Vilas do Oeste

Vila da Ilha Grande

Em 1608, o povoado iniciado em 1556 em região outrora repleta de histórias de encontros entre brancos e Tupinambás é reconhecido como vila. Situada em uma verdejante angra a oeste de São Sebastião, seu porto é protegido por dezenas de ilha, entre as quais se destaca a Ilha Grande que dá nome à vila.

Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty

Um pequeno povoado teve início junto às margens do rio Perequê-Açu no final do século XVI. A transformação da vila, em 1670, foi permitida com a condição de que os nativos da região não fossem molestados. O porto de Paraty se revelou mais estratégico do que o da Vila da Ilha Grande devido a um antigo Peabiru que liga a região ao vale do rio Paraíba, atravessando a Muralha Verde. Com o incremento das lavras de ouro no interior, este caminho tem se mostrado o meio mais rápido de se chegar até lá desde a costa. Apesar da travessia íngreme, a trilha tem a vantagem de evitar a perigosa Serra da Bocaina, que se ergue por detrás da Vila da Ilha Grande, onde se esconde o vale dos temidos Acritós. Assim, mercadorias com destino às lavras chegavam primeiro em São Sebastião e depois seguiam a Paraty. Os governos de Itanhaém e São Vicente desejam recuperar o domínio sobre Paraty, que já fora antes um povoado vicentino. Assim, eles terão controle tanto sobre a fundição quanto sobre a saída do ouro.

Aldeia de São Francisco Xavier de Itinga

Por iniciativa dos filhos do primeiro Visconde de Asseca, vários Cariós apresados no sul foram aldeados nos limites da Fazenda Santa Cruz, de propriedade dos Jesuítas. A aldeia acabou sendo encampada pela Companhia. Atualmente conta com cerca de 300 almas.

Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba

Aldeia de Tupiniquins trazidos do Nordeste, administrada por particulares supostamente ligados ao Visconde de Asseca. Diz-se que a aldeia de Itinga foi engue aos Jesuítas em troca da manutenção do caráter privado da aldeia de Mangaratiba.

Anúncios
Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:41  Deixe um comentário  

Banda d’Além

Vila Real da Praia Grande

Em 1567, o líder dos Temiminós que lutaram ao lado dos Lusitanos na guerra contra os Francos e os Tupinambás decidiu ocupar a margem leste da baía, onde foi erguida a vila jesuítica São Lourenço dos Índios. Aos poucos, ao redor da missão, muitos Lusitanos ergueram suas casas e formaram a Vila Real da Praia Grande, próxima à Fortaleza de Santa Cruz, construída em 1555 para ajudar a defender a entrada da baía.

Com o crescimento da vila, a aldeia de São Lourenço foi minguando, chegando ao fim do século com pouco mais de cem almas. Muitos migraram para a aldeia de São Barnabé, com cerca de 400 nativos de origem temiminó e tupinambá, mais ao norte.

Seguindo pelo litoral, às margens da lagoa Maricaha foi fundada a fazenda São Bento por monges beneditinos.

Freguesia de Magepemerim

Fundado por colonos lusitanos em 1566 e elevada a freguesia em 1696, a vida local gira em torno do porto que faz ligação com São Sebastião e escoa toda a produção do fundo da baía. Nesse porto, inclusive, aportam alguns navios negreiros.

Freguesia de São Gonçalo de Amarante

A freguesia foi criada em 1644 junto à fazenda jesuítica de Colubandê, ao norte de São Lourenço dos Índios. Os engenhos da região desenvolveram uma próspera produção de cachaça. Em 1660, o governador aumentou a taxa sobre o produto para aparelhar suas tropas. Seguiu-se uma revolta dos senhores de engenho da região, que levou à deposição do governador. Mas o Visconde de Asseca já havia contornado situações piores. Em poucos meses reuniu forças em São Vicente e conseguiu dar fim à revolta.

Vila Santo Antônio de Cacerebu

Localizada às margens do rio Macacu, nome de uma árvore da qual se extrai tinta, a freguesia foi criada em 1647, após a expulsão dos Puris, tornando-se em vila em 1697. O termo da vila abrange seis léguas de cada margem do rio, descendo da vila, aos pés da serra, até a sua barra, nos fundos da baía.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:40  Deixe um comentário  

Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro

O paraíso dos Tupinambás foi primeiramente explorado pelos Francos, que lá tentaram se estabelecer em 1555. Só então os Lusitanos se preocuparem em ocupar o território. Expulsar os Francos não foi tão difícil, mas os Tupinambás, que a eles se aliaram, ofereceram grande resistência, em uma guerra que durou sete anos. A cidade fundada em 1565 era apenas um aldeamento de pau a pique à beira mar. Com o final da guerra, os colonos se transferiram para o alto do Morro do Castelo. O núcleo urbano pouco cresceu nas primeiras décadas, mas a quantidades de fazendas, engenhos, roças compensou com sobras a simplicidade de suas construções. Com o crescimento dos canaviais, a capitania cresceu e a cidade cresceu junto. Seu porto é parada obrigatória aos navios que partem para o sul da Terra de Santa Cruz, o que atraiu também a visita de piratas até o final do século passado. Ladeada por duas baías, cercada e entrecortada por altas montanhas, a cidade, que abriga uma exuberante natureza, é ao mesmo tempo benção e desafio àqueles que nela vivem.

