OS GUARANIS

Os Guaranis são formados por várias tribos de cultura e linguagem em comum, que se reconhecem por seus nomes específicos. Apenas no século XVII os colonizadores usam o termo guarani, que significa guerreiro, para designar todo o grupo. Ocupam da Grande Floresta ao Rio da Prata. Da Capitania de São Vicente aos contrafortes andinos, passando pelo Chaco Boreal.

Os Guaranis são, em geral, de baixa estatura, roliços e muito fortes. Cabeça grande, olhos pequenos, nariz achatado, pouca barba, pele bronzeada, cabelos pretos e lisos. São grandes andarilhos, com visão e audição aprimoradas. Possuem excelente memória, sendo capazes de executar trabalhos mecânicos e de imitar com perfeição tudo o que lhes deem como modelo, ainda que não demonstrem muita criatividade. Não gostam do trabalho regular e não se preocupam com o futuro, tampouco com a necessidade de acumulação.

Uma aldeia abrange centenas de pessoas em grandes habitações retangulares cobertas com folhas de palmeira. As casas comunitárias abrigam de 10 a 20 famílias em média. Seu interior é decorado com redes de algodão ou fibra, móveis e utensílios, bancos, jarras para chicha, cabaças entalhadas, armas e ferramentas. De animais domésticos, só patos, papagaios e alguns macacos. Com os colonos brancos, adquirem também galinhas, cabras e cães.

Muitas vezes, principalmente em época de guerra, a aldeia é cercada de paliçadas e armadilhas. Os prisioneiros são tratados com brandura. Podem até se casar e viver vários anos. Mas, eventualmente, o prisioneiro será morto a golpes de maça e devorado.

Para um jovem se casar, ele precisará ter matado ou aprisionado um inimigo. Só se impede casamento de parentes consanguíneos por parte de pai. Apenas o cacique pode ser polígamo. A poligamia é um símbolo de riqueza e influência, pois são as mulheres que fazem os trabalhos essenciais. O divórcio é simples, e pode ser por iniciativa de ambos os lados.

Os homens desmatam os campos para construir habitações, fabricam pirogas e armas, caçam, pescam e guerreiam. As mulheres trabalham na horta, fazem cesto e cerâmica, fiam e tecem, preparam a comida e a chicha.

A alimentação é baseada na caça, coleta e cultivo de milho, mandioca, batata, amendoim e feijão. As aldeias migram quando o solo fica esgotado com as queimadas e os campos são invadidos por erva daninha.

Um conselho geral de chefes decide as questões de interesse da aldeia e da tribo, escolhendo os chefes da guerra. O cacique é sucedido pelo filho ou familiar mais forte, com distinção na guerra. Em tempos de paz, o cacique só tem poder se tiver prestígio. Sem o dom da palavra, um chefe é incapaz de viver em harmonia, de proteger seu povo. Na prática, a autoridade entre os Guaranis é uma qualidade, não um direito. Pode ocorrer de o cacique ser também um pajé. Os anciãos são guardiães das tradições da tribo.

Durante a colonização, os Guaranis são obrigados a escolher entre o trabalho nas encomiendas, a escravidão dos bandeirantes, a catequese nas missões ou a rebelião, pra não falar nas pestes, que os atingem qualquer que seja a sua opção.

Nas epidemias, os brancos são vistos como protegidos dos deuses. Os pajés podem ser mortos caso se mostrem incapazes de conter a doença. A doença e a morte não são consideradas naturais. Elas sempre ocorrerão provocadas por um fator externo: um espírito, um feitiço, uma criatura, um inimigo etc.

AS PRINCIPAIS TRIBOS

A nação guarani é composta por várias tribos, dentre as quais serão destacadas apenas quatro. As demais serão denominadas indistintamente de Guaranis. Os Avá destacam-se por ser uma tribo culturalmente diferenciada, por serem os guaranis que travaram contato com o Império do Sol. Os Carijós, por motivos geográficos, pois habitam a costa e são, para muitos viajantes, o primeiro contato com os nativos da Terra de Santa Cruz. Os Aché são os únicos que mantém hábitos totalmente nômades, além de possuírem uma origem misteriosa. Os Maoáris são os guaranis que fizeram o primeiro contato com as bandeiras de Piratininga.

[Nota do Autor: em O Desafio dos Bandeirantes, os Maoáris (nome fictício) representavam toda a nação guarani. Com a adoção do continente histórico, o nome foi preservado como homenagem ao jogo original para designar uma das tribos guaranis.]

Avá

Avá significa homem, e designa os Guaranis que ocuparam a região do Chaco Boreal e entraram em contato com o Império do Sol, atraídos pelos objetos de cobre e de bronze. As riquezas das montanhas levaram os Avá a se aventurarem bem além dos contrafortes andinos, obrigando os imperadores incas a construírem fortificação nas fronteiras. Essa migração rumo aos Andes ocorreu na busca da Terra Sem Males, que supostamente está situada a oeste.

Em seus avanços, os Avá escravizaram os Aruaques das tribos Chané e Mojo, que pertenciam ao Império. Os Incas os chamavam pejorativamente de Chiriguanos (chiri = frio; guano = excremento das aves marinhas, usado em fertilizantes). Ao escravizarem os Aruaques, os Avá deram início ao processo de miscigenação e surgimento de uma etnia distinta do resto dos Guaranis.

Guerreiros ferozes, diz a lenda que cinquenta índios Avá eram capazes de vencer mil Aruaques. Como são antropofágicos, muitos Aruaques foram devorados durante os ataques. Seus principais rivais na região são os Chiquitanos, única etnia do Chaco Boreal que não foi dominada por eles.

Quando os Castelhanos chegaram, os Avá estavam em guerra contra os Incas e os Aymarás. Apesar de se manterem irredutíveis contra os colonizadores, os missioneiros jesuítas obtêm algum sucesso onde a força militar fracassou.

Carijós

Índios da costa, de São Vicente ao Rio Grande de São Pedro, os Carijós são bastante amistosos e oferecem ajuda a todos os barcos que chegam a suas terras, até serem traídos pelos visitantes. Dóceis, trabalhadores e bem intencionados, aderem com facilidade às missões e à catequese. Cobrem suas casas com cascas de árvore e produzem casacos e redes de algodão, forrando-os com peles e penas. Mantêm muitas aves nas aldeias. Seus principais inimigos são os Charruas, os vizinhos do sul.

Aché

Os Aché vivem isolados nas florestas, formando grupos de cerca de uma dúzia de indivíduos. Não chegam a erguer uma morada, acampando por poucas noites em cada lugar. Sem praticar a agricultura, o produto da coleta é dividido igualmente pelo grupo.

As mulheres cuidam do abastecimento de água, da fabricação de farinha, fibras e cera, e do transporte dos utensílios. Os homens caçam, pescam, fabricam armas e preparam o terreno para o acampamento.

Os Aché apresentam algumas diferenças físicas dos demais Guaranis, o que chama atenção dos poucos colonos que conseguiram por os olhos em um grupo deles: a pele é mais branca do que o normal, os homens chegam a apresentar barba, e os olhos chegam a ser castanho claro ou mesmo acinzentados.

Os Castelhanos especulam que outros grupos de viajantes tenham chegado à Terra de Santa Cruz antes deles, talvez Vikings ou Fenícios. Mas ocorre que a origem dos Aché é uma incógnita até mesmo para os demais Guaranis, que chamam os Aché de Guayakis (ratos ferozes). Mas alguns anciãos se referem a eles como Guajagui, que os identifica como uma tribo inimiga.

