2ª Sessão – Os Patagões

♥ 15 de junho de 1651 – viagem

Eles saem de Neuquén e Naomí conjura a outra lhama. A paisagem é deslumbrante e coberta de neve. Faz muito frio. Aruana nunca tinha visto nada parecido.

♥ 16 de junho – viagem

Sem incidentes.

♥ 17 de junho – San Carlos

No final da tarde chegam a San Carlos. É uma vila bem pequena às margens de um grande e belíssimo lago. Mas só isso.

♥ 18 de junho – viagem

Saem de San Carlos e prosseguem em direção ao sul, mas descendo as montanhas.

♥ 19 e 20 de junho – viagem

Sem incidentes

♥ 21 de junho – Planalto das Visões

Aproximam-se do planalto. Bosque de árvores altas. O vento começa a ficar estranho, mais frio. As nuvens parecem pesadas, mas sem que isso signifique chuva. É como se pudessem tocá-las. Quando se faz silêncio, parecem ouvir um canto.

Se sentem observados pelas montanhas. Nahuapy faz “Visão Astral” e vê a natureza como se fosse viva, consciente. Naomí também, fazendo “Viagem Astral”. A natureza parece mais presente no plano astral do que em outros lugares. As montanhas parecem girar a cabeça para acompanhá-los com um possível olhar.

Nahuapy completa dois meses de gravidez.

Durante a noite, o Planalto das Visões começa a fazer efeito. Todos têm sonhos estranhos, quase reais.

Rocha sonha que está se arrastando no mato, na lama, em meio a uma tempestade noturna. De repente dá de cara com uma cruz de madeira quebrada. Do chão, da terra, sai uma mão negra que lhe aperta a garganta. Ele acorda gritando.

Tendresse sonha que não consegue abrir os olhos. Sente a cabeça pesada e frio, muito frio. Sente a mão passando por pedras lisas e ouve um barulho de algo pingando. Fica angustiada.

Naomí sonha com olhos de fogo a cercando numa floresta de árvores altíssimas durante a noite.

Nahuapy sonha com várias coisas, muitas cenas. Numa delas ela se vê ao lado de Hernandez num navio.

Aruana sonha que está correndo, cansada, com muito frio, mas não para de suar, um suor congelante. Ela vê uma sombra se erguer sobre sua cabeça. Ouve batidas surdas que fazem a terra tremer. Vão ficando cada vez mais surdas e abafadas, mais doloridas. Então Aruana acorda ouvindo as batidas de seu coração, aceleradas.

♥ 22 de junho – Planalto das Visões

É bem cedo quando se levantam. Um nevoeiro cobre a floresta. Eles sentem o chão tremer. Ouvem árvores caindo. Percebem que algo bem grande vem na direção deles.

Todos saem correndo. Surge o Monangahela, um mamute gigante, feroz como o tigre. Ele não percebe a presença do grupo, que faz o possível para não chamar a atenção. E ele segue seu caminho.

Eles começam a sentir medo, e com razão.

Durante o dia procuram caçar, e conseguem achar um veado.

♥ 23 de junho – Planalto das Visões

Surge o Yastay, um índio baixo e gordo, com a pele escurecida pelo frio, acompanhado por um cão negro. É uma espécie de Caipora das cordilheiras. Para deixar o grupo passar sem problemas pela floresta, ele pede sangue em troca.

Naomí faz um corte em sua mão e faz com que seu sangue pingue na neve. Eles veem o sangue desaparecer rapidamente e o Yastay vai embora agradecido.

♥ 24 de junho – acampamento

Nahuapy não se sente bem, com enjoo. Aruana também não se dá bem com o frio. O grupo decide fazer uma parada. Não tem problema para achar coelhos na caçada.

Durante a noite pensam ter visto um vulto nas montanhas.

♥ 25 de junho – acampamento

Durante a caça, descobrem algumas armadilhas indígenas.

♥ 26 de junho – aldeia patagã

Retomam a caminhada. No meio do caminho, são cercados por índios de mais de 2 metros, vestindo peles e segurando lanças de pedra. São conduzidos à aldeia.

Lá são recebidos pelo pajé (sem essa denominação), que consegue se comunicar com eles. Não há hostilidade. O pajé fala que há um homem branco doente entre eles. Tendresse pensa que pode ser Pierre e quer vê-lo. /isso será feito mais tarde, e cada um é levado a sua caverna (a aldeia é feita no pé de uma montanha, e a maioria mora em cavernas). Os índios separam homens e mulheres, e Tendresse é colocada no grupo das mulheres. Ela tenta dizer que é homem, mas os índios que a conduzem não acreditam e mandam levantar a sua roupa (pois batina nada significa para eles). Tendresse treme, mas Naomí faz um sinal de “confie em mim”. Ao levantar a roupa, Naomí faz uma ilusão de que Tendresse é homem.

