ECONOMIA DO TAHUANTINSUYO

Agricultura

Construção de plataformas de cultivo, irrigação artificial, uso de fertilizantes e implementos agrícolas, escavação de poços em desertos. Usavam cobre quase da dureza do aço. Os canais de irrigação chegam a ter 100 km de comprimento.

As plataformas de cultivo (sucre) foram construídas em ladeiras e morros, em forma de escadarias, por mais escarpados que fossem. Assim se evitava a erosão do solo e aumentava a superfície cultivável. São formadas por um muro de contenção feito de pedra e de fácil escalada. A terra é plana. Estas plataformas estavam todas à disposição depois da conquista castelhana, mas muito pouco foi aproveitado.

Criação de gado

As criações eram de lhamas, alpacas, patos, cuyes, guanacos e vicunhas. O consumo de carne não era o forte dos índios. O leite, exceto o materno, não era consumido, nem se produzia derivados. O cuy, além da carne, era utilizado em rituais e oferendas a deuses e espíritos.

A lhama e a alpaca eram domésticas (a maioria pertencia ao governo), enquanto a vicunha e o guanaco eram silvestres. A vicunha era caçada pela sua lã sedosa. Depois de tosquiada, era solta. O guanaco era estimado por sua carne. A lã da vicunha e da alpaca era usada para confeccionar os tecidos mais finos e luxuosos. A lã da lhama era a mais utilizada na confecção de roupas e apetrechos, juntamente com o algodão. Um homem poderia ter mil lhamas em sua criação. As lhamas eram separadas pelas cores: brancas, negras, pardas e moromoro (várias cores).

Além da lã, a lhama fornecia carne e era muito usada como animal de carga e em sacrifícios religiosos, onde os adivinhos liam as suas entranhas. Sua carne era consumida como carne seca (secada ao sol e desidratada), pois se conservava facilmente. O sangue era usado para o molho. Do couro do pescoço eram feitos sapatos e sandálias. O resto era pra fazer cordas e ataduras. O excremento era usado seco como combustível nas grandes altitudes, carentes de árvores e lenha. Importante para diversos sacrifícios.

Mercado

Não havia moeda, era tudo feito na base da troca. Ou produto com produto, ou produto com trabalho, ou trabalho com trabalho. Era proibido trocar os presentes do Inca. Era permitido trocar o excedente da produção familiar por produtos de valor equivalente ou produtos de outra região. Dentro do ayllu praticamente não havia troca. A produção era voltada para a comunidade e todos possuíam mais ou menos a mesma coisa.

O Inca não controlava o comércio, mas os mercadores tinham impostos para cruzar determinados caminhos, que eram cobrados pelos vigilantes das estradas. Só não pagavam este imposto os soldados e carregadores, que até recebiam comida e bebida. Havia controle de ouro, prata e pedras preciosas. Caso as possuísse, o mercador era obrigado a dizer a sua procedência. Assim eram descobertas novas minas.

As trocas eram feitas no catu (mercado), geralmente na praça da cidade. A feira acontecia três vezes por mês a cada nove dias. As comunicações oficiais eram feitas nos dias de feira para que tivessem maior alcance.

Caso de troca: um mercador trocou, na costa, um saco de batatas por 25 libras de coca. Na serra, trocou 3 libras de coca por um saco de batatas.

Comércio na selva: os índios da selva levavam papagaios, canoas de cedro, cacau, borracha, ervas medicinais, mulheres cativas. Os índios da serra se instalavam em pontos já conhecidos, às margens do rio, e esperavam eles chegarem de canoa. O encontro era festejado, mas o comércio era silencioso e só começava na manhã seguinte. Esta feira durava de 6 a 8 dias.

Tributos

Havia terras para o Inca, para o governo, para as huacas (templos), para o ayllu, para a Coya. As terras das huacas eram cultivadas para oferendas e celebrações de ritos e festas. O camponês era dono de seu pedaço de terra, mas pagava tributo. Com o tributo se nutria os soldados, os trabalhadores das minas e os honoráveis. O excedente era guardado. O mesmo era feito com os objetos. Ouro e metais eram de propriedade estatal ou sacerdotal. Havia a prestação de trabalho gratuito, cumprido em forma de turnos. Muitos índios não pagavam seu tributo com produtos de sua parcela de terra, mas através da prestação de serviços.

Produtos Agrícolas

Abacate (terras quentes), Aipo (costa e serra), Algodão (costa e selva alta), Ameixa de Frade (vales quentes da costa e da serra), Batata (regiões altas e frias, abundante na serra), Batata-doce (costa e vales da serra), Coca (várias regiões), Goiaba (altitude média), Lúcuma (fruta dos vales da costa e da serra), Mandioca, Milho (abundante em qualquer região), Oca (raíz comestível das regiões altas de onde tiravam o açúcar), Pallar (sementes comestíveis da serra e da costa), Pepino (costa e vales), Pimentão (vales da costa e da serra), Pinha e Amendoim (costa norte e florestas), Poto e Mate (fruto em forma de garrafa ou prato que servem de recipientes), Quinoa (único grão das regiões frias, bastante nutritivo), Rocoto (tipo de pimenta da costa, vales da serra e floresta), Tabaco, Trigo (altiplano) etc.

Derivados: Chicha (bebida fermentada do milho), Chuño (batata desidratada para aumentar a conservação), Cahui (espécie de chuño, feito da oca).

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Published in: on 12 de março de 2010 at 1:44  Comments (3)