Um sábio Caraí maoári, Panoramã, suspeita que o termo Guajagui guarde alguma ligação com os Guajáras. Na verdade, esse Caraí tem teses muito estranhas sobre a ligação dos Guajáras com os Guaranis e a Terra Sem Mal. Mas ninguém há de perguntar nada a ele, pois poucos sabem sobre os Guajáras. E nenhum deles é branco. Bem, talvez apenas um: Sumé.

Maoáris

Os Maoáris habitam o leste da Província do Guayrá, com forte presença ao norte do rio Paraná, chegando até a Capitania de São Vicente. Mantêm uma relação mais neutra e independente dos colonizadores, sem aceitar mais a interferência dos missioneiros após a destruição das missões do Guayrá, das quais faziam parte. Preferem se embrenhar no interior da selva, evitando ao máximo as bandeiras. Vivem em grupos menores que os demais Guaranis, de 4 a 5 famílias sob o mesmo teto. Após o fracasso das missões, passaram a se dedicar intensamente a seu mundo espiritual.

À época da construção do Forte Albuquerque, uma aldeia maoári logrou fazer uma aliança com os Lusitanos: estes manteriam os bandeirantes na linha enquanto eles cuidavam de auxiliá-los contra a hostilidade de outras tribos, e até mesmo contra os Castelhanos.

MAGIA E RELIGIÃO

Apesar de ter sua mitologia e seus deuses, os Guaranis não são idólatras. Eles não adoram espíritos, nem lhe dirigem preces. A única crença que os move e que influi diretamente em suas vidas é a da Terra Sem Mal.

Algumas tribos praticam a antropofagia ritual, comendo a carne dos inimigos valorosos. Este ritual também faz parte das várias formas de atingir a perfeição para alcançar a Terra Sem Mal ainda em vida. É, também, o primeiro costume a ser condenado pelos jesuítas.

O Mundo Espiritual

Nhamandú, o grande deus, criou a si mesmo em meio ao caos de Tatachina, a neblina primigénia, e dos ventos originais. Após terminar seu corpo, ele cria os outros deuses: Karaí, senhor do fogo e do sol; Yakairá, senhor das brumas e do fumo que inspira os xamãs; Nhanderú py’aguaçu, senhor das palavras; e Tupã, senhor das águas, das chuvas e do trovão, quem criou a humanidade, ajudado por Pará, sua esposa.

Añás são almas que tiveram má sorte, ou por suicídio ou agonia prolongada, transformando-se em seres de natureza demoníaca. Estes seres podem ser mantidos afastados com o fogo. Añá-Tunpa é o rei dos Añás, inimigo de Tupã e senhor do submundo.

Boyguasu-Tunpa é um tipo de Añá. Possui forma de serpente e castiga aqueles que não obedecem as leis do submundo, atravessando-os com uma flecha invisível que provoca enfermidade e morte, que só pode ser evitada por magia.

Os homens, animais e plantas que habitam a terra são apenas reflexos daqueles criados na morada eterna, Yvága. A primeira terra era perfeita e os homens a habitavam junto aos deuses. Para punir um incesto, os deuses a destruíram com um dilúvio. Nhamandú criou, então, uma segunda terra, Yvy Pyahu, imperfeita, cujos habitantes estariam destinados a sempre buscar pela primeira terra, a terra sem mal, Yvy Marã-e’y.

Ivy Marã-e’y

É a Terra Sem Mal, onde não há doença, fome ou guerras. Nela, o guarani se despe de sua mortalidade e se transforma em um homem-deus, capaz de viver sem trabalhar, comer sem ter de caçar, livre da dor e do sofrimento. Eternamente jovem e feliz em uma terra esplêndida. Ao contrário do Paraíso bíblico, do Éden, é possível alcançar a Terra Sem Mal sem precisar morrer. Isso só é possível àquele que atingir a perfeição em vida. Outra diferença é que ela fica em um lugar específico.

Mbaeverá-Guaçu: mítica e sagrada cidade dos guaranis, oculta e perdida em algum ponto da selva. Os índios esperam chegar nela em vida ou depois da morte digna (mais detalhes em Cidades e Templos).

PERSONAGENS GUARANIS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas.

Pajé

Os pajés guaranis são bastante versados na magia e muito hábeis na arte da cura. Nesta seara, os guaranis são muito inventivos. São eles que realizam a mediação entre os homens e o mundo espiritual.

Os feiticeiros propriamente ditos têm o mesmo poder do pajé, mas utilizam esse poder de forma egoísta e furtiva, fazendo mal à tribo.

Não há diferença entre os poderes dos pajés e dos feiticeiros, nem entre os pajés das diferentes tribos, exceto, dependendo das circunstâncias, os pajés dos Avá, que podem ter aprendido algum feitiço com as tribos do Chaco ou do Império do Sol.

Lista de Habilidade: Conhecimento da mata; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Andar sobre as águas; Barreira astral; Camuflagem; Chamado; Comunhão com a floresta; Comunicar-se com animais; Conjurar animais; Controlar animais; Controlar água; Controlar plantas; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Dardos de pedra; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Invocar tempestade; Levitar; Metamorfose; Olhos D’Água; Pacificar; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Viagem astral; Visão astral.

Caraí

É o pajé-profeta. Além dos pajés de cada aldeia, cada agrupamento guarani tem um Caraí, o pajé dos pajés, o grande feiticeiro, o profeta da tribo, que vive em relativo isolamento, distante do cotidiano e da política das aldeias, mas sempre acessível para lhes servir de guia espiritual. O Caraí não é um representante dos deuses, mas aquele que, por ter contato com os espíritos, poderá guia-los ainda em vida à Terra Sem Mal.

O Caraí não está formalmente vinculado ao seu grupo de origem, podendo percorrer diversas aldeias, inclusive de grupos rivais. Em 1549, o caraí Oberá lidera uma multidão crescente rumo à Terra Sem Mal, prometendo liberdade e desbatizando os índios catequisados. Multidões o seguem cantando e dançando durante dias.

O Caraí, diferentemente dos demais pajés, tem mais controle sobre o feitiço de Adivinhação. Ele também conhece o ritual que, através de um conselho de pajés, combina o poder de todos para enviar outras pessoas, mesmo aquelas sem poder mágico, para o Plano Astral, podendo sustentá-las por alguns poucos dias.

 

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 19:44  Deixe um comentário  

OS GUAICURUS

De origem patagônica, os Guaicurus instalaram-se no Chaco Austral, entre Tucumán e o norte do Rio da Prata, chegando até o Pantanal. São compostos por um emaranhado de tribos, como os Abipones, Qom, Mocovís, Pilagás, Paiaguás e Caduveos. Adquirem alguns elementos culturais das tribos andinas e dos Guaranis. Belicosos, hostilizam as tribos vizinhas, o que facilita o trabalho dos Castelhanos em arrumar apoio entre pequenas tribos locais e entre os Guaranis para enfrentá-los.

Quando os Castelhanos chegaram, havia cerca de 150 mil índios, altos e corpulentos, tanto homens quanto mulheres. Aumentaram seu território com a utilização de cavalos, aos quais se adaptaram rapidamente, como se fossem cavaleiros natos, apesar do terreno do Chaco não ser propício para cavalgar. Por isso, os Guaicurus utilizam usam uma peça de couro na cabeça para se protegerem dos espinhos das árvores. Assim, pressionam os Wichís para dentro do Chaco Central.

Em relação aos colonizadores, passam a realizar ataques relâmpagos nas cidades ao norte de Tucumán e às margens do rio Paraguay. Apenas no século XVIII, após muitas e trágicas tentativas, os Jesuítas conseguem reduzi-los em missões, que logo passam para as mãos dos franciscanos quando a Companhia de Jesus é expulsa do continente.