Em São Sebastião os edifícios são pouco elevados em ruas voltadas para o mar e as casas não possuem encantos. Entretanto, as pedreiras da região permitem que haja muitas construções sólidas. As ruas são verdadeiros esgotos a céu aberto, onde animais domésticos fazem suas coisas e os tonéis de dejetos são despejados pelos escravos.

A paisagem é dominada pelos morros do Castelo (ocupado pelos Jesuítas), São Bento (ocupado pelos Beneditinos), Santo Antônio (ocupado pelos Franciscanos) e da Conceição (ocupado pelos Capuchinhos francos). Entre eles, a rua Direita, a rua da Vala e a rua da Misericórdia. Há uma fortaleza com canhões aos pés do Morro do Castelo e um centro comercial aos pés do Morro de São Bento, animado por embarcações vindas do rio da Prata e São Paulo de Loanda.

O núcleo urbano conta com quinze igrejas. Na parte baixa da cidade, sobressaem o Convento do Carmo e a Igreja da Cruz dos Militares. A Ermida da Nossa Senhora da Candelária foi erguida em 1609, na rua Direita, por um casal lusitano, em agradecimento por terem sobrevivido ao quase naufrágio da embarcação Candelária. Mais afastada, no alto de uma pedra que domina a parte norte da baía, encontra-se a Capela de Nossa Senhora da Penha, erguida em 1635 também em agradecimento por ter o senhor daquelas terras sobrevivido ao ataque de uma serpente. Aos poucos a igreja vai ganhando fama de santuário milagroso.

O perfil da cidade é basicamente rural. Os trapiches são encarregados de armazenar o açúcar que chegam dos engenhos. Ao longo do Caminho do Catete, um antigo Peabiru, olarias abastecem a cidade com tijolos e telhas. A Cadeia Pública e a Casa da Câmara, ainda em construção, desceram o Castelo e se instalaram no Largo do Carmo, em frente ao porto onde são desembarcados os negros escravos. Entre o porto e o morro de São Bento fica a Praia do Peixe, lugar de atracação de canoas e venda de peixes. Alguns pescadores são muito bem sucedidos.

Na Ilha de Paranapuã há um estaleiro para fabricar galeões e fragatas. Em frente à ilha, no continente, pequenas embarcações ficam ancoradas para escoar o açúcar que desce pelo rio Irajá, navegável e repleto de vida. Ao longo desse rio foram erguidos os primeiros engenhos da cidade. Ali, no interior, onde antes ficava a aldeia tupinambá Eraîá, foi erguido um entreposto, o Paço do Irajá, para onde convergem vários caminhos e de onde sai o açúcar levado até a baía.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:39  Deixe um comentário  

CAPITANIA REAL DE SÃO SEBASTIÃO

A região era inicialmente parte da Capitania de São Vicente, mas ficou completamente abandonada, à disposição dos Franceses. Após a guerra contra os Francos e seus aliados Tupinambás, foi fundada a Cidade de São Sebastião. Então a Coroa tomou para si a administração da nova capitania, separando-a de São Vicente. Mais tarde, a capitania foi novamente desmembrada, dando origem à Capitania Real do Cabo Frio.

A atual capitania se limita à Cidade de São Sebastião e seu entorno, encontrando seus limites ao norte no vale do rio Paraitinga, ao qual se chega após transpor a íngreme Serra de Paranapiacaba. A oeste, as terras são frequentemente disputadas pelas capitanias de Itanhaém e São Vicente. As poucas vilas e povoados ali existentes se espremem entre a muralha verde da serra e o entrecortado litoral de enseadas e ilhas.

Para leste, após atravessar a baía, encontra-se a fértil Banda d’Além, que se estende até a região de lagos que marca o início da Capitania Real do Cabo Frio.

A viagem de São Sebastião para a capital da província é dificultada pelos ventos contrários que sopram entre setembro e março. Os lusitanos desenvolveram uma técnica para conseguir fazer o percurso nessas condições, ou os colonos teriam morrido de fome no século XVI.

Published in: on 11 de janeiro de 2019 at 1:38  Deixe um comentário