aldeias indígenas e atraírem os índios até uma emboscada para serem presos e escravizados.

Outros personagens da época são os cristão novos, judeus que assumiram nomes católicos para escaparem da Inquisição.

Vilas paraguaias: Ontineros e Melgarejo.

Vilas nos arredores de Piratininga: Quitaúna, Barueri e missões jesuíticas.

Tema da Aventura

Um Pires é assassinado em sua fazenda. Na verdade é obra dos Camargo, mas eles usaram armas indígenas para colocar a culpa em uma das tribos da vizinhança. Assim, além de matar um adversário político, arrumam uma desculpa para apresar os índios e aumentar a sua fortuna. O grupo seria parte integrante e inocente desta mini-bandeira.

Na floresta eles podem encontrar tanto a aldeia quanto o bando de brancos “fantasiados”. Na aldeia, há um padre espanhol que na verdade se trata de um traficante de escravos indígenas. Apesar de suas intenções serem tão “boas” quanto as dos Camargo, ele já tem comprador, e com certeza os Camargo não vão pagar um só tostão a ele. Para preservar o seu “ganha-pão”, ele certamente manterá o disfarce, mas poderá optar por fugir. E seria um grande golpe de sorte se ele encontrar os verdadeiros culpados. Ou seja, é o falso e mau-caráter padre o elemento que pode desvendar a trama dos Camargo.

Published in: on 10 de abril de 2016 at 4:53  Comments (2)  

Temas para Aventuras em “O Império do Sol”

Em O Império do Sol,você pode centrar a sua aventura num cenário urbano, serrano ou selvagem. No cenário urbano, suas aventuras precisarão de muitos NPC’s, e exigirá maior conhecimento histórico e domínio da primeira parte da ambientação, que descreve Nova Castela. Você poderá usar intrigas políticas, religiosas, explorar a escória dos callejones, abordar o contrabando das cidades portuárias, ou a ambição e desordem das cidades mineiras.

A política da Audiência, as ordenanças e os visitadores da Companhia das Índias podem ser um bom ponto de partida. Não esqueça também dos terremotos e das touradas para dar um recheio especial à sessão. Nas cidades pequenas, você pode abordar os problemas das comunidades indígenas com cabildos inescrupulosos que roubam a Caixa de Comunidade. Ou então curacas ambiciosos que manipulam seu próprio povo. E ainda o sofrimento dos incas nas minas. Na costa, pode haver problemas com os escravos negros.

Há ainda a Inquisição e a perseguição religiosa, que pode render boas histórias policiais e místicas dentro do cenário urbano.

No cenário serrano, você estará mais à vontade para usar os mitos e lendas e os animais, ou explorar as características geográficas das cordilheiras. É o cenário ideal para mergulhar no lado místico dos incas.

Os Enviados podem ser um excelente ponto de partida para uma longa campanha. Cultos secretos, rituais noturnos em meio às montanhas, templos abandonados, grupos de rebeldes incas. É nas montanhas que o culto ao sol ainda possui forças para lutar contra o cristianismo.

Saindo do tema místico, há também os bandoleiros, os alegres Morochucos e os sinistros Iquichanos.

Na selva, suas aventuras podem ser de exploração, desvendando os mistérios da floresta de Santa Cruz. Suas aventuras serão repletas de estranhas criaturas e perigosos animais, cidades perdidas, tribos hostis e o constante perigo da natureza.

Um bom ponto de partida é uma grande expedição organizada pela Coroa, seja para descobrir o Eldorado, seja para conhecer a região ou ajudar no estabelecimento das missões.

Um bom exemplo é a expedição de Ursúa, ocorrida em fins de 1559, composta por 400 homens da pior espécie. Ursúa, o comandante, tinha como missão descobrir o Eldorado, e levou sua mulher, Inês de Atienza. Não demorou para começar uma série de assassinatos, tramados por Lope de Aguirre. Em 1560, um dos homens de Aguirre matou o homem de confiança de Ursúa e foi executado. O fato causou mais descontentamentos. Por outro lado, Inês também despertava a cobiça dos soldados.

Quando a expedição chegou no Amazonas, Ursúa e um de seus auxiliares foram assassinados, acusados de incapazes e tiranos. Aguirre indicou um nobre da expedição para comandante e induziu o grupo a se rebelar contra a Coroa e tomar o Peru. Inês foge mas acaba sendo morta a punhaladas. Os assassinatos continuam. Aguirre mata o nobre comandante, alguns capitães e o padre que acompanhava a expedição. Os índios são abandonados numa ilha deserta do Amazonas. Aguirre sai pelo rio Orinoco e faz alguns saques sangrentos na costa da Colômbia e Venezuela. Acaba sendo abandonado pelo seu grupo, cercado e morto pelo exército. Antes de morrer, sacrificou sua bela filha para que não caísse nas mãos dos inimigos.

Uma outra forma de planejar suas aventuras é aproveitar um pouco de cada cenário. Isso é facilitado quando o seu grupo gosta de viajar de um lado pro outro, sempre em busca de aventuras.

Acontecimentos futuros

A ambientação de O Império do Sol, apesar de ser fantasia, é fortemente inspirada e estruturada na história peruana real. Assim, uma das fontes mais ricas de idéias para aventuras são os livros históricos que abordam a história deste país.

Para auxiliá-lo, serão apresentados aqui alguns fatos históricos que realmente ocorreram no Peru após 1650 e que podem ser utilizados em suas aventuras. Faça bom proveito.

  • Minas de Cajamarca: só foram descobertas em 1772. Nada impede que sejam encontradas antes disso.
  • Destruição de La Compañia: em 1650 (bem em cima), Cusco foi abalada por um grande terremoto que destruiu La Compañia, um dos principais templos da cidade. La Compañia possui uma série de capelas subterrâneas rodeadas de labirintos e comunicações secretas, onde repousam restos ilustres do passado. Foi reconstruída em 1651.
  • Nossa Senhora de Copacabana: um navio que carregava a imagem de Nossa Senhora de Copacabana naufragou, séculos mais tarde, na costa brasileira. A imagem foi parar numa das praias da cidade do Rio de Janeiro (antiga Vila de São Sebastião). Foi construída uma capela em sua homenagem sobre as pedras, em uma das pontas da praia, e o bairro passou a se chamar Copacabana por sua causa. Não se trata de uma palavra indígena brasileira, mas da palavra andina Kopa-Kawana. Pode vir a ser um interessante elo de ligação entre os RPG’s O Império do Sol e O Desafio dos Bandeirantes, antecipado em muitos anos.
  • Destruição de Zaña: em primeiro lugar, você pode fazer com que a invasão dos piratas (que historicamente ocorreu em 1664) não tenha acontecido ainda. Aliás, espera-se que você faça isso. A cidade foi caindo aos poucos nas mãos dos negros, até ser destruída em uma grande inundação em 1720. Os padres consideraram um castigo divino, devido à promiscuidade que reinava na cidade. A população foi alertada a tempo e todos conseguiram fugir, mas a cidade virou ruínas.
Published in: on 5 de abril de 2016 at 17:30  Comments (2)