Os Guaicurus apresentam marcada divisão de trabalho por gênero: os homens, desde muito cedo, dedicam-se à caça e à pesca; as mulheres, à coleta e a uma agricultura incipiente. A agricultura é apenas complementar, pois o próprio clima não proporciona grandes chances para o desenvolvimento agrícola. São excelentes caçadores e coletores. Caçam anta, queixada, cervo, guanaco e diversos tipos de aves. Coletam frutos, raízes e mel.

Paiaguás

Tribo de Guaicurus que vivem às margens do rio Paraguay e seus afluentes, particularmente nos arredores de Assunção e no Pantanal. São caçadores, nômades e pescadores. Dominam a região com suas canoas, tendo os Guaranis como principais rivais. Tornam-se durante a colônia em verdadeiros piratas fluviais, não dando sossego aos vilarejos ribeirinhos ou aos viajantes acampados nas margens dos rios. Nenhum jesuíta conseguiu se estabelecer entre eles.

Magia e Religião

Piogonak é o xamã da tribo.

K’atá é o ser supremo, criador de tudo o que existe.

Neepec é o gênio do mal, em luta permanente contra K’atá.

Alwa Lek é senhor da terra, que emerge da terra para falar com os xamãs, auxiliando-os no exercício da medicina.

PERSONAGENS GUAICURUS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas, adicionando como habilidade obrigatória Montar animais, exceto os Paiaguás. Os Paiaguás têm como obrigatórias as habilidades Nadar, Furtividade e Navegação.

Piogonak

Os xamãs dos Guaicurus. Os Piogonak, uma vez que os Guaicurus descendem dos Patagões, têm uma forte ligação com os espíritos, assim como seus ancestrais patagônicos. Mas, diferentemente dos Patagões, não conseguem utilizar seus poderes mágicos através deles, apesar dos espíritos serem seus tutores em sua iniciação à magia. Um piogonak não ensina magia a outro, mas conjura um espírito de para fazê-lo. Mas, como seus ancestrais, eles podem conjurar os espíritos locais para pedir favores ou conselhos.

Cada rio, montanha, bosque, espécie animal, possui um espírito protetor a quem ele pode recorrer, nem que seja para solicitar uma passagem pela região sem sofrer nenhum tipo de retaliação.

Destes espíritos, o mais importante é Alwa Lek, que orienta os Piogonak a como utilizar a Cura para cortar o efeito de um veneno ou de uma doença. Mas Alwa Lek não atenderá ao chamado de um feiticeiro, aquele que não coloca seus poderes mágicos a serviço de sua tribo.

Um Piogonak é criado e utilizado da mesma forma que um Pajé, com a seguinte lista de feitiços e habilidades:

Lista de Habilidade: Conhecimento da mata; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Todas.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Andar sobre as águas; Barreira astral; Camuflagem; Chamado; Comunhão com a floresta; Comunicar-se com animais; Conjurar animais; Controlar animais; Controlar água; Controlar plantas; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Dardos de pedra; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Invocar espíritos; Levitar; Metamorfose; Olhos D’Água; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Viagem astral; Visão astral.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 18:54  Deixe um comentário  

WICHÍS

Também de origem patagônica, os Wichís são a tribo dominante de uma etnia que inclui ainda os Chorotes, Nivaklés e Mataguayos, que ocupam o centro e o oeste do Chaco. Empurrados pelos Guaranis ao norte e pelos Guaicurus ao sul, vão se concentrando cada vez mais no Chaco Central.

São caçadores e coletores, adquirindo alguns poucos hábitos da cultura andina, como o uso de mantas de lã. Diferentemente dos Guaicurus, não se adaptaram aos cavalos e foram considerados pacíficos pelos colonizadores, inclinados ao comércio e à agricultura. Contudo, em meados do século XVII, decidem atacar Esteco e Santiago del Estero devido à pressão territorial provocada pelos Guaicurus.

As aldeias wichís são formadas a partir da família monogâmica, exceto a do cacique. Cada núcleo é organizado por um chefe ancião e um conselho de homens. As famílias se agrupam em bandos de caça sob a autoridade de um cacique. Com a chegada dos Castelhanos, adotam o sedentarismo, com assentamentos às margens dos rios.

Magia e Religião

Jayawu é o xamã da tribo.

Nilatáj é o ser supremo.

Ajatáj é uma deidade criada por Nilatáj, a quem se opõem. Ajatáj reina no mundo subterrâneo, cujos domínios se estendem ao mundo aquático, e é o senhor das enfermidades. Apesar de seu antagonismo, tem papel importante na iniciação dos xamãs.

Ajat são os espíritos malignos do inframundo. Respondem a Ajatáj, que os criou para que lhe servissem.

Unnatlelé é senhor da terra e dos montes, responsável pelo chamado e iniciação dos xamãs.

PERSONAGENS WICHÍS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas.

Jayawu

Os xamãs dos Wichís. Os Jayawu, uma vez que os Wichís descendem dos Patagões, têm uma forte ligação com os espíritos e podem, assim, conjurar os espíritos locais para pedir favores ou conselhos. Entretanto, não podem usar seu poder mágico através deles.

Para a iniciação à magia, é conjurado Unnatlelé. Entretanto, os poderes relacionados à água deverão ser aprendidos com Ajatáj, o que deixará o jayawu mais suscetível a sua influência. Caso o jayawu se deixe seduzir pelas promessas de Ajatáj, ele terá acesso a outros feitiços. Caso isso ocorra, ele deixará de ser um jayawu, para se tornar um feiticeiro, um inimigo de sua tribo.

Se, por um lado, o feiticeiro terá mais poderes que um xamã wichí, por outro lado, não terá mais a ajuda dos espíritos dos bosques, dos animais, das colinas etc. Dependendo de sua conduta, será até mesmo hostilizado por eles, até chegar ao ponto de só conseguir refúgio nas águas dos rios e lagos, cujo mundo é dominado por Ajatáj, o único a quem poderá recorrer. Há quem diga que um Ajat é o espírito de um feiticeiro que perdeu a vida a serviço de Ajatáj. Além disso, poderá ter Ka’o’o em seu encalço (ver Mitos e Lendas).

Não há a impossibilidade de um jayawu ou um feiticeiro ensinar magia a outro índio, apenas não é esta a prática. Porém, um jayawu, ao quebrar a tradição, seria visto pelos demais como um feiticeiro. Além disso, ao fazê-lo, o feiticeiro poderá atrair a ira tanto de Unnatlelé quanto de Ajatáj.

Lista de Habilidade: Conhecimento da mata; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Todas.

Lista de Feitiços ensinados por Unnatlelé: Adivinhação; Barreira astral; Camuflagem; Chamado; Comunhão com a floresta; Comunicar-se com animais; Conjurar animais; Controlar animais; Controlar plantas; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Dardos de pedra; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Invocar Espíritos; Levitar; Metamorfose; Relâmpago; Remover magia; Viagem astral; Visão astral.

Lista de Feitiços ensinados por Ajatáj: Andar sobre as águas; Controlar água; Olhos D’Água; Respirar sob as águas.

Lista adicional do feiticeiro wichí: Amaldiçoar; Criar doença; Criar dor intensa; Trevas; Visão noturna.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 18:49  Deixe um comentário  

OS CHIQUITANOS

Os Chiquitanos habitam o norte do Chaco Boreal, do rio Paraguay aos contrafortes andinos. São formados por 23 subgrupos que falam o idioma Bésiro, que possui quatro dialetos distintos.