Nahuapy percebe que Naomí fez magia e pede explicações, descobrindo, assim, o segredo de Tendresse. Hernandez já sabe, desde o início, pois é um zaorí, mas nunca disse nada a ninguém.

Aruana, que nutre uma paixão pelo padre, nada percebe e considera tudo natural.

Mais tarde, Tendresse vai ver o homem branco. Não é Pierre, mas em seus delírios ele fala francês. O pajé avisa que a cura mágica apenas o mantém vivo.

Há uma cura, mas ele só revelará quando o grupo mostrar o seu valor. Eles terão que ir até uma caverna no final do bosque dos alerces (árvores com 50 metros de altura e 4 metros de diâmetro). Lá chegando, terão de trazer algo de valor e sobreviver até o retorno à aldeia, passando pelos guerreiros.

Eles aceitam o desafio.

♥ 27 de junho – bosque dos alerces

Eles partem logo de manhã. Tereza fica na aldeia. Tentam convencer Nahuapy a ficar, mas ela insiste em ir. Hernandez fica com Tereza a pedido de Tendresse.

Os guerreiros partirão um dia depois ao encalço deles.

Eles chegam a um bosque que começa a subir entre dois paredões. As árvores são tão altas que mal conseguem ver as montanhas.

A noite cai, mas eles tentam andar o máximo que podem.

Quando param, Naomí e Paulo, de guarda, pensam ter visto algo. Depois notam umas luzes vermelhas se aproximando. A região onde se encontram é cercada por névoa.

São atacados por uma matilha de cães da meia-noite, só que bem mais graúdos do que Aruana e Rocha já haviam enfrentado. Apesar do susto, derrotam os cães. Resolvem continuar a caminhada até saírem da região de névoa.

♥ 28 de junho – bosque dos alerces

Dormem muito pouco e se encontram bastante cansados. O bosque termina e sobem uma montanha até uma caverna.

Tendresse chega a pensar que pudesse ser a caverna de seu sonho, mas se parece mais com a caverna de uma adivinhação de Nahuapy.

O caminho termina numa pequena câmara. Na parede há uma pele de uma preguiça gigante e suas garras (duas em cada mão). No chão, sob a pele há um pote, uma pera colorida, uma flauta de osso e uma lança.

Eles sabem que têm de levar um destes objetos. Nahuapy que levar a pele, mas todos são contra. Após muita discussão, levam a flauta de osso.

Na volta, decidem voltar por outro caminho, mais aberto. A noite cai e nada acontece.

♥ 29 de junho – aldeia patagã

Eles acabam enfrentando uma chuva de lanças na volta, mas conseguem escapar. Chegam ao bosque e voltam à aldeia.

Tereza e Hernandez estão bem. O pajé diz que eles escolheram bem. Diz que para curar o francês é preciso achar uma flor de prata que se encontra na Montanha do Trovão. Diz que o caminho é difícil, e que é bom eles descansarem antes de ir.

Explica que a montanha se localiza após uma longa geleira, que se inicia em um lago. Explica que a flauta serve para conversar com os espíritos. Também diz que, se tocassem a pele, despertariam o guardião da caverna.

♥ 30 de junho a 2 de julho – aldeia patagã

O grupo descansa e se recupera para a viagem. Tereza desta vez ficará sozinha na aldeia.

[Nota do Mestre: quando chamamos Eliane Bettocchi pra fazer a capa da 2ª edição de O Desafio dos Bandeirantes, fui intimado a fazer uma sessão para apresentar o jogo a ela. Confesso que não gostei nem um pouco da incumbência, pois não me considero um mestre nato e me sinto um tanto desconfortável no papel. Pra piorar, vários amigos em comum que ainda não tinham jogado resolveram participar da sessão. Mal cabia todo mundo na mesa. E a mesa da casa da Eliane era aquela que todo grupo de RPG pediu a Deus. Sei lá por que motivos, na época resolvi fazer uma aventura na Patagônia. A aventura que fiz praquela noite, que não chegou a seu final, foi quase toda reutilizada nesta sessão, com melhorias e adaptações para a história do grupo, claro. Naquela sessão, um biólogo teve a curiosa ideia de fazer um naturalista, uma homenagem a Darwin. Ele tinha um diário onde fazia anotações. A melhor tirada foi, ao dialogar com um jogador que interpretava um mestiço da região: “os nativos daqui são muito cultos, chamam rocha de minério”. Este personagem acabou me inspirando a fazer um NPC naturalista, que acabou virando personagem de jogador, mas isso fica pro próximo capítulo.]