Em termos gerais, sua agricultura é de subsistência. Plantam mandioca, milho, amendoim e tabaco, que alternam com períodos de caça e pesca.  Criam porcos e galinhas, fazem tatuagens e pinturas corporais, utilizam ornamentos de prata no beiço e bebem chicha. Quando não há água permanente, constroem represas para abastecer as aldeias. As casas possuem portas baixas para se protegerem do clima e das feras. As aldeias são protegidas por paliçadas e espinhos.

Os Chiquitanos empurraram os Bororos para a Grande Floresta, disputando o resto do Chaco Boreal com os Avá, que haviam conquistado e escravizado as tribos Aruaques. Tão belicosos quanto os Avá, guerreavam para obter prisioneiros. Os cativos eram bem tratados e podiam até ser incorporados à tribo. Eventualmente, podiam ser trocados por adornos de metal com os Chanés, uma das tribos Aruaques.

Caracterizam-se pelo uso de flechas envenenadas, cujo veneno, bastante mortal, é tirado da árvore oboxo, manipulado apenas pelos xamãs.

A Chegada dos Colonizadores

Com a chegada dos bandeirantes pelo leste e dos Castelhanos pelo oeste, os Chiquitanos se viram em duas frentes de batalha, além dos inimigos tradicionais, os Avá, que a essa altura também tinham as mesmas preocupações.

Para reprimir os ataques a Santa Cruz de La Sierra, os Castelhanos passam a realizar ataques frequentes, o que leva os Chiquitanos, abatidos também com constantes epidemias, a aceitarem as missões. A ocupação do Chaco pelos Jesuítas desagrada ao povo da colônia, que nutre interesses comerciais na região, de forma que as missões são usadas pelos índios como proteção contra os colonos.

As missões chiquitanas são tão bem sucedidas quanto as missões guaraníticas. E, como as do sul, tornam-se fundamentais para impedir o avanço da fronteira lusitana, na luta contra os bandeirantes. Essa aliança acaba ajudando na redução de outras tribos e também no confronto com os Avá. A inimizade entre as duas etnias vinha desde a época do Império do Sol. Mesmo com essa rivalidade, antes das missões se estabelecerem, os Avá compram flechas envenenadas com os Chiquitanos, mas estas perdem o efeito com o tempo, causando poucas baixas entre os colonizadores.

Para a preocupação dos Jesuítas, os Chiquitanos assimilam bem demais os conceitos pacíficos do Cristianismo e começam a abdicar da luta, o que passa a ser desencorajado pelos padres. Os Jesuítas conseguem reverter essa tendência a tempo, pois os Avá atacam as missões no início do século XVIII. Sem o empenho dos Chiquitanos em sua defesa, haveria um massacre.

Magia e Religião

Assim como os Guaranis, os Chiquitanos não possuem nenhum tipo de culto. Os espíritos e senhores das coisas da natureza são denominados Hichi.

O Iriabo exerce a dupla função de xamã e cacique.

Mapono é o espírito que acompanha a alma dos mortos pelos caminhos do plano astral até chegar ao reino dos mortos.

Tatusiso, de semblante pálido, cara feia e corpo coberto por chagas, guarda o caminho que dá acesso ao reino dos mortos. Ele pode impedir o trajeto de Mapono e exigir a limpeza da alma do morto, caso considere que este não esteja ainda apto a entrar no reino, o que geralmente significa a realização de um conjunto de tarefas.

PERSONAGENS CHIQUITANOS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas, mas com um diferencial importante. Um chiquitano não precisa adquirir nenhuma habilidade relacionada a manuseio ou extração de veneno. Considere-se como uma habilidade inata de qualquer chiquitano que tenha crescido em seu meio cultural de origem. Entretanto, isso não o isenta de fazer o teste de habilidade, que não será bem sucedido apenas na eventualidade de uma Falha.

Iriabo

O Iriabo exerce as funções do xamã e do cacique, geralmente escolhido por se destacar nas guerras. Seu poder como cacique é restrito às guerras e às saídas para caçar e pescar. Como chefe guerreiro, é assistido por um conselho de anciões. Entre os chiquitanos reduzidos, os Iriabos exercem apenas a função de cacique.

Os Iriabos seguem as mesmas regras do Pajé, com as mesmas listas de feitiços e habilidades.

Lista de Habilidade: Conhecimento da mata; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Andar sobre as águas; Barreira astral; Camuflagem; Chamado; Comunhão com a floresta; Comunicar-se com animais; Conjurar animais; Controlar animais; Controlar água; Controlar plantas; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Dardos de pedra; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Invocar tempestade; Levitar; Metamorfose; Olhos D’Água; Pacificar; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Viagem astral; Visão astral.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 18:46  Deixe um comentário  

TRIBOS DO COLLASUYO

Collasuyo é o nome dado à região sul do Império do Sol, na qual viviam diversas tribos incorporadas pelos Incas, antes da chegada dos Castelhanos. Tal fato as diferencia dos Patagões, dos Mapuches e das outras tribos do Chaco. Em que pese diversas diferenças regionais e práticas culturais arraigadas, prevalece entre elas o culto ao sol, bem como aldeias com construções típicas do Império do Sol. A Confederação Diaguita é a mais importante delas, pois ocupam Tucumán e Nova Extremadura. Por isso, os Diaguitas são abordados de forma destacada. As demais aqui reunidas ocupam áreas limítrofes de Nova Castela e ajudam a compor a ambientação.

ATACAMEÑOS

Habitam o Deserto do Atacama, que se estende pela costa sul do Vice-Reino de Nova Castela até o vale do Copiapó, em Nova Extremadura. Sua cultura existe desde os anos 500. Foram conquistados pelo Império do Sol, que lhes impôs uma nova religião, o culto ao Sol, introduzindo as folhas de coca nos rituais. Os Incas os fizeram construir os caminhos que ligam o deserto até a vertente oriental da cordilheira. Defendiam seus povoados com muralhas de rochas, a púcara.  Os povoados eram construídos juntos a oásis, havendo pelo menos 10 aldeias quando os Castelhanos chegaram.

Falam o idioma Kunza. É o primeiro povo a trabalhar o cobre extraído da mina de Chuquicamata. O ouro é extraído de Incahuasi. Criam lhamas e alpacas e obtêm boas colheitas, considerando a escassez de água. Plantam produtos semelhantes aos dos Diaguitas e usam o guano como fertilizante. Conseguem pescados e mariscos com os Changos. Desenvolvem bem a arte da cerâmica.

As cerimônias religiosas eram regadas de alucinógenos, por meio dos quais inalavam o poder de aves, felinos e serpentes. A partir do domínio Inca, aderem também ao culto ao Sol. Creem em vários deuses, que habitam o vulcão sagrado Licancabur.

Personagens Atacameños

Os personagens sem magia seguem o padrão dos índios andinos. Os feiticeiros seguem a regra para Feiticeiros Indígenas. Os líderes espirituais seguem a lista de encantos do Sacerdote do Sol, mas sem os encantos Criar nevoeiro, Olhos D’Água e Pururauca.

Lista de Encantos: Adivinhação; Aura; Barreira astral; Chama solar; Controlar animais; Cura; Desviar ataques; Detectar magia; Espada astral; Exorcismo; Levitar; Luz Solar, Metamorfose Divina; Percepção de inimigos; Percepção de Magia; Raízes; Relâmpago; Remover magia; Viagem astral; Visão astral; Ventania; Vigor.

CHANGOS

Habitam a faixa litorânea correspondente ao deserto do Atacama. São nômades, percorrendo o litoral em busca do melhor local para pescar, montando seus toldos de couro de foca ou lobo marinho. Dedicam-se à pesca com balsas feitas de pele de lobo marinho. Usam arpão de osso amarrado a uma corda de couro. Mantêm relações comerciais com os Atacameños, antes e depois do domínio incaico. Com a escassez de água, bebem sangue de lobo marinho. Usam bolsas de pescado salgado para trocar por frutas e bebidas com outras etnias. São extintos por aculturação no século XIX.

Personagens Changos

Os personagens sem magia seguem o padrão dos índios andinos. Os feiticeiros seguem a regra para Feiticeiros Indígenas. Os líderes espirituais seguem a lista de encantos do Sacerdote do Sol, mas sem os encantos Luz Solar, Pururauca e Raízes.

Lista de Encantos: Adivinhação; Aura; Barreira astral; Chama solar; Controlar animais; Criar nevoeiro; Cura; Desviar ataques; Detectar magia; Espada astral; Exorcismo; Levitar; Metamorfose Divina; Olhos D’Água; Percepção de inimigos; Percepção de Magia; Relâmpago; Remover magia; Viagem astral; Visão astral; Ventania; Vigor.

KOLLAS

Habitam o sul do Atacama, as cercanias de San Salvador de Jujuy, a Quebrada de Humahuaca e parte dos vales Calchaquís. Têm origem na mestiçagem entre índios do Altiplano deslocados pelo Império do Sol para esta região como mitimaes. Portanto, são os índios urbanos da região que adotaram, por origem ou mestiçagem, os costumes do Império do Sol. Falam quéchua e aymará. Com o tempo, sofrem processo de catequização.

Personagens Kollas

Os personagens sem magia seguem o padrão dos índios andinos. Os feiticeiros seguem a regra para Feiticeiros Indígenas. Os líderes espirituais seguem a lista de encantos do Sacerdote do Sol, mas sem o encanto Pururauca.

Lista de Encantos: Adivinhação; Aura; Barreira astral; Chama solar; Controlar animais; Criar nevoeiro; Cura; Desviar ataques; Detectar magia; Espada astral; Exorcismo; Levitar; Luz Solar; Metamorfose Divina; Olhos D’Água; Percepção de inimigos; Percepção de Magia; Raízes; Relâmpago; Remover magia; Viagem astral; Visão astral; Ventania; Vigor.

ARUAQUES

Foram os primeiros nativos do Novo Mundo a travarem contato com o colonizador branco. Vivem espalhados pelas ilhas do Caribe, Antilhas e Bahamas, toda a região norte de Santa Cruz, grande floresta e contrafortes andinos. O que importa para esta parte do jogo é que este último grupo foi completamente assimilado pelo Império do Sol. Dessa etnia fazem parte os Moxos e os Chanés, que habitam os contrafortes andinos. Os Chanés, antes da chegada dos Castelhanos, foram escravizados pelos Guaranis. Os Moxos combateram junto aos Chanés, mas acabaram sofrendo muitas perdas também. Quando os Jesuítas chegaram ao Chaco Boreal, os Moxos se transformaram em um dos mais bem sucedidos grupos de missões.

Personagens Aruaques

Os personagens sem magia seguem o padrão dos índios andinos. Os feiticeiros seguem a regra para Feiticeiros Indígenas. Os líderes espirituais seguem a lista híbrida do Sacerdote do Sol com os xamãs da selva.

Lista de Encantos: Adivinhação; Aura; Barreira astral; Camuflagem; Chama solar; Controlar animais; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Dardos de pedra; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Espada astral; Exorcismo; Levitar; Metamorfose; Percepção de inimigos; Raízes; Relâmpago; Remover magia; Viagem astral; Visão astral; Ventania; Vigor.

 

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 18:13  Deixe um comentário  

CONFEDERAÇÃO DIAGUITA

Diaguitas foi como os Incas designaram um conjunto de tribos que habitavam as serras ao sul do Império do Sol e que falavam uma mesma língua, o Cacán. Trata-se de uma cultura antiga, do século IX, que habitava povoados bem organizados e ricos, e trabalhava os metais e a cerâmica com maestria. Apesar da resistência, foram submetidos aos Incas entre 1471 e 1533. Incorporaram, assim, o modo de vida e costumes incaicos. Construíram caminhos, tambos, pontes e templos. Aderiram à agricultura e à fabricação de tecidos. As casas eram de pedra com teto de palha.

Antes da invasão incaica, os Diaguitas viviam em pequenas aldeias independentes uma das outras. Cada qual tinha seu chefe. A preferência era pela sucessão hereditária, mas o filho deveria provar seu valor junto a seus pares. O chefe tinha várias mulheres, mas o resto da tribo era monogâmico. Com a chegada dos Incas, os vales foram divididos em setores e cada setor ficou submetido a um Curaca designado. Os setores eram compostos por grupos de habitações que se comunicavam entre si, com portas estreitas para a saída.

O chefe diaguita organizava todo o trabalho. Parte da colheita era guardada em depósitos comunitários, como no Império do Sol. Cultivavam milho, quinoa, kiwicha, pimenta, feijão, algodão e batata. Comiam uma torta de farinha chamada patay e bebiam aloja, uma bebida fermentada com base no fruto de algarrobo. Criavam lhamas, alpacas e tarucas. Os diaguitas da costa usavam pele de lobo marinho para confeccionar seus barcos de pesca.

No Império do Sol

Com os Incas, a religião se transformou em um sincretismo entre as antigas crenças e o culto ao sol, assim como a incorporação de vários mitos e deidades do Império do Sol. Os antepassados eram homenageados com menires. Os corpos eram colocados em espaços retangulares protegidos por cinco pedras, às vezes acompanhados por lhamas ou guanacos sacrificados, bem como de seus pertences.  Ao contrário da classe sacerdotal incaica, eles tinham apenas um xamã para cuidar de toda a parte espiritual.

Entre a cordilheira e o oceano Pacífico, os Diaguitas se espalharam pelos vales do Copiapó, Huasco, Elqui, Limari e Choapa, tornando-se vizinhos dos Picunches ao sul e dos Atacameños ao norte. Estes Diaguitas formaram uma aliança forte com os Incas e ganharam um papel de destaque no Collasuyo (região sul) do Império do Sol. Assim, tornaram-se o grupo nativo mais avançado do sul do continente.

A chegada dos Castelhanos

Quando os Castelhanos chegaram, os Diaguitas optaram por resistir. Os conflitos duram de 1560 a 1667. Nem todas as tribos participam das rebeliões, podendo estas permanecer em seu território original. As demais são obrigadas a se refugiar nos vales Calchaquis ou no Chaco Central.

Esse grupo de tribos é chamado pelos Castelhanos de Confederação Diaguita. Na parte oriental da cordilheira, entre os mais conhecidos estão os Calchaquis, Quilmes, Olongastas, Capayanes e Yacampis. Do lado ocidental estão os Copiapós, Huascos e Chilis. Quando os Castelhanos chegaram ao vale do Copiapó, os Diaguitas do oeste já haviam adotado o idioma mapuche. Até o final do século XVII, o Cacán havia desaparecido por completo na região.

Com a chegada dos Castelhanos, a população diaguita caiu de 30 mil para menos de 2 mil índios em apenas um século.

Os Vales Calchaquis

Sistema de vales montanhosos nas serras a oeste da Província de Tucumán, subindo a cordilheira no ponto em que abriga as montanhas mais altas. Os vales são muito estreitos e formam as quebradas.

AS PRINCIPAIS TRIBOS

Calchaquis

Habitam as áreas próximas a Salta, San Fernando de Catamarca, Santiago del Estero e San Miguel de Tucumán. São os protagonistas da primeira guerra calchaqui. Ganharam esse nome dos colonizadores devido ao líder da rebelião, Juan Calchaqui.