1ª Sessão – De volta ao Sul

♥ 20 de abril de 1651 – aldeia

Rocha decide ir ao sul à procura dos tesouros da Cidade dos Césares. Ele pretende percorrer toda a Terra de Santa Cruz.

Tendresse apoia, pois sente que no sul pode achar pistas de Pierre. Naomí e os outros vão pelo sabor da aventura. Tendresse pensa em deixar Tereza, mas esta insiste em acompanhá-los.

Só Aruana é que não teria porque ir. Mas Rocha comenta seu intento de voltar à Cidade Sagrada. A ideia de rever Huarí dá a Aruana um bom motivo para voltar à estrada. Ela se despede de sua família.

Aruana e Tendresse ganham um amuleto de “Resistência à Magia”. Nahuapy ganha várias poções de “Cura” e um amuleto de “Metamorfose”.

Camboriú decide se aventurar com eles, pois está há muito tempo parado na aldeia.

Na festa de despedida, Padre Maurício libera o vinho.

Nesta noite, Nahuapy e Hernandez têm sua noite de amor.

♥ 21 de abril – viagem

O grupo parte ao nascer do sol para novas aventuras. O pajé da tribo diz a Aruana que sua viagem irá demorar muito.

♥ 22 a 25 de abril – viagem

Sem incidentes. Mas Rocha toma cuidado para não encontrar nenhum militar.

♥ 26 de abril – viagem

Durante a noite, um estranho assovio e um sinistro pé-de-vento. Some algumas coisas. Nahuapy faz “Visão Noturna” e chega a ver um vulto vermelho entre as árvores. Chegam a ouvir uma risada zombeteira. Foram vítimas do Saci.

♥ 27 de abril a 8 de maio – viagem

Sem incidentes.

♥ 9 de maio – missões

Passam bem próximo às Missões dos Povos Livres. Encontram uma espécie de posto avançado, bastante humilde, com índios travestidos de camponeses e uma pequena criação de animais.

Apesar da desconfiança, graças ao papo da Inquisição, decidem pedir abrigo.

O padre que os recebe pergunta se não podem ajuda-lo com o Comeanca, uma besta terrível que suga o sangue dos animais.

Eles topam e ficam de tocaia durante a noite. O Comeanca seria um adversário digno para um deles, mas para o grupo, depois do que já passaram, não deu nem pro começo.

♥ 10 de maio – viagem

Partem da missão com a sincera gratidão de todos.

♥ 11 de maio – viagem

Segue sem incidentes.

♥ 12 de maio – viagem

Durante a noite, são atacados por um Capiango, um animal fantástico, de aspecto aterrorizante, fantasmagórico, que, em certas ocasiões, transforma-se em onça. Quando isso ocorre, vira um devorador de homens.

Sua “Resistência à Magia” é 80, e só pode ser atingido na forma de onça. Não é maligno, mas a “Luz Divina” o incomoda.

O grupo, que estava super confiante depois de encaçapar o Comeanca, pena para derrotar este. Camboriú morre na luta.

♥ 13 a 19 de maio – viagem

Sem incidentes.

♥ 20 de maio – lago

Acampam na beira de um grande lago pouco ao norte do rio da Prata. Surge uma espécie de mestiço que se oferece como guia. Todas as mulheres ficam encantadas com ele. Mas é Aruana quem cai na rede.

O mestiço é um Ú-Pora, uma versão violenta do Boto, que mata suas vítimas depois de fazer sexo com elas. Como ninguém desconfiou de nada, acharam natural que os dois se afastassem. Naomí, com uma ponta de ciúmes, vai atrás; Nahuapy a segue. Naomí vê os dois transando na beira do lago e resolve fazer “Viagem Astral”. Quando chega perto, vê que o mestiço está com as mãos no pescoço de Aruana prestes a matá-la. Ela volta correndo para o seu corpo e começa a berrar.

Quando vê todo mundo em cima dele, pula na água e desaparece. Aruana sobreviveu por pouco. E mal havia se recuperado de seus problemas pulmonares.

Aruana fica morta de vergonha. Tendresse, tentando consolá-la, diz que “foi difícil pra todos nós resistirmos a ele”.

Naomí sente que há algo errado e faz uma “Aura” em Tendresse, descobrindo que o padre é mulher.

Naomí puxa o padre prum canto e elas têm uma conversa franca. Naomí jura manter segredo.