Moram em casas de pedra, como os Incas. Combatem com arco e flecha. Defendem-se com fortalezas chamadas púcaras, construídas em pontos quase inacessíveis da serra. Cultivam milho em andenes; obtêm lã e carne das lhamas, guanacos, vicunhas e tarucas; fabricam utensílios de cerâmica e trabalham o cobre e a prata. Fazem pictografia.

A autoridade do cacique é absoluta, e chegam ao poder por hereditariedade. A morte para um cacique é melhor do que a perda de autoridade.

Prestam culto ao Sol. As cerimônias de enterro duram oito dias e queimam a casa para evitar a volta do morto. Para eles, toda morte é violenta, portanto, provocada.

Quilmes

Procedentes do oeste, do outro lado das cordilheiras, refugiaram-se nos vales calchaquis fugindo da expansão do Império do Sol e confundindo-se com os Calchaquis. As mulheres preferem se jogar no abismo com seus filhos a se submeterem aos conquistadores. Participam intensamente da primeira e da terceira guerra calchaqui, quando tiveram que marchar 1.200 km até as reduções nas cercanias de Santa Maria de los Buenos Ayres, tornando-se praticamente extintos.

Capayanes

Habitam o norte da província de Cuyo e parte da serra pampeana, próximo a La Rioja e San Fernando de Catamarca. Tecem lãs de lhama e guanaco, trabalham o cobre e o ouro e constroem canais de irrigação. Bons agricultores. Moram em casas de adobe e barro, ás vezes usando uma grande árvore como teto. Participam da segunda guerra calchaqui. São extintos ao final do século XVIII.

Yacampis

Habitam a mesma região que os Capayanes, entre Cuyo e La Rioja. Participam da segunda guerra calchaqui. Vivem da criação de lhama e da agricultura. São utilizados como criadores de gado nas estâncias coloniais. Desapareceram após as guerras calchaquis.

Olongastas

Habitam a região entre La Rioja e Córdoba e os limites da província de Cuyo. Vivem basicamente nas grandes salinas da região. Tribo relativamente pequena, desde cedo sofre processo de dispersão étnica. Participam da segunda guerra calchaqui, sendo extintos no final do século XVIII.

OMAGUACAS

Não são Diaguitas, mas com sua participação nas guerras, acabam sendo confundidos com eles. Habitam a Quebrada de Humahuaca e a região de San Salvador de Jujuy. Receberam muita influência do Império do Sol, sendo dedicados à cultura do milho, à fabricação de tecidos e à cerâmica. Fundem o bronze para fazer armas e utensílios. Domesticam as lhamas e vivem em casas no estilo incaico. Assim como os Diaguitas, são formados por uma confederação de diversas pequenas tribos. Protagonizam a rebelião de 1594, liderados pelo cacique Viltipoco.

PERSONAGENS DIAGUITAS E OMAGUACAS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos índios andinos. Os feiticeiros seguem a regra para Feiticeiros Indígenas. Os líderes espirituais seguem a lista de encantos do Sacerdote do Sol, mas sem os encantos Luz Solar, Olhos D’Água e Pururauca.

Lista de Encantos: Adivinhação; Aura; Barreira astral; Chama solar; Controlar animais; Criar nevoeiro; Cura; Desviar ataques; Detectar magia; Espada astral; Exorcismo; Levitar; Metamorfose Divina; Percepção de inimigos; Percepção de Magia; Raízes; Relâmpago; Remover magia; Viagem astral; Visão astral; Ventania; Vigor.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 17:47  Deixe um comentário  

CHONOS

Os Chonos habitam principalmente as ilhas Guaitecas, ao sul de Chiloé, podendo se estender um pouco mais ao sul, onde se encontram os Kawésqar, e ao norte, chegando até o território dos Huilliches. Foram estes mapuches do sul, aliás, que praticamente expulsaram os Chonos de Chiloé antes da chegada dos Castelhanos. Assim como os Kawésqar, entranham-se pelos vales andinos, travando contato com os Patagões.

O corpo é mais proporcional, a pele mais clara e os hábitos não são muito distintos de seus vizinhos do sul: são nômades, caçam lobos marinhos e pescam. Vivem em grupos de 3 a 4 famílias, instalando-se temporariamente em uma costa, considerando aquele o seu território, mesmo que temporário. A coleta de algas e mariscos é realizada pelas mulheres. Consideram tabu jogar no mar as conchas dos mariscos que comem. A partir do século XVII, passam a plantar batatas e alguns grãos.

Andam de dalca, um tipo de piroga com cerca de 10 metros de comprimento, cabendo até 12 tripulantes. A dalca tem uma vela feita de pele de lobo marinho, bem como âncora de pedra e madeira. Assim como os Yámanas e os Kawésqar, de quem são aparentados, vivem parte do tempo em suas embarcações. Em terra, vivem em tendas ou cavernas. Usam lanças, maças, anzóis de madeira, redes de fibra vegetal e pederneiras. Cobrem o torso com capas de couro, algas marinhas ou tecido de pelo de cachorro.

A exploração Castelhana começou em 1553, com Francisco de Ulloa, quando se iniciou a ocupação de Chiloé. Inicialmente, os Chonos evitaram os Castelhanos e até mesmo apoiavam os corsários inimigos.

Os Jesuítas chegam às ilhas dos Chonos em 1612. As visitas são interrompidas em 1630. Depois, os Chonos passam a ir a Chiloé em busca de mulheres e metais. Os Castelhanos não podem evitar os ataques, mas podem retaliar, indo às ilhas dos Chonos buscar prisioneiros, que viram escravos e, nessa condição, duram pouco tempo, pois não resistem à mudança de hábitos e de alimentação.

Em meados do século XVII, um chono espalha o boato de presença britânica ao sul de Chiloé. O Vice-Rei de Nova Castela envia uma frota de 12 navios, apenas para descobrir que era um trote.

No início do século XVIII, famílias de Chonos começam a chegar ao forte San Miguel de Calbuco desejando a paz e querendo viver entre os colonos. Muitos viram cristãos e são assentados. Incomodados por madeireiros, a maioria decide voltar ao nomadismo. A missão então se muda para Quinchao, onde outras famílias haviam se estabelecido. À medida que mais assentamentos são feitos, os Jesuítas se deslocam para a vila mais populosa. As autoridades concluem que é muito difícil assentar e catequizar os Chonos, considerando-os hostis e escorregadios. Até o final do século XVIII, os Chonos praticamente desaparecem por meio da mestiçagem com os Huilliches.

Magia e Religião

Os Chonos enterram seus mortos nas cavernas, onde permanecem secos, sem apresentar sinais de decomposição, postos com as pernas flexionadas, em posição fetal.

Assim como os Yámanas e os Kawésqar, há os espíritos ligados à natureza.

PERSONAGENS CHONOS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas, sendo as habilidades Caça e Pesca, Nadar, Navegação e Senso de Orientação obrigatórias.

A magia dos xamãs recebe bastante influência dos Kawésqar e um pouco dos Huilliches, o que leva a ter um ou outro chono entre os Calcus.

Lista de Habilidade: Navegação; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Todos.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Andar sobre as águas; Amaldiçoar; Aura; Barreira astral; Chamado; Comunicar-se com animais; Controlar água; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Homeotermia; Invocar Espíritos; Levitar; Metamorfose; Olhos d’água; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Ventania; Viagem astral; Visão astral; Visão noturna.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 17:26  Deixe um comentário  

KAWÉSQAR

Vivem nas ilhas do arquipélago voltadas para o Pacífico, do Estreito até o Golfo de Penas, onde uma geleira desce as cordilheiras até quase se encontrar com o mar. Por ocupar um território tão extenso e descontínuo, os Kawésqar são compostos por três grandes grupos com diferenças dialetais mais marcadas do que os Yámanas.

Os Kawésqar são bem mais baixos que os patagões, não passando muito de 1,60 m. A baixa estatura é compensada pelo tórax e costas largas e fortes. As pernas, entretanto, são curtas e finas, consequência de uma vida quase toda passada dentro de uma canoa, a hallef. A hallef possui de 8 a 9 metros de comprimento, sendo feita uma fogueira em seu centro. Possui uma manta de couro para cobri-la por inteiro em forma de toldo.

Não possuem casas ou aldeias, vivendo em suas canoas com a família, deslocando-se entre uma ilha e outra, sempre em busca de alimento. Só quando o clima não permite é que acampam em terra firme. Nestas ocasiões, montam sua choça com madeira e peles.

Como os Yámanas, a unidade é familiar, vivendo em pequenos grupos. Ocasionalmente, juntam duas ou três famílias para tarefas específicas. As vestimentas são iguais às dos Yámanas, mas sem proteção dos genitais. A poligamia é rara, mas não proibida. A infidelidade feminina, entretanto, é severamente punida.

Alimentam-se de peixes, leões-marinhos, foca e lontra. Às vezes matam uma ave para comer. A carne pode ser assada, mas muitas vezes é comida crua e sem sal. Não possuem vasilhas para armazenar comida, apenas pequenas bolsas de couro. Também deixam sambaquis no litoral, pois julgam que jogar as conchas de volta ao mar traz má sorte. Quando, eventualmente, conseguem caçar uma baleia, chamam outros grupos por meio de sinais de fumaça para repartir a carne e a gordura abundantes, bem como os ossos e nervos.

Usam ferramentas de osso, pedra, madeira, conchas, peles e nervo de baleia. Como armas, usam o arco e flecha, fundas, arpões e facões de ossos de baleia. Eles encontram pirita de ferro para fazer fogo em uma ilha que divide o seu território com os Yámanas, no final do Estreito.

Com as hallef, exploram as reentrâncias da cordilheira e avançam para dentro do território dos patagões. Comerciam com os Selknam, Yámanas, Aonikénk e Chonos, sendo a única etnia a manter contato com todos os povos do extremo sul. O primeiro contato com homens brancos foi em meados do século XVI.

Magia e Religião

Da mesma forma que os Yámanas, não possuem culto. A morte é razão de reunião de todo o grupo familiar. O morto é velado com dor e silêncio, enquanto uma fogueira é mantida acesa para manter Ayayema afastado. Depois, o morto é envolto em pele de foca e entregue a Ayayema. De acordo com as circunstâncias, a sepultura pode ser uma fenda na rocha, o fundo do mar, um pequeno mausoléu ou o pântano.

Ówurkan é o xamã.

Alep-láyp é o deus bom.

Ayayema é o espírito do caos.

Assim como os Yámanas, há os espíritos ligados à natureza.

PERSONAGENS KAWÉSQAR

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas, sendo as habilidades Caça e Pesca, Nadar, Navegação e Senso de Orientação obrigatórias.

Ówurkan

Xamã, tanto homem quanto mulher, responsável pela sabedoria e transmissão oral do conhecimento de seu povo. A magia dos Kawésqar é similar a dos Yámanas, com pequenas diferenças.

Lista de Habilidade: Navegação; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Todos.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Andar sobre as águas; Amaldiçoar; Aura; Barreira astral; Controlar água; Criar nevoeiro; Cura; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Homeotermia; Invocar Espíritos; Levitar; Nevasca; Olhos d’água; Ouvir o vento; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Ventania; Viagem astral; Visão astral; Visão noturna.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 17:24  Deixe um comentário  

YÁMANAS

Os Yámanas vivem nas ilhas ao sul da grande ilha da Terra do Fogo, bem como em dezenas de ilhas de tamanhos bem variados espalhadas ao sul dela. A dispersão territorial acabou formando cinco grupos que apresentam diferenças dialetais (Wakimaala, Utumaala, Inalumaala, Ilalumaala e Yeskumaala), havendo pequenas rusgas territoriais. Mas, no geral, os Yámanas são unidos e mantêm intercâmbio entre si.

De temperamento alegre, os Yámanas são nômades e muito hábeis em suas canoas, chamadas anan, que usam para pescar e ir de uma ilha à outra. As anans são de tamanhos variáveis, podendo ter de 3 a 5 metros de comprimento e cerca de 1 metro de largura. O remo tem forma de lança para não enganchar nas águas. As mulheres remam no timão, na popa. As crianças ficam no centro, cuidando do fogo. Os homens ficam na frente, atentos à caça com os arpões em prontidão. Mas são as mulheres que mergulham na água fria para recolher a presa.

A principal atividade é a caça de mamíferos marinhos, usando arpões compridos. Os Yámanas não plantam. Quando acampam, comem guanaco, cogumelos, aves e ovos. Deixam sambaquis nas costas, pois jogar as conchas de volta ao mar é considerado tabu, traz má sorte.

Apesar do frio, boa parte do corpo fica descoberta, para evitar a saturação por umidade, o que aceleraria a perda de calor. Para se protegerem do frio, passam gordura de leão-marinho. Usam o couro desse animal sobre os ombros como capa. Vestem mocassim para os pés e cobrem os genitais com couro. As mulheres usam colares com ossos de ave ou pequenos caracóis. As ferramentas usadas são de osso, madeira, pedra e couro. Dos animais também se aproveitam os tendões, nervos e fibras vegetais. Além do arpão, usam flechas e lanças.

As águas na região dos Yámanas são mais calmas do que no resto do arquipélago. Os Yámanas são muito conscientes das mudanças climáticas e dos perigos da região. As ilhas do sul são mais acolhedoras e com mais recursos que as ilhas voltadas para o Pacífico, sempre assoladas pelo mau tempo e ventos fortes. E são mais quentes do que o território dos Selknam.

Formam grupos desprovidos de um cacique. A base é a família, dirigida pelo pai, com atribuições para cada integrante. Os grupos familiares coexistem e interagem formando pequenos grupos de caça. Durante o inverno, buscam refúgio na costa. O idioma é próprio. Os Yámanas não possuem parentesco com os Selknam, mas sim com os Kawésqar e Chonos, ainda que distante.

A relação com os Kawésqar é amistosa, de intercâmbio, incluindo alianças matrimoniais. As hostilidades são direcionadas aos Selknam, principalmente por questões territoriais dentro da grande ilha.

O primeiro contato com os brancos ocorre em 1577, com o navio avariado de Francis Drake. Em 1624, travam contato com a Frota Nassau, de Jacob de L’Hermite. Ao descerem numa ilha para pegar água e lenha, ajudados pelos Yámanas, 19 tripulantes holandeses ficam retidos devido ao repentino mal tempo. Os Yámanas surpreendem e atacam os estrangeiros, matando 17 deles, sendo que cinco são deixados esquartejados na praia; os outros 12 são levados. Só dois tripulantes sobreviveram.

Magia e Religião

Um Yámana é enterrado junto com seus pertences e sua sepultura é abandonada pelo resto da tribo.

Yekamush  é o xamã.

Watauinewa é a principal deidade, bondoso e justiceiro, a quem tudo se pede. Mas não há nenhum culto ou adoração.

Curspi é o espírito maligno, que os castiga com vento, chuva e neve, e dificulta a busca por alimentos. O arco-íris é visto como o mensageiro de sua ira.