♥ 21 a 23 de maio – viagem

Sem incidentes

♥ 24 de maio – viagem

Eles atravessam o rio da Prata, o que lhes trás péssimas recordações. Hernandez os acalma, dizendo que seu irmão já os esqueceu.

Almagro era apenas um militar seguindo ordens. Não tinha nenhuma vontade particular em mata-los. Resolvendo o problema da caravana do ouro, partiu pra outra.

Eles acampam perto de uma árvore. Só que esta árvore é um Boiigue Liucho, uma árvore sagrada dos índios, onde fazem suas oferendas.

O mal-entendido é logo resolvido. Os índios, vendo Naomí, comentam sobre um negro à cavalo que vaga pelos pampas com um grupo de índios. Alguém chega a se interessar e perguntar o nome. Como é dado um nome diferente do de Kunta, não perguntam mais. Se esquecem que os índios dão nome diferente às coisas e pessoas. Era Kunta, só que sem memória.

♥ 25 a 29 de maio – viagem

Atravessam os pampas até o rio Colorado.

♥ 30 de maio – Rio Colorado

Chegam a uma pequena vila às margens do rio Colorado. Compram mantimentos, roupas de frio e perguntam qual é a cidade mais ao sul. São informados sobre Neuquén, uma vila que se encontra na origem do rio Sur. Passam o dia. Ouvem falar sobre o Padre Sérgio.

♥ 31 de maio a 9 de junho – viagem

Vai esfriando cada vez mais. Eles chegam ao rio Sur, que é formado pela junção de dois outros, e se o seguem até Neuquén.

♥ 10 de junho – Neuquén

Chegam na cidade e se instalam. É uma cidade pequena e hospitaleira. São muito bem recebidos, mesmo quando dizem que querem ir ao Planalto das Visões. São chamados de malucos, e tentam dissuadi-los da ideia.

Perguntam sobre o Padre Sérgio. O estalajadeiro informa que é um padre milagroso e um pouco maluco que vive numa cabana isolada em uma colina próxima dali. Eles passam a noite e deixam para ir no dia seguinte.

♥ 11 de junho – Neuquén

A visita ao Padre Sérgio ocupa o dia inteiro. É um jesuíta descabelado, sem o dedo indicador esquerdo. Ele fala de forma pouco clara. Diz que ninguém vai ao Planalto das Visões, é ele que vem até você. Ele conta diversas histórias delirantes. Fala de feras terríveis, natureza caótica. Para não irem, que ninguém sobrevive, ninguém volta.

“Mas você voltou”, diz Naomí. “Sim, e pago por isso até hoje”, responde. Não conseguem tirar muita coisa. Mas ele fala de uma caravana de franceses que também foi pra lá há alguns meses. Tendresse se interessa. Padre Sérgio diz que a Cidade dos Césares não existe.

♥ 12 de junho – Neuquén

Tendresse tenta se informar sobre o grupo de franceses. Fica sabendo que passaram por lá há quase um ano, mas que também havia pessoas de outras nacionalidades. Mas a maioria era francesa.

Rocha procura saber sobre a Cidade dos Césares e tem a confirmação que, ao menos como lenda, ela existe, no centro de um lago, cervada por uma montanha de diamante e outra de ouro, próxima ao monte Lihuel Calel.

♥ 13 de junho – Neuquén

Eles fazem todos os preparativos da viagem. Muitas provisões e roupas de frio.

Nahuapy descobre que está grávida e conta a Hernadez, que fica feliz e diz que, com certeza, não voltará a ser o mesmo.

[Nota do Mestre: ou seja, não voltará ser um Zaorí.]

♥ 14 de junho – Neuquén

O grupo toma conhecimento da gravidez de Nahuapy e adiam a viagem. Tendresse é contra a ida de Nahuapy. Naomí fica na dúvida. Nahuapy insiste. Ninguém sabe o que poderá acontecer, nem onde ou em quais circunstâncias o filho nascerá.

Naomí tem péssimas experiências com uma lhama. Rocha compra uma para carregar o equipamento. Naomí decide conjurar outra quando se afastarem da cidade. Aruana fica resfriada.

Perguntam se há alguma vila mais ao sul. Informam que, subindo o rio, há a vila de San Carlos, entre as montanhas.

Capítulo 1 – A Cidade dos Césares

Personagens principais: Aruana (rastreadora maoári); Rocha (bandeirante); Naomí (feiticeira negra); Nahuapy (feiticeira mestiça chiquitana); Tendresse (jesuíta francês).

Personagens convidados: Paulo Ferreira (ladrão).

NPCs principais: Hernandez (ex-zaorí); Tereza (estigmata).