Os demais espíritos, os Yoalox, estão associados à natureza (rios, ilhas, montanhas, animais, mares etc.) ou até mesmo a objetos.

PERSONAGENS YÁMANAS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas, sendo as habilidades Caça e Pesca, Nadar, Navegação e Senso de Orientação obrigatórias.

Yekamush

São os xamãs da tribo, e não são muitos. Os jovens que apresentam aptidão para magia são reunidos em uma mesma vivenda, afastada dos acampamentos, onde são treinados e postos à prova.

Ao contrário de seus vizinhos Selknam, a magia yámana é restrita e pragmática, voltada para a atividade de pesca e aos obstáculos enfrentados no cotidiano da tribo.

Em seu uso do feitiço Adivinhação, os Yekamush se especializaram em prever as mudanças do tempo, obtendo resultados bastante precisos.

Lista de Habilidade: Navegação; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Todos.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Andar sobre as águas; Aura; Barreira astral; Controlar água; Controlar vento; Criar nevoeiro; Cura; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Homeotermia; Invocar Espíritos; Levitar; Olhos d’água; Ouvir o vento; Pacificar; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Ventania; Ventura; Viagem astral; Visão astral; Visão noturna.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 17:22  Deixe um comentário  

CHARRUAS

Os Charruas não são nada pacíficos. Eles descendem tanto dos patagões setentrionais quanto dos guaicurus, o que pode ser percebido por sua compleição física, embora não tão altos quanto as outras tribos patagônicas. Apesar dessa origem, receberam bastante influência cultural dos Guaranis, particularmente de uma pequena tribo de guaranis canoeiros, os Chandules, que chegou até o rio da Prata. Esta tribo desapareceu já no final do século XVI. A relação com os Guaranis em geral é de muita troca e rivalidade. O idioma é próprio.

Os Charruas ocupam toda a costa sul da Cisplatina e ambas as margens do baixo Uruguay, chegando até a margem ocidental do rio Paraná. Subindo os dois rios, podem ser encontrados até os arredores de Santa Fé.

Ao contrário dos Guaranis, não praticam a antropofagia, mas, devido à presença constante de Guaranis ao sul do rio Uruguay, alguns incidentes nesse sentido envolvendo guaranis acabaram sendo creditados pelos colonos aos Charruas.

Possuem uma organização social forte, baseada na autoridade do cacique. Mesmo sendo este de linhagem, é necessária a aceitação da tribo para consolidar a sua autoridade. Em caso de guerra, é escolhido um Cacique Geral, auxiliado por um Conselho.

Nas guerras, os Charruas não fazem prisioneiros por muito tempo. Eles acreditam que todo guerreiro merece morrer em batalha. Assim, é dada ao prisioneiro a honra de morrer lutando, ainda que não lhe seja dada chance alguma de salvação. O guerreiro charrua faz cicatrizes em seu próprio corpo para contabilizar os inimigos abatidos. Quanto às mulheres e filhos dos inimigos, estes são resgatados e incorporados à tribo.

Eles usam azagaias, tacapes, flechas, fundas e boleadeiras, antigamente usadas para caçar os ñandus (emas), mas que acaba sendo mais úteis para derrubar os cavalos dos Castelhanos. Os arcos são simples e curtos. Os arqueiros constituem uma força especializada, treinada desde cedo, incorporando a seu treinamento o tiro sobre cavalo.

A filiação é poligâmica, seguindo a linhagem paterna. A mulher pode trocar de marido se assim o desejar, mas não lhe é permitido ter mais de um marido ao mesmo tempo, pelo menos oficialmente.

Nômades caçadores e coletores, os Charruas rapidamente dominaram a arte equestre e adotaram a criação de gado, mas sem abandonar o nomadismo. E ainda são excelentes pescadores e nadadores

As habitações são um tanto primitivas, com esteiras quadradas esticadas, muitas vezes sem teto, com as choças funcionando como para ventos. Usam muito couro e pele de animais silvestres nas vestimentas, e pinturas faciais para diferenciar as tribos. Seus utensílios são feito de couro e de uma cerâmica tosca, sem maior preocupação estética ou de acabamento.

Os Charruas e os Castelhanos

Os problemas com os colonos começaram logo na expedição de Gaboto. Em pouco tempo os Charruas, inicialmente amistosos, irritaram-se com a atitude e as ações dos Castelhanos e decidiram tratá-los como inimigos.

Em 1552, próximo a onde Colônia do Sacramento é posteriormente erguida, os espanhóis fundaram a Vila de San Juan, que é destruída pelos Charruas no ano seguinte. Em 1574, um pouco mais ao norte, fundaram a cidade Zarantina del San Salvador, completamente destruída três anos depois.

Os Franciscanos tentam, sem sucesso, colocá-los em uma missão. Os Jesuítas sequer se dão ao trabalho, considerando-os selvagens incorrigíveis.

Em 1702, na Batalha Del Yi, os Charruas enfrentam um exército de dois mil guaranis oriundos das missões, sob o comando dos Castelhanos. Saldo de 300 mortos e 500 prisioneiros conduzidos às reduções próximas a Santa Maria de los Buenos Aires, para onde, poucas décadas antes, foram levados os Quilmes. Duzentos charruas são mortos à traição, degolados.

Posteriormente, ocorre novo confronto contra um exército de quatro mil guaranis, com final semelhante. Os Castelhanos lideram seguidas campanhas de extermínio dos Charruas, promovendo uma guerra sistemática em meados do século XVIII.

MAGIA E RELIGIÃO

Apesar de sua ancestralidade, a relação dos Charruas com o mundo espiritual é mais semelhante a dos Guaranis, tanto no distanciamento quanto no uso da erva-mate exclusivamente como bebida ritual.

Assim como os Guaranis e Chiquitanos, possuem um interesse mais direcionado ao pós-morte. Seus mortos são todos, indistintamente, enterrados em cova rasa no alto do morro. Esses locais de repouso se assemelham a cemitérios, sendo cercado por pedras. Se o morto for um guerreiro, sua lança é fincada ao lado da sepultura, e a boleadeira deixada sobre o monte de terra.

O luto é rigoroso. Quando o morto é o chefe da família, seja ele um pai, marido ou irmão, os filhos, viúvas e irmãs casadas cortam uma falange da mão e, com a lança dele, provocam cortes pelo corpo. Segue-se, então, a reclusão com dieta restrita. Os maridos não fazem luto pelas mulheres, nem os pais pelos seus filhos.

PERSONAGENS CHARRUAS

Os personagens sem magia seguem o padrão dos personagens indígenas. Não são obrigatórias, mas convém adquirir as habilidades Montar animais e Nadar.

Os xamãs charruas seguem as mesmas regras do Pajé, com quase a mesma lista de feitiços e habilidades.

Lista de Habilidade: Conhecimento da mata; Cultura indígena; Ervas e plantas; Mitos e lendas; Ocultismo (atributo relacionado: Inteligência). Habilidades obrigatórias: Todas.

Lista de Feitiços: Adivinhação; Andar sobre as águas; Barreira astral; Camuflagem; Chamado; Comunhão com a floresta; Comunicar-se com animais; Conjurar animais; Controlar animais; Controlar água; Controlar plantas; Criar ilusão; Criar nevoeiro; Cura; Dardos de pedra; Desviar ataques; Detectar magia; Elo mental com animais; Exorcismo; Levitar; Metamorfose; Olhos D’Água; Ouvir o vento; Relâmpago; Remover magia; Respirar sob as águas; Viagem astral; Visão astral.

Published in: on 20 de setembro de 2016 at 17:08  Deixe um comentário